Categoria: Segredos da Fada – O Livro

  • Prólogo

    Escrevo esse livro com um simples objetivo:

    Atrair para perto de nós pessoas com a mente parecida.

    Estou falando de mulheres e homens que querem, antes de mais nada, gozar muito. Que valorizam o sexo e tem na mente a importância dele tão grande quanto comer, beber e dormir.

    E quando digo perto de nós não quero dizer online. Quero dizer na estrada, viajando, visitando, curtindo a pele na pele e as ideias no olhar, na voz, no trejeito. Que a ideia seja mais que ideia, seja prática!

    Que sejam livres de fato, sem draminhas de ciúme, de posse, dessa merda toda que somos obrigados a engolir desde que Cristo é Cristo. Que saibam gozar e seguir seu caminho, sabendo que do que é bom sempre vamos querer mais. E que coisa boa é um sexo com saudades!

    Que sejam pessoas livres de preconceitos sexuais. Sem nomes e siglas para isso ou aquilo, sem definições. Que importa se você tem um pau, uma buceta, ou um pau e peitos? Nada disso importa na hora de sentir prazer.

    E não é um objetivo egoísta: eu também desejo conectar essas pessoas entre elas. Quero que vocês se fodam, no melhor sentido da palavra! Onde dois ou mais estiverem em meu nome, haverá tesão e gozadas!

    Somos tão poucas e poucos, em um mundo que insiste em oprimir a sexualidade ao mesmo tempo que a estimula de forma torta, com objetivos excusos. Gozo porque amo, porque preciso, e gozo por resistência.

    Bardo e eu estamos aqui no Jardim Secreto aguardando cada uma e cada um de vocês que desejam essa liberdade. Ela existe e somos a prova viva, livre, leve e solta disso!

    Primeiro: Leia o livro. E se, ao final, acreditar no mesmo que acredito, venha. Estamos te esperando.

  • Capítulo 1 – Gênese

    Como todo mundo eu cresci sem nenhuma educação sexual. Por um lado sou grata por ter tido uma jornada deliciosa de descoberta, por outro lado sou grata pela sorte de não ter sido abusada no processo e por outro lado (quantos lados isso pode ter?) eu condeno meus pais, o padre, meus professores, minha família e todo mundo que estava ao meu redor enquanto eu crescia.

    ***

    Uma nota séria sobre sexo e crianças: não combina. Não preciso nem ir pro campo moral para discutir isso: a medicina nos prova que precisamos deixar o corpo humano se desenvolver até a maioridade para se reproduzir. Podemos sentir tesão antes disso? Claro que sim e isso deve ser acompanhado de uma jornada solitária de descoberta do próprio corpo, apoiada por informação suficiente e uma rede de proteção das pessoas ao redor.

    Isso me leva a outra nota mais séria ainda: para mim, todo o tesão e todos os fetiches devem ser respeitados. O estado de espírito que entramos durante o tesão é uma coisa magnífica, da mais alta ordem física e espiritual e deve ser tratado com a devida honra e admiração. Fica aqui o limite que eu gostaria que todo mundo concordasse: que todo o tesão aconteça entre humanos com plenas falcudades mentais e idade biológica adequada.

    Dito isso, sei que não posso evitar que esse capítulo desperte o tesão de adultos em uma adolescente e isso não deve me impedir de dividir essa parte da história com você. Meu maior desejo com isso é que esse relato possa ajudar outros e outras adolescentes sem educação sexual e adultos que estejam educando outras pessoas a ter um pouco mais de clareza e prazer na sua jornada, além de evitar qualquer abuso.

    ***

    Aos seis anos de idade tive que operar meu apêndice. Foi horrível. Tenho memórias do desespero no rosto da minha mãe, da ambulância, do hospital. Da enfermeira me pegando na janela porque eu pensei, por algum momento, que poderia sair voando dali.

    Meu longo e belo cabelo ruivo teve que ser cortado curtinho e fiquei parecendo um menino. Recuperada, fui brincar com eles na rua soltando pipa. Correndo no sol, todos ficamos com calor. Os meninos tiraram a camiseta e continuaram a correr. Tirei também, bem mais fresquinho!

    Minha mãe me viu correndo sem camisa com os meninos e veio correndo desesperada. Levei uma surra. Não fez o menor sentido pra mim. Estava calor, tirei a camiseta!

    – Não pode, é menina.

    No dia seguinte fui brincar de novo e, sem ela ver, tirei a camiseta. Entre as crianças, nada de especial. De cabelo curto e corpo de criança eu era só mais um moleque sem camisa correndo atrás da pipa. A maldade está nos olhos de quem vê.

    Ali, muito jovem pra entender, já me veio um questionamento que me acompanharia para a vida: qual o problema com a nudez?

    ***

    Foi mais ou menos nessa época que meu pai chegou em casa de mais uma turnê. Ele passava tanto tempo fora que às vezes eu não reconhecia ele e chamava minha mãe pensando que algum vendedor de Barsa ou Testemunha de Jeová estava batendo no portão. Dessa vez ele tinha me deixado uma tarefa: que eu ouvisse algumas fitas K7 e tentasse cantar.

    Um tesouro. As gargantas de ouro do Brasil todas ali comigo. Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e José Rico e por aí vai. Eu passava meus dias ouvindo as fitas, decorando as letras e tentando imitar as duas vozes dos cantores.

    Quando ele voltou eu estava pronta. Parada na sala com uma colher de pau na mão como se fosse um microfone. Ele parou na porta. Estava abatido, cansado de uma maneira que eu só ia compreender anos depois. Abri a boca e comecei a cantar. Nas primeiras notas pude ver seus olhos opacos ganhando brilho, um sorriso abrindo caminho à força no seu rosto. Ele estava abismado com o que via e ouvia. Já o olhar da minha mãe tinha um ar de desespero, como se ela previsse o que vinha pela frente.

    Uma semana depois eu me apresentava em cima de uma mesa de refeitório na Sadia de Chapecó. O olhar incrédulo do meu pai se espalhava para todos os rostos. Aquela coisinha ruiva de 6 anos abrindo a garganta como se fosse um pássaro e deixando todo mundo maravilhado. Dali, para cima de um caminhão e em um palco para milhares de pessoas.

    Quando percebi passei meus 7, 8, 9 anos de idade na estrada. Estudava em envelopes amarelos que minha mãe buscava e levava para a escola. Eram os incríveis anos 80 e se podia muito mais do que se pode hoje – nunca vou saber se para o bem ou para o mal. Eu cantei em bailes que viravam a noite com pessoas fumando e bebendo ao meu redor, cantei nas ruas em festas populares, cantei na igreja e na zona.

    Aos 10 anos de idade já tinha estrada nas costas e nos anos seguintes voltava cada vez menos para casa, morando dentro de uma Caravan 82 com meu pai, de cidade em cidade alegrando as pessoas com a minha voz cada vez mais poderosa. Já sabia dirigir e atirar e tinha passado por muitas aventuras.

    Em uma delas meu pai e eu procurávamos um lugar seguro para dormir depois de um show na madrugada. Eu estava escorada na janela, tentando me manter acordada e conversando para manter meu pai acordado. Da completa escuridão na nossa frente dois faróis redondos de acenderam, parados na estrada.

    Um Opala. Meu pai conseguiu desviar, acelerou e começaram a nos perseguir. A Caravan voava na estrada e o Opala atrás, tentando alcançar. Ouvimos tiros. Chegamos a uma interseção e nela vários outros carros nos aguardavam. Não tivemos opção senão parar.

    Vários homens desceram dos carros e o motorista do Opala parou do nosso lado. Arma em punho, pediu para meu pai descer. Deixa eu te contar sobre meu pai: um homem lindo, ruivo com os cabelos de juba e completamente maluco. Ele me olhou e disse: abaixa a cabeça.

    Arrancando o carro nos jogou contra os carros estacionados, fazendo espaço e fugindo. Ouvi muitos tiros. Eles ainda tentaram perseguir mas nenhum dos carros deles fez vez à nossa Caravan. Só mais um dia nas estradas do sul.

    ***

    Vários anos depois, arrepios pelo corpo todo. Não sabia o que aquilo significava e já tinha medo o suficiente dos adultos para saber que não era possível perguntar. Piorava: eu nem sabia quais eram as perguntas certas. Era gostoso e assustador ao mesmo tempo. Seria uma doença? Será que mais alguém sentia aquilo?

    Como é da natureza humana fui direto cutucar na ferida. E dessa foi diferente de um arranhão, de um corte, de arrancar uma casquinha. Dessa vez colocar os dedos onde estava coçando foi uma experiência surreal.

    Foi como ligar um botão que nunca mais se desligou. Se eu estava sozinha, sem nenhum adulto assustador por perto, meus dedos estavam lá. Não tinha a menor ideia do que estava fazendo, não entendia o que era aquele líquido que jorrava cada vez mais longe quando minhas pernas tremiam e meus olhos viravam. Eu não sabia que estava chegando ao orgasmo.

    Eu sabia que tinha que me esconder. Quando os adultos ao meu redor conversavam eu percebia que as vezes ficavam diferentes. Eu via eles trocando olhares miúdos, ficando vermelhos, dando risadas envergonhadas e agindo de forma muito esquisita. Alguém me via prestando atenção e dava tapas nos outros para que mudassem de assunto. Pareciam diabretes conversando sobre um plano maligno.

    As dúvidas e se esconder dos adultos eu estava tirando de letra. O verdadeiro problema começou em um domingo de manhã, na igreja. Minha família é católica, italiana e a missa era sagrada. Naquele dia o padre falava para as crianças e adolescentes que deus estava vendo tudo o que fazíamos. Ele sabia de tudo, estava em todos os lugares e não só estava vendo mas também estava anotando em um caderninho que seria lido no dia do juízo final.

    Senti minha cabeça girar e perdi o chão. Eu já estava condenada. Comecei a me deprimir, não queria mais viajar nem cantar. Deitava na cama com aquela coceira chamando meus dedos e mordia as unhas. Um homem pregado em uma cruz na parede do meu quarto, a cabeça se esvaindo em sangue, me olhava de cima pra baixo só esperando eu ceder para fazer mais uma anotação no meu nome.

    Corri para o único lugar que eu sabia que podia me salvar. Em cima de uma mesa reservada só para isso na casa, ao lado de um revólver sempre carregado, estava um livro. Grande, pesado, com a capa preta e as páginas em belas folhas de bordas douradas. Se tinha uma resposta para o que eu sentia, ela estava ali. Com esforço peguei o livro e corri pro meu quarto. Sentei na cama e abri.

    Na dúvida, leia a bíblia, o padre disse também. Eram muitas páginas, então resolvi começar do início. Era uma história sobre deus criando coisas e eu não estava entendendo muito bem. Precisei pegar um dicionário, não sabia o que a palavra firmamento significava. Depois vieram os peixes e as aves e deus disse a eles que fossem férteis. Parti de novo para o dicionário.

    1. Biologia. Capaz de reproduzir-se.
    2. que possui alta capacidade repodutiva, fecundo.

    Como assim, reproduzir-se? Bíblia de lado, dicionário na mão, seguimos na descoberta.

    1. exibir, mostrar novamente.
    2. produzir de novo.

    Não entendi nada. O dicionário não estava ajudando. Voltei para a bíblia, onde deus fez os outros animais e fez os homens para reinar sobre tudo o que ele fez, inclusive mandando o homem ser fértil e reproduzir também. Segundo o dicionário, deus queria que o homem exibisse tudo o que ele criou. Deve ser por isso que inventamos o zoológico.

    Isso não respondia nada sobre minha coceira. Segui em frente. Horas se passaram. Da bíblia para o dicionário, do dicionário para a bíblia e finalmente encontrei alguma coisa interessante: uma ilustração. Era uma pintura linda, dessas da antiguidade, e algo imediatamente me chamou a atenção: as pessoas estavam nuas e tinha algo muito errado com os homens, uma coisa que saía deles bem ali na parte que me dava a coceira.

    Deixei o dicionário de lado e segui folheando as páginas e admirando as ilustrações. Já estava apertando os olhos para enxergar na escuridão do fim da tarde quando me deparei com Daniel na cova dos leões. Aquele homem nu, prostrado, e os leões ao seu redor. Aquela imagem imprimiu na minha mente com tanta força que nunca mais me esqueci.

    Devolvi o livro ao seu lugar e fui jantar em silêncio. Ao invés de respostas tinha ainda mais perguntas e não podia perguntar aos meus pais. Quase não consegui dormir, atormentada pela coceira e pelos leões que iam devorar aquele homem.

    Nos meses seguintes continuei lendo o livro todos os dias. Meus pais estavam orgulhosos e comentavam com o padre e as pessoas sobre meu grande interesse no livro de deus. Em algum momento eu desisti de ler e comecei a passar as tardes admirando as imagens. Me identificava com as mulheres que eram na sua maioria ruivas e tinham aquele desenho de ventre igual o meu.

    Percebi que todos os homens tinham aquela coisa entre as pernas. E que nas pinturas as pessoas estavam o tempo todo tocando umas nas outras. Era diferente do que eu estava acostumada a ver ali naquela colônia alemã e italiana em que vivia. Pessoas sempre vestidas e que mal se abraçavam. Talvez por isso o padre precisava insistir tanto no domingo que as pessoas olhassem mais a bíblia.

    ***

    Meus pais brigavam muito. Levei um tempo para entender que minha mãe, agora com mais dois filhos, queria a família toda em casa. Meu pai argumentava que precisava ganhar dinheiro mas ela já tinha construído um pequeno mercado que pagava as contas. Brigaram ainda mais. No fim ele saiu para uma turnê e me deixou em casa.

    Voltei a frequentar a escola onde me sentia um peixe completamente fora d’água. Eu já tinha visto tanto mundo, passado por tanta coisa que todo mundo ali parecia completamente retardado. Até mesmo as professoras me pareciam bobas e sem experiência de vida.

    Ficava na minha, tirava 10 em tudo e apanhava todos os dias na saída. Eu era bonita demais, elas diziam. Já os meninos não tinham a mesma opinião. Me chamavam de barata branca, de tábua, de alemoa aguada. Minhas colegas tinham seios protuberantes e bundas enormes e eu toda pequenina e magrinha. Ninguém se interessava em mim.

    Na hora do recreio eu passava bastante tempo sozinha olhando as meninas beijando os meninos pelos corredores. Aquilo não me despertava nada e eu não via graça nenhuma. Depois da aula, algumas delas iam para uma construção abandonada atrás da escola com os meninos. O que elas faziam lá eu não sabia, mas deus estava vendo.

    Um dia uma menina se aproximou de mim. Mais tímida que eu, ficamos amigas. Pensando na bíblia, eu encostava nela o tempo todo. Fazia carinho, penteava o cabelo, maquiava e fazia as unhas. Logo mais uma amiga chegou e passávamos nosso tempo nessa atividade de cuidar umas das outras. As esquisitas.

    Finalmente, em uma festa da escola, um menino me beijou. Foi a coisa mais nojenta. Ele babou em mim e batemos os dentes. Definitivamente aquilo não era pra mim. Minhas amigas não gostaram do que eu fiz, ficaram muito magoadas. Me mandaram uma cartinha, naqueles antigos papéis de carta ilustrados, me dizendo que não seriam mais minhas amigas.

    ***

    Sem muito o que fazer, sem poder viajar e cantar, sem amigas e cansada do livro que não respondia nada, ficava sentada ouvindo minha mãe conversar com as amigas. Com meu pai fora de casa, não reconhecia minha mãe, era outra pessoa. Bebia e fumava com as amigas e falava sobre assuntos fora da minha compreensão.

    Entre frases em italiano, alemão e polonês fui captando alguma coisa. Elas falavam muito sobre os homens e aquela coisa no meio das pernas deles. Parece que ela era mole e pequena, ou brocha, mas quando recebia algum tipo de carinho ficava dura e macia ao mesmo tempo. O tom de voz delas sempre mudava e elas falavam mais baixo, com aquele olhar, sobre isso.

    Entendi que essa coisa dos homens encaixava bem no lugar da coceira e, aparentemente, era feita para coçar mesmo. Depois descobri que não era só onde iam meus dedos, pelo lado de fora, mas mais fundo. Me escondi no quarto e, coberta para o homem da cruz não anotar no caderninho, coloquei o dedo para dentro. Doeu, não quis mais tentar.

    Elas chamavam a coisa do homem de pinto, apesar da completa falta de semelhança. Não tem penas, bico, patas, não faz barulho nenhum e não come milho. E uma delas disse que colocou o pinto de um homem na boca. Eca. Elas riram, parecia ser uma coisa boa.

    O nome da coisa das mulheres era perereca. Nunca vi uma que fosse rosinha, mas de fato estava sempre molhada. Uma delas disse que um homem colocou a boca na perereca dela e que ela gostou muito. Eca de novo. Que gente esquisita.

    Depois de um tempo meu pai voltou de viagem e minhas amigas resolveram fazer as pazes. Elas foram me visitar e quando meu pai viu como estávamos sendo carinhosas umas com as outras as expulsou de casa aos berros. Não entendi nada.

    Minha mãe não recebeu mais as amigas.

    Meu pai estava eufórico. Conseguiu uma entrevista em um canal da televisão local e quis me levar com ele. Quando cheguei na emissora parecia que estava em casa. Tinha brincado tanto de ser uma apresentadora de programa que dei a entrevista com naturalidade e cantei.

    No dia seguinte trinta meninas me esperavam na escola. Fui espancada. Bonita demais e aparece na TV. Quando cheguei em casa meu pai arrumava as malas para outra turnê. Arrumei as minhas também. Nunca mais coloco meus pés nessa cidade.

    O êxodo.

    Colocamos o equipamento no carro e abracei minha mãe. Só pensava em levar ela e meus irmãos para qualquer lugar melhor que aquela colônia de gente ignorante. Peguei a estrada com sangue nos olhos e não deixei meu pai parar em nenhuma cidade que conhecíamos no caminho. Só paramos em um posto de gasolina distante na rodovia.

    Eram mais de 1.100 km entre o lugar que eu estava e a grande capital que queria chegar. Enquanto minha ideia era encher o tanque e fazer tudo isso em um dia meu pai queria conhecer o caminho e ir trabalhando e ganhando dinheiro até lá.

    Os caminhoneiros eram os nossos maiores fãs pois cantávamos o melhor do sertanejo raiz e algumas músicas mais atuais e famosas. Nosso modo de operação naquele momento era chegar em algum restaurante na beira da estrada e pedir para cantar em troca do almoço. Conseguindo isso era fácil vender fitas K7 e os primeiros CDs para esse público distinto.

    Era a minha estratégia para nos mantermos na rodovia e não entrar nas colônias alemãs. Precisava mostrar para o meu pai que existia muito mais mundo que aquilo mesmo que nem eu soubesse se isso era mesmo verdade.

    Eu precisava ver no mundo real o que eu via na televisão. São Paulo e suas enormes cidades com os grandes palcos onde se apresentavam os artistas que eu admirava. Eu queria conhecer a Sandy que tinha a minha idade e era muito famosa. Será que um dia eu poderia cantar com ela?

    Cantamos no restaurante. Estava lotado. As pessoas chegavam, comiam, nos ouviam cantar, compravam uma k7 e iam embora. Chegava mais gente. Quando me dei por conta já estava cantando por mais de quatro horas seguidas. Meu pai sorria de orelha a orelha vendo a caixa de fitas e CDs se esvaziando e o bolso cheio de dinheiro.

    De vez em quando eu fazia um intervalo e passava de mesa em mesa vendendo. Todo mundo elogiava minha voz e minha beleza. Eu fazia questão de dizer que estava tentando chegar em São Paulo e as pessoas compravam alguma coisa ou simplesmente me davam dinheiro para me ajudar a realizar meu sonho.

    Um homem me chamou para perto dele e, no meu ouvido, disse: vamos lá no meu caminhão fazer um sexo que eu te dou bastante dinheiro. Eu tremi. Me deu um arrepio na espinha e minha calcinha molhou toda. Ele segurava meu braço com aquele olhar de diabrete. Logo um alerta acendeu na minha cabeça, aquilo ali estava muito errado. Me soltei e corri de volta para o palco.

    Peguei o microfone e falei: aquele moço ali me ofereceu dinheiro para eu ir ao caminhão dele. Um por um os caminhoneiros foram se levantando e indo na direção do homem. Ele foi expulso do restaurante e do posto de gasolina.

    Eu não iria com ele para o caminhão, nem naquele dia e nem hoje, só não vou mentir que não fiquei molhada com a proposta dele. Foi a primeira vez que um homem, não um menino, olhou para mim com aquele olhar de diabrete e eu me vi desejada. Alguma coisa mudou em mim naquele exato momento. Olhando para o público, podia ver os olhares de desejo para mim, agora uma quase mulher.

    Quase desmaiei de tanto cantar. O almoço e a janta tornaram-se um evento só. Exausta, comi e fui para a Caravan dormir em uma cama improvisada. Meu pai ficou guardando o equipamento e, enquanto ele não vinha, me masturbei pensando naqueles desejos. Dormi. Um sono difícil, conturbado, cheio de pesadelos. Não é fácil dormir no carro.

    Na manhã seguinte acordei toda molhada. Um cheiro muito forte. Meu pai já tinha saído então coloquei a mão na calcinha. Estava ensopada. Quando tirei a mão e fui ver era sangue.

    Me sentei rápido, segurando um grito. O que era aquilo? Me lembrei de duas coisas na hora e nenhuma delas era um pensamento bom: primeiro o padre me dizendo que deus estava vendo tudo e depois minha mãe falando com as amigas sobre câncer.

    As duas ideias se juntaram em uma. Me masturbei, deus me deu câncer e eu vou morrer. Entrei em completo desespero. Não conseguia respirar. Eu ia sangrar e ia pro inferno onde ia queimar no mármore porque não conseguia segurar meus dedos e a minha coceira. Aquele homem no restaurante era o diabo e eu caí em tentação. Estava condenada.

    Saí tropeçando. Meu pai conversava com o frentista do posto. Me escondi dele e fui me esgueirando pelas paredes me segurando para não desmaiar. Eu não queria morrer ali daquele jeito. Entrei no banheiro, tirei minha roupa e fui pro chuveiro. Tomei um banho vendo o sangue escorrer sem parar de dentro de mim. Minhas mãos tremiam, minhas pernas também. Me escorei na parede e chorei.

    Uma mulher entrou no banheiro e me ouviu. Bateu na porta. Me assustei e tentei segurar o choro. Ela perguntou se estava tudo bem e eu não me aguentei, comecei a chorar e soluçar ainda mais. A moça espiou por debaixo da porta, eu ali escorada na parede, a água batendo e as pernas sangrando.

    – Quer ajuda, mocinha? – Ela disse.

    Fiquei só chorando e soluçando. Não queria que ela chamasse meu pai. Ele ia me bater e eu ia pro inferno de vez. Desistindo, ela deixou uma pequena embalagem debaixo da porta e saiu.

    Depois de um tempo parei de sangrar. Desliguei o chuveiro, um pouco mais calma, e peguei o pacote. Eu já tinha visto aquilo no mercadinho da minha mãe mas nunca soube o que era e nunca tive curiosidade de perguntar. Agora estava curiosa. Abri e um pano em um formato parecido com uma calcinha apareceu. Li: absorvente higiênico.

    Tinha uma cola e eu imaginei que pudesse ser uma espécie de band-aid para colocar na perereca com câncer. Colei na minha pele e me vesti de novo. No espelho meu rosto parecia uma batata vermelha e eu ainda soluçava um pouco.

    Entrei no carro e esperei meu pai. Ele entrou e me ofereceu uma coxinha, sem perceber meu rosto inchado. Pegamos a estrada e fui comendo. Coxinha é o pão do viajante, e eu amo. Tem até uma piada.

    A menina chega para a mãe e pergunta:
    – Mãe, por que o nome da minha prima é Rosa?
    – Porque a sua tia gosta muito de rosas. – responde a mãe.
    – E o meu nome é por que?
    – Você faz muitas perguntas, Coxiane de Catupirelen!

    Existe uma outra versão da piada em que o nome da menina é Roliane.

    Escorei o rosto no vidro. Não existe coisa mais gostosa no mundo do que ficar vendo a paisagem passar. Fiquei pensando por muito tempo e finalmente encontrei uma pergunta que podia fazer para o meu pai.

    – Quanto tempo leva para morrer de câncer?

    Ele me olhou assustado. Que pergunta para se fazer assim, do nada! Então começou a me contar um monte de histórias de parentes, vizinhos, e conhecidos. Alguns tinham vivido poucas semanas, outros tinham vivido por 15 anos. Eles definhavam na cama e alguns tentavam tratar e perdiam todo o cabelo e acabavam morrendo mesmo assim. Eram metade dos anos 90 e os tratamentos de câncer ainda eram muito precários.

    A cada história que ele contava eu engolia um choro. Não sei como consegui. Que arrependimento de ter perguntado. Quando chegamos no próximo restaurante eu tinha uma bolha na garganta e estava prestes a explodir. Ele desceu do carro, pegou o violão e entrou no restaurante. Me sentei na calçada e chorei. Eu ia sangrar por algumas semanas, talvez 15 anos, perder todo meu cabelo e depois ia morrer. E tudo isso por causa de uma coceira na perereca.

    Falando nisso, aquela cola estava me incomodando, puxando meus pentelhos. Estava muito desconfortável mas eu não podia mexer para o sangue não escapar e meu pai ver que tenho câncer. Eu nem sabia se ele ia ficar triste ou se ele ia saber que eu mexi na perereca e me matar ele mesmo. Tive uma ideia.

    Peguei a embalagem e saí caminhando pelo posto. Encontrei uma mulher e perguntei se ela tinha um desses para me dar, já que não tinha mercadinho ali. Consegui na primeira. Depois fui entender que existe um pacto silencioso entre todas as mulheres do mundo: nunca se nega um absorvente para ninguém. Até hoje eu carrego um extra na bolsa, mesmo quando não estou nos dias.

    Agradeci quase chorando e guardei comigo. Ela só fez um sinal com a cabeça como alguém que não fez mais que sua obrigação. Meu pai já havia voltado e estava pegando o equipamento. Respirei fundo e me preparei para mais algumas horas de música.

    Logo estava no palco. Restaurante lotado e aquela mesma rotina: cantar, fazer um intervalo, vender as fitas, pegar o dinheiro. Quem canta seus males espanta, diz o ditado, e logo eu tinha esquecido do sangue, do câncer e do band-aid arrancando meus pentelhos. Minha atenção já tinha se voltado aos olhares de desejo de novo. Senti me molhar.

    O olhar dos homens me assustava. Era uma energia que eu sentia não estar pronta para lidar. Foi um garçom, rapaz novo, que acabou captando meu olhar. Ele passava por mim me olhando não com aquele olhar de diabrete, mas um olhar encantado e apaixonado.

    Depois de longas horas de trabalho finalmente pude comer e sair dali de volta para o carro. O rapaz saiu para a porta do restaurante e eu fiquei olhando para ele. Ele olhava de volta para mim. Eu mexia no cabelo, ele fazia de conta que não estava me olhando. Ficamos assim, como dois idiotas, por muito tempo. Honestamente eu não fazia a menor ideia do que fazer se ele chegasse perto e pelo jeito ele também não. Finalmente ele pegou uma carona e foi embora.

    Foi meu primeiro flerte e eu estava toda molhada. Senti a coceira e meus dedos tremeram. Foi quando a realidade me deu um soco no estômago. O câncer! Tentei correr para o banheiro mas no primeiro pulo o absorvente arrancou meus pentelhos. Segurei um grito de dor e me agachei. Pior que bater com o dedinho na quina. Me recuperei e saí me arrastando.

    Entrei na cabine de banho, tirei a saia, a calcinha e tentei puxar o band-aid. Colado. Terrivelmente colado. Comecei a chorar de novo. Depois de um tempo, tive uma ideia. Me lembrei que quando usava curativo no machucado e molhava ele saía sozinho. Liguei o chuveiro e coloquei a perereca debaixo d’água. Levou um bom tempo e a água quente finalmente começou a soltar a cola. Ainda com muito esforço e perdendo muitos pentelhos no processo, saiu.

    Conferi o sangue. Ainda estava lá. Peguei o outro absorvente e olhei para a cola. Minha virilha estava toda vermelha, com metade dos pentelhos. E se eu colar na calcinha, será que funciona?

    Tentei dormir, mas não consegui. O choro veio de novo mas não podia acordar meu pai. Pensei que devia engolir o choro de vez e aceitar que eu tinha errado, que tinha pecado e que meu destino de condenada era certo. Peguei o terço que carregava no porta luvas e comecei a rezar Ave Marias. Rezei até adormecer.

    Nos dias seguintes tentei me concentrar melhor e parar de pensar na coceira, mesmo que ela não me deixasse dormir. Quando estava livre, rezava sem parar mas enquanto cantava sentia aquele fogo dentro de mim. Chegava no carro e rezava até dormir. Alguns dias depois parei de sangrar.

    Mais um dia, mais um posto, outro restaurante e a mesma rotina. Tivemos que encomendar mais fitas e CDs – foram 18 mil cópias no total, todas vendidas de mão em mão. Em cada restaurante uma paquera. Os moços não tinham coragem de falar comigo e eu não tinha coragem de falar com eles e assim foi por algumas semanas.

    Eu estava sentada em cima do carro quando esse moço chegou perto. O olhar dele era menos bobo que os dos outros. Puxou assunto, nem lembro o que, e em alguns minutos estava na sombra de uma árvore, onde meu pai não podia ver, beijando. O beijo dele não era muito bom, só era definitivamente melhor que aquele da escola. Menos saliva e sem dentes batendo.

    Esse eu considero meu primeiro beijo para valer. Apertava o corpo dele contra o meu. As mãos dele no meio das minhas costas, bem comportadas. Me molhei toda. Um pensamento intrusivo tentava me dominar dizendo que aquilo era muito errado, eu não conseguia concordar. Estava muito gostoso.

    Meu pai voltou e eu saí correndo. Fui pro carro e fiquei olhando para o teto com borboletas no estômago. Como é gostoso beijar alguém e a sensação de ser querida. Com menos culpa no coração puxei o terço e dormi com as repetições de Ave Maria. Mais uma noite de sono conturbada.

    Na manhã seguinte, sangue. Já estava tão triste que não tinha mais espaço para desespero. Ninguém escapa da ira divina. Me levantei sem que meu pai percebesse, me arrastei pro banheiro e tomei um banho demorado. Além do sangue dessa vez sentia uma dor lancinante. Na minha cabeça diabretes espetavam minha barriga com pequenos tridentes.

    Talvez eu não vá durar muito.

    Sentei na pia só de calcinha e esperei alguma mulher entrar. A infeliz que abriu a porta parecia pior que eu, pálida, se arrastando. Ela me olhou, esboçou um sorriso e foi lavar o rosto. Abriu a bolsa e começou a tirar tudo de dentro, desesperada. Vi batom, alicate de unha, carteira e, finalmente, absorvente higiênico! O que ela procurava veio logo depois: uma cartela de comprimidos. Ela tirou um com as mãos tremendo e engoliu bebendo água da torneira com as mãos.

    Ela se olhou no espelho e respirou fundo. Virou para mim e disse:

    – Cólica é foda, né?
    – Você também tá com câncer? – Respondi.

    A boca dela se tornou uma linha e ela travou o olhar em mim. Me olhou de cima abaixo. Eu quis agarrar aquele segundo de atenção dela com todas as minhas forças, mas um choro veio lá do fundo e eu explodi. Devo ter dito algo mais ou menos assim:

    – Eu cocei a minha (fungada) perereca e deus (soluço) me deu câncer e (tosse) agora tá saindo sangue (outra fungada) e tá doendo e eu ainda quero (outra tosse) coçar minha perereca e (outro soluço) eu vou pro inferno e (choro).

    Ela foi se desmanchando enquanto eu falava. Pegou a embalagem de absorventes e chegou perto de mim, vendo minha calcinha forrada de papel higiênico. Sem falar nada, me ajudou a colocar o absorvente (a cola realmente fica no tecido e não na pele) e me deu um dos comprimidos dela. Quando eu finalmente parei de soluçar, ela me disse:

    – Você não está com câncer. Você está menstruada. É a primeira vez? – respondi que não. Ela perguntou se minha mãe estava por perto e comecei a chorar de novo. Deu vontade de voltar pra casa. Ela me disse para sempre carregar os absorventes e os comprimidos comigo e me deixou os que estavam com ela. Me deu um abraço e saiu, ainda se arrastando de dor.

    Devidamente equipada, voltei para o carro. Meu pai me esperava com café e coxinha. Partimos para o próximo lugar. Comi minha coxinha, tomei meu café, abri a janela e coloquei meu rosto no vento. Eu não tenho câncer!

    ***

    Eu sou uma exibicionista. Amo ser vista. No palco, na rua e na sua tela. E ao mesmo tempo eu sou tímida. Não tinha coragem de chegar perto dos moços, das minhas paqueras. Segui de restaurante em restaurante com meus flertes bobos, com os olhares inocentes.

    Foram só algumas menstruações depois que outro rapaz finalmente teve coragem de chegar perto e conversar. Eu já tinha até esquecido de como tinha sido da última vez. Me escondendo do meu pai fomos para os fundos e nos beijamos. Esse já era um pouco melhor – ou será que eu estava aprendendo?

    Em um lugar mais escondido e confortável, a mão dele foi escorregando do meio das minhas costas para a minha bunda. Arrepiei e me molhei toda. Também me assustei. Puxei a mão dele de volta pra cima. Mais uns beijos, mais uma tentativa de mão boba. Ficamos nesse vai e vem por um tempo até que me senti confortável e deixei. Ele segurou minha nádega firme, deu uma apertada. Soltei um gemido e ele riu.

    Foi então que senti um volume na coxa dele contra a minha. Foi como se todas aquelas imagens da bíblia passassem na minha cabeça em um segundo. Empurrei ele e saí correndo pro carro. Sozinha e segura, me masturbei.

    ***

    A viagem estava muito devagar. Era como se São Paulo fosse no fim do mundo ou como se não existisse. Uma terra mágica da televisão, Oz, Nárnia, A Terra Média. Já fazia quase um ano que íamos de cidade em cidade, de restaurante em restaurante.

    Eu tentava ser feliz ali, no durante. Mais uma cidade, mais uma paquera. Aos poucos fui me acostumando com a mão na bunda, com o volume deles na minha virilha. Esses eram os moços, os meninos bobos. Eu sabia que os homens faziam muito mais que isso e minha curiosidade só crescia.

    Ainda assim eles me assustavam. Naquele dia eu cantava com muito ânimo. Um homem me olhava da mesa mais perto do palco. Ele era bonito e eu olhava de volta. Os olhos de diabrete criando imaginações na cabeça dele e na minha.

    No intervalo fui ao banheiro. Quando lavava minhas mãos ele entrou e veio na minha direção. Os olhos faiscavam e ele abria a calça. Fiquei paralizada. Ele chegou em mim e levou a mão na minha cintura, mas antes que pudesse me pegar ouvi o engatilhar do revólver. Meu pai estava na porta, arma em punho, perguntando se o homem estava precisando de alguma coisa.

    Ele foi embora e eu fiquei com medo de verdade. Também percebi que meu pai observava bem mais do que eu imaginava. Eu definitivamente não estava pronta para um homem.

    ***

    Faltava muito pouco. Mais alguns restaurantes e eu poderia ver as grandes luzes de uma cidade de verdade, bem longe das colônias alemãs.

    Foi em um desses postos de gasolina no caminho que encontramos um empresário. Ele ficou apaixonado pela nossa voz e nosso talento e se ofereceu para nos ajudar. Chegar em São Paulo sem conhecer nada nem ninguém poderia ser muito perigoso para dois colonos (colono, no sul, é o equivalente ao jeca do sudeste). Seria muito melhor chegar com alguém que já sabia o caminho e ia abrir todas as portas.

    São Paulo, aqui vou eu!

    Ou continue lendo o livro

  • Capítulo 2 – Pelas Costas

    Em um pesadelo você corre, se debate e nunca sai do lugar. Era o que parecia essa viagem. Eu já podia ver no céu noturno o clarão da capital ao longe quando o empresário disse que teríamos que ir até a cidade dele, alguns kilometros de volta ao sul.

    Paramos, muito contra a minha vontade, em uma das últimas cidades do estado. Conhecemos o escritório do empresário, seus funcionários e sua esposa grávida. Parecia tudo muito bom e legítimo. Ele mostrava fotos impressas dele com artistas famosos e dizia que ia nos colocar nos maiores programas de televisão.

    Logo meu pai e eu estávamos no papo. Ficamos hospeados na casa dele dormindo em uma cama de verdade e fazendo alguns shows ao redor enquanto ele organizava as coisas para seguirmos ao sudeste e encontrar o sucesso e a fama. Nesse meio tempo fiquei sozinha com ele muitas vezes e, com a minha coceira cada dia pior, nem percebi que ele me fisgava.

    Não era exatamente um homem bonito mas se vestia muito bem, falava com eloquencia e usava bons perfumes. Andava em um carro novo, sempre com algum funcionário atendendo seus pedidos. Me levou em bons restaurantes e comprou roupas e figurinos.

    Ele não se insinuava. Ao menos não de uma maneira que eu, boba, podia perceber. Ele não tinha o olhar de diabrete e isso me fazia sentir confortável perto dele o tempo todo. Por outro lado ele também não tinha o olhar de bobo dos meninos. Era outra coisa. A maneira dele me olhar, de falar comigo, de me tratar, tudo isso foi mexendo comigo de uma maneira totalmente nova. Não era aquele fogo rápido que eu sentia o tempo todo e sim algo que foi sendo lentamente construído.

    Naquela noite fui bater minha siririca e me peguei pensando nele.  Imaginei ele me beijando e eu sentindo o volume na calça dele. Como será que ele era sem roupa? Ficava pensando nas imagens da bíblia e escolhendo um esteriótipo. Será que um dia eu teria coragem de ver ele nu? Imaginei o pinto dele encostando na minha perereca. Senti um arrepio e gozei.

    Me senti esquisita. Nunca tinha pensado em um dos meninos enquanto batia a siririca. Alguma coisa mudou em mim naquele momento. Me deu medo. Puxei o rosário e rezei até dormir.

    No dia seguinte encontrei ele sozinho na cozinha fazendo o café da manhã. Fiquei olhando para o chão. Estava completamente envergonhada pelo que tinha feito na noite anterior como se ele soubesse que eu tinha pensado nele daquela forma. Eu tremia e tentava conversar normalmente sem sequer ouvir o que ele dizia. Meu corpo gritava, minha calcinha tornou-se uma poça. Senti o meu cheiro subir até o nariz e fiquei com medo que ele pudesse sentir também. Me levantei da cadeira e tentei sair. Ele segurou meu braço com delicadeza, me levou até ele e me beijou.

    Eu derreti.

    Era tudo o que eu esperava que fosse. Não o beijo de menino e sim o de homem. A boca firme, com a dose perfeita de língua. Os lábios pareciam de veludo e tinham sabor de mel. O braço forte dele me segurava em pé já não tinha nenhuma força nas pernas. Eu podia morrer ali.

    A mão dele começou a passear pelo meu corpo. Passou pelo meu rosto e chegou nos meus seios. Senti um pulsar na minha calcinha e um pouco de suco escorreu pela minha coxa. Ele continuou descendo, pegou na minha bunda e foi vindo para o outro lado. Dentro da minha cabeça havia uma guerra: de um lado todos os meus sentidos se entregando e do outro minha consciência gritando: não, não, não, não!

    Tarde demais. As mãos dele já tinham vencido meu vestido, levado a calcinha pro lado e os dedos estavam perfeitamente encaixados bem onde coçava, como se ele conhecesse meu corpo melhor que eu. Comecei a ver tudo colorido como em uma viagem de ácido. Ele não parava de me beijar e seus dedos me acariciavam lentamente.

    Gozei na mão dele.

    Abracei ele tentando sentir o volume na calça e não encontrei nada. Estranho. Seria coisa de menino? Olhei pra ele por um segundo e ele me devolveu um olhar sereno, confiante, sem dizer nada. Saí da cozinha e me tranquei no quarto. Bati siririca até a hora do almoço.

    ***

    Não foi só eu quem ele ganhou. Meu pai, que não confia em ninguém, passou a deixar ele sozinho comigo por muito tempo. E eu parecia uma viciada. Ficava de olho em quando meu pai e a esposa dele estavam longe e procurava por ele. Queria mais daquele beijo, daquele aperto seguro, daqueles dedos me fazendo escorrer suco pelas pernas.

    Nesse dia ele apareceu com um carro esportivo, desses envenenados, e me levou para uma pista de corrida. Voamos no asfalto, dando cavalos de pau e dirigindo perigosamente. Eu estava apaixonada pela adrenalina. Mais tarde, escorada no carro, ele me beijava, passava a mão no meu corpo e me fazia gozar com os dedos que nunca me penetravam. Ele olhou ao redor, levantou minha blusa e pela primeira vez colocou a boca nos meus seios.

    Derreti e gozei na hora.

    Ele me lambia bem devagar, demorando para chegar nas auréolas e finalmente nos bicos. Ficou ali me chupando e lambendo e eu sentindo o meu suco descer até os joelhos. Comecei a tremer e não me aguentei: levei minha mão até a calça dele tentando sentir o volume. Ele deu um pulo para trás, me pediu calma. Me deu mais um beijo e voltamos para casa.

    Quase desmaiei de tanta siririca. Meu corpo estava pedindo mais alguma coisa que eu não sabia o que era.

    ***

    Eu queria morrer quando meu pai chegou dizendo que antes de irmos para São Paulo de vez precisávamos voltar para a colônia. Que ódio. Que desgraça de viagem que não termina nunca. E o pior: eu ia ficar longe dos meus beijos e gozadas. Peguei minhas coisas fervendo de raiva e entrei na Caravan. Nem um último beijo pude dar.

    Cada kilômetro da viagem de volta parecia um ano. O asfalto era piche líquido agarrando os pneus. A paisagem ia ficando cinza e turva em cada uma daquelas cidades que eu pretendia nunca mais ver. Passei por cada restaurante do caminho pensando que todo aquele esforço tinha sido em vão. Na minha cabeça acusava meu pai de fraco, de covarde. Eu não queria voltar.

    Quando chegamos abracei minha mãe com raiva. Menstruação que chama, não câncer, não é? Nem contei para ela o que passei. Vi meus irmãos bem maiores, já fazia mais de um ano que não os via, crianças mudam rápido. Fui para o meu quarto, deitei na cama e chorei. Fracasso.

    Meu pai falava do empresário, falava de ir para São Paulo e não agia. Começou a tocar ao redor de casa de novo. Maldita colônia. Nos dias seguintes queriam me mandar de volta para a escola. Era o ápice da derrota. Ver aquelas pessoas de novo, conviver com elas. Quis colocar uma faca na mochila e estrebuchar a primeira idiota que viesse me enfrentar. Eu precisava fazer por mim.

    Era impossível dormir porque meu corpo queria os beijos e os dedos dele em mim. Nem minha siririca parecia dar conta mais. Estava triste, deprimida, derrotada. Nada mais fazia sentido. Ia para a missa no domingo muito a contragosto, como se estivesse indo lá só para me verem mais de perto, para me dizer que sabiam o que eu andava fazendo.

    ***

    Acordei com a voz dele. Levantei rápido e ele estava em pé na sala falando com meu pai. Não me esqueceu! Fui muito além das minhas forças para não voar nele e dar um beijo. Depois de acertar os negócios ele me chamou para jantar e meus pais deixaram.

    Eu tremia ao lado dele no carro. Ele sereno como se tivesse me visto ontem. Me levou no restaurante mais legal da cidade e eu mal consegui tocar na comida. Queria outra coisa e sei que ele sabia. Conversamos sobre ir para São Paulo e que ele estava com tudo pronto. Fiquei feliz. Ele estava me levando de volta para casa e eu comecei a entrar em desespero. Ao invés de me beijar me mostrava uma cantora no rádio do carro, super moderno, com CD Player. Laura Pausini. Me falava de como ela cantava em vários idiomas e que eu precisava aprender inglês, espanhol e italiano se eu quisesse ter uma carreira de sucesso como cantora um dia.

    Aquilo não era sertanejo raiz e eu gostava. Era um som gostoso, apaixonado, que mexia comigo. Parecia muito mais legal. Com certeza meu pai nunca ia concordar com aquilo. Eu queria aprender.

    De repente ele encostou o carro. Me puxou e me beijou. Juro que eu gozei só com o beijo. O banco do carro estava encharcado. Tentei levar a mão na calça dele mas ele se esquivou. Me deu um pouco de raiva dele e fui em silêncio para casa, ouvindo a música.

    ***

    Fui com minha mãe ver as amigas dela. Com meu pai em casa ela não se atrevia a receber elas lá. Imagina se meu pai escuta as conversas. Comigo mais velha elas não se importavam tanto em falar sobre sexo. Com a boca cheia de pintos e pererecas davam risada contando histórias dos maridos que não ficavam com o pinto duro e dos homens que tinham que procurar para ficar. Minha mãe não contava nada. Ou não tinha histórias ou não queria que eu ouvisse.

    Em um momento minha orelha ficou em pé.

    – Tomei todo o leitinho – disse uma delas falando sobre chupar um pinto. Como assim, leitinho? Isso eu não tinha ouvido falar nem visto nas figuras da bíblia e era bastante bizarro. Sabia de leite de vaca, de cabra, até de búfalo mas de homem não. Sabe que até faz sentido? Se o pinto é como uma teta de vaca, por que não daria leite?

    Também falavam da vizinha que estava grávida. Que o filho não era do marido e sim do vizinho. Que ela estava “dando” para ele fazia um tempo. Dando era um termo que eu demorei para entender. Quando você diz que uma pessoa dá para a outra e não diz o que ela está dando, é sexo.

    Ainda não foi nesse dia que eu fiz a conexão entre sexo e gravidez.

    ***

    O empresário chegou na minha casa cedo da manhã e tomou café com meus pais. Pude ouvir que tentava convencer meu pai a ir logo. Tomei o café e fui para a escola. Quando voltei para o almoço ele ainda estava lá. Meus pais saíram e me deixaram sozinha com ele. Finalmente! Nos escondemos dentro do banheiro e me beijou. Tive que segurar um choro, meu corpo estava implorando por aquilo por tempo demais. Peguei a mão dele e levei direto para minha perereca.

    – Que bucetinha gostosa. – ele disse. Bucetinha? Essa era nova.

    Apertei ele contra mim para sentir o volume. Não senti. Chega! – Pensei. Fui com a mão com vontade e ele não conseguiu me segurar. Furiosa, abri o zíper da calça e revelei o primeiro pinto que eu veria na vida. Não era exatamente do tamanho que eu esperava, parecia bem menor que os da bíblia. Sem saber muito bem o que fazer, peguei na mão.

    Era quentinho. Duro e macio ao mesmo tempo como tinham me contado. Mexi nele e ele gemeu. Eu sorri. Posso fazer ele gemer também. Ele com os dedos na minha bucetinha gostosa e eu com a mão no pinto dele. Nos beijamos. Será que ele sente assim gostoso como eu sinto também?

    Enquanto beijava ele fiquei pensando em tudo o que eu imaginava nas minhas siriricas e, sem dar tempo para que ele pudesse reagir, me ajoelhei e enfiei na boca. Ele tentou ir para trás mas não conseguiu. Me pediu calma e começou a me dizer como fazer. Cuidado com os dentes – o mais importante. Não pode ter dentes nessa brincadeira.

    Então me disse para imaginar um sorvete e chupar e lamber como se fosse um. Segurando na mão comecei a lamber. Lambia a ponta que era mais escura que a outra parte. Depois lambi mais embaixo até o início e quando ergui vi a coisa mais esquisita do mundo ali. Um saco enrugado. Não tinha prestado atenção nessa parte da bíblia depois vi mesmo que estava lá.

    Ignorei isso e voltei lambendo até em cima colocando ele dentro da minha boca de novo. Ele gemeu e eu gostei de ouvir. Comecei a colocar para dentro e para fora da boca deixando bem molhado só para ouvir ele gemer mais.

    De repente ouvi passos no piso de madeira. Meu pai entrava na casa. Olhei para o empresário apavorada e ele só colocou o indicador na boca, me pedindo silêncio. Depois de mais um pouco de barulho ele se foi. Eu tremia, adrenalina pura.

    Sem tirar a mão do pinto dele, coloquei de volta na boca. Ainda estava quentinho, duro e macio. Voltei a chupar para ouvir ele gemer. Quanto mais rápido e forte eu chupava mais ele tremia e gemia e eu estava me divertindo muito com aquilo. Minha bucetinha pingava no chão.

    Senti o pinto começar a pulsar na minha mão. Ele segurou meus cabelos e começou a gemer bem diferente. Senti minha boca ficar toda molhada e quente com um jato. Mesmo assustada não parei. Senti mais um jato bater no céu da boca. Um gosto forte e ácido tomou conta da minha língua. Mais um jato. Ele olhava para mim totalmente grogue.

    Minha boca estava cheia. Cuspi um poquinho no chão. Um líquido branco. O leite? Ele olhou para mim e sorriu, parecia que aquilo estava certo. Olhei nos olhos dele e abri minha boca para ele ver lá dentro. Estava cheia. Ele sorriu ainda mais. Ainda olhando para ele fechei a boca e engoli. Lembrei da amiga da minha mãe e pensei:

    – Tomei todo o leitinho dele.

    Ele foi embora e eu deitei na minha cama. Fiquei sentindo o gosto na boca e ao mesmo tempo sentindo como se uma poderosa energia estivesse dentro de mim, parte de outra pessoa que me dava forças para continuar qualquer coisa. Eu sentia algo parecido com os beijos e amassos mas aquilo era surreal, incrível, como se aquele líquido dentro de mim fosse um tônico de super poderes.

    ***

    Dormi naquela noite um sono gostoso como há tempos não via. Acordei cantarolando e fui para a porcaria da escola sem ligar para as meninas ainda querendo me bater, para o professor de química pedófilo que regia o coral infantil, para aquelas pobres professoras sem nenhuma visão de mundo ensinando coisas que ninguém nunca ia usar. Na verdade não ligava nem se meu pai ia para São Paulo mais se que eu ganhasse meu leitinho todos os dias.

    Os próximos dias foram difíceis. Não conseguia um minuto sozinha com ele e aquele poder foi desvanescendo. Comecei a dormir mal de novo e ficar triste. Não ia dar para continuar assim. Em um minuto que meu pai foi ao banheiro eu disse ao empresário: – me encontra no shopping amanhã depois da escola.

    Sem pensar nas consequências fugi no final da aula para o ponto de encontro. Ele estava lá. Entrei no carro e pedi para irmos para algum lugar mais discreto. Ele olhou para mim muito sério e perguntou:

    – Você tem certeza que quer fazer isso? Daqui não vai ter volta. – Só respondi que sim com a cabeça. Meu corpo todo tremia e eu precisava de mais daquela energia. Eu queria chupar ele de novo e tomar tudo outra vez.

    Ele dirigiu até a cidade vizinha e entrou em um motel. Motéis não eram novidade para mim porque eu cansei de dormir neles na beira da estrada quando o carro não dava mais. Eu só não fazia a menor ideia do que acontecia lá dentro.

    Entramos no quarto e fui arrancando minha roupa e a dele aos beijos. Devagar e firmes suas mãos passeavam onde queriam em mim ligando cada nervo. Pegou devagar nos meus seios e eu não pude resistir quando ele puxou minha blusinha para baixo e começou a mamar neles. O hálito quente, a saliva, a língua áspera nos biquinhos. Eu entrava em êxtase e minha buceta tornou-se puro suco.

    Depois de quase me fazer gozar só chupando meus biquinhos foi descendo com a mão e começou a me masturbando por cima da calcinha. Aos poucos foi tirando ela pro lado e foi me estimulando. Minha buceta já escorria nos dedos dele e estava latejando, pedindo e implorando para conhecer a sensação de um pau quente e duro escorregando pra dentro dela.

    Passando a mão pelo corpo dele, desci e peguei no pau. Estava muito duro e eu tremi de nervosa. Comecei a abrir o cinto dele, abrir o zíper, baixei a cueca e finalmente senti aquela pele quentinha na minha mão. Comecei a punhetar ouvindo o gemido no meu ouvido sentir me lamber o pescoço e me masturbando sem parar.

    Me pegando pelos cabelos me colocou de joelhos na frente dele e mandou colocar na boca. Olhei para aquele pau gostoso bem na frente do meu rosto. Era tudo o que eu queria. Abri minha boca, peguei com a mão e aproximei. Senti um cheiro suave e atraente e que também ia amar pro resto da vida.

    Coloquei ele na minha boca e vi estrelas. Que sensação gostosa daquela pele macia e dura ao mesmo tempo na minha língua. Ele falava putaria mandando eu mamar, para babar bastante, deixando bem molhado.

    Me pediu para lamber bem a cabecinha e depois lamber ele todo. Depois puxou ele pra cima e me deu as bolas que tinham uma textura gostosa e um sabor delicioso, todo raspadinho, sem pelos. Lambi por muito tempo e depois voltei a mamar o pau.

    Querendo o leitinho e comecei a chupar rápido e forte em movimentos repetidos. Ele segurou meus cabelos e começou a foder minha boca. Mesmo engasgando um pouquinho eu estava amando aquilo tudo. Segurava as bolas dele enquanto ele colocava o pau inteiro lá dentro.

    Foi quando senti elas pulsarem muito forte, ele gemeu bem alto e minha boca começou a se encher com o leitinho delicioso. Olhei bem nos olhos dele, abri a boca para mostrar ela cheia e engoli tudo em um sonoro gole. Ele sorriu de novo, parecia gostar muito de quando eu fazia aquilo.

    Soltando meus cabelos me deu um beijo no rosto e sentou em um sofá, respirando forte. Eu ainda estava recém começando, cheia de tesão. Fui até o sofá e fiquei alisando. Ele gemia quando eu encostava no pau. Então peguei a mão dele, coloquei na minha buceta e fiquei gemendo em pé enquanto ele me masturbava. Gozei muito gostoso ali e não queria parar. Sabia que tinha mais alguma coisa só não sabia bem o que era. Foi quando tudo ficou diferente. Eu era muito inexperiente. Nunca tinha visto um filme pornô e mesmo o que minhas amigas tinham me dito não era o suficiente pra saber.

    Sem sequer ficar de pau mole ele descansou um pouco e me colocou de joelhos no sofá, de costas pra ele. Eu me assustei um pouco e disse pra ele que eu nunca tinha feito. Ele me acariciou e, segurando o pau bem na minha bunda perguntou se eu tinha certeza que queria fazer. Sentindo a cabecinha quente e pulsando entre minhas nádegas não tinha outra resposta para dar.

    Ele começou a me masturbar ainda mais forte com os dedos e eu senti a ponta fazer caminho entre as bandas. Sem tirar o dedo da minha buceta, senti que entrava apertado, devagar, como se meu corpo dificultasse o que eu queria.

    Eu tremia e suava, comecei a sentir uma vertigem e tudo ficou colorido diante de mim. O corpo dele colado no meu enquanto aquele calor entre minhas pernas passava uma energia forte e gostosa até que finalmente senti meu corpo ceder e a energia dele toda dentro de mim. Gozei. Minha buceta explodiu em um violento jato contra o sofá, molhando tudo.

    Senti a virilha dele colar na minha bunda. Lento e carinhoso ele tirou quase tudo e empurrou de novo. Era muito apertado, um pouco doloroso e desconfortavel e ao mesmo tempo muito quente e agradável. Escorei meus cotovelos no sofá, empinei bem e esqueci do mundo ali enquanto ele entrava e saía.

    Depois de meter por muito tempo começou a gemer alto e uma ideia que não tinha me vindo a cabeça ainda me atacou: ele vai colocar o leite dentro de mim? Aquilo me deixou tão excitada que minha buceta começou a esguichar sem parar no sofá criando poças ao redor dos meus joelhos. Entrei em um orgasmo initerrupto até que ele gemeu ainda mais alto e, me segurando bem firme, enterrou o pau inteiro e começou a tremer.

    Senti o primeiro jato bater fundo, depois outro e mais um. Foi a melhor sensação que eu tive na vida até aquele momento. Estava com a minha bucetinha cheia de leitinho.

    Me virei, dei um beijo nele e me arrastei até a cama sem sentir minhas pernas. Ele veio e deitou atrás de mim, encaixado. Aquela energia dentro de mim parecia pulsar, uma força incrível e eu sentia vontade de me levantar dali e enfrentar o mundo que fosse. Me sentia pronta para qualquer guerra.

    Fiquei ali curtindo o momento. O calor dele nas minhas costas e o leite dele escorrendo de dentro de mim. Não pensei no meu pai me arrebentando de porrada a hora que eu chegasse em casa ou minha mãe ligando para a polícia porque eu não voltei da escola. Levei minha mão até minha buceta para pegar o leitinho que escorria mas não achei nada. Deslizei meu dedo para dentro mas estava tão apertado quanto da primeira vez que tentei e meu dedo não entrou.

    O pau dele era mais grosso que meu dedo mas não estranhei, talvez fosse assim mesmo, talvez não fosse lugar para dedo. Passei o dedo nas minhas coxas e encontrei o leitinho ali, deslizando de mim para o colchão.

    Senti o pau dele duro na minha bunda de novo e empinei. Ele me segurou pela cintura e senti aquela pressão forte entre as minhas nádegas. O calor tomou conta de mim tão gostoso quanto antes. Fiquei ali deitadinha de lado, quietinha, enquanto ele empurrava para dentro e puxava para fora de mim. Os dedos dele sempre na minha coceira, sempre me acariciando e arrancando o suco que escorria pelas minhas coxas e molhava o colchão.

    Perdi a noção do tempo ali. Meu corpo estava entorpecido de prazer sentindo aquele calor e energia gostosos tomando conta. Ele começou a gemer daquele jeito que avisava que o leitinho estava vindo e empurrei minha bunda contra ele com força. Senti o jato me preenchendo novamente por uma, duas, três vezes. Gozei de novo. Desmaiei.

    Acordei com o barulho do chuveiro. Me recomendou que não lavasse meu cabelo pois não ia secar a tempo. Entramos no carro e me levou em casa. Quando cheguei meus pais me esperavam na porta vermelhos de raiva. Não gritaram comigo porque eu estava com ele e não tinha como avisar. Fui direto pro meu quarto e, acredite, bati uma siririca.

    ***

    Como assim foi embora? – Perguntei para o meu pai. Estava nos esperando em uma cidade ao lado de São Paulo para lançarmos nossa carreira lá. Shows marcados, entrevistas em rádios e TV, estúdios de gravação e tudo o mais. Comecei a arrumar minhas malas e meu pai não. Como assim não? – batia o pé no chão e chorava. Meu pai tinha muita coisa para resolver ali antes de sair assim, do nada.

    Fui para a escola enfurecida. Sentada na frente, nerd, tirando notas altas, só mais uma razão para ser odiada. As professoras me tinham como exemplar e eu pensei que valia a pena tentar um truque. Escrevi um bilhete dizendo que precisava de uma transferência pois ia mudar para São Paulo. Escrevi SÃO PAULO em letras garrafais para dar mais ênfase e teria colocado dois Pês se fosse possível. Assinei e levei na direção.

    Me deram a transferência sem questionamentos.

    Cheguei em casa, arrumei as malas, o equipamento de som e coloquei tudo na porta. Quando meu pai chegou mostrei o documento e comecei a colocar as coisas no carro. Normalmente eu teria levado uns bons tapas pela insolência porém, quando vi, ele arrumava as malas dele. Minha mãe bateu o pé e brigou dizendo que não confiava no empresário. Meu sangue ferveu e tive que segurar a língua.

    Abracei minha mãe, meus irmãos e minha irmã recém nascida e entrei no carro. Agora vai!

    ***

    Dessa vez sem paradas. Enchemos o tanque e pé na tábua. A Caravan voava pelas rodovias federais em direção a São Paulo. Eu olhava de novo para cada restaurante e lembrava de cada beijo, cada amasso, cada mão na bunda, tudo aquilo que me preparou para o dia em que eu finalmente gozei com o pau de um homem dentro de mim. Eu pensava na cidade grande e nos palcos em que eu ia subir. Pensava em conhecer os grandes artistas e ser uma também. Tudo ia ser realizar em breve. Todos os meus sonhos.

    Dirigimos a noite toda e chegamos pela manhã. Não era São Paulo ainda, era uma cidade satétile e era muito maior do que qualquer lugar que eu já havia visto na vida. Trânsito, ônibus enormes e calçadas lotadas de pessoas. Vi as lojas e restaurantes que eu via na televisão. Será que eu ia ver alguém famoso?

    Atravessamos aquilo tudo e fomos indo para uma outra cidade menor logo depois. Fui me decepcionando ao ver a mesma coisa que eu já conhecia. Passamos por ali e fomos para um lugar ainda menor, parecia uma colônia.

    Por favor, não.

    Depois de alguma estrada de chão finalmente chegamos em um sítio. Era um lugar enorme. Tinha uma casa grande de fazenda, uma piscina e um lago. Muros enormes cercavam todo o lugar. O empresário estava lá me esperando e assim que pude fugi com ele para um canto, beijei ele com vontade e ergui meu vestido. Ele me virou contra a parede, cuspiu na mão, molhou o pau e pressionou ele contra minha bunda. Senti um desconforto que logo cedeu e ele foi rápido dessa vez, gozando sem gemer e deixando minhas coxas escorrendo leitinho.

    Fui conhecer meu quarto, organizar minhas coisas e logo ele me chamou para sair. Me levou para um shopping imenso, absurdamente maior do que aquelas lojinhas da colônia. Me deu um vestido brilhante azul e um par de sapatos incríveis com um salto fino e alto. Eu parecia uma princesa andando pela loja. Esse era meu novo figurino para os shows.

    No dia seguinte já tocamos e não era o que eu esperava. Um palco pequeno, poucas pessoas, não mais do que eu estava habituada a fazer no restaurante. Reclamei. Ele pediu paciência e disse que até chegarmos aos grandes palcos levava tempo. O importante é que estava no lugar certo. Aquele vestido e aquele salto definitivamente não combinavam com aquele lugar.

    Escondida do meu pai eu também ouvia Laura Pausini e decorava as letras. Durante os shows cantava o sertanejo me imaginando cantando Strani Amori ou La Solitudine com milhares de pessoas à minha frente erguendo isqueiros e gritando: Vanessa! Vanessa! Eu só não sabia como ia dizer para o meu pai que queria cantar essas músicas. Ele tinha uma opinião muito sólida sobre outros estilos.

    Alguns dias depois um caminhão de mudanças chegou no sítio. Nele, minha mãe e meus irmãos. Não podia estar mais feliz, foi muito rápido! Eu imaginava que eles só viriam quando eu fosse famosa e ter eles ali assim era muito bom. Meu irmão começou a fazer aulas de violão no conservatório perto dali e estava promissor.

    O empresário corria para lá e para cá. Nos levou nas rádios, nos canais de televisão menores e até no Mosh, o maior e mais famoso estúdio onde todos os grandes artistas gravaram. Lá conheci algumas pessoas famosas, entre elas a Rosana que cantava O Amor e o Poder. Ela chorava em um corredor e eu quis me aproximar mas um funcionário me olhou e disse que ela era muito dramática. Nunca esqueci do rosto dela ali.

    Gravamos um álbum e começamos a viajar nas cidades ao redor ainda tocando em shows pequenos e médios. Cantamos em rodeios e festas de igreja católica. Tudo aquilo, dizia o empresário, ia nos levar aos grandes palcos mais cedo ou mais tarde.

    ***

    Aquelas semanas foram como um sonho. Cantando com aquela roupa linda e aqueles sapatos em palcos cada dia maiores. Conhecendo famosos, gravando em um grande estúdio e dando entrevistas. Quando chegava no sítio sempre dava um jeito de fugir para o jardim, para o banheiro, para algum quarto desocupado com ele e me encher de leitinho. Ele gostava de me colocar ajoelhada no sofá, contra a parede, de quatro, sempre empurrando minha bunda e com os dedos me arrancando suco. Se não tinha muito tempo eu chupava e tomava tudo antes que alguém chegasse.

    Comecei a ir para a escola. Era na cidade pequena ao lado e tinha que pegar um ônibus. Eu estava morrendo de medo do que ia acontecer. Com minha fama crescendo na região com certeza iam me matar dessa vez. Mas não – Essa é a Vanessa, ela é uma cantora muito talentosa – disse a professora. Meu corpo travou e esperei os olhos de inveja e raiva. Recebi sorrisos e meus colegas brigavam para ver quem ia sentar perto de mim. Elogiaram minha beleza, meu cabelo e pediram para me ouvir cantar. Que lugar é esse? Isso é incrível!

    Logo estava andando para todo lado com um grupo enorme de amigos. Entre esses amigos dois meninos bobos ficavam fazendo graça para chamar minha atenção. Eu olhava para eles e ria, pensando no beijo babado e com dentes que eles me dariam se pudessem e que nem imaginavam do que eu já brincava.

    Um deles era completamente idiota mas o outro era bonitinho e tocava violão. Me apresentou o Legião Urbana. Senti uma coceirinha e talvez ele tivesse chance. Eu estava completamente feliz e realizada. O que mais uma garota como eu poderia querer?

    ***

    Funcionários entravam e saíam do sítio o tempo todo. Caixas de CDs, cartazes, faixas e materiais de divulgação para todos os lados. Minha mãe enfurecida com o empresário que estava usando ela de funcionária obrigando ela a lavar e passar suas roupas finas. Eu ensaiava. Sertanejo com meu pai e Laura Pausini quando podia.

    Sempre que saíamos juntos, o empresário e eu, ele falava sobre como eu poderia ser muito mais famosa se cantasse músicas internacionais. Me apresentou Sarah Brightman, Celine Dion, Cher e outras cantoras de renome. Era um universo completamente novo e incrível. As músicas eram vivas e emocionantes acompanhadas de orquestras, guitarras e instrumentos eletrônicos. Eu estava apaixonada.

    Me sentia dividida. Cantar essas músicas incríveis significava me desligar do meu pai. O empresário me dizia que ele estava ficando velho e cansado e que em alguns poucos anos ninguém mais ia escutar música sertaneja.

    Com o passar das semanas fui percebendo que ele ia perdendo a paciência com aquilo. Ele queria investir em mim, era a coisa certa a se fazer. Não no meu pai. Aos poucos fui percebendo o olhar dele se tornando aquele olhar de diabrete que eu odiava nos homens. Hoje penso que ele tinha mais fé em eu estar perdidamente apaixonada por ele quando na verdade eu nunca estive.

    Adorava como ele pressionava minha bunda e me enchia de leite me fazendo gozar com os dedos. Gostava dos passeios e dos inúmeros presentes. Gostava também de olhar para os meninos na escola e ainda batia siriricas imaginando os cantores famosos que eu gostava.

    Naquela noite o show foi uma porcaria. O lugar era feio, mal arrumado. Meu vestido gritava que eu estava longe do lugar certo e o sapato machucava meu pé. Cantamos em um palco na altura do chão com o público sentado em mesas ao redor. O empresário parecia alterado. Brigava com os funcionários, xingava os garçons. Olhava para mim com um olhar pior do que diabrete: os olhos grandes, as pupilas dilatadas e falava cuspindo. Me lembrou aquele homem que me atacou no banheiro.

    O show terminou, os funcionários recolheram o som preferi ir com meu pai para a Caravan. O empresário me pegou pelo braço e me colocou no outro carro. Em um dia normal eu iria chupando o pau dele até o sítio. Naquele dia ele estava muito irritado. Insistia dramaticamente que eu precisava decidir minha vida. Precisava deixar meu pai, ficar com ele e me tornar a grande cantora que estava destinada a ser. Fiquei assustada e parei de responder.

    Isso deixou ele ainda mais irritado. Aquela elegância toda, o jeito calmo de falar e levar as situações desapareceu completamente. Fechando a mão deu um soco no pára-brisa que se quebrou. Enfurecido – olha o que você me fez fazer – acelerou o carro e fez sinal para que o outro carro parasse. Desceu, foi até a janela da Caravan e deu um soco no rosto o meu pai, que desmaiou. Senti todo o sangue sair do meu corpo e comecei a tremer apavorada. Ele voltou até o carro e se jogou em cima de mim.

    – Isso termina agora.

    Abriu o porta luvas e pegou uma arma. Começou a caminhar de volta até a Caravan. O tempo ao meu redor parecia em câmera lenta. Ele abriu a porta do carro e apontou a arma para o meu pai. Sem perceber, eu descia do carro e caminhava na direção dele, a ponta do salto fino enterrando no barro. Olhei para o rosto do meu pai que parecia uma bola, todo inchado. A boca sangrava. O empresário puxou o cão do revólver e meu pai olhava nos meus olhos.

    Foram anos cantando juntos. Nesses anos todos quantas longas conversas tivemos durante as músicas só com o olhar. Contávamos piadas, ríamos de alguém e avisávamos do perigo. Em milésimos de segundos meu pai me arrancou do transe em que eu estava. Acordei e me vi naquela cena horrível.

    Fui até a porta do carro e empurrei ela contra o empresário. Ele se desequilibrou e empurrou a porta de volta, me derrubando no chão. Me olhou furioso – você não entende. Meu vestido estava coberto de barro. Vi meu sapato no chão, todo sujo, a ponta fina reluzia contra o farol aceso do carro. Em um ímpeto me levantei, peguei o sapato e enterrei o salto na testa dele que cambaleou. Empurrei ele contra a beira da estrada onde caiu na valeta.

    Meu pai me olhou de novo. Corri para dentro da Caravan e arrancamos. Eu matei ele, pensei. Pisando fundo e deslizando no barro chegamos de volta ao sítio e trancamos o portão. Meu pai pegou o revólver no quarto e sentou na varanda com minha mãe. Ninguém dormiu naquela noite.

    ***

    Os funcionários não apareceram no dia seguinte e em nenhum dia mais. Algumas semanas depois vimos na televisão uma quadrilha de bandidos que tinha sido presa. Era ele, a esposa grávida e os funcionários. Entre os policiais que prendiam ele estava um dos funcionários que andava comigo o tempo todo. Era um policial disfarçado? Com quem eu estava envolvida?

    Com o dinheiro que fizemos com os shows meu pai conseguiu comprar uma casa ali perto e nos mudamos para lá. Fomos atrás dos contratantes e conseguimos manter nossa agenda de shows em lugares pequenos, rodeios e igrejas. O sonho da estrela musical ficou distante novamente.

    Continuei frequentando a escola e andando com a turma de amigos. Tudo ali era tão melhor que na colônia. Conheci novos estilos de música e comecei a ler outros livros que não eram a bíblia. Gostei tanto de ler que consegui um emprego de meio período na biblioteca onde podia ficar em silêncio e cercada de livros.

    Um dos meninos bobos ia sempre lá me ver. Ele era bonitinho mesmo e eu voltei a me divertir com aqueles flertes bobos como se nunca tivesse vivido mais do que aquilo. Ficávamos de papo na escola e depois da aula e no domingo depois da igreja. Foi em um desses domingos pela manhã que saímos para caminhar em um parque ao redor de uma lagoa. Ele me disse que aquele lugar ficava lindo a noite, com a lua banhando as águas. Combinei que um dia iria fugir com ele até ali. Nos beijamos. Um beijo doce de menino, sem aquela energia de homem, mesmo assim muito gostoso.

    Minha mãe não aguentava mais aquele lugar. Ela gostava da vida na colônia entre os alemães e italianos e nossos vizinhos ali eram muito diferentes disso. Paulistas, nordestinos, mineiros, um povo animado e festeiro que tomava a rua com suas músicas estranhas e comidas com cheiro esquisito. Meu pai tentou segurar mas não teve jeito: lá se foi o caminhão de mudanças de volta para o sul. Eu? NEM PENSAR. Fiquei para trás, sozinha. Ninguém nunca mais ia me fazer voltar para aquele inferno. Continuei minha vida indo para a escola e trabalhando na biblioteca esperando meu pai voltar para continuar a cantar.

    Sem meus pais por perto ficou fácil fugir para o parque à noite. Nos encontramos atrás das árvores. A lua realmente estava linda refletindo no lago. Nos beijamos de novo e meu corpo estava tremendo, pedindo, implorando há semanas por um leitinho onde quer que fosse. Não sentia falta do empresário, nem pensava nele mais, sentia falta daquela sensação gostosa.

    Confesso que estava preocupada dele perceber o quanto eu era experiente e não teve jeito, não consegui disfarçar. Prensei ele contra a árvore e abri o zíper da calça. Ele tremeu e me olhou assustado. Talvez dessa vez quem estava com o olhar de diabrete era eu. Me ajoelhei e baixei a cueca.

    Opa.

    Aquilo eu também não tinha visto na bíblia. Era um pinto, definitivamente, porém muito, muito maior do que o do empresário. Era tão grosso que minha mão mal fechava e tão comprido que quando tentei colocar na boca ele mal coube. Eu não imaginava que pudesse ser desse tamanho.

    Chupei. Ele tremia todo, as bolas pulsavam intesamente. Era muito mais gostoso de chupar ele grande assim, que divertido! Não cabia na boca então eu lambia ele pelos lados e por baixo até o saco e voltava. Bati ele no meu rosto. Dei risada. Continuei chupando com vontade e um pensamento me veio a cabeça: será que isso cabe em mim?

    Molhei imediatamente. Me levantei e beijei ele de novo. Ele estava estático, sem reação. Escorei minhas mãos na árvore como estava habituada a fazer e virei a bunda para ele. – Vai. – Ele me fez um carinho de leve nas costas e passou a mão nas minhas nádegas. Fiquei esperando aquela coisa enorme vir até mim. Esperei mais um pouco. Me virei e ele estava parado ainda.

    – O que foi? Vem! – fiz sinal apontando minha buceta.

    Sem falar nada ele me pegou e me virou para ele. Me beijou de novo, demorado. Com muito carinho foi me deitando na grama e se deitou em cima de mim. Me beijou de novo. Aquilo estava gostoso e o pau dele roçando na minha coxa estava me deixando louca.

    De repente ele parou e levou a mão até o bolso da calça. Pegou um chiclete e abriu. Não era um chiclete, era um plástico redondo que eu nunca tinha visto. Pegou aquilo e colocou no pau como se estivesse ensacando o membro. Com medo de parecer uma idiota não perguntei. Ele voltou a me beijar e abriu minhas pernas. Entreguei sem resistência.

    Toda molhada, ele me beijando e acariciando meus seios, finalmente encostou o pau na minha coceira. Dei um pulo. Isso era novo para mim também. O empresário só colocava o dedo ali e sempre vinha pela bunda. Abracei ele e fiquei esperando para ver o que ele ia fazer. Senti o plástico encaixar um pouco mais para baixo e ele empurrou.

    Senti um desconforto enorme e muito diferente do que eu sentia com o outro. Senti meu corpo resistir e um pouco de dor. Depois de algum tempo relaxei e finalmente senti a virilha dele na minha. Isso também é novo. Estava muito apertado e completamente diferente. Seria o tamanho? Ele não demorou muito para começar a gemer daquele jeitinho e me encher de leite.

    Ou não?

    Não senti o jato quente dentro de mim. Ele puxou para fora e vi o plástico cheio do líquido branco. Que porcaria é essa? Levei a mão até minha buceta e ela estava completamente diferente, toda aberta e com um pouquinho de sangue. Fiquei completamente confusa.

    Precisava perguntar. E se ele me achasse uma idiota? Me cobrindo com o vestido enquanto ele tirava o plástico do pau perguntei: por que não me deu o leitinho? Ele me olhou assustado. Devo ter falado uma grande besteira. Ele relaxou e riu. Disse que me respeitava e não queria me engravidar.

    No dia seguinte lá estava eu na biblioteca procurando pelos livros. Depois de algumas horas de pesquisa descobri que o leitinho se chamava sêmen e que quando entrava no útero pela vagina fazia a mulher engravidar pelo encontro dos espermatozóides com os óvulos – olha quem sabe todas as palavras!

    A camisinha, aquele plástico fedido e que me separava do leitinho impedia que eu ficasse grávida. Se é assim, como não fiquei grávida do empresário? Foi só em casa, olhando meu corpo em um espelho no chão que entendi:

    Ele estava fodendo meu cu.

    Foi assim que eu descobri que tinha acabado de perder a virgindade. Todos aqueles meses eu fui uma putinha virgem, chupando e dando o cuzinho. Estava explicado porque ele sempre me virava de costas na hora do sexo.

    ***

    Meio sem sentido algum minha vidinha continuou ali naquela cidadezinha minúscula a poucos kilômetros da imensa São Paulo. A escola me aborrecia infinitamente. Nada de bom para aprender lá. Tirava 10 em tudo e perturbava as professoras com perguntas que elas sabiam a resposta mas não queriam responder.

    Onde vamos usar isso? Bhaskara, capitanias hereditárias, mitocôndrias? Elas se limitavam a dizer que ia cair no vestibular. Vestibular era uma prova que todo mundo queria fazer quanto terminava a escola para, pasmem: voltar para a escola. E aí depois de mais alguns anos daquele inferno sem sentindo você finalmente teria um pedaço de papel dizendo que você podia trabalhar em uma profissão e ser bem pago por ela. Esse papel podia até dizer e toda vez que as professoras entravam em greve ou eu via os pais dos meus amigos coçando a testa em uma mesa cheia de boletos eu me perguntava se aquilo era mesmo verdade. Me parecia outra estupidez. Se eu não fizesse ia trabalhar com um salário menor e se fizesse ia trabalhar com um salário maior.

    Em uma cidade perto dali havia uma faculdade de música e conheci uma turma de lá. Aproveitando que meu pai estava longe me encontrava com eles para cantar chorinho. Músicos incríveis. Todos quebrados fazendo música em bar. Eu não ia fazer vestibular. Eu ia ser uma grande cantora nos grandes palcos da grande São Paulo.

    Um dia meu pai apareceu de volta. Vendeu a nossa casinha e disse que íamos mudar para a cidade grande do lado. Finalmente uma boa notícia! Eu tinha algumas semanas até que ele resolvesse as coisas e estava decidida a dar um fim naquela história de escola de uma vez por todas. Procurando e conversando aqui e ali descobri que podia fazer um supletivo. Era como fazer o que me faltava de escola em poucas semanas, exatamente o que eu precisava. Fui até lá, me matriculei e fiz todas as provas. Passei e peguei meu papel idiota. Adeus!

    Mas antes precisava me despedir dos meus amigos e do meu amigo favorito na escola. Esse rapazinho sofreu na minha mão. Eu queria todo dia e toda hora e não tínhamos um lugar privado para estar. Na minha casa nem pensar. Meu pai não podia nem saber que eu tinha um namorado então imagina saber que eu fazia tudo o que fazia! Na casa dele também não. Os pais eram super caretas e não nos deixavam ficar sozinhos no quarto. Isso nunca foi um problema pra mim. Sempre tive que me esconder pra bater siririca e o que se faz escondida sozinha se faz escondida com mais alguém.

    Então era onde fosse possível. No parque atrás das moitas, no banheiro do bar, atrás da igreja no domingo e em um corredor escondido na escola. Combinamos de chegar mais cedo naquele dia pra curtirmos um pouco juntos com aquele tesão das 6 horas da manhã.

    Era cedo demais, não tinha nenhuma farmácia aberta e não tínhamos a camisinha. O tesão subindo as paredes. Nós dois no corredor apertadinho. As mãos dele passeando no meu corpo todo e eu punhetando aquele pau enorme com vontade. Minha buceta era puro suco. Não aguentava mais, estava perdendo a lucidez, quando uma ideia maluca passou pela minha cabeça.

    Será que eu aguento isso no meu cu?

    O empresário tinha o pau pequeno (hoje sei que era bem pequeno mesmo) então era gostoso levar atrás. Mas e essa tromba aí? Como vai ser? O tesão foi tomando minha mente e perdi tudo quando ele ajoelhou e começou a chupar minha buceta com dois dedos dentro dela. Quando perdemos a cabeça pro tesão fazemos cada coisa!

    Antes que eu perdesse a razão de vez e metesse sem camisinha virei de costas, coloquei as mãos na parede e falei: – Põe no meu cu. Vai logo antes que eu me arrependa. – Queria contar que ele meteu tudo logo, mas seria mentira. Ele travou. Ficou me olhando apavorado. Pau na mão. Vi que ele não ia tomar a iniciativa. Me ajoelhei na frente dele, dei uma mamada bem rápida e babada e voltei pra minha posição contra a parede. Dei uma cuspida na mão e passei a saliva no cuzinho. Olhei bem nos olhos dele e falei com firmeza: – mete logo no meu cu! – Ele voltou do que parecia um transe: – Ah, uhm, sim, eu vou meter…

    Encostou a cabecinha e empurrou. Caralho de ideia que fui ter. A cabecinha que era menor deslizou, mas logo depois entalou. Grosso demais. Nesse ponto, minha buceta já escorria molho pelas pernas e eu sabia que não tinha volta. Ou entrava tudo ou eu brochava ali mesmo.

    E eu nunca brocho.

    Eu empurrava a bunda pra trás e ele empurrava o pau contra mim. Entrou mais um centímetro, mas não passava dali. Eu entrei em uma espécie de fúria. Virou uma questão de tesão e honra ele atolar aquilo em mim. Eu falava entre os dentes:
    – Empurra, vai, atola caralho!
    – Ai… eu não quero te machucar – ele dizia, todo se tremendo.

    Comecei a rebolar. Minha buceta pulsava e juro que se ela pudesse gritar gritava! Meu cuzinho foi relaxando e ele foi ficando corajoso. Foi empurrando. Cada centímetro que entrava era uma vitória. Ele cuspia o tempo todo e depois de um tempo entrou o suficiente pra puxar pra fora e começou a movimentar. E eu em um misto de prazer e dor que é impossível descrever.

    Sim, estava me arrombando. Era grosso demais e eu estava em um fogo que se fosse o dobro eu levava igual. Finalmente eu senti a virilha dele na minha bunda. Comecei a rir. Desculpe. Eu achei aquilo muito divertido. Imaginar que aquela tromba enorme tinha entrado naquele buraquinho tão pequeno e apertado me deixou extasiada. Vi que ele começou a tremer, ia gozar. Fazia uns meses que eu não tomava um leitinho no cu e fiquei animada. Empinei bem a bunda e esperei a porra que eu conquistei bravamente. Foi quando ouvimos uma voz grave, quase um trovão, ecoando no corredor:

    VANESSA!

    Era o diretor. Pegou a gente no ato. Eu estava em êxtase e com tanto tesão que não sei o que me deu. Segurei o meu amigo pelo braço, olhei bem nos olhos do diretor e disse: – Não tira sem gozar primeiro!

    Eu não tinha ido até ali para nada. Não ia arrombar meu cuzinho apertado daquele jeito e não levar meu leitinho. O diretor gagejou alguma coisa, arregalou os olhos e travou. O amigo me olhou apavorado. Todo mundo travado, aquele pau enorme atolado no meu cu me machucando. – Fode – eu disse. O pobre começou a meter observado pelo diretor que ficou parado ali olhando. – Enche meu cu de porra logo, anda!

    Eu não sei como ele conseguiu, sério mesmo. Vamos dar um prêmio para esse rapaz pelo desempenho sob pressão pois ele gozou mesmo e encheu meu cuzinho de leite como eu queria. Curti cada jato quente do jeito que eu me lembrava – apenas menos doloroso. Tirei logo aquele monstro do meu rabo, baixei a saia e ergui a calcinha bem devagar, encarando o diretor furiosa.

    Passei caminhando por ele estarrecido. Deixei o amigo para trás. Andei confiante até o banheiro, sentei no vaso, porra escorrendo do meu cu e desmanchei. Tremia toda. O que eu tinha acabado de fazer? O diretor ia chamar meu pai, eu estava literalmente morta.

    ***

    Não pude deixar de ficar pensando no diretor enquanto escrevia esse livro. Não me aguentei. Lembrei o nome da escola, liguei pra lá e perguntei quem era o diretor naquele ano. Me deram o nome. Procurei por ele nas redes sociais e encontrei só no Facebook. Deve estar idoso, claro. Entrei em contato e perguntei se ele lembrava de mim. O que se seguiu não é sexy, me perdoe, mas eu preciso te contar. Depois de uma longa conversa, ele me disse:

    “Quando eu vi a força da sua atitude naquele momento eu soube que não estava falando com qualquer aluna. Fui para casa e conversei com minha esposa e ela me disse que qualquer atitude minha poderia matar uma alma que veio destinada a grandes coisas. Eu lembro do seu pai. Sabia que se ele soubesse disso poderia acabar com sua luz para sempre. Então me calei. Muitos anos depois eu te vi na televisão defendendo ideias de amor que jamais poderia imaginar. Naquele dia eu soube que fiz a coisa certa.”

    Depois de mais alguma conversa deixei ele bem a vontade e, claro, a coisa descambou.

    “Quando ele tirou que eu percebi que estava mesmo no cu. Isso também me deixou apavorado. Já tinha visto o pau dele no vestiário do futebol. Aquele menino era dotado demais. Sabia que o apelido dele era Aleijado? Risos”

    Enfim ele admitiu que bateu algumas lembrando daquele dia, se imaginando no lugar do moleque. Está perdoado, diretor. Ninguém é de ferro. E obrigado por não ter me fodido do jeito ruim.

    ***

    Sabendo que eu estava de mudança meu amigo me ligou no dia do meu aniversário dizendo que não podia mais me ver, que não queria se amarrar, que precisava curtir a vida e estudar para um dia pensar em relacionamento. E quem raios tinha dito alguma coisa a respeito? Cada homem que passava por mim parecia mais esquisito com essa necessidade bizarra de ter alguém loucamente apaixonado, fazendo idiotices. Mesmo assim fiquei injuriada. Uma mulher como eu não se dispensa assim. Ele havia de me pagar um dia, eu só não sabia como.

    Mudei para uma casa enorme em uma cidade enorme. Minha mãe voltou com meus irmãos e voltei a cantar com meu pai. Sem a porcaria da escola para me impedir podia viajar e lutar pelo meu sonho novamente. Nossa agenda de shows era insana. Fazíamos todos os restaurantes da região com jornadas de mais de oito horas por dia. Não era incomum eu desmaiar no final e acordar em casa. Era assim que tinha que ser. Em algum momento alguém de São Paulo ia nos ver ali e tudo ia acontecer como deveria.

    No meio de toda essa loucura eu ainda conseguia trabalhar na biblioteca do centro de cultura, fazia eventos para idosos e, claro, arrumei um namorado. Ele era bonito e um imbecil completo. Incapaz de falar sobre qualquer outra coisa que não fosse o carro dele, o emprego, casamento e filhos. E era dotado. Não tanto quanto o outro mas ainda assim enorme. Eu imaginava se talvez o empresário é que era realmente tão pequeno.

    Com meu pouco tempo livre transamos muito no carro. Ele carregava muitas camisinhas no porta luvas e eu acabei acostumando com aquela porcaria. Conversando com as amigas que fazia ouvi muitas histórias sobre pílulas anticoncepcionais e como as mulheres ficavam gordas e esquisitas por causa daquilo. Para mim não ia servir. Dar o cuzinho era quase impossível então só me restava o leitinho na boca de vez em quando.

    Nosso lugar favorito era o topo de um morro que era uma espécie de motel a céu aberto. Ali, dentro do carro, pude ver pela primeira vez na vida outro casal transando e a sensação foi surreal. Ele queria meter e eu não conseguia parar de assistir. Era uma energia tão gostosa e eu não conseguia entender minha atração. Ele ficou bem irritado, começou uma discussão sobre eu estar querendo o outro cara e fomos embora sem transar. Idiota.

    Acabei conhecendo outro homem naquela semana e, claro, era dotado também. Já estava quase certa que a pessoa que pintava as gravuras da bíblia economizava tinta. Era outro bonito e idiota. Mesmas conversas, mesmos objetivos. Ele tinha uma banda e ficava me perturbando para largar meu pai e cantar com ele, o que me lembrava do empresário e me irritava muito. O sexo era bom.

    O outro me ligou umas semanas depois pedindo desculpa. Chorou no telefone, disse que estava arrependido e sentia minha falta. Pediu que eu voltasse para ele. Voltar para onde, se eu nunca fui? Que mania dessas pessoas de me querer para elas. Coisa horrorosa. Combinamos e ele me levou para o morro. Transou comigo como se fosse a última vez. Foi gostoso.

    Infelizmente para ele eu não estava disposta a parar de transar com o novo namorado. Então mantive os dois. Com minha agenda de shows insana era muito fácil mentir que estava cantando enquanto estava metendo. Aquilo começou a me dar um tesão maior ainda. Quanto mais eu metia com um mais queria meter com o outro.

    Minha inocência tinha ficado muito para trás. Comecei a testar o quanto eles eram espertos. Chupava um, tomava todo o leitinho e depois beijava o outro. Dava o cuzinho – quando conseguia – enchia de porra e ia pro outro. Eles não percebiam. Quem não percebe a porra de outro homem na sua mulher?

    Não amava nenhum dos dois. Amor era uma coisa estranha. Cresci cantando aquelas canções de dor e sofrimento e para mim parecia uma coisa feita para as pessoas consumirem como livros e filmes. A ideia de ficar com uma pessoa só, de estar completamente apaixonada e ficar fazendo idiotices por isso me passava longe. Na igreja o padre insistia nisso quando ele mesmo nem mulher tinha. Um grande engodo. Com o tempo nem o sexo deles tinha mais graça. O pau dotado me machucava e eu nem podia transar todos os dias. Continuei pela adrenalina.

    O primeiro costumava me emprestar o carro dele. Eu dizia que precisava ir para outra cidade, ginecologista, coisas de menina. Passei e peguei o segundo na saída do trabalho e levei para o morro onde transava com o primeiro. Quando ele perguntou de quem era o carro, desconversei. Disse que meu pai estava testando pra comprar.

    E eu precisava testar também.

    Parei o carro e pulei em cima dele. As mãos dele correram meu corpo e um beijo quente se intercalava com ele arrancando minha blusa. Chupou meus seios com vontade enquanto eu esfregava minha buceta fervendo no pau dele, duro sobre as calças. Aquele dia eu queria mais. Queria que alguém visse. Eu queria ser pega. Abri a porta e puxei ele para fora do carro. Ele olhava ao redor, assustado, com medo de ter mais gente por ali.

    Não quis saber. Ajoelhei e abri as calças dele. Eu amo quando abro o zíper e o pau pula duro no meu rosto. Mamei. Mamei com muito gosto e vontade. Estava extremamente excitada chupando sabendo que alguém podia estar assistindo e ainda mais que alguém podia reconhecer o carro e contar o que viu.

    Eu fiquei tão empolgada que, sem perceber, estava com as bolas dele no meu queixo. Era algo fácil com o empresário e impossível com eles, engolindo o pau enorme dele inteiro, engasgando. Escorei no carro, empinei a bunda e mandei meter na buceta sem camisinha. Eu estava encharcada e gemia, louca para que alguém ouvisse. Ele estava nervoso e até meia bomba, mas eu não estava nem transando com ele mais, já estava em uma adrenalina só minha. Foi fantástico. Eu não sabia o que tinha em mim e gozei várias vezes gritando gostoso.

    Mandei ele tirar antes de gozar. Fiz ele melar minha bunda toda e me sentei nua no banco do motorista. Queria deixar uma marca. Queria que um sentisse o cheiro da porra do outro e é claro que eu não podia chifrar só um deles com tanto estilo. Fiquei por dias pensando no que fazer e tive uma ideia quase suicida.

    O primeiro foi me buscar em casa. O banco do carro dele ainda cheirava a porra, eu podia sentir, o que me deixou encharcada. Ele disse que queria ir pra um motel. Eu disse que queria algo mais ousado. Fiz ele dar umas voltas pela cidade como se fosse aleatório. Entramos em uma certa rua e eu indiquei uma árvore grande.

    – Pare ali – comandei.

    Era final da tarde, quase escurecendo. Ele parou o carro e eu já abri o zíper da calça dele. – Aqui não, alguém vai ver! – ele estava apavorado e eu ignorei o medo dele. Puxei pra fora aquele pauzão e caí de boca. Ele olhava pra fora o tempo todo tentando curtir meu boquete molhado enquanto as pessoas passavam pela rua. Mamei e lambi. Dava cuspidas nele e mamava de novo. Ele segurava meus cabelos pra baixo para que ninguém visse.

    Assim como o outro ele não conseguiu ficar com o pau completamente duro. Não estava nem aí. Ergui a cabeça e dei um beijão na boca dele. Olhei pela janela para ver a casa do segundo bem na nossa frente. Eu sabia que ele estava em casa. Montei no colo dele, puxei a calcinha pro lado e sentei no pau meia bomba. Ele ainda tentou me empurrar morrendo de medo. Sentei e atolei tudo na minha buceta.

    Eu estava escorrendo litros de suco. Tesão puro. Enquanto o pau dele entumescia dentro de mim, sem camisinha, eu olhava para a porta da casa do outro esperando que ele aparecesse. – Me avisa quando for gozar, quero que mele minhas coxas. – Eu estava em êxtase total. A cada sentada que eu dava eu esperava que a porta abrisse.

    Eu queria ser pega.

    Ele começou a gemer alto e se perdeu no meu suco. – Eu vou gozar! – Ergui a bunda o suficiente para que ele melasse minha buceta e minhas coxas. Sentei de volta no banco do carona. Eu amei a sensação, mas estava um pouco frustrada. Abri a porta do carro. Ele me segurou pelo braço perguntando onde eu ia. Enrolei, falei que ia ver uma vovozinha que morava ali perto – uma desculpa bem esfarrapada pra deixar a pulga atrás da orelha mesmo. Ele fez que acreditou, eu sorri e dei um beijo bem quente e apaixonado.

    Desci do carro e fui caminhando devagar. Ele se foi. Voltei até a casa do segundo. Bati na porta. Ele ficou feliz com a surpresa. Disse que só estava de passagem por ali e só queria dar um beijo. Dei um beijo ainda mais quente e apaixonado. Enquanto beijava ele eu passava minha mão na porra do outro nas minhas coxas e depois passava a mão no rosto dele. Eu tremia nos braços dele, aquela energia que eu sentia era a coisa mais incrível que eu já tinha experimentado, ia muito além de tudo o que eu pudesse imaginar. Fui pra casa e me masturbei até não poder mais.

    Aquilo foi bom. Eu só tinha a impressão de que podia ser muito mais. Meu tesão nos dois acabou completamente.

    ***

    Uma semana depois minha tia faleceu. Entramos no carro e voltamos para o sul para ver a família. Na hora de voltar do enterro passamos na nossa antiga casa na colônia e nossa mudança estava de volta lá. Não podia ser. Não era possível. Meus pais armaram para mim.

    Meu sonho estava arruinado.

    Ou continue lendo o livro

  • Capítulo 3 – Bardo

    Derrotada.
    De novo de volta à maldita colônia. Ver aqueles cabelos loiros e olhos azuis me irritavam profundamente. Aquele sotaque horroroso, um português ruim. O frio. Aquele vento minuano cortando meus ossos por dentro.


    Não tinha a menor intenção de ficar ali.


    Chamei meus pais para uma conversa. Se eles queriam ficar, que ficassem. Eu já tinha vivido sozinha lá mesmo e sabia me virar. Pedi as chaves da casa e o dinheiro para a passagem. Minhas malas estavam prontas em cima da cama.


    Não havia mais casa, meu pai me disse. Parece que ele tinha gasto todo nosso dinheiro tentando nos colocar nos palcos e as gravadoras e advogados tomaram tudo dele. Ele pediu dinheiro emprestado ao meu tio e, sem conseguir pagar de volta, perdeu a casa. A verdade era que eu tinha trabalhado e lutado pelo meu sonho por 13 anos e meu pai tinha arruinado tudo. Talvez o empresário tivesse razão.

    Entrei no quarto e fiquei encarando minhas malas. Eram como bigornas em cima da cama, tão pesadas quanto um sonho que virou pesadelo. Eu não conseguia nem chorar mais. Deitei no meio delas e fiquei ali olhando para o teto. Aquele cara com a coroa de espinhos me olhava da parede. Lembrei que deus tem um plano para mim e que deus escreve certo por linhas tortas. Bem tortas, bem tortas, viu? Dormi.

    ***

    Nos dias seguintes eu me senti completamente atordoada. Não tinha mais a menor vontade de cantar. Meu pai começou a fazer seus shows nos bailinhos alemães de novo e eu me recusei a ir. Para que, afinal? Quem estava sustentando a casa era minha mãe com o mercadinho. 

    Passava meus dias andando de um lado para o outro, limpando a casa, cuidando dos meus irmãos. Quando meu pai saía, as amigas da minha mãe apareciam e eu era o assunto principal. Elas não queriam saber como era São Paulo e o que eu tinha vivido lá. Elas queriam saber quando eu ia arrumar um marido e começar a fazer filhos. Meu pai trazia pretendentes. Um alemão mais feio que o outro. Era sempre um “homem bom.” – Tem um terreno ali na rua de cima, ele tem um carro bom, trabalha na fábrica. – Minha mãe me mandava para a igreja. Eu não tinha terminado a crisma e tinha que fazer aulas sobre a bíblia.

    Parecia que era isso, enfim. Casar, ser mãe. Viver aquele mesmo ciclo sem fim daquelas italianas e alemãs ao meu redor. Não parecia nada bom e não parecia ter nada melhor para escolher além daquilo. Comecei a flertar com os meninos da igreja. Havia um que era bem bonitinho e quem sabe ao menos eu teria alguém para me ajudar a aliviar a tensão e a coceira.

    Infelizmente eu já não sentia mais nada com o flerte bobo de menina. Minha inocência já tinha ido embora com os namorados de São Paulo. Eu queria maldade, sacanagem, putaria mesmo e isso era bem escasso por ali. Batia minha siririca imaginando meter com dois homens ao mesmo tempo. Não aqueles homens ali do bairro. Homens mesmo. Me pegando pelos cabelos, fodendo minha boca, metendo na minha buceta e no meu cu ao mesmo tempo. Eu queria ser feita de puta.

    Pedi um trocado para minha mãe e fui para o centro da cidade. Precisava fazer alguma coisa antes que casasse com o alemão do fim da rua. A única experiência que eu tinha além de cantar era a biblioteca e fui direto para lá. Fiquei sabendo de um lugar onde aconteciam cursos de música e pensei que seria interessante conferir. Era um prédio imponente, todo verde e pessoas com diversos instrumentos musicais entravam e saíam dele. Talvez isso vá dar em alguma coisa.

    Entrei e perguntei sobre os cursos. Me falaram sobre todos os instrumentos que eu podia aprender, com exceção do piano – estamos sem professor no momento. Mencionei que era uma pena pois era meu instrumento favorito. A conversa se desenrolou com a minha história e acabou em um convite para ser professora de piano. Eu, professora? Ri. Estava habituada com os músicos de São Paulo, com o povo do chorinho, músicos realmente muito bons. Eu sabia no máximo bater alguns acordes e dedilhar algumas melodias. Sentei ao piano e, rindo, mostrei o que podia fazer. Ficaram impressionados. Parecia que para aquele lugar eu era boa o suficiente.

    E parecia que eu tinha um emprego.

    Só não tinha nenhum aluno ainda. Comecei a passar meus dias na escola de música. Era muito melhor que estar em casa e o centro da cidade tinha um ar mais urbano, menos colônia. Me sentia melhor ali. Alguns dias depois chegou o Fabiano, meu primeiro aluno. Um menino de seus 13 anos de idade e logo na primeira aula eu senti que aquilo ia ser bom. Eu levava jeito.

    Quando ele saiu me deu o dinheiro. Trinta e cinco reais. Eu peguei as notas na mão e olhei ao redor. Pela primeira vez na minha vida eu não estendi meu braço e dei o dinheiro para o meu pai. Era meu, todo meu, e eu ia decidir o que fazer com ele.

    Tomei um sorvete. Três reais. Nesse passo meu dinheiro não ia muito longe.

    Eu precisava me alimentar no centro da cidade e a escola de música oferecia uma cozinha. Fui até o mercado e olhei os preços das coisas. Me lembrei que não sabia cozinhar. Fui até a gôndola das massas e vi aquele pacotinho amarelo que eu tinha visto na televisão muitas vezes mas nunca tinha comido: miojo. Li as instruções. Parece que consigo desenrolar isso.

    Custava menos de um real. Levei para a cozinha da escola, fervi uma panelinha de água e coloquei o macarrão. Contei os três minutos. Escorri e acrescentei o tempero. Sentei na mesa e encarei aquele prato fumegando. Enrolei no garfo e coloquei na boca. Fogos de artifício explodiram na minha cabeça. Que coisa gostosa! Comi tudo com vontade e fiz as contas: se eu tivesse mais um aluno eu poderia pagar as passagens de ônibus e o macarrão para vir todos os dias. Liberdade!

    Comecei a puxar papo com todo mundo que passava ali e divulguei que as aulas de piano estavam de volta. Tinha essa menina muito diferente, bem baixinha, olhos grandes e atentos e o cabelo preto e encaracolado. Se chamava Simoní. Ficamos de papo por um bom tempo e ela me disse que um amigo tocava teclado em uma banda e talvez se interessasse em fazer algumas aulas. Passei o telefone da minha casa para ela.

    Alguns dias depois ele me ligou. Falava alto e animado – italiano, com certeza – e me disse que tinha interesse nas aulas. Ficamos conversando por um bom tempo ao telefone. Me contou que tocava em uma banda cover de Marilyn Manson – nunca ouvi falar – e que precisava melhorar como músico. A conversa descambou para o lado pessoal e ficamos falando das nossas vidas um para o outro em uma energia muito boa. Minha mãe me olhou torto: tempo demais no telefone. Desliguei e esperei por ele.

    Era uma quarta feira, final da tarde, quando ele chegou. Um Ford Ka branco estacionou na entrada e foi meio engraçado quando aquele homem enorme saiu daquele carro pequenino. Pegou um teclado no banco de trás e se aproximou. Só quando ele parou na minha frente eu me dei conta da altura dele. Devia ter mais de dois metros e, pasme, usava saia.

    Os olhos estavam maquiados com lápis preto. O cabelo feminino, com um corte channel. A camisa preta colada no corpo super magro, marcando as costelas, com as mangas longas que se abriam no final. As unhas pintadas de preto. A enorme saia plissada de freira e coturnos do exército. Era uma versão trans da Mortícia Adams. Eu tinha visto alguns rockeiros em São Paulo. Meu pai nunca me deixava chegar perto deles – eles escutam Raul Seixas – me dizia. Eu não sabia quem era esse Raul e esse cara na minha frente era a coisa mais esquisita que eu já tinha visto na vida.

    Ele abriu um sorriso enorme e uma voz de trovão me desejou boa noite. Olhei para o menino da secretaria com um ar de desespero, tentando me comunicar com os olhos avisando que eu não ia dar aula para aquele morcegão. Não teve jeito. Fomos para a sala de aula e comecei a explicar para ele sobre a clave de sol.

    Em algum momento ele se vira para mim e diz: – você é muito bonita, professora. Enfureci. Ergui minha voz e deixei a polonesa sair. Sou sua professora, você é meu aluno e isso aqui é um ambiente de respeito! Saiba seu lugar! Ele baixou a cabeça e olhou para o piano por um tempo. Então se virou para mim e disse: 

    – Ai, amiga, eu só estava te elogiando.

    Me senti horrível. Eu devia ter desconfiado, certo? O cabelo, o lápis de olho, as unhas. Ele era gay. Mas espera aí, ele não disse que tinha uma namorada? Questionei e ele disse que era só de fachada para evitar brigas com a família. Bom, se a família dele não se importava com as roupas, com o que mais ia se importar?

    Terminamos a aula e ele me deu o dinheiro. Estava feita! Agora podia sobreviver. Mais um aluno e podia começar a fazer planos. Eu ia para casa só para dormir. Os finais de semana eram um suplício onde eu tinha que escolher qual o lugar menos pior: a igreja ou o mercadinho. Meu pai estava completamente abatido e saía cada vez menos para trabalhar. Começou a querer ajudar minha mãe e só atrapalhava. Tinha ciúmes dos vendedores, dos clientes que falavam com ela. O ambiente estava cada dia mais insuportável.

    Enquanto não tinha alunos eu andava de imobiliária em imobiliária procurando um lugar para morar no centro da cidade. Ninguém me dava conversa. Ninguém ia alugar um cantinho para uma menina sozinha e sem os papeis que pediam. Comprovante de renda, fiador, nunca tinha ouvido falar dessas coisas.

    O morcegão me convidou para uma bebida depois da aula. Disse que me levava em casa depois. Aceitei – ia economizar uma passagem e ele não era má companhia. Sentamos em um restaurante e ele pediu um vinho. Me lembrei do empresário mas esqueci rapidinho: ele pediu um vinho doce e barato. Pensei em beber aquilo o mais rápido possível e aproveitar a carona, mas ele me surpreendeu com a conversa.

    Conversa sempre foi um inferno para mim. As pessoas sempre falavam das mesmas coisas: seus empregos, o carro e a casa que queriam comprar ou tinham comprado, casar e ter filhos, mal dos outros ou alguma fofoca idiota sobre alguém da TV. O primeiro BBB estava no ar e todo mundo falava disso o tempo todo. Ele começou me contando sobre esse artista, o Marilyn Manson, e como sua vida tinha sido salva pela arte dele.

    Me contou sobre a banda, a Estação das Brumas. A roupa esquisita era o figurino de palco – que ele usava no dia a dia por alguma razão. Me contou sobre os shows intensos, sobre um monte de gente que se vestia assim e gostava de música pesada, os góticos, e sobre uma coisa que me levantou a orelha: surubas.

    Aparentemente essa turma não tinha muito pudor. Eles tinham namorados e namoradas e mesmo assim se juntavam de vez em quando e transavam todos juntos. Isso parecia muito interessante! Perguntei se ele não tinha ciúmes da namorada transando com outros caras e ele disse que não era um sentimento que fazia parte dele e que tinha assistido ela fodendo com outros e outras algumas vezes. Eu me tornava uma poça na cadeira. Era isso que eu queria com meus namorados em São Paulo! Eu só não imaginava a possibilidade.

    Me contou também que não conseguia namorar com ninguém de verdade. Que não tinha certeza se era capaz de amar como as pessoas diziam que era certo. Todos os relacionamentos dele não duravam mais que três meses, pois ele sempre se apaixonava por outra pessoa e, sem poder ficar com as duas, tinha que seguir em frente.

    Aquilo era mais que música para meus ouvidos. Ele me deixou em casa e comentou que já tinha comido minha vizinha em uma dessas festas. Mesmo? Uma dessas alemãs estava em uma suruba? Parecia que eu tinha um mundo para descobrir. Ele saiu dali para ir para a casa da namorada e eu senti uma pontinha de inveja dela. Bati minha siririca imaginando os dois transando.

    Ele comentou comigo que ela era uma prostituta (com ele era de graça) e que tinha seios enormes de silicone. Ela tinha ensinado para ele tudo o que ele sabia na cama e, aparentemente, ele sabia muita coisa que eu não fazia ideia. Fiquei curiosa.

    ***

    Começamos a nos ver com frequência, não só nas aulas. Ele era um universo de coisas que eu nunca tinha ouvido falar. Seu nome era Ricardo mas todos chamavam ele de Bardo, um apelido que ganhou jogando RPG, um jogo de interpretação de personagens que também era novidade para mim. Os bardos são artistas viajantes, caixeiros e diplomatas. Ele ganhou o apelido por ser músico e também ser conhecido por evitar brigas. Realmente era um homem calmo, tranquilo, sempre procurando fazer amizades por onde chegava comigo.

    Me fazia muitas perguntas. Contei para ele toda minha história e ele sempre me respondia me apoiando. No final, me perguntou: o que te impede de ir embora daqui? Bem, como eu explico para ele que uma mulher de 19 anos de idade já está cansada da vida? Falei para ele que tinha que terminar a crisma, que meus pais queriam me casar. Ele torceu o nariz. Se tem duas coisas que eu não precisava era de deus e um casamento.

    Conquistei mais alguns alunos mas uma notícia terrível chegou: a escola de música ia fechar. Algo sobre a prefeitura não ter mais como manter o prédio. Nenhuma novidade para mim, em São Paulo era assim o tempo todo. A cultura é sempre a primeira vítima dos cortes de orçamento. Sentei em uma cadeira e chorei. Uma das alunas, Dona Maria Otília, me viu naquele estado lamentável e me disse que tinha uma pequena sala comercial ali perto que estava fechada e que ela podia alugar se eu precisasse, sem comprovante de renda ou fiador.

    O valor do aluguel era maior do que o que eu ganhava e eu aceitei mesmo assim. Fui até a sala, um pequeno espaço em uma galeria antiga. O elevador parecia que ia direto para o inferno se você apertasse o botão errado. Trouxe meu teclado de casa, consegui duas cadeiras e avisei meus quatro alunos da mudança de endereço. Eu tinha trinta dias para conseguir mais alunos e o dinheiro do aluguel, das passagens e do biscoito água e sal – sem a cozinha o macarrão não era mais uma opção.

    Tomando mais um vinho comentei isso com o Bardo. Ele ficou empolgado. Disse que podia criar panfletos no computador e imprimir na empresa em que trabalhava sem custo algum. Ele tinha o hábito de colar cartazes dos shows pela cidade e disse que podíamos colar cartazes fazendo propaganda das aulas também. Aceitei a ajuda de bom grado e colocamos o plano em prática. Também subi o valor da mensalidade para cinquenta reais e meus alunos acharam justo.

    No dia seguinte estávamos na casa do Bardo fazendo grude de polvilho em uma panela. A casa dele – do outro lado da cidade – era muito maior que a minha. Dois carros na garagem, piscina e os pais dele eram muito cultos e educados. A mãe dele, professora, falava com um português tão correto que quase me fez chorar. Me trataram muito bem e fiquei impressionada.

    Com o grude em um balde, um pincel e cartazes que pareciam uma propaganda de um filme de Bela Lugosi saímos pela cidade colando pelos postes. Ele me avisou que era proibido e que se a polícia nos pegasse tínhamos que largar tudo e correr. Emocionante! Colamos por todo o centro da cidade e, bem na esquina principal, a polícia se aproximou.

    Eu estava concentrada no cartaz e não percebi. Senti ele pegar minha mão, arrancar o pincel, jogar no balde e me puxar pela calçada, caminhando rápido. Os policiais pararam no poste e viram o balde no chão. Começaram a olhar ao redor, procurando os meliantes. Vendo isso, Bardo me olhou e disse: vai na minha. Me encostou contra a parede, me pegou pela cintura e me beijou.

    Derreti na boca dele. Que beijo gostoso, que pegada. Esse cara não pode ser gay, não é possível. Ele ficou me beijando enquanto os policiais passavam devagar com a viatura. O disfarce deu certo mas perdemos o balde. Ele seguiu caminhando como se nada tivesse acontecido. Fomos para o carro e me levou para casa. No dia seguinte eu tinha dois novos alunos.

    Bardo começou a aparecer na salinha no meio da tarde, quando deveria estar no trabalho dele. Ele era TI em uma fábrica de máquinas e começou a inventar desculpas para sair no meio do expediente e me visitar. Sempre imprimia mais panfletos e trazia, até me ajudava a distribuí-los. Em algumas semanas eu tinha alunos o suficiente para pagar o aluguel, comer e o melhor de tudo: comprar um sofá cama para a sala. Agora eu podia dormir ali se quisesse.

    ***

    O dia dos namorados chegou e Bardo me ligou (eu tinha conseguido comprar um telefone). Disse que não queria mais estar com a namorada e perguntou se eu aceitava jantar com ele. Eu não tinha um namorado então, por que não? Aceitei. Durante a tarde o tempo fechou feio e caiu uma tempestade. Ele me buscou na galeria com uma caminhonete da empresa. Quando entrei um buquê enorme de rosas me esperava.

    E eu não esperava o buquê. Realmente o que eu estava vivendo com aquele cara era muito diferente de tudo o que eu tinha passado e eu estava me divertindo muito. Era gostoso, sem compromisso e ele me ouvia e me ajudava o tempo todo. E era tão gostoso ouvir ele contar as histórias dele. Cada vez que ele saía para um show ou um festival eu esperava por um novo pornô. Ele sempre pegava alguém ou acabava em um ménage ou suruba e adorava me dar os detalhes.

    Jantamos e ele me convidou para ir para a casa dele. Aceitei. Quando chegamos lá ele me deu um presente: o CD da Alanis Morissette Acústico MTV. Nunca tinha ouvido falar. Tenho esse CD guardado comigo até hoje. Ele também tinha comprado um presente para ele mesmo. Me disse que foi comprar o meu e não resistiu quando viu que tinha saído o disco novo do Marilyn Manson. Ouvimos uma ou duas músicas da Alanis. Gostei muito! Depois fomos ouvir o Manson. Era pesado demais para mim, agressivo, nunca tinha ouvido nada daquele jeito antes.

    Ouvindo música no quarto dele, a tempestade batendo na janela com força, os relâmpagos lá fora. Em um clima gostoso, ele se aproximou e me beijou. Tão gostoso quanto da primeira vez. Pegada de homem mesmo, tesão. Colei meu corpo no dele e senti o volume nas calças. Um homem daquele tamanho deveria ter alguma coisa enorme me esperando. Deitamos na cama e ele começou a me despir.

    Confesso que fiquei com um pouco de vergonha. Ele me falava o tempo todo dos enormes seios de silicone da namorada e os meus eram tão pequeninos. Pedi para ele desligar a luz. Ele esticou o braço, pegou um saquinho com dados de RPG no chão e arremessou do outro lado do quarto acertando o interruptor em cheio. A luz se apagou e o quarto iluminou rapidamente com um relâmpago que explodiu lá fora. Minha buceta virou uma cachoeira de tesão.

    Arrancamos a roupa um do outro. Estávamos nos beijando intensamente, quase mordendo um ao outro quando ele se lembrou que esqueceu de pegar preservativos e não tinha nenhum. Que assassinato de clima! Ele se levantou e foi pedir um para o pai dele. Achei aquilo muito bizarro! Se eu pedisse um preservativo para o meu pai era morte certa. Fiquei sentada na cama, a buceta encharcada, ouvindo aquela música esquisita e pensando como foi que eu tinha ido parar ali.

    O quarto dele estava cheio de instrumentos musicais, livros e videogames. Era tudo muito diferente da minha realidade. Os CDs tinham nomes que nunca ouvi falar: Aerosmith, Ramones, Cannibal Corpse, Nirvana. Muitos livros com títulos em outros idiomas. Na parede um enorme cartaz com um homem monstruoso em uma versão podre e decadente de Jesus Cristo. As letras góticas diziam: Marilyn Manson.

    Ele entrou no quarto animado me mostrando um preservativo. Apagou a luz e voltamos aos beijos e amassos. Eu não deixava ele tocar meus seios, mesmo que a pegada dele, com uma mão enorme, fosse quente e deliciosa. Ele me deitou na cama e foi descendo e beijando meu corpo. Me arrepiei quando ele beijou minha virilha e entrei em transe quando ele colocou a boca na minha buceta.

    Nenhum namorado tinha me chupado ainda.

    Foi uma das coisas mais gostosas que experimentei até aquele ponto. Era extremamente quente e molhado. Ele tinha a boca macia e a língua fazia evoluções e explorava cada milímetro da minha buceta. Eu torcia minhas pernas e ele segurava minhas coxas com força. Gemi alto. Fiquei com medo que alguém na casa ouvisse mas ele não pareceu se importar.

    Depois de um tempo que pareceu infinito eu senti ele encaixar a boca na minha buceta toda e a ponta da língua entrou bem no ponto da coceira – que agora eu sabia que se chamava clitóris. Explodi na boca dele. Ele lambia e chupava meu ponto G e arrancava jatos de suco. Gozei tantas vezes que perdi a conta.

    Ele subiu meu corpo de volta me lambendo e chupando. Entreguei meus seios e ele chupou os bicos com vontade, elogiando como eram bonitos e gostosos. Subiu pelo meu pescoço e beijou minha boca. Fui tomada por um sabor delicioso: O gosto do meu próprio suco. Eu não fazia ideia que buceta podia ter um gosto tão bom!

    Ele puxou o preservativo e veio para cima de mim. Eu não deixei. Coloquei ele deitado na cama e, no melhor estilo Daenerys Targaryen, fiquei por cima. Estava escuro e eu ainda não tinha visto ou tocado no pau dele. Estava muito curiosa. Será que ia entrar em mim? Já faziam meses que eu não via um caralho e devia estar muito apertada. Peguei na mão e me surpreendi: era menor do que os dos meus antigos namorados (e definitivamente muito maior do que o do empresário).

    Me encaixei em cima dele e sentei. O pau deslizou gostoso para dentro e tocou meu útero. Sabe quando você diz que uma pessoa é seu número? Foi o que senti na hora. Era o tamanho perfeito. Não me deu aquele desconforto, aquela arrombada que os outros me davam. Foi só prazer, foi delicioso e não vou mentir: podia ter durado mais. Ele gozou muito rápido. Na hora não me importei, foi até gostoso ver que ele amou tanto a minha buceta porque ele ia ter que visitar ela com frequência.

    Um tempo depois ele me contou uma coisa e eu vim a ouvir isso de muitas outras pessoas: que minha buceta é muito mais gostosa do que tudo o que ele já tinha experimentado (e vindo do Bardo, acredite, ele experimentou muita, muita coisa mesmo). Disse que é carnuda, quente, sempre encharcada e tem um sabor único. Bom saber…

    ***

    Fiquei com receio de que depois de me comer ele ia vir com alguma chatice mas não. Sem conversa ruim, sem nomes para o relacionamento. Nós fodíamos e era isso. E como fodíamos. Passou a ser todos os dias, duas ou três vezes por dia. Ele estava quase perdendo o emprego e eu perdia uma ou outra aula. Quantas vezes os alunos chegavam e batiam na porta e eu não podia atender porque estava no sofá-cama com a bunda empinada!

    No final de semana eu ia para o quarto do Bardo e saíamos de lá só para comer. Os pais dele estavam enfurecidos e começaram a não me tratar tão bem assim. O quarto cheirava a sexo o tempo todo. O domingo à noite era desesperador, quando eu tinha que ir embora. Muitas vezes eu ia chupando ele no carro até minha casa.

    ***

    Em uma daquelas conversas com as amigas da minha mãe eu reclamei da camisinha. Disse que não gostava, que me deixava ardida e que perdia a graça. É muito mais gostoso no pêlo e todo mundo sabe disso. Uma delas me disse que já que eu não queria tomar o contraceptivo (todas elas tomavam e eram gordas) eu podia contornar isso de vez em quando. Segundo ela era impossível engravidar durante a menstruação e que eu estava liberada para levar porra dentro à vontade durante o fluxo. (Nota: Essa informação está incorreta).

    Comecei a contar os dias para a minha próxima lua. Eu tinha dado umas 10 vezes sem camisinha para os antigos namorados mas nunca deixei gozar dentro e ia ser o Bardo que ia me dar esse prazer pela primeira vez. Deve ter sido a única vez na vida que senti cólica e fiquei feliz – estava vindo!

    Não comentei nada com ele. Não sabia como ele ia se sentir. Entramos no quarto e avisei: estou menstruada. Ele me fuzilou com o olhar, como quem pergunta o que eu tinha ido fazer lá. Perguntei se ele se importava de meter mesmo assim. Ele disse que nunca tinham proposto isso para ele e que não se importava em tentar. Honestamente eu também nunca tinha metido menstruada e ia ser novidade para mim. 

    Começamos os amassos, chupei ele bem gostoso (já que dessa vez ele não ia me chupar, né, vampiro doidão?) e fui sentando em cima dele. Ele alcançou a gaveta das camisinhas e eu segurei a mão dele. Não precisa. Expliquei para ele que não tinha risco de engravidar menstruada. Ele me olhou com uma cara esquisita de quem não estava comprando muito a ideia. Insisti um pouco e ele topou.

    Que delícia quando o pau dele escorregou quentinho para dentro de mim. E realmente transar menstruada é uma sensação um pouco diferente. Tudo muito mais molhado. Metemos gostoso e ele não aguentou muito tempo, não estava acostumado a meter no pêlo. Senti ele começar a pulsar, a gemer, e deixei meu peso todo sobre ele. Esperei e recebi: um jato, dois jatos, três jatos… quatro jatos? Ele não parava de gozar. Me senti toda quentinha e preenchida por dentro e a porra já saía pelos lados da buceta antes mesmo dele tirar de dentro. Quando ele tirou fiquei olhando aquela poça de porra e sangue enorme na barriga dele. Peguei uma camiseta e limpei.

    Que sensação maravilhosa. Até hoje eu não experimentei sensação melhor na vida do que levar uma gozada farta dentro do útero. É o ápice do prazer físico. Gozando ao mesmo tempo então, é surreal. Eu quero mais disso.

    Metemos sem camisinha por dias a fio. Nos dias seguintes eu sentia o cheiro da porra subindo da minha buceta para o meu nariz e cada vez que sentia me molhava toda de novo. Eu estava puro instinto. E uma coisa tinha me deixado curiosa: meus outros namorados gozavam muito menos leite. Eu precisava conferir isso.

    Naquela tarde ele resolveu dar uma passada rápida pela salinha. Puxei ele para o sofá, abri as calças dele e tirei aquele pau gostoso para fora. Não era só gostoso, aliás, era bonito. Hoje posso falar, já vi pau o suficiente na vida, que tem pau feio e pau bonito e o pau do Bardo é lindo. Outras pessoas vieram comentar isso também. E com esse belo pau no meu rosto era hora do teste. Eu ainda não tinha chupado ele até tomar tudo e queria saber.

    Mamei gostoso. Ele agarrado nos meus cabelos e eu dando meu melhor. Lambendo a cabecinha, descendo com a língua até as bolas e subindo de volta. Colocando fundo na boca e chupando rápido e forte. Segurava as bolas dele esperando que elas pulsassem. Logo elas pareciam um coração na minha mão, ele gemeu gostoso e explodiu. Uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Não consegui segurar a porra na boca, ela vazava pelos cantos e tive que engolir um pouco. Eu estava em êxtase. Era muito leite, muito mais do que qualquer namorado que eu tive antes. Que delícia.

    A surpresa não terminou aí. Ele me levantou, me puxou para perto dele e beijou minha boca. Isso foi realmente incrível. Jamais nenhum namorado meu faria isso e honestamente encontrei poucos homens depois que fariam o mesmo. Ele beijou minha boca cheia de porra. Derreti e gozei com o beijo. Minha buceta virou uma poça e tive que dar uma metida gostosa de pé contra a parede. Ele meteu sem camisinha e gozou nas minhas coxas. Muita porra de novo, escorrendo pelas minhas pernas. Caralho de homem gostoso!

    ***

    Ele não parava de me surpreender. Por um lado, ele tinha um mundo para me mostrar. Eu nunca tinha mexido em um computador antes, então ele me deu um. Me ensinou a usar o editor de texto e de imagens e a criar meus próprios panfletos. Logo eu tinha uma impressora e podia dar aos meus alunos uma experiência melhor com partituras e cifras personalizadas. Tinha até meu próprio papel timbrado!

    Me apresentava filmes, livros e músicas. Conheci Quentin Tarantino, Tim Burton, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e também um monte de cultura pop. Eu realmente cresci em um universo paralelo com meu pai me proibindo de ver e ouvir coisas. Conheci Júlio Verne e Edgar Allan Poe. Ouvi Ozzy Osbourne e me apaixonei completamente (pela fase pós Sabbath). Joguei Playstation. Realmente o mundo tinha muito mais coisas do que a bíblia podia oferecer.

    Assistimos juntos a um filme chamado Assassinos por Natureza. Era sobre um casal que viajava em um conversível matando pessoas. Gostamos tanto desse filme que assistimos ele de novo e de novo. Mickey e Mallory Knox. Nos víamos neles. Não na parte de matar pessoas, mas na parte de se libertar daquela chatice toda e sair viajando por aí, quem sabe morando em um motorhome. Brincamos que nossa casa ia se chamar Borboleta de Metal, como um ser errático que anda por aí lambendo as flores sem destino.

    E ele me surpreendia na cama também. As bolas dele eram enormes. Quando ele me socava com as pernas abertas o saco ficava batendo no meu cu e era uma sensação nova e deliciosa. A ex-namorada dele ensinou tanta coisa que ele parecia uma enciclopédia de posições sexuais. E foi em um desses malabarismos que, em um meia-nove ele enfiou a língua no meu cuzinho. Tremi por inteiro, me arrepiei toda. Ele lambia e chupava e minhas pernas derretiam. Comentei que amei aquilo e ele disse que eu podia fazer o mesmo nele. 

    Nessas horas eu ficava bem confusa. Ainda não tinha certeza se ele era gay. Ele me contava sempre sobre as mulheres que tinha comido aqui e ali e nunca contava sobre os homens. E confesso que foi a coisa mais esquisita que alguém me pediu para fazer, mas fiz. Chupando o pau dele fui fazendo aquela minha escalada gostosa, descendo para as bolas e dali entrei em um novo território. Ergui o saco, lambi por baixo e senti ele arrepiar. Segui em frente com a língua bem molhada e cheguei no cu dele. Que gemida! Com certeza ele sente prazer por aqui! Lambi e chupei com gosto vendo ele trançar as pernas e gemer.

    – Enfia o dedo! – ele disse. Aí eu travei. Como assim? Você quer que eu coma o seu cu? Era isso mesmo. E era bizarro. Olhei aquele cuzinho peludo, molhado e piscando e babei meu dedo indicador. Aqui vamos nós. Entrou fácil até o talo e ele agarrava os cabelos gemendo. Gay, totalmente gay. Ele curtiu por um tempo e de repente tirou meu dedo, me colocou de quatro e me fodeu com uma vontade que ainda não tinha visto. Parece que descobri algum botão mágico.

    ***

    Minha menstruação não veio. Bardo tinha comentado que aquela ideia de gozar dentro não parecia boa, mas não tinha Google na época e ninguém mais para conferir. Não falei nada para ele, não era problema dele. Corri para o laboratório e pedi para fazer um exame de gravidez. Levava dois dias para ficar pronto e eu devo ter tido os dois dias mais longos da minha vida.

    Na minha cabeça ficava imaginando a merda que ia ser. Sem lugar para morar, mal ganhando para sobreviver e com um filho sem pai. Minha família, se não me matasse, ia tentar me casar o mais rápido possível com algum alemão para meter um golpe. Também fiquei tentando pensar em coisas boas. O que seria bom em ser mãe? Eu com certeza faria tudo diferente da minha: minha filha saberia o lado certo do absorvente.

    O exame chegou e eu estava tão nervosa que não consegui abrir. Minha mão tremia. Liguei para o Bardo desesperada. Ele veio correndo. Sentamos juntos no sofá-cama e abrimos o papel. Negativo. Senti alívio por nós dois e, ao mesmo tempo, um pouco de frustração. A ideia que a igreja, minha mãe e as amigas dela colocavam todos os dias na minha cabeça parecia estar ganhando espaço.

    Bardo disse que não ia mais gozar dentro e isso também foi extremamente frustrante.

    ***

    Minha mãe insistia que eu precisava me crismar. Eu já nem ia na missa aos domingos, mas para não dar ainda mais desgosto aceitei. Bardo foi comigo na cerimônia e ficou do lado de fora, ouvindo música satânica no carro em sinal de deboche. O padre falava para os jovens (eu estava atrasada ali) dando lições de vida que eu tinha vontade de explodir rindo. Pobres almas perdidas.

    Voltamos falando mal da igreja no carro com minha madrinha no banco de trás horrorizada. Bardo almoçou na minha casa. Comparado com a família dele, a minha era muito grosseira, inculta e ignorante. Tive que pedir que usasse um figurino mais discreto, o que não impediu os meus pais de agirem como idiotas. Meu pai e meu tio ficaram tentando aterrorizar ele e minha mãe agia como um bicho, pegando as comidas com a mão e colocando no prato dele. Para piorar eu, nervosa, ainda dei um garfo para ele tomar sopa. Bardo, na sua tranquilidade costumeira, já esperava tudo isso e tirou de letra. Ele sempre dizia que família é algo que se escolhe durante a vida, não essa turma com quem nascemos.

    Minha casa era um lugar que eu quase não frequentava mais. Meus pais pareciam não se importar muito tendo meus irmãos para cuidar, meu pai parando de fazer shows e minha mãe desesperada porque ele ficava em casa o dia todo infernizando a existência dela. Dormia algumas noites no sofá-cama. Bardo instalou um chuveiro no banheiro social e eu já tomava banho por lá. Depois consegui comprar um fogareiro e fiz uma mini cozinha onde pude voltar a comer macarrão instantâneo e o “arroz ai”.

    “Arroz ai” foi o nome que demos para essa delícia gastronômica que criamos, Bardo e eu. Nenhum dos dois sabia cozinhar e comer só miojo estava ficando enjoativo. Na época deviam ter uns dois ou três sabores e o meu favorito até hoje é galinha caipira. Nós estávamos descobrindo os animes japoneses e estávamos assistindo um chamado Video Girl Ai. Ai, em japonês, significa amor.

    A receita era simples e efetiva para encher a barriga: arroz com sazon (minha outra descoberta magnífica, parecia o tempero do miojo), uma lata de milho e uma lata de ervilha em conserva. Pronto. Fazia em uma panela grande e comia até dizer chega assistindo anime no computador. Mais tarde descobrimos que o coração de frango era barato (algo em torno de R$ 4 o kilo) e fizemos um upgrade no prato.

    Bardo começou a passar muito tempo comigo mesmo. Mal ia trabalhar. Conversávamos o dia todo enquanto eu não estava em aula. Falávamos sobre como tudo aquilo ao nosso redor parecia tão pequeno e idiota e como não queríamos viver as vidas dos nossos pais. Os amigos dele estavam se afastando, todos tomados por empregos, família, filhos e compromissos chatos que nenhum deles queria cumprir. Os dias de diversão estavam se acabando para todos nós.


    Ele ainda tinha a banda e esses amigos da putaria. Se eu tivesse alguns amigos como esses eu nunca ia precisar casar. Teria sexo à vontade e não via a hora dele me levar para a suruba. Mas a colônia tinha plantado uma ideia na minha cabeça que parecia não querer sair: agora eu queria ser mãe.

    Conversei com o Bardo sobre isso. Ele não queria ter filhos. Convidei ele então para me engravidar e me deixar criar os filhos sozinha. Eu não sei onde estava com a cabeça, era uma ideia extremamente idiota e ainda é, mas eu queria. Ele disse que podia fazer e que não ia me deixar desamparada, que ia ajudar financeiramente numa boa. Então começamos ali mesmo.

    Hoje, quando eu olho para trás, fico pensando que uma grande parte dessa ideia de ser mãe era só eu querendo levar porra dentro da buceta mesmo. É tão gostoso, ainda amo do mesmo jeito. Me lembro nitidamente dele me colocando de pé escorada contra o sofá, eu empinando a bunda, ele batendo com o pau duro na minha nádega como sempre faz antes de meter. Entrou quente e macio e só a ideia de que ele ia gozar dentro já me fez gozar na hora. Escorri squirt pelas coxas. Ele comeu gostoso e o tempo entrou em slow-motion quando ele começou a gemer. Explode, vai… uma, duas, três, quatro, cinco… senti o leite branco preencher o meu útero com calor e depois escorrer pelas pernas, manchando o carpete.

    Se alguém pudesse fazer um filho definitivamente era esse cara.

    Metemos todos os dias duas ou três vezes. Meu corpo tinha um cheiro permanente de porra. Minha buceta estava sempre colada na calcinha. Eu me sentia bem, cheia de energia, dava aulas com gosto e sentia que estava fazendo a coisa certa, algo muito bom.

    ***

    Alguns dias depois, na sexta-feira 13 de fevereiro de 2003, Bardo apareceu na sala. Com um ar diferente e sem as roupas espalhafatosas, me chamou. Caminhamos até a igreja central que estava vazia. Ele me levou até o altar e tirou um par de alianças de prata. 

    – Em meu nome, que sou deus da minha vida, eu nos caso.

    Quando colocamos as alianças ouvimos muitos aplausos. Um grupo de turistas idosas tinha entrado sem percebermos e presenciado a cena. Nos abraçaram e parabenizaram – algo que nossa família não teria feito. Meu pai queria o Bardo morto e a mãe dele me queria pelo menos longe.

    Naquela noite ele fez o último show com a banda e se despediu dos amigos. Algo nele havia mudado severamente. E eu perdi a oportunidade de conhecer a turma da suruba. Logo depois fiquei sabendo que aquela turma tinha se desfeito também, todos absorvidos pela vida adulta.

    Por que ele tinha feito aquilo? Acontece que o Bardo é mesmo uma raridade. Antes de mais nada ele é um safado. Um cafajeste. Ama sexo acima de tudo e passa o rodo mesmo. Odeia trabalhar. Faz de tudo para não precisar correr atrás da máquina. Por outro lado é uma pessoa de imensa responsabilidade afetiva, que se importa com as pessoas ao seu redor e vai contra tudo o que acredita para garantir o bem estar das pessoas que ama. E ele queria garantir que eu me sentisse segura no meu projeto mãe.

    Ele conseguiu ser demitido e ganhar uma grana além do seguro desemprego e usou esse dinheiro para investir nas minhas aulas. Foi aí que descobri outra coisa incrível nele: quando ele quer aprender alguma coisa, não tem nada que o impeça. Em alguns meses ele absorveu toda a teoria musical, treinou no piano e estava dando aulas também. Panfletava o dia todo e colocou anúncios no jornal. Logo nenhum dos dois tinha agenda livre e nossas fodas começaram a ficar para a noite.

    Sem perceber a sutileza da vida, seguíamos exatamente o caminho do nosso desprezo. O dia a dia, a pressão da nossa família, a distância dos amigos, as contas para pagar, a pressão sobre ter um carro, uma casa e uma família foram tomando conta dos nossos dias e nossas horas e nos transformando nos adultos chatos que não queríamos ser.

    Bardo fazia muita força para se manter acordado. Todos os dias ele me lembrava que não era isso que queríamos, que em algum momento teríamos que fazer um desvio. Ele não abria mão de suas longas horas de videogame e em uma sexta a noite depois que o último aluno se foi eu sentei com ele para conhecer um jogo chamado The Sims.

    Nesse jogo você controla um ou mais personagens em uma vida comum: ter um emprego, ganhar dinheiro, construir e mobiliar uma casa e trabalhar até ficar velho e morrer. Não sei porque alguém pensa que isso pode ser divertido, mas esse jogo ficou muito famoso. Jogamos parando só para comer e transar até o domingo à noite, quando nossos personagens finalmente morreram de velhos.

    Saímos para jantar com a irmã do Bardo e o namorado dela e ficamos conversando sobre isso. A vida ia ser só isso? Comprar uma casa e mobiliar, ter filhos e um cachorro e trabalhar até morrer? Parecia tão chato e desinteressante. Estávamos em uma séria crise juvenil olhando para um caminho aterrorizante pela frente.

    Ou continue lendo o livro

  • Capítulo 4 – Comum

    Eu estava no banho quando ele entrou, já nu e de pau duro. Coloquei as mãos na parede e empinei a bunda sem cerimônia. Ele agarrou minha cintura com firmeza e escorregou o pau fundo na minha buceta. Gozei na hora. Foi uma foda rápida, menos de 10 minutos. Me encheu de porra e saiu.

    Foram milhares como essa. Eram duas ou três por dia. Mas eu tenho a impressão, de alguma forma, que foi exatamente nessa que finalmente engravidei. Senti alguma coisa diferente bater naquele exato momento.

    Algumas semanas depois senti o enjôo. Fiz o exame e, finalmente, foi positivo! Eu ia ser mãe! Comecei a chorar, pulando e abraçando o Bardo. Contei para todo mundo. Nossos pais não gostaram muito da notícia. Agora era oficial: não iam mais nos separar.

    Sentados no nosso sofá-cama olhamos para a salinha. Não ia dar para criar um filho ali, escondidos daquele jeito, sem estrutura nenhuma. Foi aí que começou o pesadelo da vida adulta. Nenhuma imobiliária da cidade queria alugar uma casa comercial no centro da cidade para dois moleques grávidos. Papelada e burocracia. Precisávamos de um contador, de um CNPJ, de comprovantes de renda e de um fiador.

    Mesmo no meio daquela luta, sem ajuda de ninguém, Bardo ainda conseguia sonhar. Ele dizia que não podíamos só viver aquilo ali, que íamos acabar como nossos pais. Então ele começou um projeto social de ensinar música nas escolas e a coisa tomou vulto muito rápido. Em alguns meses eram mais de 400 jovens atendidos à baixo custo pelas escolas públicas da cidade. E acabou que foi ótimo para a escola: ganhamos no volume e na publicidade gratuita que o projeto ganhou nos jornais e revistas locais.

    Finalmente, depois da intervenção de uma tia do Bardo, conseguimos uma casa no coração da cidade, ao lado da parada de ônibus central. A casa tinha espaço para criar nosso bebê, dar aulas, um estúdio de ensaio e até um pequeno auditório com palco iluminado. Bardo chamou os amigos que tinham banda e conseguiu equipar a casa com um pouco de equipamento de cada um.

    A casa era viva. Raramente estava vazia. Deixamos de ir até as escolas e trouxemos os alunos até nós. Os dias eram intensos, cheios de música e minha barriga crescia junto com uma parreira de uvas ao lado de fora. Comprei um vestido marrom soltinho e confortável e Bardo me apelidou de Sabiá: marrom, gordinho, com as pernas finas e cantando.

    Só aquela casa dava um livro. Foram tantas bandas, tantas pessoas, tantas histórias em tão pouco tempo. Alguns vizinhos brigavam por conta do barulho, outros adoravam e vinham participar. 

    Quando Bardo e os amigos dele foram construir o estúdio eles muraram as janelas, colocaram isolamento acústico nas paredes e no teto e, finalmente, foram colocar o carpete. Eu estava cozinhando uma sopa quando comecei a ouvir risadas muito estranhas dos meninos. Desconfiada, fui conferir. Quando abri a porta o cheiro da cola quase me derrubou. Lá dentro eles riam de qualquer coisa, rolando no chão. Tirei eles de lá e dei leite para beberem. Ficaram doidões, os bobos, colando carpete naquela sala fechada.

    A gravidez não foi fácil. Muito enjôo, muita dor e muito hospital. Quase perdi o bebê três vezes. Não gosto nem de lembrar. Comecei a questionar o plano de ter três filhos. Um já era demais. O verão estava chegando, um calor infernal, e eu ali com aquela pança gigante, os pés inchados, me arrastando de um lado para outro.

    Até a música começou a me irritar. Bardo montou um grupo de flautas doces para fazer música medieval. Para mim eram apenas apitos desafinados (acho que eram mesmo) e aquilo me aborrecia infinitamente. Até hoje Bardo toca uma música chamada Cake Polka quando quer me perturbar. Era a pior de todo o repertório.

    ***

    A mãe do Bardo e a minha tentavam cuidar de mim, mas mais atrapalhavam que ajudavam. E elas diziam que eu ia ficar sem tesão durante a gravidez. Sinto muito que tenha sido assim para elas porque eu estava ainda mais fogosa. Procurava o Bardo pelos cantos da casa, puxava ele para dentro do banheiro e fodia o dia todo se deixassem. Também sabia que os dias estavam contados: faltavam poucos meses para não poder mais sentir ele gozando dentro o tempo todo.

    Logo a barriga estava grande demais para a maioria das posições sexuais que eu mais gostava e comecei a meter só de ladinho. E amei. Gostei tanto que essa foda preguiçosa é a minha favorita até hoje. Adoro deitar, erguer a perna e ficar levando, quentinho e gostoso, por horas.

    ***

    Meu cheiro mudou, meu jeito mudou, minha cabeça tinha pensamentos intrusivos o tempo todo. Eu olhava ao redor e tudo estava perfeito. A escola, meu relacionamento, a gravidez – mesmo que complicada – e eu estava insatisfeita. Comecei a repensar tudo, a questionar por que eu estava ali na colônia fazendo aquilo e não de volta à São Paulo vivendo a vida que eu merecia.

    Bardo ficava ouvindo minhas reclamações sem entender enquanto ele também vivia uma crise. Os amigos chamavam ele para as velhas festas, para os rolês, e dava para ver que ele balançava. A vida de solteiro era boa e ele se questionava por que tinha aberto mão daquilo. Eu via ele olhando para as mulheres com aquele olhar de diabrete –  e não fazendo nada.

    Então ele recebia os amigos em casa para jogar vídeo game, RPG e fazer música. Os alunos foram se tornando um grande grupo de amigos também. Fazíamos almoços, jantares, festas e confraternizações.

    ***

    A parreira começou a dar uvas lá fora e a minha barriga chegou ao seu limite. Era um sábado quando eu jogava videogame e senti uma pontada forte. Estava na hora. Bardo, sistemático e organizado, tinha tudo na mão. Fomos para o hospital e internei. A irmã do Bardo era uma das enfermeiras de plantão, o que me deixou muito mais tranquila.

    Mas não foi fácil. Partos nunca o são e eu consegui superar. Lavínia tinha se virado na barriga e, teimosa como é, resolveu que ia nascer de bunda. Quando descobriram já era tarde demais para uma cesária e, sem anestesia nenhuma, o médico precisou cortar minha vagina para que ela conseguisse sair. Chegamos muito perto de morrer.

    No dia 9 de Janeiro de 2005 a Lavínia chegou. Rosa. Ela era toda rosa. Os cabelos, a pele, parecia uma porquinha. A menina que nasceu com a bunda para a lua – que estava crescente – e ia dar mais trabalho do que eu podia imaginar.

    Bardo escreveu uma música para ela. Voltamos para casa com nosso bebê para uma vida completamente nova. A parreira teve que ser podada: atraiu centenas de abelhas e eu sou alérgica.

    O médico me disse que eu tinha que ficar em quarentena. Ainda não podia beber, tinha que evitar certos alimentos e ficar sem sexo. Sem sexo? Quarentena são quarenta dias, certo? NEM PENSAR. Eu estava toda arregaçada, desbeiçada, costurada e minha libido ainda estava nas alturas.

    Enfim, a quarentena durou 12 dias. Lavínia mamou, dormiu e eu olhei para o Bardo – também muito estressado com a ideia – e perguntei: será que não dá pra botar só a cabecinha?

    A foda foi ganhando um centímetro por dia até que voltamos a curtir plenamente de novo. Não tão plenamente, na verdade, porque não podia mais gozar dentro. A ideia de ter outro filho depois daquela experiência horrorosa era inconcebível.

    Bardo voltou ao coito interruptus ou ao clássico: mete sem camisinha mas goza fora. Tomar anticoncepcionais continuava totalmente fora dos meus planos.

    ***

    Fui ficando cada vez mais mal humorada. Tudo continuava lindo e perfeito. Nosso bebê crescia bem, nossa escola ficava famosa, ganhávamos dinheiro e tínhamos muitos amigos. E eu irritada. Brigava por tudo, reclamava de tudo. O pessoal da imobiliária não me aguentava mais.

    Por alguma razão que até hoje não sei explicar, fechamos tudo e fomos embora daquela casa.

    Mudamos para uma casa ainda maior em um bairro mais afastado. Sem poder chegar lá com facilidade, os alunos do projeto pararam de ir e aquilo acabou. Os amigos foram se afastando e aquela casa enorme parecia um mausoléu.

    Bardo sempre tentava me animar ou inventar alguma coisa. Começou a promover os live actions de RPG por lá e a casa enchia uma vez por mês. Tentou abrir um bar no porão mas não deu muito certo. Mas o pior de tudo eram os fantasmas.

    Bem nessa época Bardo já estava cansando da religião. Estava frequentando um centro espírita kardecista que a mãe dele ia e estudando muito. Para ele as contas não batiam. Como toda e qualquer outra religião que ele tinha estudado, tudo parecia mais do mesmo: o inferno virou o umbral, o capeta eram os espíritos obsessores e a vida parecia ainda pior com as explicações pseudo-científicas daqueles livro.

    A casa colaborava para o terror. Barulhos, vozes, vultos que se amplificavam à luz daquelas ideias. Largamos as religiões de lado de uma vez por todas e os barulhos pararam de incomodar.

    Bardo estava tentando compor mas eu achava ele muito ruim. Hoje gosto muito de algumas canções que ele fez na época. Elas falavam muito das nossas angústias. Nós pegamos a vida adulta com uma certa facilidade e aquilo parecia pequeno demais. Penso que minha insatisfação vinha daí. Era tudo muito idiota para mim.

    Logo aquela casa também me irritou. O pai do Bardo estava com um escritório livre no centro da cidade e fomos dar aulas lá. Nos mudamos para um pequeno loft nos fundos do shopping.

    Lavínia crescia muito bem, já ia na creche brincar com os amiguinhos. Ela começou a engordar muito e tive que tirar ela de lá: só davam bolacha com leite para as crianças todos os dias. Então fiquei dando aulas sozinha e Bardo ficou com ela em casa. Nessa época ele comprou uns livros de receita, virou fã da Ana Maria Braga e começou a cozinhar muito bem. Eu voltava animada para casa pensando no que ele poderia ter feito.

    E eu estava inquieta, insatisfeita.

    Alugamos uma sala gigantesca em frente ao shopping e colocamos nossa escola lá. Tinha um palco, fazíamos eventos, Bardo voltou a promover as live actions e jogos de RPG. Os amigos voltaram para perto, tinha gente o dia todo circulando.

    E tinha esse rapaz que tocava com a gente desde o (maldito) grupo de flautistas. Foi uma das poucas pessoas que nunca saiu de perto. Eu vi ele crescer naqueles anos e se tornar um rapaz muito bonito. Começamos a frequentar a casa dele, fazer jantares com os amigos, jogatinas de vídeo game e fomos nos aproximando.

    Naquela tarde fomos contratados para fazer um show na cidade vizinha e, na volta, ele vinha chorando no carro. Estava apaixonado por uma menina e ela só queria ser amiga dele. Estava nos contando que foi dormir na casa dela, todo animado, e ela trouxe um namorado. Ele teve que ouvir os dois transando no quarto ao lado.

    Bardo mexeu no retrovisor e disse para ele que isso só acontecia porque ele era cabaço, virgem, que a hora que tivesse feito sexo o cheiro dele ia mudar e as meninas não iam mais fazer aquilo com ele. Virou pra mim e disse: 

    – Fada, dá uma surra de buceta nesse rapaz pra ele virar homem.

    Me assustei. Nossa vida sexual ia muito bem, mas realmente éramos só nós dois por alguns anos já. Nem ele nem eu estávamos nos envolvendo com mais ninguém. Achei a ideia boa. Todos rimos e ficou um silêncio esquisito. Chegamos em casa e descarregamos os instrumentos. Bardo pegou o carro e disse que tinha que fazer umas coisas e ia demorar pra voltar.

    Entramos em casa. O flautista e eu. Ele fingiu que nada estava acontecendo. Eu imaginando por onde começar mas vendo que tinha perdido o jeito.

    Sentei na cama e fui lentamente tirando a blusa na frente dele. Ele tremeu e se agarrou na mobília. Vai ter um treco, pensei. Continuei puxando a blusa e permiti que meus seios pulassem dela – eu nunca uso roupas íntimas – e o pobre menino quase desmaiou.

    Acho que foi a primeira vez na vida que viu um par de seios.

    – Quer pegar? – perguntei. Ele ficou só me olhando, mudo e travado. Levantei e fui até ele. Ele olhou pro chão, não conseguia olhar pra mim. Peguei a mão dele e coloquei no meu seio.

    A mão dele estava completamente suada. Senti uma gota escorrer pelo meu seio para minha barriga, como uma carícia. Arrepiei. Puxei ele na minha direção e fui para a cama. Sentei e ele ficou de pé na minha frente. Hora do zíper! 

    Levei minhas mãos até a calça dele. Dava pra sentir o jeans tremendo. Achei graça. Fui pegar no zíper, mas ele deu um pulo para trás.

    – Não posso. Não consigo fazer isso com meu amigo! – ele disse e saiu correndo do apartamento. 

    Liguei para o Bardo e contei que, infelizmente, ele podia voltar mais cedo pra casa. Nós transamos com muito fogo naquela noite. Mas eu estava inquieta e insatisfeita. Não sou uma mulher de quase. Essa parte ficou para trás há muito tempo!

    Eu ia comer aquele cara de qualquer jeito. Comecei a provocar ele nos ensaios, nos shows, no camarim. Toda vez que ele ficava sozinho comigo tremia e tentava fugir. Eu agarrava ele e tentava beijar, pegava no pau dele, passava a mão na bunda.

    Mas ele corria.

    Bardo, gênio do crime, percebendo que eu queria muito, armou para mim. Em um domingo marcou um ensaio e saiu meia hora antes, dizendo que precisava resolver algo em outra cidade.

    Era a minha deixa. Ao invés de ir pra cima, inventei que estava triste e que Bardo e eu não estávamos bem. Pedi colo e fiquei “desabafando” enquanto ele passava os dedos nos meus cabelos. Enquanto falava com ele e ele me dava conselhos juvenis eu enfiava os dedos na minha buceta, sem que ele percebesse.

    Aos poucos, o aroma do meu suco foi tomando conta do quarto e senti que o carinho dele foi indo para minhas costas. Fingi um choro, abracei ele… e roubei um beijo. O menininho não sabia nem beijar direito. Isso não diminuiu meu fogo e fui logo arrancando a blusa dele.

    Fomos tirando a roupa entre beijos e amassos e logo eu estava completamente nua e ele de cueca. Tentei puxar, mas ele segurou minha mão. Me jogou na cama e subiu em mim. Agora vai, gostosinho! Continuou me beijando. O peso do corpo dele sobre o meu e as mãos bobas e inexperientes tentando encontrar algo para agarrar.

    Senti o volume do pau na cueca. Ele esfregava contra o meu clitóris, indo e vindo e eu curti, estava gostoso, quase uma siririca de rola. Abri bem as pernas e encaixei a cabeça do pau dele na minha buceta. Ele me beijava e empurrava pra dentro.

    Entrava até onde a cueca permitia e saía todo molhado. Tentei puxar a cueca pro lado e ele não deixou.  Continuamos naquele arreto desgraçado até que eu gozei, aquilo estava me enlouquecendo. Fui pra cima dele e tentei arrancar a cueca de novo, mas perdi a briga. 

    Ele me colocou de bruços e segurou meus braços. Coloquei a cabeça no travesseiro e gemi bem alto. Empinei a bunda pra ele, oferecendo bem minha buceta rosa encharcada. Ele encaixou o pau – ainda com a maldita cueca – e continuou empurrando. Mal passava da cabecinha e meu útero gritava por ele enterrado lá.

    Não aguentei mais. Pulei nele de novo e tentei colocar o pau na boca.

    Agarrei a cueca dele com as duas mãos e consegui revelar o pau. Abri a boca e fui com vontade, mas ele agarrou meus cabelos e não me deixou pegar. Lutei até cansar, mas não teve jeito. Me joguei na cama e fiquei me masturbando, tentando provocar. Ele ficou olhando com o pau na mão. Eu queria muito mentir pra você que essa história termina diferente, mas ele se levantou e repetiu:

    – Não consigo fazer isso com você sendo casada com meu amigo.

    Aquilo me deixou louca. Não louca no sentido de tesão, mas louca mesmo. Eu, mãe de uma menina com quase três anos, empresária, casada, saí para a rua com os amigos do rapaz. Ficava até altas horas da noite na praça, batendo papo e rodeando ele, queria que ele visse que eu era livre, que ter o Bardo ou não era indiferente.

    Bardo ficou em casa, esperando. Cuidava da Lavínia, dava aulas, enquanto eu vivia essa loucura juvenil. Deve ter durado uns vinte dias, talvez um mês. Um dia cansei de ficar no beijinho, percebi que o moleque era um frouxo mesmo e fui para casa. Estava frio e ameaçava chover.

    Entrei no apartamento e Bardo me esperava, pacientemente. Disse para ele que me sentia dividida, que precisava me divertir, que precisava de mais. Ele concordou, mas não havia muita perspectiva de futuro ali. A chuva desabou lá fora e ouvi meu nome entre os trovões. Olhei pela sacada e o rapaz estava lá fora, gritando e chorando.

    Desci e conversamos. Ele disse que ia me comer se eu fosse namorada só dele. Ah, se eu soubesse que esse seria apenas o primeiro de muitos. Mandei à merda.

    ***

    Estava desesperada por vida. Ser mãe e pagar boletos não era vida para mim. Precisava inventar alguma coisa e Bardo veio com a proposta perfeita: pediu para comer meu cuzinho.

    Estava difícil. Eu realmente tinha uma ideia de que o parto ia me arregaçar toda, que ia ficar mais aberta. Mas não. Pelo contrário, minha buceta e meu cuzinho, já apertados, apertaram ainda mais. O pau do Bardo ficou mais parecido com os dos meu ex, dava aquela arrombadinha pra entrar.

    Por trás então, era quase impossível.

    Mas tinha mais uma coisa. Eu nunca tinha contado para o Bardo exatamente como o empresário tinha me comido. Pensei que seria um exercício interessante contar naquela noite. Queria ver como ele ia reagir e com certeza ele ia querer me pegar por trás.

    Sentamos na cama e eu nem sabia por onde começar. Fui contando devagar, dando a entender para ver se ele sacava. Quando ele finalmente entendeu, me olhou apavorado. Primeiro ele ficou preocupado se eu estava bem, se aquilo era algum tipo de trauma. Não era. Eu me diverti muito. Perguntei o que ele pensava.

    – Ora, bem, de certa forma eu morro de inveja. – Ele disse. Também quero brincar disso.

    Substituímos o cuspe pelo KY. Bardo sempre foi muito carinhoso e na nossa posição favorita, de ladinho, ficava mais fácil. Ele encostava a cabecinha e meu cuzinho já travava. Fechava mesmo, lacrava. Aí ele ia passando o creme e empurrando bem devagar. Era uma questão de paciência… eu não via a hora de sentir as bolas dele nas minhas nádegas, mas o cuzinho tinha vida própria.

    Depois de muito rebolar, a ponta da cabecinha entrava, bem quentinha. Ele empurrava devagar e eu empinava tudo o que podia. Aos poucos meu rabinho cedia mais um centímetro.

    A cabecinha passava inteira e aí ficava gostoso. Ia escorregando bem devagar. Cada centímetro, uma vitória, até que finalmente ele vinha no meu ouvido e dizia: atolei tudo. E eu gozava. Um gozo gostoso que só tenho quando levo no cu. Minhas pernas amolecem e minha buceta escorre o suco devagarinho, sem jatos.

    Gozava duas ou três vezes até que meu cuzinho começava a apertar de novo. Por mais que eu quisesse duas horas de foda no meu rabo, tinha que pedir pra ele gozar.

    Se ele ainda não estava pronto eu contava mais alguma história gostosa e fazia ele encher meu cu de porra rapidinho. Ele tirava e eu sentia uma ardência gostosa.

    Bardo voltava uns dias depois e me pedia para contar mais histórias. Fui contando tudo o que passei até ali. Foi estranho no início e depois algo que aprendi a valorizar e amar. Se eu falasse de outro cara para algum dos meus ex, era briga na certa.

    Com o Bardo era diferente. Ele tinha um prazer enorme no meu prazer, no meu orgasmo – ele disse que esse sentimento tem nome: compersão. E se você ama alguém, que diferença faz se o orgasmo dela foi com você ou não? Era um mundo novo se abrindo pra mim.

    Isso foi nos unindo ainda mais. Comecei a repensar se eu queria que ele fosse embora depois de me dar os filhos.

    Foi assim que começamos a curtir o prazer um do outro. Enquanto metíamos, gostoso, de ladinho por horas, ficamos fantasiando outras pessoas ou relembrando nossas outras fodas. Apesar de divertido, ainda era algo reservado. Eu tinha medo de falar de algumas fantasias para ele, ele tinha medo de falar para mim também. Não sabíamos até onde o outro aceitaria nossos prazeres. 

    ***

    A porta da varanda estava aberta e a lua cheia banhava a cama. Lavinia, com 3 anos, dormia no berço no quarto ao lado.

    Fazíamos um amorzinho gostoso, papai e mamãe. Uma lágrima correu do meu olho. Bardo ficou preocupado e quis saber o que aquilo significava. Eu disse que estava pronta para ter a Mônica. Ele me beijou, deixou o peso do corpo dele cair sobre o meu, empurrou o pau bem fundo e encheu meu útero de porra.

    Ah! Que saudades do meu leite quente.

    Queríamos que as meninas tivessem dois anos de diferença e entramos em plena produção. Nossa agenda de foder três vezes ao dia, gozando dentro, estava de volta para minha imensa alegria. E o que eram para ser algumas semanas de sexo se tornaram dois anos.

    Não vou reclamar. Foram dois anos bem do jeitinho que eu gosto. Eu já nem tinha mais meu próprio cheiro. Respirava fundo e sentia o sêmen do Bardo subindo minhas narinas. Chegou um momento em que pensei que não ia mais engravidar. Peguei a chave de fenda e fui desmontar o berço em que a Lavínia já não cabia mais. Senti ânsia e vomitei. Já sabia o que era.

    Dessa vez fiquei com o tesão mais à flor da pele ainda eu só queria meter o dia todo. Pobre do Bardo se escondia pelos cantos do apartamento, mas eu sempre dava um jeito. Acordava ele mamando e já dava uma sentada. Mal passava o café eu já queria mais.

    E assim se foram os meses. Bardo todo ralado, pedindo água, e eu olhando pra ele batendo siririca, pedindo mais. Um dia até minha bucetinha cansou do meu tesão. Acordei com ela toda ardida e ralada. Não tinha como. O clitóris estava inchado e eu não conseguia nem pôr a mão. E meu tesão lá em cima. 

    Não tem jeito, vai ter que ser no cuzinho.

    Mas meu rabinho andava tão apertado, tão difícil. De qualquer maneira eu precisava meter e tinha que dar um jeito. Chamei o Bardo para a cama. Chegou com uma cara de sofrimento só, tadinho. Então expliquei a situação: minha buceta estava ardida então tinha que ser no cu.

    Deu para ver o ânimo dele voltando a todo vapor! Ele foi pegando o KY e vindo para a cama já de pau duro. Ralado, mas duro. Fui ficando de ladinho, daquele nosso jeitinho gostoso, mas de repente me veio um ímpeto: Eu vou ficar de quatro.

    Para mim é quase impossível dar o cu de quatro, fiz isso poucas vezes com sucesso, mas naquela hora eu sabia que ia ser assim. Bardo se assustou mas não fez perguntas. Se é de quatro e no cu, não devemos questionar, certo?

    Ele encaixou a cabecinha no meu rabinho rosa. Minha buceta deu uma pulsada e uma ardida, mas nem liguei. Ele foi, todo com jeito, colocando a cabecinha pra dentro do meu cuzinho, esperando a resistência que já conhecia. Mas que nada. Sem cerimônia alguma meu cu puxou o pau dele todinho pra dentro em uma botada só!

    Começamos a rir, os dois. Que loucura! Que delícia! Meu rabinho apertado todo soltinho e animado. Bardo não perdeu tempo: segurou minha cintura e começou a socar. Gozei na hora. Não conseguia acreditar que estava fácil daquele jeito! Eu mandava ele socar mais. Forte, fundo, rápido, parecia que naquele dia eu tinha duas bucetas.

    Gozei uma atrás da outra. Minha bucetinha ardia e derramava na cama. Bardo começou a gemer.

    – NÃO GOZA AINDA – eu gritei.

    Mas ele não aguentou. Estava gostoso demais. Encheu meu cu de porra. Eu estava em êxtase. Ele tirou e eu melei a cama toda com o leitinho escorrendo das minhas nádegas. No dia seguinte acordei animada. Será que minha buceta já tinha parado de arder? Nem pensar. Ainda estava toda vermelha, pedindo socorro.

    No cuzinho dois dias seguidos eu não vou conseguir. Não aguento. Mas por que não tentar? Fiquei de quatro de novo e tomei mais uma socada deliciosa. No dia seguinte, mais uma vez. Era incrível, podia fazer aquilo para sempre, estava gostoso demais. Bardo lembra com muita saudade do que ele chama, carinhosamente, da “semana do cu.”

    Depois meu corpo voltou ao normal – ou o mais normal que uma grávida pode ser – e isso nunca mais se repetiu. Uma pena.

    ***

    Abandonamos a escola de música e começamos a dar aulas no nosso apartamento mesmo. Menos contas para pagar. Bardo construiu um estúdio e o barulho não era um problema, já que no mesmo prédio viviam a síndica festeira, um guitarrista de heavy metal e um DJ que usava todo o equipamento que tinha para assistir TV. O que mais fazia barulho mesmo era a máquina de lavar da vizinha do lado que dava a impressão de estar no Cabo Canaveral cada vez que centrifugava.

    Montamos algumas bandas com os alunos e era muito divertido. Tinha ensaio a semana toda e em alguns finais de semana íamos para o bar fazer festas Jam, onde várias bandas se revezavam tocando a noite toda. Foi uma época muito boa. Bardo montou uma banda com alguns amigos chamada Nórdicos Sulistas FM (FM era de Fucking Machine e ninguém sabia disso). A banda era muito ruim e eu me recusava a ir nos shows deles, mas eles se divertiam muito.

    Foi uma gravidez de muita noitada. Cantei muitas madrugadas com a Moniquinha na barriga e ela chegou no dia 22 de Fevereiro de 2009 em um parto tão difícil quanto o primeiro, com direito a uma parada respiratória. Ela era linda, cabeluda, com o cabelo bem escuro. 

    Fui para a casa da minha mãe por uns dias, estava muito fraca e com o estúdio em casa não teria descanso. Bardo e Lavínia ficaram em uma festa permanente: comidinha e bagunça sem a maníaca por limpeza em casa.

    Eu estava quase dormindo quando o telefone tocou. Olha o Orkut! – dizia uma amiga minha. Abri a recente rede social e vi uma foto da Lavínia dormindo no sofá da balada cercada de latas de cerveja. Liguei para o Bardo apavorada. Onde estavam? Que maluquice era aquela? Foi apenas uma piada. Bardo foi com a Lavínia para a balada antes dela abrir. Dançaram e pularam até ela dormir, ele fez aquela foto e já estavam em casa.

    Se fosse hoje em dia penso que ele ia preso! Ainda eram bons tempos onde a vigilância moral era bem menor.

    Quando voltei para casa fiquei apavorada. Bardo estava em aula. Lavínia estava coberta de farinha. Tinha latas de cereal e caixas de leite abertas pelo apartamento todo. Todos os pratos e talheres estavam sujos em cima da pia ou ao redor dela. Cheguei de vassoura na mão colocando ordem em tudo. Estava furiosa. 

    Bardo, daquele jeito manso dele, me disse que estava com muitas aulas e deixou a Lavínia com o leite e o cereal na mão caso sentisse fome. Ela deitou e rolou!

    ***

    Tudo ia muito bem. Não tínhamos mais horários para dar aula, as bandas estavam super legais, dinheiro no bolso, duas filhas lindas e saudáveis. E eu, angustiada de novo. Bardo também andava inquieto, jogando muito vídeogame. Com a internet melhorando ele começou a jogar partidas online que se estendiam noite adentro e eu peguei no sono algumas vezes esperando ele vir me dar aquela fodinha sagrada antes de dormir.

    Comecei a reunir algumas amigas em casa para bater papo, comer pipoca e tomar chimarrão como minha mãe costumava fazer. Naquela noite uma delas resolveu ficar até mais tarde e quando me dei conta era quase meia noite. Ela se foi e fui chamar o Bardo para dormir. Quando abri a porta ele estava com o pau na mão e na tela do computador passava um filme pornô.

    Fiquei enfurecida. Quem tem uma mulher como eu e bate punheta vendo filme? Bati a porta e fui para o quarto. Ele não foi atrás de mim. Parecia que as coisas estavam desandando. Na manhã seguinte ele disse que ficou envergonhado, mas que era como ele estava se virando com não estar comendo outras pessoas. À noite, depois de colocar os bebês para dormir, ele me chamou na sala. Queria me mostrar alguns filmes. No início achei aquilo tudo muito idiota. Mulheres entupidas de silicone fingindo que sentiam prazer e gemendo de um jeito esquisito.

    Aos poucos ele foi me mostrando várias categorias e comecei a gostar mais de algumas. Quando chegou no sexo lésbico ficamos um bom tempo nos masturbando e vendo as mulheres se pegando. 

    Aquilo mexia comigo de um jeito esquisito.

    Assim como meu pai, Bardo odiava minhas amigas. Achava elas fofoqueiras e muito metidas na nossa vida. Tinha uma em especial que ele tinha um asco. Ela costumava chegar depois do almoço e pegou o hábito de ficar até meia noite. Ele ficava dando indiretas para que ela fosse, mas ela sempre ficava um pouco mais.

    Foi em uma noite que Bardo colocou as meninas para dormir e foi para nossa cama. Coloquei uma camisola para dar de entender a ela que ia dormir mas ela, ao invés de se mancar e ir para casa, sentou na minha cama e continuou batendo papo. Bardo me olhou com um olhar estranho e virou pra ela.

    – Se está na minha cama é meu. E eu vou comer.

    Ela deu uma risada e ele olhou firme para ela. Pulou e puxou ela pelo braço, jogando na cama. Ela não resistiu. Filha da puta –  eu pensei. Era isso que ela queria esse tempo todo e eu nem percebi. Ele arrancou a roupa dela, abriu as pernas e, sem cerimônia ou camisinha, enterrou o pau todo na buceta dela.

    Ela nem me olhava. Fiquei sentada na cama ao lado dos dois vendo ele socando ela e ela gemendo. Bardo não foi delicado como é comigo. Ele meteu forte mesmo. A virilha dele batia na virilha dela com um som seco. Fiquei imaginando se ele ia gozar dentro. Ela começou a gritar e cobri a boca dela com a mão. Nessa hora ela me olhou e eu senti um arrepio correr meu corpo.

    Me molhei toda. Fiquei com um tesão diferente, esquisito. Me deu vontade de arrancar o Bardo dali e chupar a buceta dela. Não tive coragem. Sentia a vontade mas ao mesmo tempo uma grande culpa, como se aquilo fosse errado. Bardo gemeu alto, tirou o pau de dentro dela e deu aquela leitada farta na barriga e nos seios. Eu olhava para os dois tentando entender o que estava acontecendo comigo. Me sentia estranha.

    Ela foi embora e depois daquele dia não voltou muitas vezes. Bardo evitava ela e nem cumprimentava. Foi uma coisa meio bicho, ficou um clima esquisito. Eu fiquei com aquele sentimento estranho. Cada vez mais queria ver pornô de lésbicas com o Bardo. Precisava entender o que estava acontecendo comigo.

    Meu corpo parecia tão diferente depois da maternidade. Parecia que minhas necessidades eram outras. Me percebi andando pela rua e olhando bundas e peitos com o Bardo. Antes eu pensava que era coisa de mulher, de ficar notando outras mulheres, mas aos poucos eu percebi que – talvez – eu gostasse delas tanto quanto ele.

    Foi em um sábado de manhã que eu estava tomando chimarrão com uma amiga – casada – e minha aluna chegou. Bardo jogava videogame no quarto. Deixei minha amiga na cozinha terminando um mate antes de ir embora e fui para a sala de aula.

    No meio da aula escuto uma batida na parede no andar debaixo – meu quarto. Imaginei que o Bardo estivesse movendo alguma coisa por lá. Depois, mais algumas batidas em sequência. Um gemido feminino. Minha aluna me olhou com uma cara esquisita.

    Bem, podia ser no andar de cima ou no apartamento do lado. De vez em quando mais algumas batidas seguidas, mais algum gemido abafado. Terminei minha aula e desci para a cozinha. O chimarrão estava frio sobre a mesa. A porta do quarto fechada. Senti um arrepio de tesão. Será? Às vezes me passam coisas pela cabeça mas raramente elas acontecem de fato. Desci a escada pé por pé, quietinha. Encostei a orelha na porta – à prova de som. Ainda assim, consegui ouvir uma respiração ofegante. 

    Bardo deve estar vendo pornô sozinho de novo. Abri a porta devagar e meu coração quase saiu pela boca. Minha buceta encharcou na hora. Ele comia minha amiga. Ela ajoelhada com o corpo contra a parede e ele socando a bunda dela em movimentos fortes e lentos. Abri a porta toda e fiquei olhando. Ela se assustou, ficou esperando minha reação. Ele continuou metendo. 

    Quando viu que não ia dar ruim, ela sorriu pra mim e soltou um gemido alto. Que puta tesão. Fiquei olhando o corpo dela suado. Os seios subindo e descendo com os bicos bem pontudos. Bardo dava tapas na bunda dela e quando percebeu que podia fazer barulho começou a socar rápido e forte.

    Eu não conseguia tirar os olhos dela. Toda linda. Tomei coragem e cheguei perto. Com minhas mãos tremendo feito adolescente, toquei nos seios dela. Que macio gostoso. Diferente da pele de um homem. 

    De repente uma buzina de carro encheu o quarto vindo lá da rua.

    – Caralho, meu marido veio me buscar!

    Ela tentou sair, mas Bardo segurou ela pela cintura. 

    – Daqui você só sai cheia de leite.

    Deu mais umas socadas fortes e rápidas e gozou. Sem camisinha, encheu ela toda de porra. Foi hilário ver ela se vestindo rápido e pingando porra nas coxas e no vestido. E eu fiquei morrendo de vontade.

    ***

    Trevas. Eu sou um monstro e vou direto pro inferno. Aquela mulher fogosa se apagou. Eu desejava pessoas do mesmo sexo que eu e isso ia contra tudo o que aprendi como certo.

    Andava pelos cantos, com medo, esperando o minuto em que deus ia me partir ao meio com um raio. Minha buceta pulsava e molhava à menor lembrança das minhas amigas nuas metendo com o Bardo. Como eu queria ter chupado elas inteiras.

    Parecia que todo aquele catolicismo tinha voltado com força total. Eu olhava para mim mesma com nojo. Andava na rua com a cabeça baixa enquanto cada peito e bunda que passava por mim gritava como que ansiando pelo meu toque. Cada gripe que as crianças pegavam, cada coisinha que dava errado, eu via como karma pelos meus desejos.

    Entrei em uma espiral negativa de pensamentos que estavam me matando. E ainda sentia a pele macia do seio da minha amiga na minha mão. Não aguentava mais aquilo. Eu sabia que tudo ia terminar mal. E eu não conseguia falar com o Bardo sobre isso. Eu imaginava que ele ia terminar comigo, que ia ter nojo de mim.

    Me preparei. Organizei as coisas para o divórcio e me organizei para ser uma mãe solteira dali para a frente. Se eu quisesse comer uma mulher teria que abrir mão de tudo. Talvez da minha vida e da redenção da minha alma.

    A carne é tão mais forte que eu.

    Bardo jogava videogame. Eu estava sentada na mesa da cozinha tomando um chá para me acalmar. As meninas brincando no tapete. Estava prestes a arruinar minha vida. E não é assim? Talvez eu fosse viver uma grande aventura solo dali para frente. Acho que me acostumei mal com o Bardo me dando suporte pra tudo. Acho que é hora de ele ir. Levantei, tomei fôlego e caminhei na direção dele.

    – Bardo. Precisamos conversar.

    -Uhm… – ele disse, sem tirar os olhos do jogo.

    Me sentei ao lado dele. Eu suava frio. Tremia. Não estava pronta pra seguir sem ele.

    – Eu gosto de mulheres. Tenho tesão nelas. Quero transar com elas.

    Ele não mudou a feição do rosto. Não tirou os olhos do jogo.

    – Uhm.

    – Como vamos fazer? – Perguntei. – Você quer separar de mim?

    Ainda sem tirar os olhos da tela ele esboçou um leve sorriso e respondeu:

    – Por que raios eu iria me separar de você?

    Me pegou de jeito. Depois do que vivemos até ali eu deveria saber que ele ia responder isso mas eram tantos fantasmas dentro de mim! A educação católica romana, a família, a escola, a igreja, a comunidade e tudo o que nos ensinam que é certo mas que, no fundo, ninguém faz.

    – Porque eu quero transar com mulheres agora.

    – Não vai mais transar comigo, então.

    – Não. Quero dizer. Eu vou sim.

    – Então vai transar com a mulher que quiser. Estarei aqui quando voltar. Se voltar.
    – Mesmo? 

    – Mesmo. – ele sorriu. Eu estava sendo boba e ingênua, nem percebi que ele estava fazendo as contas, não imaginei quantas mulheres eu ia jogar na cama dele dali pra frente.

    Levantei e deixei ele jogando. Sentei de volta na mesa e tomei um chá. Certo. Pelo menos com ele estava certo. Mas deus ainda ia me dar aquele câncer ou algo assim e eu tinha que acertar essa conta depois. Por enquanto eu não tinha feito nada ainda. E pensar não é tão pecado assim se parar pra pensar.

    Agora a questão era outra. Minhas amigas não queriam nada comigo. Elas só queriam dar para o Bardo e conseguiram o que queriam. Com quem eu ia ter minha primeira experiência? Comecei a pensar em tudo o que isso ia implicar na minha vida e, como o Bardo já estava de boas, pensei que talvez a melhor coisa a fazer fosse casar com mais uma mulher.

    Tipo um casal de três. 

    Escolhi uma mulher. Ela era linda, perfeita e solteira. Eu só não sabia se ela gostava de mulher também. Eu podia jogar a carta do Bardo e, enquanto ele comia, eu podia ir entrando aos poucos.

    Mas aí eu faço o que? Não tinha pensado exatamente nisso! Como se come uma mulher? Como se chupa uma buceta? Não. Eu precisava ter alguma experiência antes de ir atrás dela.

    ***

    Entre “quem come de tudo está sempre mastigando” e “meu corpo é um parque de diversões e eu quero andar em todos os brinquedos” não sei qual é a célebre frase do Bardo que mais define a perfeição em ser bissexual.

    Sim, nós temos acesso a tudo. Nós podemos brincar de todas as formas e posições e com cada milímetro do nosso corpo sem medo e sem preocupação. A outra pessoa tem um caralho? Ótimo! Uma buceta, bom também! Tem seios enormes e um caralho? Estamos dentro!

    Mas o caminho até aqui foi, bem, foda. No sentido de difícil mesmo. Aceitar os próprios prazeres neste mundo de falsas moralidades não é fácil. Até que a primeira oportunidade surgiu tudo foram trevas. Tentamos conversar com nossos amigos e amigas sobre o assunto, mas era o mesmo que perguntar se a pessoa queria ir direto para o inferno.

    Aos poucos, de forma velada, todo mundo se afastou de nós. Amigos, parentes, conhecidos, todos queriam distância desse casal “doente.” Perdemos amigos de infância e até as amigas que davam para o Bardo acabaram saindo de perto também.

    Só queríamos dividir nosso prazer e as pessoas nos viam como leprosos.

    A oportunidade acabou vindo (ou indo) de muito longe: um convite para um simpósio de música na capital de São Paulo. Saímos do fim do mundo, pegamos um avião e fomos conhecer outros artistas. Quem sabe, talvez por lá, alguém com a mente mais aberta? Engano nosso. Cada vez que começávamos o assunto com alguém já percebíamos os olhares de desdém e os namoradinhos saindo de perto.

    Seríamos os únicos no mundo?

    Na terceira noite o simpósio terminou em um show na Rua Augusta. O show estava uma chatice e resolvemos sair de lá e dar uma volta. Caminhamos pelos bares, vimos as pessoas, mas não tínhamos mais nem vontade de chegar em ninguém.

    Estamos falando de 2012. Não parece muito tempo atrás, mas termos como poliamor, relacionamento aberto, trisal ou swing não eram nada populares. Foi aí que encontramos esse simpático moço (que é nosso amigo até hoje) e ele nos disse:

     – Boa noite, casal! Conhecer a casa, tomar uma cervejinha? Bucetada na cara sem dó nem piedade. Mais de vinte mulheres na casa, duas virgens! As demais são de libra, aquário e sagitário, mas câncer não! Câncer é doença! Aqui é o Maison, o puteiro maiúsculo da Augusta!

    A piada interna do câncer foi ótima, feita sob medida para mim, mas minha mente focou mesmo na bucetada na cara. Era exatamente o que eu estava procurando e nunca imaginava que estaria assim, anunciado no meio da rua. Entramos. A entrada era sete reais com direito a uma cerveja e uma porção. Onde eu assino?

    As meninas dançavam em um pole dance à meia luz. Minha buceta encharcou na hora. Ia ser ali. Bardo e eu pegamos nossa cerveja e um picadinho (muito suspeito) de presunto e nos sentamos em um sofá. Logo elas nos cercaram e começaram a nos tocar e rebolar no colo. Era o paraíso. Se uma porta para o inferno se abrisse ali mesmo eu não estaria nem aí. Passei a mão na bunda, nos seios, beijei na boca. Quando vi o Bardo ele estava com uma mulher muito pequena no colo. Magrinha, cinturinha fina e uma bunda perfeita. 

    Era ela. Não tive dúvidas.

    Me livrei das outras putas e me joguei com ela. Bardo estava em êxtase. Peguei ela pelo pescoço e beijei. Lábios de mel, língua de veludo. Meu suco escorria pelas coxas. Pedi pra ela nos levar para um quarto. Queria que o Bardo me visse, que participasse de tudo. Acertamos um preço e entramos em um corredor escuro até um quartinho bem pequeno.

    Ela jogou o Bardo na cama e me agarrou com força. Na ponta dos pés, puxou minha nuca e me beijou com vontade. Sua mão passeava pelo meu corpo inteiro como quem sabe que tem pouco tempo pra aproveitar tudo.

    Em meio aos beijos fomos arrancando as roupas uma da outra. Bardo já estava nu na cama. Ela me deitou ao lado dele e começou a beijar meu pescoço. Era muito bom, me dava arrepios.

    Foi descendo pelos meus seios, lambendo e dando leves mordiscadas nos bicos. Eu estava tesa, encharcada, amando tudo aquilo. Ela demorou na brincadeira. Me fazia tremer toda, me apertava e ia com a boca nervosa, mas delicada, de um seio a outro. Bardo foi chegando e começou a chupar um deles enquanto ela chupava o outro.

    Foi aí que a energia bateu, que a lâmpada bi ligou de vez: a energia masculina e feminina no meu corpo ao mesmo tempo. Essa era a melhor sensação que eu ia sentir na vida e ainda é. É um ápice inigualável.

    Enquanto a boca dela se deleitava nos meus seios, entre um beijo na boca do Bardo e outra, seus dedos delicadamente procuravam o prazer pelo meu corpo. Ela me explorou como um bandeirante, subindo e descendo os vales e curvas das minhas coxas. Ela acariciava a parte interna dos meus cotovelos, atrás dos joelhos, meus pés, meu pescoço e quando eu fiquei completamente acesa qualquer lugar que ela tocasse em mim era um quase orgasmo.

    Foi assim que ela foi chegando na minha virilha e quando ela colocou a língua lá eu vi estrelas. Gritava e agarrava os cabelos dela, puxando a boca dela contra a minha buceta, mas ela não vinha. Foi me judiando mesmo, me fazendo escorrer o suco pelas pernas e molhar o colchão.

    Quando eu já estava alucinando ela veio subindo minhas coxas com a língua, fazendo um balé de prazer, lambeu minha virilha, e começou a chupar ao redor, lambendo o suco e me olhando nos olhos. Eu já não sabia mais quem eu era nesse momento.

    Quando ela colocou a língua dentro da minha buceta eu explodi. Só me lembro que tudo brilhava, meu corpo tremia e eu arrepiava como quem tem febre. Vi o Bardo indo para trás dela, toda pequenininha, e batendo com o pau na bundinha.

    – Quer colocar no cu? – Ela perguntou. Ele só sorriu.

    Entramos em um trenzinho delicioso. Ele empurrava o cuzinho dela e eu sentia cada empurrada na língua dela. Cada vez que ela lambia eu gozava. Dava squirts no rosto dela, que ria e continuava me chupando e me arrancando um prazer que eu nunca tinha imaginado que existia.

    Eu pensei que ia desmaiar. E quase desmaiei mesmo quando ela enfiou o dedo na minha buceta, encharcou no meu suco, veio descendo bem devagar e colocou ele no meu cuzinho. Você sabe como ele é apertado, mas aquele dedinho pequeno e encharcado deslizou para dentro de uma vez só. Vi estrelas mais uma vez e gozei alucinando.

    Bardo ria alto olhando nos meus olhos e me vendo gozar enquanto socava o cuzinho dela sem dó. Era lindo ver aquele homem enorme comendo aquela mulher pequeninha de quatro. E ele gozou bem gostoso. Quis chupar ela mas ela não deixou. Mesmo assim saí de lá com a certeza de que amo mulher. 

    Agora eu sabia ser comida por uma mulher. Parece que ia ter que descobrir como comer uma por conta própria. Eu me sentia pronta. Forte, confiante e com cada vez menos medo, menos vergonha e menos culpa. Voltamos para o sul e combinamos de encontrar com a mulher que eu tinha nos meus planos.

    Era uma amiga de muito tempo atrás. Nós trocamos uns beijos quando adolescentes mas tudo muito bobo, nem sabíamos o que estávamos fazendo. Ela tinha ficado impressa na minha pele. Por pouco e inocente que tenha sido eu lembrava do toque da pele e do cheiro dela.

    E ela era muito parecida comigo, o que o Bardo achou muito bom.

    Pegamos o carro e viajamos até ela, no interior do interior do Rio Grande do Sul. Levou um tempo até conseguirmos tirar ela de casa para dar uma volta conosco. Não sei se ela estava se fazendo de boba mas fomos levando a conversa até ficar picante e fui fazendo a proposta para ela.

    Nesse meio tempo, Bardo dirigia na direção de um motel.

    Eu estava com medo que ela ficasse irritada e que acabasse contando pra família toda – o que a essa altura já não seria um problema tão grande – e pior: que não aceitasse casar com a gente. Ela foi levando a proposta numa boa e quando o Bardo entrou com o carro no motel ela só sorriu.

    Logo estávamos nos beijando e arrancando as roupas e eu estava doida para tocar nela.

    Pulei pra cima e fui logo enfiando dois dedos inteiros na buceta enquanto o Bardo já agarrava ela pelos cabelos e fodia a boca, que engasgava e babava todo o pau dele. Foi tudo forte e violento, como um sexo cheio de saudades. Eu fui no instinto, fazendo nela tudo o que a puta tinha feito comigo e tendo novas ideias no caminho.

    Sentei por cima e encaixei minha buceta na dela em uma tesoura, como tinha visto no filme pornô. Que sensação é essa? Uma pena que não tenha palavras para descrever e você – se for homem – nunca poderá saber. Quando a carne macia, quente e rosa da minha buceta molhada encaixou na carne macia, quente e rosa da buceta dela eu gozei na hora.

    Molhei ela toda de squirt, o que lubrificou tudo e deixou o movimento muito gostoso. Nossas coxas roçavam uma na outra e as duas bucetas pareciam uma coisa só. Perdi a noção do tempo ali, gozando junto com ela uma atrás da outra e molhando a cama toda. Bardo foi até o frigobar, abriu um vinho e sentou para assistir o espetáculo. Ela realmente tinha o corpo muito parecido com o meu. Era linda e muito gostosa.

    Fodemos até perder a força das pernas. Quando caímos na cama, Bardo não deixou barato: colocou ela de quatro e começou a socar com vontade. Ela ia ser dele agora e ele tinha todo o direito de encher aquela buceta de porra. Ela me puxou e colocou a boca na minha buceta. Essa ia se tornar a nossa posição à três favorita (inclusive com homens). Ele metendo gostoso na bunda dela e ela enfiando a língua na minha buceta molhada. Bardo gritou e encheu a buceta dela de porra. Ela gozou, eu gozei, os três em um corpo só sentindo prazer.

    Deitamos os três na cama, suados. Era aquilo que queríamos para o resto da vida. 

    Foi o Bardo que “arruinou” tudo. Ele tem essa mania chata – mas muito útil –  de ver as coisas à longo prazo. É nessas que ele se vira para ela e pergunta: 

    – Você pretende ser mãe?

    Quando ela respondeu que sim meu corpo se contorceu. Alguma coisa muito primitiva gritou em mim e eu não aceitei aquilo. Eu não queria o filho de outra mulher perto de mim, muito menos que ele fosse do Bardo. Não ia servir, não ia dar. Até hoje não sei explicar por que me senti assim, mas continuo pensando dessa forma.

    Saímos de lá sem nossa mulher. 

    ***

    Acabou.

    A crise econômica da bolha imobiliária dos Estados Unidos chegou na nossa porta. Tínhamos acabado de reformar todo o apartamento e, do dia para a noite, quase todos os nossos alunos cancelaram as aulas. Nossa lista de espera sumiu.

    Sentamos e ficamos olhando as meninas. Mônica, bebê ainda, rolava na cama. Definitivamente deus estava nos punindo pela nossa luxúria. Quis dizer isso para o Bardo mas não tive coragem. Eu sabia o que ele ia responder. E era mesmo bobagem da minha cabeça.

    Recebemos um aviso do condomínio avisando que haveria uma manutenção severa das caixas de água e que podíamos ficar até dois dias sem abastecimento. No mesmo dia, uma explosão lá embaixo: de todas as caixas de energia do prédio, apenas a nossa queimou e ficamos sem luz.

    Sem água, sem luz, sem internet, sem dinheiro. Estávamos em uma caverna moderna. A luz do poste que ficava bem na altura do apartamento iluminava a cama em amarelo. Bardo dedilhava uma canção sobre aquilo no violão.

    – Vamos morar no mato. Criar galinhas – disse o Bardo – Minha vó tem um pequeno sítio na fronteira com a Argentina. Podemos começar tudo de novo.

    Me enfiar ainda mais longe no fim do mundo não parecia ser a melhor ideia que existe, mas eu também não tinha uma melhor. Contra a vontade da família arrumamos nossas coisas, nos despedimos de quem restava e partimos dali.

    ***

    Nesses anos todos morando juntos, Bardo e eu nos aproximamos de muitas formas. Com o VHS nos seus últimos dias de vida, as locadoras de vídeo faziam promoções insanas e passamos anos alugando “sete filmes por sete dias.” Assistimos quase todos os filmes dos anos 80 e 90 naquela época e fomos desenvolvendo um gosto comum.

    Nos primeiros dias ouvíamos música de fone de ouvido. Eu com minha Laura Pausini, Bardo com seu Marilyn Manson. Aos poucos fomos crescendo no gosto do outro. Mais para o lado do Bardo do que para o meu. Ele me apresentou o Blues, as divas do Jazz, a bossa nova, Elis Regina. Amei aquilo tudo.

    Uns dois anos depois comecei a cantar em uma banda que ele tinha com os amigos. Músicos iam e vinham – o que ia ser uma constante na nossa vida – mas ficávamos nós dois. A Sétimo Céu foi nossa primeira banda, com as músicas que o Bardo escrevia. Era uma banda de piano rock: piano, baixo, bateria e vozes. Tivemos o flautista por um tempo e um saxofonista muito bom uma vez. Até o baixista do Hermeto Paschoal e o dos Replicantes tocaram conosco por um tempo.

    Gravamos algumas músicas em casa mesmo e fizemos nosso primeiro álbum, o Utópico Realista. Muito ruim em termos de gravação e até mesmo musicalmente, mas era um início. Nem temos mais cópias disso.

    ***

    Bardo foi na frente e descobriu que seu avô, muito querido, estava com uma doença definhante que o levaria aos poucos. Ele queria ficar por perto. A avó não quis que ele ficasse no sítio e ele conseguiu a casa de uma tia no mesmo bairro. Fui para lá e Bardo voltou buscar nossa mudança.

    No dia que ele chegou uma tempestade caiu, soltou um fio de energia e Bardo chegou com o caminhão arrancando esse fio e deixando a rua toda sem luz. Descarregamos o caminhão na chuva e no escuro. Um começo irônico.

    Eu me vi no último bairro da cidade. Depois de nós, apenas cinco casas, um cemitério e o fim do mundo. Uma cidade quente, abafada, com um povo esquisito. Bardo me pediu para ficar em casa e descansar enquanto ele dava conta de tudo.

    Rapidamente ele colocou o projeto das escolas em pé e estávamos bem de dinheiro. Aproveitou o sobrenome da família na cidade e conheceu muita gente, abriu portas. Ele também tinha alguns amigos da adolescência, das férias no sítio da vó, e eles nos ajudaram a ficar bem.

    A cidade tinha muitos músicos. Parte por ter um festival de música notório, parte por ter muitas bandas de baile alemão. Tentamos montar nossa banda com essas pessoas mas elas não entendiam nossa musicalidade. Nosso “piano rock” não ia ter espaço ali.

    Foi uma amiga do Bardo que nos apresentou um músico de Porto Alegre que tinha mudado para lá a pouco tempo também. Com ele gravamos o Anjo de Prata, nosso segundo álbum, ainda bem ruim em termos de qualidade de gravação mas muito bom em composições. Fizemos alguns shows na região mas vimos que por ali aquela música não ia para frente de forma alguma. Nossos fãs (tinham um fã clube) eram os alunos do projeto.

    Chegou o verão e, sem as escolas funcionando, ficamos sem renda. Tivemos que pedir dinheiro para a família do Bardo, o que foi uma merda completa. O avô dele definhava e ele se desentendia com a avó, que na opinião dele estava tratando o velhinho muito mal.

    As aulas voltaram e eu não aguentava mais ficar naquele fim de mundo com as meninas. Estava brigando com o Bardo o tempo todo. Passamos o natal e o réveillon mal. Chegamos a conversar algumas vezes sobre separar de vez.

    Bardo tinha contratado uma secretária que andava colada com ele de cima para baixo. Achava um absurdo ele pagar ela sendo que eu podia fazer aquelas tarefas. Eu estava sem fazer nada e aquilo estava me enlouquecendo. Comecei a andar com eles, as crianças à tiracolo, e queria trabalhar também.

    Acabou que mais atrapalhei que ajudei e, com a prefeitura cortando o espaço das aulas, tudo acabou. A banda também não vendia nada e dispensamos o músico. A secretária foi embora e estávamos de novo na estaca zero. Bardo conversou com o pessoal da prefeitura e com alguma influência de amigos ele foi contratado para dar aulas em uma escola e no centro de cultura e eu fui contratada para ser regente do coral infantil.

    Agora estávamos no ápice do nosso desprezo pela vida comum: funcionários públicos. Para amenizar, Bardo aceitou o convite de um pequeno restaurante da cidade para tocar nos sábados ao meio dia. Pagava um cachê e o almoço para mim e as meninas. O povo gostou das músicas esquisitas dele e o restaurante começou a abrir às sextas à noite. Montamos uma banda com baterista, dois guitarristas, Bardo no baixo e eu cantando só para tocar lá. Depois de um tempo a cidade vizinha nos descobriu e nos chamou para tocar lá também. 

    Animamos, mas não sabemos brincar, eu tenho consciência disso. De repente a menina sonhadora com São Paulo quis que a banda crescesse. Arrumamos um carro e Bardo começou a viajar para outras cidades ao redor e fechar mais shows. Um desastre atrás do outro. Não sei o que tínhamos na cabeça de levar rock para cidades de colônia alemã e italiana, onde a maior distorção que existe é um trompete.

    Mesmo assim continuamos. Era aquilo ou enlouquecer de vez dando aulas com um salário fixo que atrasava todo mês. Começamos a nos organizar para gravar um álbum e um videoclipe.

    ***

    Nesse meio tempo buscamos nossos pares. Aprendemos a ser mais discretos nas nossas conversas e íamos fazendo brincadeiras para ver se as pessoas mordiam o assunto. Queríamos pessoas que entendessem a natureza da nossa relação e que pudéssemos curtir um sexo numa boa. Quem sabe a nossa namorada estaria por ali? Aquela cidade tinha mulheres realmente bonitas.

    Mas nada. Começamos a passar, com frequência, pela história do flautista: se quiser transar comigo tem que largar ele. Não julgo. Eu mesma sofri demais com as coisas que eu aprendi a acreditar e a monogamia é tão lei quanto a gravidade na cabeça das pessoas. Se não fosse assim, que ao menos fosse traição então. Traição é uma coisa boa e funcional na cabeça do monogâmico.

    Assim entramos na onda mais bizarra da nossa vida. Na boca miúda a cidade começou a conversar sobre esse casal esquisito com desejos estranhos e os convites começaram a aparecer. Nunca eram para os dois. Sempre para um ou para outro, e sempre na alta sociedade. Grupos de mulheres me chamavam para festas só com mulheres e queriam saber mais, queriam que eu contasse minhas experiências e queriam, claro, experimentar.

    É assim que é, todo mundo sabe disso e só hoje eu entendo que a hipocrisia sempre será necessária para o bom funcionamento social. Aquela líder social que promove os eventos da igreja? Chupei ela. A mãe de família exemplar com o marido influente na indústria? Derramou suco nos meus dedos. Mulheres reprimidas que encontraram em mim uma pequena fuga da dura realidade. Tudo bem, já que o marido – um político promissor no estado, estava chupando o pau do Bardo. Eu era a Nicole Kidman em uma mistura de Dogville e de Olhos bem fechados.

    Por mais que o escondido tenha sua dose de prazer, não era o que eu queria. Eu gosto do simples, honesto, do verdadeiro, do prazer solto de amarras e independente de pressão e ambiente. O puro prazer nervoso do toque da pele na pele. Não me interessa mentir, enganar, cumprimentar um homem no jantar do Rotary sem ele saber que a mão que ele aperta arrancou orgamos da esposa dele.

    Na época eu julgava muito, hoje entendo melhor. A vida não é um morango. Ela vai, aos pouquinhos, no melhor estilo tortura da gota d’água, nos levando por caminhos que nos colocam em situações que não gostaríamos de estar e não temos como sair. Ou em lugares onde o ruim fica confortável o suficiente para temermos pelo pior ainda.

    Para essas pessoas criadas em uma cidade pequena, tradicional, onde todo mundo é de alguma família que precisa manter uma imagem (você é gente de quem?) fica cada dia mais complicado viver o que bem deseja, fica difícil experimentar coisas novas e diferentes sem correr o risco de perder o pouco que tem.

    Essa era nossa dor e Bardo começou a escrever sobre isso. Nosso álbum, Lovebox (esse tem nos serviços de streaming) é recheado de canções sobre nosso sonho de relacionamento ideal com as pessoas. Ele abre com Viver a 3, uma canção sobre como seria perfeito ter um relacionamento ímpar. Ode ao Ciúme fala por si só e Chifres São Coisas da Tua Cabeça é sobre um casal que conhecemos que se traía, os dois sabiam, mas tinham um acordo velado de nunca falar a respeito.

    Também escrevi Momento Único, uma canção de amor. O álbum termina com Calibre 12, uma música sobre zumbis. Sempre tivemos um lado lúdico e adoramos músicas bobas, como as canções de Monty Python.

    ***

    A banda não estava nos acompanhando nos sonhos. Era preciso mais trabalho, mais dedicação, e eles preferiam a segurança dos seus empregos e dos seus relacionamentos. Dispensamos a banda e chamamos outros músicos. Um baterista veio do interior de São Paulo para gravar conosco e o guitarrista era um dos alunos do projeto.

    Começamos a fazer ainda mais shows, ajudamos a criar um festival de rock na cidade e fizemos algumas festas muito boas. Usávamos os bares da cidade e o centro de cultura para promover nossas festas jam e fizemos um bom movimento. Começamos a trazer bandas de cada vez mais longe na esperança de que elas nos levassem para suas cidades também – o que nunca aconteceu.

    Uma das bandas que trouxemos era realmente muito legal. E eram bonitinhos! No final do show as mulheres estavam em alvoroço querendo os meninos. Quando percebi, peguei uma ruivinha que estava de olho há um tempo, mais umas três meninas e convidei todos para continuarmos a festa em um motel. Para meu espanto, aceitaram!

    Fomos em três carros. Nossa banda, a deles, e as mulheres. Para garantir que elas não iam amarelar no caminho, espalhei elas pelos carros. Pegamos um quarto enorme no motel local e fomos todos para a cama. Queria contar uma história melhor aqui, mas só rolaram amassos a noite toda. Bardo e eu beijamos e chupamos os seios da ruivinha e eu dei uns pegas no baterista, mas estavam todos com vergonha e sexo mesmo não rolou. O pior foram os meninos da nossa banda que sentaram em um sofá e sequer participaram.

    Nas semanas seguintes, tentei trazer a ruiva para nossa casa de todo jeito, mas ela correu. Ela era linda e podia ter sido nossa namoradinha. Uma pena mesmo.

    Histórias como essa aconteciam o tempo todo, essa foda meia bomba, essa oportunidade de estar lá e travar, não aproveitar tudo o que podia. Eu fico pensando se hoje essas pessoas amadureceram e se arrependem até os fios do cabelo de não terem aproveitado mais a oportunidade – e se sequer tiveram outra assim depois.

    ***

    O avô do Bardo finalmente definhou até falecer. Aquelas mortes que vem com mais alívio que dor. Eu não suportava mais ver o Bardo sofrendo cada vez que ia visitar o velhinho. Fomos morar com a avó por um tempo e a relação deles se deteriorou ainda mais. Fomos embora e Bardo nunca mais falou com ela.

    Ela se mudou para um bairro e, como dizem muitas mulheres idosas, começou a viver. Se arrumava, ia nos bailes, se juntava com as amigas como minha mãe fazia. No fim, não sei qual foi a história dela com o avô e o que levou ela a segurar tão mal os últimos dois anos de vida ao lado dele. Era um casal antigo, casado nos anos 50, e nunca vou ter ideia do que ela passou ao lado dele tendo sete filhos em uma vida de pobreza na roça. Mesmo que o Bardo tenha razão em querer que o avô fosse melhor tratado, ela nunca me falou uma palavra sobre os motivos dela.

    Para mim, só mais uma razão para ter certeza que o casamento é uma instituição de merda.

    ***

    Chegou mais um final de ano e estávamos em alta. Eventos todo final de semana, convites para festas e jantares e Fada se apresentando com o coral infantil. A prefeitura fez um evento lindo de natal e as crianças cantaram nas janelas. Naquele dia, ganhamos a chave da cidade por nossa colaboração artística na cidade.

    E claro que eu estava inquieta. Se eu concorresse e virasse prefeita daquela cidade eu ainda estaria. Era tudo pequeno demais. As conversas eram pequenas, as ideias eram chatas e parecia haver um campo de força que impedia aquelas pessoas de ir além, de realmente curtir a vida como eu desejava.

    Não aguentava mais churrascos, jantares, bebidas, bares e uma vida social repetitiva e limitada. Não vou cuspir tanto no prato e direi que apreciei algumas coisas: aprendi a beber vinhos finos, champagnes e cervejas artesanais e tive algumas conversas interessantes – pelo menos até alguém colocar o pó na mesa – momento em que eu sempre me retirava.

    Houve uma pessoa que realmente foi muito legal de conhecer e que temos saudades. Um músico de festas italianas com quem viajamos por um tempo tocando pela região. Era uma pessoa pura, de coração bom, dessas realmente raras de encontrar pelo mundo. Além de ótima companhia era um piadista de primeira e ríamos por horas viajando para os shows. Infelizmente ele se foi.

    Gravamos o Lovebox e resolvemos fazer o clipe com a música Se eu não olhar pra você. O clipe foi feito na catedral da cidade e ilustra um casamento inusitado: a noiva, arrastando uma corrente com os pés, tenta chegar ao altar enquanto um ex-namorado, uma ex-namorada, os amigos e a família tentam impedi-la. Na reta final um morto carregando uma coroa de flores a acompanha – pois o casamento é a morte do sexo. Chegando ao altar ela é liberta das correntes e precisa fugir de todo mundo.

    A igreja católica não viu o vídeo com bons olhos. Uma cena específica em que a noiva quase beija a ex-namorada acabou virando polêmica e foi parar em todos os canais de notícia. Sem querer, vivíamos o modelo Marilyn Manson: a igreja católica nos promoveu de graça. Nunca teríamos recursos para toda aquela mídia.

    Depois que visitamos todas as rádios e jornais da região e promovemos o lançamento do clipe, acredito que eles se deram conta do que fizeram. Recebemos uma ameaça de morte. Um membro da igreja nos procurou e nos avisou que estavam preparando uma emboscada para matar minha família.

    A prefeitura encerrou nossos contratos. Os convites para as festas sumiram.

    No mesmo dia, Bardo colocou as meninas e eu em um ônibus de volta para a colônia alemã. Vendeu todas as nossas coisas e veio logo atrás. Se tem uma estaca antes do zero, é exatamente onde estávamos: não só de volta à colônia, mas de volta à casa dos nossos pais.

    Não íamos ficar ali, não tinha como. Nosso baterista voltou para o interior de São Paulo e nos disse que podíamos ir para lá, ele tinha como nos receber por um tempo. Nessa hora fiz a coisa de que mais me arrependo na minha vida: deixei as minhas filhas com as avós e fui em busca de algo maior.

    E era São Paulo, de novo. Aqui vou eu.

  • Capítulo 5 – Fracassada

    Vendemos a mobília da casa toda e ficamos só com uma mochila de roupas cada um. Com o dinheiro compramos as passagens para o interior de São Paulo. As crianças ficaram com os avós e embarcamos em Porto Alegre. O vôo teve uma segunda etapa em um avião esquisito, daqueles de hélices do lado de fora da asa e apesar de assustador foi tudo bem.

    Chegamos em uma cidade enorme. Quente, muito quente mesmo. E nem era verão. Conhecemos a família do baterista que parecia ter muita grana. O que levou ele a ir morar com a gente no sul e passar fome? Nunca vou saber. Os pais dele tinham acabado de se separar e o pai estava se mudando para uma das casas da família. A mãe ficou com o apartamento e parecia planejar ficar com o Bardo também.

    O irmão dele vivia em uma invasão, acredite. Era um projeto de um pessoal de São Paulo para artistas falidos e picaretas políticos que invadia casas de famílias ricas com o aval de algum dos filhos, uma maracutaia da qual preferimos ficar longe.

    Saímos pela cidade em busca de trabalho. Conseguimos alguns bares e tocamos nos dias seguintes. Mas isso estava longe do que queríamos. Barzinho se faz em qualquer lugar. Nós queríamos evidência e aproveitar as notícias sobre a banda para tocar em palcos maiores, com melhores cachês e alguma notoriedade.

    Bardo estava para cima e para baixo com a mãe recém solteira e ficou fascinado com a estrutura da cidade para moradores de rua. Eles tinham café da manhã, almoço, janta e um lugar para dormir. Tinham até acompanhamento psicológico. Parecia que pagava bem ser ninguém nesse lugar.

    Nos levaram para conhecer um produtor. Ele tinha produzido shows de Milton Nascimento e talvez pudesse nos dar algum norte. O papo do cara era muito esquisito. Parecia o Mestre dos Magos falando em meias palavras e sendo esquivo. Ou esse cara sabia demais ou não sabia nada e eu não ia sair de lá sem descobrir. Fui levando a conversa até que finalmente entendi o que ele queria, ou pensei que entendi. Coloquei a mão na coxa dele, alisei, olhei bem nos olhos dele e perguntei:

    – Quem eu preciso chupar? Porque eu chupo, se precisar.

    Ele ficou injuriado. Desconversou. Eu não sabia que era só a primeira vez que eu ia ter essa conversa e levou muitas delas para eu entender que esses promotores, empresários, produtores e a laia são viciados na relação de poder. Eles não queriam que eu chupasse porque eu sei o que estou fazendo, eles querem o poder de foder uma alma inocente, como o empresário fez com meu cuzinho. Saí de lá sem nada.

    A não ser que o Bardo quisesse herdar metade do dinheiro da família, não havia mais nada a fazer por lá, a cidade não oferecia muito. Finalmente a mãe do baterista disse que tinham um apartamento de um quarto desocupando no centro de São Paulo. Agora sim, algo que preste. O inquilino estava indo embora na semana seguinte e voltamos para a colônia para buscar nosso guitarrista e nos preparar para, finalmente, estar no lugar certo.

    Na volta, mais um passeio no avião esquisito para chegar em um aeroporto lotado de pessoas estressadas: chovia no sul e todos os vôos foram adiados. Nos deram um voucher para comer que dava para comprar duas barras de chocolate. E foi com isso que passamos dezesseis horas esperando. Encontramos a baterista de uma banda de reggae. Bardo abriu a caixa do violão e a moça, munida de um chocalho, nos acompanhou em um espetáculo na sala de embarque. As pessoas gostaram, aliviou o stress. O engraçado era parar a música quando dava uma chamada e voltar ela do ponto que parou. Chegamos no sul acabados e famintos.

    Acabou que liberar o apartamento demorou mais do que o esperado e nosso dinheiro foi indo embora. Estar na casa dos nossos pais era custoso. Eles não estavam interessados em apoiar nossa arte e nos humilhavam nos mandando arrumar um emprego. Cobravam as refeições e não nos davam paz. Eles não precisavam fazer isso, não era uma questão de dinheiro, era uma questão de nos desempoderar dos nossos sonhos.

    Finalmente o apartamento vagou. O guitarrista e o baterista foram para lá e só faltava o Bardo e eu e não tínhamos dinheiro para as passagens. Tocar em bar não ia dar certo com os custos que tínhamos, íamos ficar presos ali. Eu precisava de um caixa rápido.

    Bardo e eu começamos a curtir e fantasiar uma ideia mas eu não queria ir para uma zona e não fazia ideia de como fazer isso acontecer. Foi quando um conhecido me chamou no Facebook e comecei a trocar ideia. Propus a ele que me pagasse para transar e ele topou. Eu estava insegura. Sabia que ia me divertir e que ia fazer uma grana mas tinha alguma coisa me travando ainda. Então eu propus a ele que o Bardo estivesse junto, que fosse um ménage.

    Ele topou. No dia seguinte nos encontramos, os três, em um motel. Antes de mais nada, pedi o dinheiro, que veio em um belo bolo de notas de 100. Dinheiro na mão, calcinha no chão, não é o ditado? Ajoelhei na frente dos dois e comecei a chupar. Minha cabeça girava, estava a mil. Uma parte de mim queria se sentir humilhada por estar fazendo aquilo mas, vendo aqueles dois paus na minha frente eu me sentia muito satisfeita.

    Quem sabe encontrei minha vocação?

    Me entreguei como uma boa puta. Mamava o pau dele com vontade mesmo, descia molhando e subia secando. Lambi as bolas dele e fazia ele gemer enquanto punhetava o Bardo ao lado. Dava pra ver que ele estava gostando de me ver ali e isso me animava ainda mais. O cara me colocou de quatro na cama, colocou uma camisinha e meteu. Entrou quente e gostoso e eu só me imaginando fazendo isso pelo resto da vida.

    Bardo sentou na minha frente e eu fiquei mamando ele enquanto levava na bunda. Estava tão gostoso! Ele meteu sem dó e sem se preocupar muito se eu estava gostando ou gozando, até que gozou bem gostoso.

    Deitamos os três na cama, tomamos uma cerveja e ficamos de papo por um tempo.

    Então ele pediu para que eu deitasse de ladinho, de costas para ele e beijasse o Bardo. Nos abraçamos e começamos a nos beijar com vontade e ele veio por trás de mim e meteu o pau na minha buceta de novo. Ficamos ali os três em um corpo só por muito tempo. Ele comendo minha bunda bem gostoso e devagar e eu masturbando o Bardo e beijando, nos olhando no olho.

    Aquilo foi sensacional, uma delícia. O pau dele era gostoso, encaixou certinho e era bem quente. Sentia a barriga dele batendo na minha bunda e gemia baixinho. Bardo me olhava com um olhar safado. Ele percebeu que eu estava gostando e abria minha bunda para o outro meter bem gostoso até gozar de novo.

    O cliente satisfeito levantou-se e foi embora, deixando Bardo e eu pra curtir um pouco mais sozinhos. Montei em cima dele e ficamos rindo e comentando enquanto eu cavalgava. Gozamos juntos e fomos embora – com dinheiro no bolso.

    Agora estava pronta pra me aventurar sozinha uma vez. Fiquei de papo com alguns caras conhecidos no Facebook pra ver quem seria o próximo. Foi a pessoa que eu menos esperava que topou, mas com uma condição: que o Bardo fosse junto. Melhor para mim. Por mais que eu imaginasse que deveria ir sozinha, ir com ele me deixava mais tranquila e segura. Como a primeira vez foi incrível, logo marcamos o motel e nos encontramos lá.

    Ele era um cara baixinho, gordinho e com o pinto pequeno, mas era bonitinho e muito carinhoso. Ele deitou na cama e me chamou. Bardo sentou na beirada da cama enquanto eu lambia o pau do cliente bem devagar, com muito carinho. Senti que ele não ia aguentar, as bolas dele começaram a pulsar na minha mão e percebi que já vinha leitinho. Dei uma mamada mais forte. Ele deu um gemido alto e puxou meus cabelos para trás, me fazendo parar.

    E foi aí que a coisa ficou louca. Ele puxou o Bardo pelo braço para cima da cama, abriu a calça dele e começou a mamar. Eu olhava para o Bardo me segurando pra não rir e Bardo me olhava surpreso. Ele ficou de quatro na cama e pediu que eu enfiasse o dedo no cuzinho dele. Fazemos ao gosto do cliente!

    Ele mamava o Bardo como se fosse a última mamada da vida dele. Lambia as bolas, gemia e tremia todo. Molhei o dedo com saliva e enterrei no cu dele. Ele gritou. Não sabia se tinha machucado e fiquei apreensiva, mas ele começou a rebolar com meu dedo atolado lá dentro. Comi o cu dele com o dedinho enquanto ele se esbaldou de língua nas bolas do Bardo. Estava só esperando ele pedir. E ele pediu.

    Deitamos os três na cama. Ele no meio. Me colocou de costas pra ele, Bardo atrás dele. Ele colocou o pau na minha buceta. Não senti muita coisa. Mas senti ele tremer inteirinho quando o Bardo atolou o pau no cu dele. Ele me beijava no pescoço, me acariciava os seios com vontade. Senti ele começar a suar. Gemia e rebolava – mais pra trás do que pra frente – e ficava repetindo como estava gostoso.

    Bardo segurou ele pela cintura e começou a socar. Foi aí que eu fiquei de fora de vez, ele rebolava e gritava, suando muito. Sentia a barriga dele batendo na minha bunda mas não sentia o pau na minha buceta. Fiquei ali, de bibelô, até que ele gozou.

    Sem olhar muito na nossa cara, tomou um banho e foi embora. Bardo e eu ficamos sozinhos de novo e nos divertimos muito, transando e comentando como aquilo era novo e diferente. Ficamos felizes em deixar mais um cliente satisfeito!

    Parece que seríamos um “casal de programa” e a ideia nos deixou muito excitados. Começamos a conversar como casal pelo Facebook com algumas pessoas. Já estávamos mais animados e conversando com desconhecidos. Estávamos nos divertindo e a grana estava quase o suficiente, então por quê não?

    E foi assim que fomos parar em um lugar meio bizarro.

    Esse cara tinha um fetiche: queria sentar e assistir dois casais transando ao vivo. Parecia o convite perfeito. Ser paga para transar com o Bardo, onde eu assino? Estávamos sem carro então ele foi nos buscar em um ponto de encontro. Era noite, na região metropolitana de Porto Alegre e ele era um desconhecido.

    Claro que eu estava segura, eu sempre estou. Tenho minhas maneiras de me defender além do homem de dois metros, lutador de muay thay e expert em briga de facas que anda comigo. Chegamos em um motelzinho bem fuleiro na rodovia e lá estava o outro casal esperando.

    Nós imaginamos que se ele estava nos contratando o outro casal deveria ser muito bonito também. Ledo engano. Pensa em um casal feio. Ele era um tiozão sem nenhum atrativo e ela uma baixinha sem sal nem açúcar.

    Mas tudo bem, eles não iam encostar na gente mesmo.

    Entramos os cinco no motel. O contratante sentou em uma cadeira, abriu uma cerveja barata e pediu para começarmos.  Fui para cima do Bardo, arrancamos a roupa e começamos a meter com vontade, nem prestamos atenção no outro casal. Sentei no pau do Bardo e comecei a cavalgar, empinando bem minha bunda para que ele visse o caralho socando minha buceta. Eu poderia fazer isso todos os dias, o dia todo.

    O outro casal veio para perto. Ela de quatro e ele comendo ela. Não era exatamente uma visão bonita então preferi nem olhar. Ficamos fazendo piruetas. Depois de cavalgar levei de quatro, deitada com as pernas bem abertas, fizemos um 69 e tudo o que podíamos imaginar para agradar nosso cliente.

    Em algum momento ele perguntou quanto custaria para fazer uma troca de casais. Meu primeiro pensamento foi: nenhum dinheiro no mundo. Conversamos um pouco e fechamos um valor, mas quando eu olhei para aquele cara pelado minha buceta secou e fechou igual uma ostra. Eu nunca tinha sentido nojo de alguém na vida e foi uma sensação horrível.

    Enfim, não consegui nem encostar no cara. Bardo colocou a mulher de quatro e usou o método violino: virou a cara e meteu a vara. 

    Vendo que eu não ia transar com o cara, que ficou sentado vendo a mulher dele gritar igual uma cadela no pau do Bardo, o cliente me pediu um preço pra chupar ele. Eu já estava morta ali, sem vontade de fazer mais nada, só queria ir embora. Mesmo assim, dei um preço. Ele pagou e eu chupei sem vontade alguma.

    Bardo percebeu que eu não estava curtindo e encerrou a brincadeira. Pegamos nossa grana e fomos embora. Naquele dia eu percebi que o negócio não era pra mim. Se eu passasse por aquilo mais uma vez nunca mais ia ter tesão na vida. Transar com quem você não está afim é mesmo uma porcaria e eu tenho um respeito enorme pelas meninas que toparam essa vida.

    E foi sorte. O dinheiro deu para as passagens aéreas e sobrou um pouco. São Paulo, sua desgraçada, aqui vou eu!

    ***

    O apartamento era um ovo. Um sala, quarto, cozinha e banheiro com cômodos muito pequenos. Ficava no Bexiga, bem no coração da cidade e ao menos era fácil deslocar de lá. O baterista levou um carro, mas não nos deixava usar. Então andamos, Bardo e eu. Caminhávamos cerca de dez quilômetros por dia, mais o metrô, mais ônibus, para chegar em cada casa de show da cidade e apresentar nosso trabalho. Fomos reconhecidos pelas notícias mas elas não abriram porta nenhuma. Ninguém mexe com a igreja católica e sai ileso.

    Finalmente conseguimos um bar para tocar na Vila Madalena. Uma entrada de grana, porque a nossa se foi em poucos dias. Havia um mercado 24 horas perto de casa onde o macarrão custava cinquenta centavos. Era isso e alho. Eu suava alho. O guitarrista e o baterista nos acompanharam em algumas refeições, mas logo saíram para comer no restaurante. Não parecia justo. O baterista sentava no sofá e ficava olhando revistas de carros esportivos, apontando qual ele ia comprar quando a banda explodisse. A única coisa explodindo ali eram nossos nervos.

    Com a experiência da cidade do interior, Bardo foi atrás das estruturas para moradores de rua da cidade e descobriu um universo fascinante em São Paulo: existe toda uma estrutura de hospedagem e alimentação disponível e os moradores de rua de verdade não gostavam dela: eles preferem a liberdade de movimento e horários e os albergues são bem restritos com isso. Então quem usava essas estruturas eram pessoas que tinham chegado na cidade sem nada e queriam começar a vida. No restaurante de comida por um real conhecemos muitas pessoas de terno e gravata que trabalhavam na Avenida Paulista e que viviam nesse sistema.

    Bardo ficava repetindo que se não tivesse filhos faria exatamente aquilo. Era possível viver em São Paulo com menos de cinco reais por dia com moradia, alimentação, atendimento médico e psicológico – fora todas as opções gratuitas de lazer e cultura disponíveis. E essa é uma realidade em muitas cidades do país se você tiver coragem e quiser aproveitar a estrutura do estado para juntar um bom dinheiro. Acho digno. Se está aí, por que não usar?

    O pai do guitarrista nos trouxe um tablet, novidade na época, e conseguimos ver nossas filhas por chamada de vídeo. Cortava meu coração. Eu não queria ficar longe delas, mas também não ia suportar a vida de humilhação na colônia. Eu estava fazendo a coisa certa. Bardo já olhava as placas de emprego comum ao redor do apartamento porque o dinheiro do bar também não dava.

    No pouco tempo livre íamos ao Centro Cultural Vergueiro. Lá nós lemos todas as biografias de bandas que existiam na biblioteca em busca de alguma pista, algo que não estávamos fazendo e que era preciso. Eu posso bater no peito e dizer que fiz tudo ao meu alcance.

    Conhecemos muita gente. Todo mundo era amigo do primo do tio de algum famoso e supostamente podia nos ajudar mas no fim do dia todo mundo queria me comer, ou comer o Bardo, mas nunca da forma que queríamos. Nunca vou entender esse fetiche pelo poder, pela mentira, por fazer as coisas pelas costas ou de uma maneira maliciosa, que tome alguma coisa do outro. Tanta gente que podia ter gozado com a gente e não gozou porque queria manipular, enganar e nos separar. 

    E também conhecemos algumas pessoas legais – pelo menos no início. Um deles foi o Alexandre.  Ele chegou no bar com duas mulheres em uma coleira. Bardo me olhou: esse cara não pode ser normal. Ficamos torcendo para que ele não fosse embora antes do final do show e demos sorte: ele ficou. Terminado o espetáculo sentamos na mesa com ele e, nesse momento, fomos apresentados ao mundo do BDSM.

    BDSM: a sigla para Bondage (amarração com cordas), Dominação e Sadomasoquismo.

    Aprendemos que elas eram escravas sexuais dele e ele era o dominador delas. Logo já estávamos no apartamento dele bebendo um vinho e conhecendo uma infinidade de tipos de cordas, chicotes e humilhações. Eu não curto dor de forma alguma mas me interessei muito pelo bondage. Bardo, que é fissurado no comportamento humano, ficou interessado no prazer encontrado nas relações de poder, de mestre e escravo e nas humilhações. O mestre e suas escravas pegaram suas cordas, tiraram minha roupa e me deram uma experiência nova e única.

    A corda se chama shibari e é macia e gostosa. Elas passaram por debaixo dos meus seios e trançaram pelas minhas costas, me tocando e acariciando o tempo todo com a ponta dos dedos. Me arrepiava toda. A corda corria pela minha pele com um toque aveludado e sensível. Elas foram descendo com o trançado e começaram a fazer um nó de forca. Fiquei curiosa.

    O nó encaixou certinho na minha buceta. A corda subiu pela minha barriga e amarrou com a que tinha passado por debaixo dos seios, voltou para as cordas e terminou em uma alça. Então elas pediram que eu soltasse todo o peso do corpo pra frente, sem medo. Confiei e fui. Gemi alto! A corda se moveu pelo corpo todo ao mesmo tempo, me acariciando em todos os lugares. Cada nozinho ia passando pelo meu clitóris. Tive um squirt e molhei o chão.

    Gozei na hora. As cordas me abraçaram e me deram uma sensação de segurança tão forte e gostosa que eu quase dormi em pé. As meninas me segurando pela alça e eu ali jogada ao prazer. Elas então me colocaram de quatro no chão, amarraram uma bola na minha boca, puxaram a corda da minha buceta pro lado e foi a vez do mestre se divertir um pouco.

    Ele pegou um chicote de camurça, bem leve e praticamente indolor e começou a bater nas minhas nádegas. Amei que ele respeitou meu gosto por dor. Ele foi batendo devagar e criando um estado de dor gostoso, aos poucos, até que a dor se tornou prazer. Comecei a gemer alto e alucinar. Bardo, sentado no sofá na minha frente, me olhava com deleite enquanto ganhava um farto boquete de uma das meninas – ordem do mestre!

    A outra menina pegou o chicote e começou a bater nos meus ombros, devagar, criando aquele mesmo estado de prazer que eu tinha nas nádegas.

    O mestre, por sua vez, colocou o pau quente e grosso inteiro dentro da minha buceta, socando enquanto dava palmadas na minha bunda. Entrei em êxtase total. Rebolava levando bem gostoso, gemendo alto e gozando tanto que nem pude contar. Naquela noite dormimos em uma enorme cama, algo como duas king size de tamanho, com o mestre e suas escravas, metendo devagarinho e gostoso, cheio de arranhadas, tapinhas, mordidas, beliscadas e tudo o que chamasse uma pequena dor.

    Foi delicioso e ficamos felizes de encontrar, finalmente, algumas pessoas que sabiam se divertir.

    Também conhecemos o Vini. Era um gordinho bebendo sozinho na mesa do canto. No final do show nos convidou para sentar com eles e, por razões que só o álcool conhece, nos contou que estava em uma merda. Era milionário mas estava se sentindo miserável. Queria se separar da mulher, largar as empresas, precisava mudar. Foi encontrar logo comigo. Se você é uma das pessoas que já cruzou meu caminho e fez a menor reclamação da vida perto de mim, conhece meu poder.

    Vini se tornou nosso amigo dali para a frente. Se separou, largou as empresas, abriu uma companhia de aluguel de helicópteros e ficou muito feliz. Nos mandava fotos de baladas e festas com mulheres e nos disse que se precisássemos de algo era só pedir. Ele só não conhecia ninguém no show business que pudesse nos ajudar.

    No mesmo bar, algumas semanas depois, conhecemos as meninas do apartamento 13. Eram 3 universitárias muito bonitas que compartilhavam um apartamento em São Paulo. Depois do show nos convidaram para conhecer o lugar. Na primeira noite jogamos uns jogos de tabuleiro, comemos uma pizza e jogamos conversa fora. Bardo e eu já fomos dando umas indiretas e conseguindo algumas respostas positivas.

    Na segunda noite já fomos armados: levamos algumas garrafas de vinho (depois da tequila, vinho é o maior afrodisíaco) e as cordas que o mestre BDSM nos deu. Chegando lá, as meninas estavam jogando Guitar Hero, um jogo de videogame onde você precisa acertar as notas da música no tempo.

    Os meninos da banda se animaram e ficaram jogando, mas Bardo e eu tínhamos outros planos para aquela noite. Começamos com um jantar leve. Comida pesada dá sono e tira o tesão. Depois abrimos as garrafas de vinho e deixamos que elas se entorpecessem, mas não o suficiente para não responder pelos próprios atos.

    Levemente bêbadas, foi só jogar a conversa pro lado do sexo. Contamos sobre o Alexandre e tiramos a corda da bolsa. O interesse foi imediato. Comecei a ensinar elas a passar a corda como as escravas fizeram comigo. Logo estavam se acariciando entre elas, eu tirando uma casquinha e Bardo sabiamente esperando sua hora de jogar.

    O vinho subindo, a pele arrepiando e logo os meninos se viram sozinhos na sala. Levamos as três para o quarto e ficamos nuas para continuar a brincadeira. Bardo foi chegando aos poucos e logo uma delas estava com o pau dele na boca. As outras se animaram e começamos a nos beijar e nos chupar. Elas eram muito bobinhas, não sabiam fazer nada, mas me diverti. Peguei a mais gostosa delas, joguei de pernas abertas na cama e fui com a língua direto no clitóris – para judiar mesmo.

    Ela se contorcia, torcia as coxas e apertava minha cabeça, mas agarrei a bunda dela com as duas mãos de um jeito que ela não podia sair. Chupava como se fosse uma manga madura. Lambia os lábios carnudos, bem rosados e enfiava minha língua lá dentro o máximo que podia.

    Ergui minha bunda e senti uma língua quente entrar em mim, logo em seguida senti uma empurrada. Estávamos em um belíssimo trenzinho. Eu chupando a gostosa, outra menina me chupando e Bardo empurrando ela de quatro enquanto beijava e amassava a outra. É tão bom quando vários corpos se tornam um só.

    Gozei na boca da menina, bem gostoso, dando um squirt na cara dela. Ela riu, nunca tinha visto aquilo. De repente, murros na porta. Os meninos perceberam que estavam de fora e vieram atrás. Não abrimos, deixe os tontos lá fora. Eles bateram tanto que arrombaram a porta. As meninas ficaram furiosas e isso arruinou todo o clima. Idiotas. Nunca tinha visto o Bardo irritado daquele jeito. Ele foi gritando com os dois no carro até em casa. 

    O baterista resolveu receber dois amigos da Alemanha no apartamento e uma namorada fotógrafa que era o dobro do tamanho dele – que já não era dos menores. Já não bastava Bardo e eu comendo mal, caminhando infinitamente, ainda tivemos que dormir no chão. Ao menos aproveitei um pouco a visita: no meio da noite, quando todos dormiam, Bardo e eu pegamos o alemão mais bonitinho e puxamos ele para o banheiro. Ele não falava português e eu não falava alemão, mas sexo é linguagem universal. Ajoelhei, baixei as cuecas dele e mamei enquanto o Bardo comia minha buceta, depois mamei o Bardo enquanto o alemão me comia. Foi gostoso e divertido.

    ***

    Três meses e nada. A mãe do baterista apareceu por lá rodeando o Bardo de novo, mas acho que estava mais interessada em acabar com a brincadeira do filho. Nos deu um prazo para deixar o apartamento. Sem ter para onde ir, o desespero bateu. Voltar para a colônia, nem em pesadelo! Precisava fazer alguma coisa.

    Nesse meio tempo eram comuns nossas visitas ao nosso amigo Garcia, já que a Rua Augusta era pertinho do apartamento. Bardo e eu passamos muitas noites por lá fazendo amizade com as prostitutas e conhecemos muitas mulheres interessantes. Uma delas, que o Bardo era apaixonado, era uma cavalona morena linda. Ela só estava lá nas sextas e sábados e me contava sobre a vida maravilhosa que levava como puta. Sempre muito bem vestida, trabalhava só dois dias na semana e tinha uma vida de luxo. 

    Talvez eu devesse tentar de novo. Conversei com o Bardo e ele, como sempre fez com toda e qualquer ideia doida que eu tive, me apoiou. Fomos juntos para a Maison. Parei na porta, respirei fundo e entrei. Garcia me recebeu com a alegria de sempre, mas dessa vez acrescentou que estava acompanhando nossas redes sociais e que nossas filhas eram lindas, que devíamos trazer elas para São Paulo. 

    Aquele pequeno comentário sobre minha família me arrebentou. A Fada prostituta morreu naquele minuto. Não tive coragem de prosseguir e nunca mais ia tentar nada parecido.

    ***

    Andamos tranquilamente pelo centro de São Paulo, sempre nos cuidando, mas sem medo. Saíamos à noite, voltávamos de madrugada, sempre em segurança. Pelo menos até dar uma volta com alguns paulistas locais que nos colocaram em uma confusão: acabamos sendo assaltados no viaduto Maria Paula e levaram todos os nossos documentos. Foi um inferno. Tivemos que refazer tudo a tempo de pegar nosso vôo de volta para o sul.

    A Fada que sonhava em ser uma grande artista em São Paulo morreu aqui, com a certeza de que fez tudo o que podia ser feito. Talvez só faltasse ser a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa. Não foi o que aconteceu.

    Peguei o vôo e voltei para a colônia. Tive uma crise de pânico quando vi aquelas casinhas alemãs de novo, mas a vontade de ver minhas filhas era maior. Quase não as reconheci, tinham crescido demais em três meses e a influência das nossas famílias tinha arruinado a educação que eu tinha dado. Tivemos que começar tudo do zero. Fiquei muito orgulhosa delas porque as avós tentaram de toda forma levar elas para o cristianismo – minha mãe na igreja católica e a mãe do Bardo no espiritismo Kardecista – e elas resistiram bravamente. Não havia espaço para religião na pequena alma delas e senti que fiz um trabalho bem feito: elas não iam sofrer os desesperos que sofri com essas ideias malucas.

    Bardo arrumou um emprego em um açougue e eu em um bazar. Morando de novo com os pais, só queríamos algum dinheiro para sair dali e ir ao menos para Porto Alegre. Eu tinha certeza que nossa sanidade mental não ia suportar aquilo por muito tempo. 

    Estávamos enfurecidos com a vida. Lutamos tanto por nada. Era deprimente.

    ***

    Alguém comentou com o Bardo que estavam começando algumas redes sociais secretas de pessoas liberais e fomos convidados para uma delas. Um novo mundo se abria. De repente centenas de pessoas que pensavam como nós (ao menos era o que pensamos) apareceram.

    Fomos parar em uma lanchonete de esquina na cidade vizinha. De dia, um lugar de família, à noite, as cortinas baixavam e casais se encontravam lá para confraternizar – pelados. Não acreditamos no que estávamos vendo. Todo esse tempo existia um mundo paralelo que não fazíamos ideia. Começamos a bater papo com os casais. Juízes, advogados, policiais, políticos, todas aquelas pessoas que no interior do estado nos chamavam para as festas. Pessoas que você vê na rua, que faz negócios, que são do seu convívio e que você nunca vai imaginar que gostam de uma putaria.

    Começamos a entender por que nossa banda e nosso discurso não ia para a frente: essas pessoas não podiam se expor, não podiam curtir e compartilhar publicamente suas ideias. Elas precisavam de um espaço seguro onde podiam ser elas mesmas. Era mesmo um universo paralelo do cidadão de bem onde ele podia chupar um pau livremente sem se preocupar com o que a sociedade ia dizer sobre isso.

    Da lanchonete nos convidaram para conhecer uma turma muito animada em um posto de gasolina na colônia. Na época era moda fazer festas em postos de gasolina no final de semana e nesta sexta à noite o lugar estava apinhado de gente. O segredo para encontrar a turma certa era pendurar uma calcinha na antena do carro. Chegamos lá e dois rapazes muito divertidos – a diretoria – vieram nos receber.

    Chegamos em um cantinho mais escuro onde os casais se chupavam no meio dos carros, ali, em público mesmo. Uma loucura. Ficamos muito excitados. Todo mundo nos recebeu com alegria. Bardo puxou o violão e cantamos nossas músicas com todos acompanhando animados. A música era boa, realmente, mas ninguém ouviria elas em público.

    De repente, encosta um caminhão baú. Um casal animadíssimo (espero que leiam o livro, amamos vocês!) desce e abre o baú. Lá dentro, alguns colchões pelo chão. Só acreditava vendo. Vendo, não acreditava. O caminhão virou uma casa de swing e a putaria comeu solta!

    Começamos a frequentar o posto de gasolina e a lanchonete. Bardo começou a escrever um espetáculo para apresentar para esse público discreto. Talvez esse nicho fosse nossa chance de fazer nossa música como queríamos. Esqueci os grandes palcos. Queria tocar para aquele povo animado, onde eu não precisava imaginar que estavam todos nus: eles realmente estavam.

    Desenhamos um show lindo, com músicas que falavam discretamente (ou nem tanto) sobre o tema como Sônia, Poligamia, A Maçã, mescladas com as nossas músicas. O ponto alto do show era um momento em que eu tirava um caralho de papel das cuecas do Bardo e colocava fogo. A galera adorava! Largamos os empregos e começamos a tocar em pequenas festas de swing com sucesso.

    Nosso show era fogo! Curtinho, apenas trinta minutos, mas colocava o povo para pular, arrancar a roupa e se animar. Eu chupava o Bardo no palco (que conseguia continuar tocando violão enquanto isso) e às vezes chamava algumas mulheres para interagir comigo e com ele ali, na frente de todo mundo. Nunca tinha imaginado foder em cima de um palco, com tanta gente olhando, e eu estava alucinada com isso. Foi incrível.

    Recebemos um convite épico: tocar na zona da Tia Carmem. Para quem não é de Porto Alegre é apenas a casa de prostitutas mais famosa do estado. O lugar é imenso, vários andares, muitos quartos, poledance, bares e claro, muita mulher gostosa!

    O público começou a chegar e já achamos tudo muito esquisito: um monte de vovozinhos acompanhados de mulheres siliconadas.Fizemos nosso show, dando nosso máximo, mas as pessoas não gostaram muito das nossas ideias sobre amor livre. Para fechar com chave de ouro cantei Pagú, da Elis Regina: “meu peito não é de silicone” e aí descambou mesmo. Não nos chamaram mais para tocar por lá.

    Já que está no inferno, abraça o capeta, diz o ditado. Terminado o show, Bardo e eu fomos conhecer os quartos. Entramos em um que tinha só um casal transando. Ele nu, ela vestida.

    Era um dos poucos homens com menos de 70 anos por lá e resolvemos compartilhar a cama com eles. Nós nos pegando e eles logo ao lado. “Mesmo ambiente” como dizem no swing. Fui puxando ela aos poucos e joguei para o Bardo que já enfiou o pau na boca dela antes que ela percebesse. Fui para cima do cara com vontade, mas ele estava meio defensivo, sem prestar muita atenção em mim, preocupado com a mulher.

    Bardo tentou tirar a roupa dela mas quando tirou o vestido ela estava usando – literalmente – uma armadura por baixo. Eram umas cintas modeladoras e sabe lá o que tinha por baixo daquilo. As vezes é melhor nem saber. De repente eles se levantaram e saíram correndo.

    Sem mais ninguém interessante por ali descemos de volta pro salão. Uma moça perfeita começou a dançar no pole dance. Todo mundo parou pra ver. Alguém comentou que ela era capa da Playboy e devia ser mesmo, era coisa de revista! Ela começa a olhar pro público ao redor dela e apontar com o dedo. Acompanhando o dedinho dela eu olho para as mulheres: pareciam clones de silicone e vestido tubinho. E eu ali, perdida, depois de tirar o figurino do espetáculo, de vestido romântico florido.

    De repente o dedo dela para em mim. Ela me chama e Bardo praticamente me empurra pra ela. Dei dois passos na direção dela e, em um movimento de braço, arranquei o vestido e cheguei nela completamente nua. Ela me olhou apavorada. Peguei ela pela cintura com uma mão e com a outra no seio. Prensei ela contra o pole dance. Ela deve ter me julgado pelo vestido, pensando que eu era uma menina boba por ali.

    Enfiei dois dedos na boca dela e fiz ela chupar meu dedo. O público ao redor uivava e gritava. Assim que meus dedos ficaram bem babados desci pelo corpo dela e atolei na buceta.  Ela tentava sair sem perder o rebolado do espetáculo.  Agarrei ela pela cintura, puxei contra meu corpo e beijei ela na boca. Fodia ela com os dedos e ela foi esquecendo o público e concentrando em mim.

    Quando percebemos a mulherada tinha pirado e invadido o poledance. Eram mais de trinta mulheres e eu não ia deixar essa oportunidade passar. Larguei a Playboy e comecei a pegar a mulherada, uma por uma. Bardo, nada bobo, já estava chupando uma buceta contra a parede. Eu beijava na boca, dava dedada, apertava peitos e bundas, dançava e misturava meu suor com aquelas mulheres todas. Que paraíso!

    Saímos de lá de manhã. Nunca mais voltamos, mas aproveitamos!

    Mesmo com o público não gostando do show, fomos chamados para o La Luna, uma casa de swing no interior do estado. Era uma casa pequena, de dois andares, com quatro quartos e uma pista de dança. Os donos eram dois casais que – pasmem – não eram swingers. Um desperdício porque eram muito bonitinhos!

    As festas do La Luna eram muito divertidas. Era mais ou menos a mesma turma da região que ia e o povo curtia muito nosso show. Ali eu descobri um grande prazer que só posso ter nessas festas: dançar completamente nua na pista com outras pessoas ao redor. Esses ambientes são seguros, ninguém mexe comigo se eu não quiser, então eu me esbaldava dançando, suava, pulava, gritava, curtia para caralho.

    E ali na pista dançando eu sempre encontrava alguém gostoso – ou gostosa – para curtir uma transa. Eu sempre gostei de transar muito. Não confunda com gostar muito de transar. Sempre gostei de ficar longas horas metendo. Se a pessoa me acompanhasse na maratona eu amanhecia, cruzava o dia, anoitecia, virava o final de semana com o mesmo pau me socando em todas as posições possíveis e imagináveis.

    E nessas festas sempre tinha alguém para me acompanhar. Enquanto o Bardo curtia a variedade – ele sempre transava com seis ou oito mulheres diferentes toda noite – eu pegava alguém e demorava metendo.

    Pois foi no La Luna que encontramos esse casal. Bardo e ela se entenderam rapidinho e logo ele estava com as coxas dela nas orelhas. Ele veio todo tremendo, tímido, para o meu lado. Eu nem estava muito afim. Fiquei de quatro do lado do Bardo e empinei a buceta para o moço. Ele ficou ali atrás tentando fazer alguma coisa mas não conseguiu.

    Isso era comum no swing. Os caras viam o Bardo fazendo malabarismos com as esposas deles e não conseguiam me comer. Vi que ele estava com dificuldade e me virei. Peguei o pau dele, não muito grande, e comecei a acariciar. Chamei a atenção dele pra mim, pra olhar nos meus olhos, e chupei ele com um olhar fixo.

    Senti a animação dele crescer dentro da minha boca. Mesmo com a mulher dele gemendo feito doida no pau do Bardo ao lado ele foi ficando bem teso. Puxei ele para mim e ele encaixou no meu corpo. Estava quente. Colocou uma camisinha e escorregou devagarinho para dentro da minha buceta.  Fiquei mantendo a atenção dele nos meus olhos. A mulher gozava do lado e eu estava criando um universo só pra nós dois.

    Ele deitou em cima de mim, atolou o pau na minha buceta e ficamos ali em um papai e mamãe bem carinhoso. Bardo terminou com a mulher dele e foi para a próxima e nós dois ficamos ali. Beijos, carinhos e o pau entrando e saindo macio da minha buceta. Eu gosto assim. Fui pegando muito gosto por essa metida carinhosa, cheia de beijos, de toque, de vontade. Me molha toda. Fomos rolando pela cama. Os casais mudavam o tempo todo ao nosso redor e nós ali em um mundinho só nosso, fodendo gostoso. Gozei gostoso algumas vezes.

    Quando vimos, amanheceu. Bardo já estava comendo a mulher dele de novo quando nos demos conta que passamos tantas horas ali juntos. Trocamos contato. Vamos nos ver de novo?

    Nesse meio tempo os shows continuavam cada vez mais quentes. Começamos a fazer espetáculos temáticos em datas especiais. Na páscoa me vesti de coelhinha e durante o show fui me lambuzando toda de chocolate. No final chamei todas as mulheres para me lamber até eu ficar toda limpinha de novo. Elas me deitaram no palco e caíram de língua com gosto mesmo. Lambiam, chupavam e vinham me beijar com a boca cheia de chocolate. Bardo, que de bobo nunca teve nada, encheu o pau de chocolate e entrou na brincadeira com as meninas.

    Naquela noite conhecemos o primeiro casal gay em uma festa de swing. Eram dois caras super bonitos e muito simpáticos. Fizemos amizade rápido e logo fomos convidados pra tocar na festa deles. Não sabíamos, mas a festa deles era a mais celebrada de todas. Muita gente ia para lá e era conhecida como “a festa de todas as tribos.” Ficamos muito curiosos e recebemos um pedido especial: uma versão personalizada da música Sônia, do Leo Jaime.

    A festa era em uma enorme sauna gay. Dava para se perder lá dentro, cheio de quartos e corredores. Chegamos bem cedo pra montar nosso som e nosso pequeno palco. Em cada porta de quarto tinha uma placa: quarto bi, gang bang, casais, solteiros e solteiras, BDSM e por aí vai. Dentro de cada quarto havia uma plaquinha com as regras daquele lugar e sobre o que podia e o que não podia.

    Fomos nos maquiar e figurinar em um banheiro com portas de saloon. Saindo de lá, Bardo soltou a porta por acidente e ela bateu bem no ossinho do meu cotovelo. Que dor! Uma moça que estava ali era enfermeira e saiu em busca de um emplastro e uma faixa para colocar no meu braço. Resolvido o problema fomos sentar com essa moça e o marido no lobby e ver o povo chegar.

    Era realmente a festa de todas as tribos. Logo começaram a chegar casais, solteiros, solteiras, grupos, o povo do BDSM com suas roupas de couro e o que mais nos fascinou: as trans. Bardo olhava com admiração aquelas mulheres perfeitas: boca, olhos, peito, bunda e o volume nas calças. Uma, em especial, ele fez questão de ir receber. Ela se chamava Lábios de Mel e tinha uma das bocas mais lindas e perfeitas que já vi.

    Todo mundo lá, vamos ao show!

    O espetáculo foi delicioso! Todo mundo cantou e dançou com a gente, tirando uma casquinha nossa no palco. Cantamos a versão de Sônia que pediram – essa música acabou ficando no nosso repertório pra sempre – e nos divertimos muito. Show encerrado, hora da fodelança. Começamos a caminhar pelos quartos e ver o que acontecia em cada um deles.

    Primeiro fomos ao quarto do Gang Bang. A plaquinha dizia: se uma mulher sentar nessa cama ela está dando permissão para qualquer homem no quarto transar com ela. Credo! Nem pensar numa coisa dessas. Sou seletiva. Mesmo assim quis ficar para assistir. 

    Uma mulher daquele tipo cavala chega. Vestida com uma renda de corpo inteiro vem e senta na cama. Os homens começam a se aproximar devagar. Ela puxa um, abre o zíper e começa a mamar. Os outros se animam com a cena e chegam mais perto, alguns já tirando a roupa. Logo tem quatro, oito, dezesseis mãos percorrendo o corpo dela. Eles pegam nos seios, na bunda, nas coxas, enfiam os dedos na buceta.

    Horrível e nojento – eu pensei. Nunca que eu ia fazer uma coisa daquelas.

    Ela perdeu o controle da situação na mão deles, mas não parecia se importar muito. Como zumbis eles viravam ela em todas as posições e se revezavam metendo ela. Um pau na boca e um na buceta o tempo todo e aquelas mãos todas pelo corpo. Colocaram ela de quatro e mais homens entraram no quarto. Quando percebi, tinham organizado uma fila atrás dela. Um comia, gozava, dava lugar para outro, enquanto outros se revezavam na boca.

    Quando parei de contar ela já tinha levado trinta caralhos no rabo. Em algum momento ela cansou. Se levantou sem cerimônia (para o desespero de quem ainda estava na fila) e saiu. Bardo puxou ela pelo braço. Ela estava coberta de suor. Ele deu um abraço nela e expressou profunda admiração pelo que ela tinha acabado de fazer. Ela agradeceu como se aquilo fosse comum para ela e saiu. Que mulher!

    Fomos então para o quarto BDSM. Já sabíamos o que íamos encontrar, mas fomos surpreendidos. Naquele dia conhecemos a Labiata, que seria nossa amiga por muito tempo. Ela já estava em ação quando entramos. Na cama, amarrada e com uma bola presa na boca. Seis homens ao redor queimando velas na pele dela e dando palmadas. Ela já era uma mulher na casa dos 50, toda linda e com uma cara de puta que dava vontade de chupar só de olhar.

    A coisa foi ficando pesada e violenta de uma maneira que nunca tínhamos visto com nossos amigos de São Paulo. Ela foi pedindo mais e eles foram ficando com a mão pesada. Ela foi enforcada, estapeada e eu quase não consegui olhar quando colocaram ela de quatro no chão. Um cara fodia ela com muita força enquanto outro pisava na cabeça dela. Ela babava e virava os olhos como se estivesse em uma convulsão e eu não tinha certeza se era possível gostar daquilo.

    Um casal gordinho muito divertido estava ao nosso lado e ficamos trocando ideia enquanto a cena se desenrolava. Em algum momento o gordinho teve a genial ideia de pegar uma algema de cima da mesa e, de surpresa, fechou ela nos meus pulsos. Entrei em pânico. Comecei a passar mal e queria sair dali. E quem disse que alguém sabia onde estava a chave da maldita algema? Quase arruinei o rolê do quarto. Suava, chorava e precisava muito sair daquilo. Definitivamente essa brincadeira de constrição não é pra mim. 

    Finalmente encontraram o mestre que tinha as chaves e me libertaram. Fiquei muito puta com o gordinho mas acabamos ficando amigos e andando juntos pela festa.

    Encontramos o Jéferson, meu novo amigo de maratonas do La Luna, com sua esposa e logo éramos um animado grupo andando pelos quartos, junto com o casal de gordinhos e o casal da enfermeira.

    Fomos conferir o quarto bi. As trans estavam lá e Bardo estava muito animado com a ideia. Como as mulheres são bi em qualquer lugar na festa, o quarto estava cheio de homens. Entramos – os meninos com a bunda na parede – e começamos a observar. Era o quarto mais escuro de todos, mal dava pra ver, mas logo encontramos um dos anfitriões da festa. Bardo e eu nos ajoelhamos na frente dele e pagamos um boquete bem gostoso, até que uma trans viu o Bardo e se animou.

    Ela ajoelhou na frente dele e começou a mamar. Ficamos assistindo maravilhados: era um negrão enorme travestido, uma cena pra não esquecer. Bardo estava curtindo o boquete mas procurava ao redor e eu já sabia o que ele queria: Lábios de Mel. Não demorou para ele encontrá-la e ir até ela. Chegou pegando e deu um beijo naquela boca enorme. Ela sentou ele em uma poltrona, ajoelhou e começou a chupar. Ele me olhou de um jeito que eu nunca tinha visto. Estava em êxtase. Ela engolia o pau inteiro como se fosse nada, subia de volta puxando aquele fio de saliva, lambia as bolas, vinha com a língua até em cima, dava uma trabalhada na cabeça e engolia tudo de novo.

    Ele virava os olhos, agarrado nos cabelos dela. Melhor boquete da vida – ele alega até hoje –  e estava lindo de ver. Quando ela percebeu que ele ia gozar, baixou a calcinha. Tinha um pau pequeno e, incrível, estava mole. Puxou o Bardo, ajoelhou na poltrona e mandou ele colocar no cu. A bunda dela era linda. Perfeita. Nenhuma mulher consegue ter uma bunda daquelas! Ele obedeceu sem cerimônia e atolou o pau inteiro no cuzinho. Entrou muito rápido e macio.

    Eu estava amando assistir aquilo tudo. Lábios de Mel me puxou e me abraçou forte – é engraçado porque é uma mulher com força de homem –  e me deu um beijo na boca. Caralho, que lábios de… mel! Fiquei ali beijando ela. Os seios dela nos meus. Aquela boca que era masculina e feminina ao mesmo tempo me deixando confusa. Bardo gozou gostoso na bunda dela e nos sentamos na poltrona. Fiquei assistindo um cara comendo outro de quatro. O gemido dos dois era muito gostoso de ouvir.

    Dali seguimos com nossa turma para os quartos de casais. Fomos para uma cama coletiva e começamos a brincar com nossos amigos. Os maridos vieram todos pra cima de mim e as esposas para o Bardo e nos divertimos muito. A gordinha tinha umas tetas enormes e Bardo adorou ficar brincando com elas e mamando.

    O marido da enfermeira tinha um pau gigantesco, quase não conseguiu entrar em mim. Tive que pedir pro Jeferson e o gordinho darem uma socada primeiro para relaxar. Ele teve que vir com muito jeitinho, de ladinho, pra conseguir encaixar a cabeça, e aí foi empurrando devagar até que entrou tudo. Fazia tempo que eu não brincava com nada daquele tamanho! Do meu lado Bardo revezava as três esposas e ali ficamos até amanhecer. Que delícia de festa!

    Estávamos com uma boa agenda pela frente quando a Boate Kiss pegou fogo. Foi uma desgraça monumental, penso que a maioria das pessoas nunca vai realizar o tamanho do desastre que foi aquilo. Destruiu famílias e muitos negócios ao longo dos anos seguintes. Amigos nossos morreram lá, amigos de amigos, conhecidos e fãs. Além do impacto profundo da perda, todos os nossos shows foram cancelados por conta da nossa performance com o fogo. Muitos dos lugares que íamos tocar foram fechados pelos bombeiros que pararam de fazer vista grossa depois da tragédia.

    A coisa apertou de novo e ainda estávamos presos na casa dos pais, sendo diariamente humilhados e pressionados a ir embora. Cobravam cada refeição e se metiam na educação das meninas. Precisávamos sair de lá de qualquer maneira.

    Uma oportunidade surgiu, vinda do nosso antigo baterista: uma gravadora estava procurando por nós. Será que depois de desistir de tudo é que ia dar certo? Decepção. Eles queriam nos transformar em uma dupla de sertanejo universitário. Para piorar, queriam me separar das minhas filhas: eram nada mais, nada menos, que 28 shows por mês voando pelo Brasil inteiro o tempo todo. Tinha o dinheiro para considerar mas eu não ia cometer esse erro pela segunda vez. Mesmo assim, consideramos.

    Então eles pediram cinquenta mil reais para começarmos. Rimos. Nunca teríamos aquele dinheiro! Lembramos então do Vini e ligamos para ele que disse que pelo que fizemos por ele isso não era nada. Combinamos de nos reunir com ele e a gravadora na semana seguinte mas antes disso o Vini ligou para o Bardo. Eles ficaram por horas no telefone. Vini comentava com o Bardo que nos conhecia bem e que pensava que nossa sanidade mental não ia suportar a rotina da qual ajudamos ele mesmo a fugir. Que não ia valer o dinheiro.

    Ouvimos a experiência dele e desistimos. Podia ser a gente no avião da Marília Mendonça.

    Nesse meio tempo conhecemos muita gente. Entre essas pessoas o casal que era dono do famigerado caminhão-motel do posto de gasolina. Eram uns amores e começaram a nos contratar para as festas que eles davam no interior do estado. Pagavam um pouco melhor e nos davam a viagem e a comida.

    Essas festas foram realmente épicas e dá para escrever um livro inteiro só detalhando o que aconteceu por lá. Bardo, como sempre, curtindo a quantidade. Comia oito, dez, doze mulheres diferentes todas as noites. Já eu sempre escolhia uma pessoa gostosa para foder até amanhecer. Das várias figuras interessantes que se encontravam por lá, uma era uma mulher de 70 anos. Ela tinha tanta plástica que parecia uma menina de 40 e um fogo no rabo que nem um gangbang parecia apagar. Bardo comia ela com gosto. Ela tinha uma bucetinha pequena, apertadinha e muito gostosa de chupar.

    Nessas festas era sempre muito importante usar camisinha, claro, porque tinha muita gente metendo com muita gente. Tinha esse cara, muito gostoso, cabelos encaracolados, com quem eu metia muitas vezes a noite toda. Já eram mais de sete horas da manhã quando eu me encontrei com ele no corredor. Estávamos acabados de tanto meter mas eu ainda tinha fogo. Queria dar para ele pelo menos mais um pouquinho. Joguei ele no sofá e sentei no colo dele, mas nada. Ele estava tão cansado que o pau não subia mais. Minha buceta, por outro lado, estava encharcada e pedindo pau. Fiquei rebolando no colo dele, esfregando no pau dele, molhando ele de suco.

    Devagarinho fui sentindo que ele endurecia e fui ficando ainda mais molhada. Quando ele subiu um pouquinho encaixei a cabecinha na buceta e fiquei pincelando. Minhas pernas arrepiaram e virei meus olhos de tesão sentindo ele bem quentinho no meu clitóris. Ele foi ficando mais duro e eu olhei ao redor: nenhuma camisinha. Não podia arriscar perder aquele pau duro indo buscar uma. Não teve outro jeito: enfiei ele inteiro dentro de mim no pelo mesmo. Ele terminou de endurecer lá dentro, com a cabeça atolada no meu útero. Ele me olhava apavorado: não acreditava que eu tinha feito aquilo. Coloquei o dedo na boca dele, pedindo segredo, e comecei a quicar bem gostoso.

    – Só não goza dentro, tá bom?

    Eu sentava e ele socava. Viramos um corpo só e ali nos demoramos algumas horas. Ele chupava meus seios e eu sentia o pau dele na pele, bem quentinho, socando meu útero. Caralho, que tesão.  Bardo chegou em algum momento e, como sempre gostava de fazer, acariciou meu clitóris enquanto eu metia com outro. Fiquei com medo da reação dele quando percebesse, mas quando viu só me olhou com uma cara de safado.

    – No pelo, hein, putinha?

    Rimos e continuei metendo até que ele voltou me chamando para o almoço. Naquele dia fomos embora de carona com um casal. Ela era uma tetuda muito safada e ele um daqueles caras bem cornos que levavam a mulher para a festa só para assistir ela levando pau. Eram quatro horas de viagem e o corninho estava empolgado com a carona. Sentou no banco do motorista e pediu para que fossemos os três no banco de trás. Foi uma bagunça só. Bardo sentou no meio e começamos a brincadeira chupando ele até não poder mais. Depois fomos revezando no colo dele. O corno vibrava cada vez que ela sentava no pau. Ríamos e gritávamos pra ele tirar o olho do retrovisor e prestar atenção no trânsito. Paramos em um restaurante para comer no final da tarde. Bardo, tadinho, já estava assado, mas o corno não dava paz. Fez ele ir com ela para o banheiro e comer ela de pé contra a pia.

    Chegamos em casa sem pernas.

    ***

    Segundo meus planos, era hora do terceiro filho. Ele ia se chamar Miguel. Mas eu estava insegura. Não tínhamos nada, estávamos pior do que quando a Lavínia chegou. Conversei com o Bardo e depois de muita consideração entendemos que não tínhamos condições físicas, psicológicas e econômicas para engravidar de novo – fora o fato de eu quase ter morrido nas outras duas.

    Eu não ia começar a tomar anticoncepcional, usar um DIU ou qualquer outra coisa. Meu corpo é meu templo e se ele é admirável é por essa relação de respeito que tenho com ele. Sem químicas. 

    Bardo resolveu isso em quarenta minutos: fez uma vasectomia. É uma hipérbole dizer que foram só quarenta. Foram semanas excruciantes de entrevistas com psicólogos e assistentes sociais porque não queriam deixar ele fazer. Existe algum acordo social de que as pessoas precisam ter o maior número de filhos possíveis e tentaram dissuadi-lo de todas as formas. 

    No final, depois de muita insistência e com a premissa de que já tinha duas filhas, liberaram ele. Aí sim foram apenas quarenta minutos, anestesia local, uma beleza – segundo ele. Voltou dirigindo para casa. O osso foi ficar quinze dias sem gozar. Ele me lambia, me chupava, me dava os meus orgasmos mas estava muito de mal humor, subindo as paredes.

    E finalmente eu podia ganhar minha gozada dentro à vontade, sem preocupações. Dali para a frente foi o paraíso!

    ***

    E era o fundo do poço. Sabíamos que dali a coisa só ia descer na vida financeira. Sem a ilusão da fama, dos grandes palcos, precisava seguir em frente de alguma forma. Mas como? Os shows nas casas de swing continuavam pagando uma miséria e, sinceramente, já estava ficando mais do mesmo. Foi em uma festa perto de Porto Alegre que tomamos o balde de água fria: não nos pagaram.

    Sem ter grana nem para ir embora pedimos carona para os gordinhos que estavam com a gente na festa das tribos. Eles nos levaram para casa na colônia e sugeriram que fôssemos morar em Porto Alegre, onde teríamos mais opções de trabalho. Claro que o que eles queriam mesmo era a gente por perto para brincar, o que não era de todo mal.

    Na semana seguinte vieram nos buscar e andamos juntos por toda a capital procurando bares, restaurantes e qualquer lugar que fosse possível tocar. Obviamente eles tinham tudo planejado e o passeio terminou em um motel. Dizer que eram gordinhos é uma forma carinhosa. Eles eram bem alimentados. Não muito nosso tipo mas estavam sendo muito amáveis com a gente e nos ajudando um tanto. Já fizemos sexo por tantas razões antes então, por que não por gratidão?

    Ficamos um tempo os quatro na banheira quente, bebendo e conversando. Mesmo com todos os nossos problemas sempre fomos leves nessas horas e logo estávamos na cama sendo chupados por eles. Bardo e eu amamos isso, quando um casal nos coloca assim, sentados, e nos chupa enquanto só curtimos. Depois de me deixar encharcada ele me colocou de quatro e meteu com vontade. Bardo se divertia – de novo – com os peitões da esposa e deu para ver que o marido ficou um pouco incomodado quando ela pediu pra levar no cuzinho.

    Na semana seguinte lá estavam eles de novo. Agora com uma amiga – também gordinha –  com uma proposta para que eu trabalhasse como corretora de imóveis. Nunca me imaginei fazendo nada que não fosse cantar, mas ela me disse que me dariam estrutura e treinamento e que eu ia ganhar muito bem. Obviamente aquele dia terminou novamente no motel e eu não tinha certeza se a proposta era mesmo para valer ou se a gordinha só tinha ouvido falar da fama do Bardo como comedor de cuzinho, porque ela deu para ele a noite toda, não sobrou nada para ninguém.

    Mas era pra valer e agora eu precisava mesmo morar em Porto Alegre.

    Foi quando Bardo soube de um grupo que se reunia para debater as relações não monogâmicas. Fomos lá para conhecer e ficamos animados. Havia vida intelectual na putaria. Nos encontramos na cidade baixa e batemos um papo muito legal. Aquelas pessoas estavam interessadas em serem livres com suas relações para a sociedade. Era muito mais que putaria, era amor coletivo mesmo. Ficamos extasiados com a ideia, era tudo o que sempre sonhamos.

    De lá fomos para uma casa na zona sul. Mais pessoas. Um bate papo delicioso com cada um contando das suas experiências em tornar suas preferências públicas e como a sociedade batia de volta com força. Ostracismo, demissões, embargos de todos os tipos. Queríamos entender por que o sexo é tão vilipendiado, por que usamos a sexualidade para a publicidade, para vender produtos, e ao mesmo tempo condenamos quem é sexualmente livre e ativo.

    A casa era incrível: construída por um naturista, tinha muros altos, um jardim enorme com um banheiro todo de vidro onde se podia ver as pessoas no banho e uma casa de vidro nos fundos. De lá se via o Rio Guaíba e as montanhas, um belíssimo cenário.

    Comentamos com o dono da casa que precisávamos fugir da colônia e ele disse que precisava de alguém que fizesse a manutenção daquela casa. Nos fez um valor de aluguel muito pequeno e nos deixou morar lá. Conseguimos sair da colônia e ir para a capital, para o meio da vibração da putaria, do swing e das ideias intelectuais de amor livre. De um pesadelo, fomos para um sonho!

    A mudança do pouco que tínhamos foi feita no caminhão baú da putaria. Arrumamos a casa, pintamos e deixamos do nosso jeito. O jardim tinha muitas árvores frutíferas que não estavam dando frutos. O dono da casa era apaixonado pelo nordeste e tinha trazido muitas plantas de lá que drenavam toda a água do solo. Comecei a cuidar fazendo forragem de folhas e compostagem e alguns meses depois tínhamos abacates, caquis e fruta do conde, além das taiobas.

    ***

    Trabalhar estava complicado. A cidade baixa, onde ficavam os bares, estava sendo toda fechada pelos bombeiros e mal tinha espaço para música. As casas de swing estavam passando pelo mesmo problema e até a lanchonete da esquina não estava mais conseguindo fazer os eventos.

    Vivemos com muito pouco. Mal tinha o que comer e depois do terceiro mês já não conseguimos nem pagar o aluguel. Mesmo assim, foi uma época muito feliz. Éramos nós quatro, a família longe sem conseguir se meter e encher o saco. Não matriculamos as crianças na escola. Queríamos recuperar o tempo perdido em São Paulo e alfabetizamos elas em casa. Todos os dias acordávamos cedo, eu preparava um café no jardim e curtia minhas filhotes.

    Estávamos sempre de olho nas oportunidades e encontramos um curso online sobre algo chamado marketing digital. Era sobre como ganhar dinheiro trabalhando em casa, pelo computador, com qualquer produto. Podíamos usar isso para vender nossos shows e espalhar nossas músicas e nossas ideias. O preço do curso era exatamente o valor que tínhamos para o aluguel e a conta de energia e fizemos uma escolha: vamos comprar o curso e ver no que vai dar. Era melhor do que não tentar.

    O curso era uma piada e ao mesmo tempo incrível: o rapaz nos ensinava como tinha nos convencido a comprar o curso. Storytelling, Copywriting, técnicas de persuasão, todo tipo de manipulação da mente humana para vender. Ali vimos o nascimento dessa maracutaia no Brasil e começamos a acompanhar nomes que hoje são famosos nessa pirâmide maluca, com seus sete dígitos em sete dias.

    Na época nos sentimos enganados mas com o avançar das redes sociais fomos entendendo que essas habilidades seriam obrigatórias dali para frente. Ninguém mais consegue resultados sem dominar essas ferramentas. Foi uma sorte ter começado cedo.

    ***

    Começamos a andar muito com o casal de gordinhos da festa das tribos. Eram uns amores de pessoa e ficamos amigos muito rápido. Eles viviam na cidade baixa e ajudaram muito o Bardo quando ele ia para lá bater perna atrás de lugar para tocar. Começamos a nos ver quase todos os dias, nos visitar e eles perceberam que nossa situação não era das melhores. 

    E tinham a amiga que era corretora de imóveis. Ela disse que ser bonita era essencial para o negócio e que se eu tirasse meu CRECI ela poderia me colocar na maior imobiliária da cidade. Fiz um curso meio às pressas e ela me levou lá. Não fazia a menor ideia do que tinha que fazer, mas comecei a levar trufas para vender para o pessoal ou não teria nem o dinheiro do ônibus.

    Todos os dias eu tinha que atravessar um bairro perigoso às cinco horas da manhã para pegar um ônibus na avenida. Aos poucos fui entendendo a função de vender apartamentos na planta para investidores. Era, segundo o que os colegas diziam, o que mais dava dinheiro e muitos deles falavam em ganhar vinte mil reais em um mês – um número completamente surreal para mim.

    Realmente a beleza era uma exigência naquele escritório: era todo mundo lindo. Eu estava amando estar ali no meio daquele povo, ainda mais se pudesse fazer aquela grana também. Finalmente tirei minha habilitação como corretora e pude começar a trabalhar, mas não tinha carro. Meus colegas, muito safados, faziam questão de me dar carona para atender os clientes. Não vendi nada, mas acabei entendendo um pouco mais dessa vida maluca que as pessoas têm.

    Essa insanidade de fazer contas, ter dívidas, correr atrás da máquina o tempo todo para ter coisas e acabar ficando sem tempo para as pessoas que ama e para as atividades que gosta. Aquilo não era – e nunca ia ser – vida para mim por mais dinheiro que se pudesse ganhar.

    Nas caronas ficávamos de papo e eu contava minha história. Alguns se mostravam muito interessados na ideia de amor livre. Papo vai, papo vem, acabei dando uns beijos em uma colega. Muito gostosa, mas ficou só naquilo. Uns dias depois um colega que me dava carona comentou que ela contou para ele e me pediu para contar mais sobre isso.

    – Quer dizer que você é casada mas se quiser me pagar um boquete seu marido fica tranquilo com isso?

    Não quis me demorar muito nos termos. É realmente muito difícil explicar que nunca fui casada. Para a maioria das pessoas é complicado sair do pensamento binário de ou casada ou solteira: existe um universo entre essas duas coisas. Só respondi que sim, já sabendo qual era a próxima pergunta.

    – E você quer me pagar um boquete?

    Eu nem queria, na verdade. Mas ele era um gato e admirei a coragem. Estávamos em uma viela da cidade baixa, era final da tarde e mandei ele encostar o carro ali mesmo. Ele ficou me dedando enquanto eu mamava. Quando ele foi gozar, tirei da boca e ele melou a camisa toda, foi engraçado. Quando cheguei em casa estava animada para contar para o Bardo, sabia que ele ia gostar, mas ele estava com a visita de um casal que conheceu na rede social de swing.

    Eu não sabia ainda mas o Lu, aquele cara sentado no sofá, com uma voz grave e tranquila e um ar de sabedoria seria um dos nossos maiores amigos para a vida toda. Ele nos ensinou a nos organizar como empresa, a cuidar de papelada jurídica e contábil e a desenhar e executar nossos projetos. Ele é um amigo incrível na hora da música, da festa, da putaria e das tretas. Com certeza nossa vida se divide em antes e depois do Lu.

    ***

    Bardo ficava em casa cuidando de tudo. Quando eu chegava sempre tinha alguém por lá, ou do swing, ou do amor livre e eu acabava ganhando uma massagem ou me dando bem de alguma forma. Foi assim no meu aniversário de 29 anos. Cheguei exausta do treinamento e sabia que ele ia aprontar alguma para mim. Estava certa.

    Lá estava ele, Labiata – nossa amiga masoquista, mestre Rick e mais algumas pessoas. Cordas, chicotes, velas e brinquedos espalhados pelo quarto dos fundos. O quarto dos fundos era uma casa que ficava depois do jardim, a casa de vidro que seria batizada como O Matadouro.

    Não teve perdão. Não me deixaram nem tomar um banho. Suada da caminhada me jogaram no tapete, me amarraram e pingaram velas no meu corpo todo. Deixei rolar. Eram muitas mãos me tocando em todas as partes. Carícias leves com os dedos, pegadas fortes, palmadinhas e bons tapas. Labiata sabia que eu gostava da coisa bem leve e foi coordenando a turma pra ninguém me machucar. Logo ela estava com a boca atolada na minha buceta enquanto os outros me lambiam e chupavam os seios, o pescoço e as coxas. Bardo ergueu a bunda dela e começou a meter enquanto ela me chupava e, quando vi, estava com dois paus na minha cara que revezei na chupada. Foram me amarrando toda e quando eu estava completamente indefesa me ergueram no ar e começaram a revezar minha buceta sem piedade. Um entrava e outro saía, entre lambidas e chupadas das meninas. 

    Gozei. Dava jatos de squirt. Labiata se divertia ao meu lado, dando a buceta pro Bardo enquanto alguém pisava na cabeça dela no chão. Pesado, mas ela adorava.

    Satisfeita, avisei os meninos que podia terminar. Me colocaram de joelhos e chupei cada um até o fim. Gozaram meus seios e meu rosto, me cobriram de porra. Fui para o chuveiro de vidro com as mulheres que me deram um banho gostoso e delicado. Minha buceta pulsava, assada. Parabéns para mim.

    No dia seguinte nem queria levantar, mas fui. Precisava mudar minha situação financeira e era o único caminho que eu via. Aquele quilômetro até o ônibus parecia cada dia maior e mais pesado, ainda mais com a buceta ardendo como estava.

    As oportunidades de ganhar o pão de cada dia não paravam de aparecer, mas eu não queria. Era claro que eu queria a grana, queria gastar com um monte de coisas, mas nada parecia ter mais valor do que passar o dia com quem eu amo e fazer novos amigos e amores. Mesmo que para isso tivéssemos que comer só arroz com frango todos os dias de nossas vidas. Eu sabia o que meus amigos e amigas queriam e isso eu tinha pra dar (mas não para vender) de sobra. Meu corpo é nosso, minha buceta era a alma da festa e todo mundo queria dar uma lambida.

    Meus trinta anos se aproximavam e eu comecei a entrar em pânico. A voz dos meus pais dizendo que eu tinha que ter tudo até os trinta ou seria uma fracassada começou a gritar com força. Tinha crises de pânico e mal conseguia me concentrar. Era como se eu estivesse caminhando na direção final, da morte de qualquer sonho futuro que eu pudesse ousar. Eu tentei, dei tudo de mim, mas fracassei e aos trinta anos ia ganhar o prêmio de fracassada definitivo.

    Não ia deixar isso barato. Se fosse para ser uma fracassada eu ia comemorar isso em alto estilo também. Falei com o dono de uma casa de swing que queria dar uma festa lá. Ele topou e disse que todo o dinheiro dos ingressos seria meu. Comecei a ligar para todo mundo que eu conhecia e distribuir convites.

    Fiquei surpresa com a quantidade de confirmações que eu recebia. Desde alunos antigos da escola de música à pessoas que eu jamais imaginaria que iriam à uma casa de swing. No dia da festa estavam todos lá: quinhentas pessoas! Me perguntaram o que eu queria de presente e eu sempre respondia a mesma coisa: miojo. Ganhei mais de 100 pacotes de macarrão instantâneo, sabor galinha caipira (a maioria não acreditou que eu queria isso e me deu outras coisas).

    Subi no palco e olhei todo aquele povo. Dava a impressão de que eu tinha dado impressão. As pessoas vieram mesmo. Todo aquele povo das relações livres, do swing, da música, de toda a minha história, todos ali reunidos. Não parecia algo que uma fracassada realizaria. Bardo e eu cantamos e quando terminamos de cantar descobri que ele tinha aprontado uma surpresa para mim: Labiata subiu ao palco com cordas, velas e um homem de mais de dois metros de altura vestido completamente em couro, com um ziper bem no meio do rosto.

    Me amarraram no poledance e pingaram velas em mim, me acariciaram e me masturbaram com todas aquelas pessoas assistindo. Não sei o que dava mais tesão: os dedos dela atolados na minha buceta ou os olhares atentos, assustados e cheios de tesão do público presente. Quando terminaram comigo, o homem me pegou com uma mão e me colocou nos ombros como se fosse uma pena, mas eu tinha preparado uma surpresa para o Bardo – que também estava nos trinta anos: oito amigas subiram no palco e pagaram um boquete coletivo para ele ao som de Black Number One do Type O Negative – 11 minutos de música e mamada!

    De lá fomos todos para os quartos e eu fiquei na cama coletiva com muita, muita gente mesmo. Todo mundo se pegando, gemidos, suor, saliva, suco de buceta e porra e eu sabia que tinha nascido para aquilo. Muito amor, muito prazer, muita gente sendo feliz sem querer fazer mal à ninguém. Para que mais que isso? Saí de lá realizada e com dinheiro para sobreviver por muitos meses. Larguei a curta carreira de especuladora de negócios imobiliários.

    ***

    Começamos a reunir muitos amigos em casa, mas isso também podia ser enfadonho. Os amigos tinham ciúmes uns dos outros e logo não se davam bem, queriam a gente só pra eles.  O casal do caminhão não gostava dos gordinhos que por sua vez não gostavam do Lu. O pessoal do amor livre não gostava do pessoal do swing, um era alma demais o outro corpo demais e só acabava com ninguém se divertindo.

    Bardo e eu também fomos nos chateando com as pessoas. Com a turma do swing sempre tinha treta. Jogos de ego, ciúmes, traições, casais brigando e se separando no meio da suruba, muita regra e não me toques. A turma do amor livre sempre com muito papo e pouca ação, muita semântica, muitos termos que impediam a comunicação com as pessoas comuns – parecia uma bolha universitária que nunca ia sair dali.

    Nós queríamos leveza. Pessoas que colaborassem com a paz, com o amor e com o prazer sem se preocupar com as idiotices impostas pela sociedade. Aos poucos fomos nos dando conta que as pessoas tinham mais prazer na violência do que no amor. Mesmo no meio da putaria se valorizava a posse e as relações de poder – e não me refiro às prazerosas como o BDSM ou o cuckold.

    Chateados com aquilo fomos fazer o que fazíamos melhor: aumentar o círculo social antes que ele se fechasse ao nosso redor. Começamos a frequentar os bares da Cidade Baixa e da Calçada da Fama e fazer novos amigos e amigas, a maioria deles quadrados ou, como diz o pessoal do swing, preto e branco, ou P&B.

    Foi numa dessas que o casal de gordinhos nos levou como penetras pra uma festa de aniversário e quando entrei lá estava ela. Uma deusa que flutuava pelo salão. Os olhos claros, cabelo preto e liso, uma proporção de seios, cintura e bunda perfeita e uma voz poderosa, de arrepiar. Voz é uma das coisas que mais me deixa com a buceta molhada e a dela era do jeito que eu amo: grave e tranquila.  Aquela voz que você quer que te dê bom dia no pé do ouvido. Mas ela era a esposa do aniversariante, que era um desastre, um cara que eu não pegaria de jeito nenhum.

    Uma pena mesmo.

    Começamos a fazer shows nos bares da cidade e melhorar um pouco nossa condição, mas não durou muito. O incêndio da Boate Kiss tinha deixado os fiscais em polvorosa e os bares estavam fechando um atrás do outro. Em um domingo cedo fomos com um casal de amigos para o Parque da Redenção e lá vimos alguns músicos tocando na rua e passando o chapéu. Por que não tentar? Na semana seguinte voltamos lá com um violão e nenhum equipamento de som. Cantamos e deu certo, tiramos uma grana pra passar a semana. Foi um dia feliz e fizemos um piquenique no lago. Mas as coisas não ficaram mais fáceis. Fazia muito frio no inverno. Chovia. Toda hora algo nos impedia de trabalhar na rua. Conseguimos gravar um CD em casa, fizemos umas cópias e durante a semana saíamos no comércio tentando vender. Deu certo.

    Nesse meio tempo, Bardo descobriu uns pornôs super diferentes: eram diretoras, mulheres, fazendo pornô voltado para o público feminino. Ao invés do costumeiro bate estaca de pau entrando em buceta, boca e cuzinho, elas filmavam as carícias, os toques, os beijos e focavam no orgasmo da mulher. Eram verdadeiras obras de arte e Bardo ficou tão empolgado que escreveu uma música para a diretora alemã Petra Joy. Ela amou e a música foi o tema principal do filme S(he) Comes. Isso nos deu um respiro porque ficamos ganhando royalties em euro por um curto tempo. Infelizmente esse tipo de pornô não emplacou e ela parou de fazer novos filmes.

    ***

    Foi em um terça feira a noite que o convite veio dos gordinhos: a mulher linda da festa de aniversário estava nos convidando pra jantar. Sopa de Capeletti – minha favorita – e não dava pra dizer não para comida naqueles dias.

    Ela veio nos buscar em casa em um daqueles mini coopers. Nunca tinha andado em um carro desses, cheio de tecnologias, foi uma experiência. Chegamos na casa dela, uma mansão de mármore. Linda, enorme. Os gordinhos nos esperavam lá. Ficamos de papo, tomamos a sopa e ela começou a abrir uns vinhos que logo subiram para a cabeça. Ela começou a contar que tinha se separado e que os gordinhos não paravam de falar de nós, que ela estava muito curiosa. Trocamos mais ideias e os olhos dela brilhavam a cada história que contávamos.

    Em algum momento ela se virou pra nós e perguntou, na lata: querem casar comigo? Bardo se encolheu na cadeira, mas logo se recompôs. Parecia uma coisa meio stalker, psicopata, então para aliviar ele foi levando o papo para o lado do sexo. Ela parecia muito afim, mas o plano foi ficando claro: os gordinhos nos colocaram na jogada porque não estavam conseguindo comer ela e pretendiam entrar através de nós.

    Se ela não queria eles antes, continuou não querendo e acabamos indo todos embora de mãos vazias. No domingo fomos tocar na rua e quando chegamos em casa ela nos ligou chamando para a casa dela. Mandou um táxi nos buscar e nos recebeu com guloseimas e muito vinho. A coisa escalou rápido. Logo ela e eu estávamos arrancando a roupa uma da outra no sofá. Ela nunca tinha ficado com uma mulher e estava muito curiosa.

    Bardo, aquele que não é bobo nem nada (eu já disse isso antes?) ficou na dele e deixou ela curtir o momento gay dela. Ela lambeu cada milímetro do meu corpo, chupou meus seios demoradamente e ficou um minuto olhando para a minha buceta como quem toma coragem para chupar.

    Chupou e amou. Não conseguia tirar minhas coxas das orelhas e a língua de dentro de mim. Deu um grito quando eu lavei o rosto dela com um squirt e continuou a chupar por vários orgasmos a fio. No tempo certo, Bardo se levantou calmamente e abriu o zíper da calça. Ele se sentou no sofá. Pau duro como um tijolo.

    Puxei ela e nos ajoelhamos na frente dele. Dei uma lambida daquele jeito que adoro – das bolas até a cabecinha – e ofereci pra ela que não pensou duas vezes e foi com vontade.

    Já tinha percebido que a língua dela era maravilhosa na minha buceta e o olhar do Bardo para mim quando ela atolou o caralho na boca foi de êxtase. Ele também gostou. Ela mamava com fome, com vontade, como quem não colocava um pau na boca há meses. Bardo colocou os braços atrás da cabeça e relaxou, deixando nós duas em um balé de línguas pelo pau duro dele.

    Coloquei ela de pé, de costas pra ele e comecei a beijar aquela boca carnuda e gostosa com gosto de caralho e buceta misturados. Bardo passava a mão na bunda dela de leve, me olhando e admirando, um rabo gostoso, bem redondo, bem firme, uma delícia só. Fui levando ela para o colo dele e ela se sentou bem devagar. Deixou a cabecinha encaixar com leveza, toda molhada, e finalmente soltou e sentou no colo, deixando escorregar tudo para dentro. Ela soltou um gemido muito alto (e meio engraçado). Gozou na entrada, a vadia. Enfiei minha buceta na boca dela de novo enquanto Bardo estocava ela de baixo pra cima, gemendo gostoso. Perdemos a noção do tempo naquela posição deliciosa.

    Bardo colocou ela de joelhos no sofá, montou na buceta e a socou com vontade. Ela chorava de tanto gemer e eu só queria ficar ali naquele momento com eles pra sempre – estava apaixonada. Todo mundo gozou gostoso e nos jogamos no sofá. Ela perguntou o que gostávamos de comer e pedimos uma pizza.

    Fazia de tudo para nos agradar ao máximo. Perguntou se o Bardo gostava de videogames – e ele adora – então abriu uma gaveta cheia deles (herança do ex), ligou a TV e deixou ele curtindo por lá. Enquanto a pizza não chegava ficamos as duas de papo, mas o tesão voltou rápido demais: quando a comida finalmente chegou, Bardo já estava com o pau atolado entre as coxas dela de novo. Tive que ir atender o motoboy de camisola – tadinho dele.

    Metemos por horas e comemos pizza fria. Tudo aquilo parecia um sonho. Aquela mulher linda e fogosa, aquela casa imensa, todo aquele luxo. Pediu para dormirmos lá mas tínhamos nossas responsabilidades. Fez questão de nos levar em casa, bem perto dali. Quando chegamos ela quis descer e conhecer nosso tão famoso matadouro. Mostramos a casa, o jardim, o banheiro de vidro e a casa dos fundos.  O tesão já estava na flor da pele novamente. Ela nos colocou sentados no sofá, um ao lado do outro e nos chupou com leveza e vontade, tomando todo o leite do Bardo antes de ir embora.

    No dia seguinte nós éramos só suspiros. Que metida deliciosa, que mulher gostosa. Só queríamos mais. Mas nos comportamos.  Não ligamos, não procuramos, apenas esperamos. Dois dias depois ela ligou pedindo para irmos para a casa dela almoçar. A família toda. Fomos. Ela esperava com mimos e presentes. Passamos a tarde conversando, tocando piano e cantando, tomando café em uma máquina esquisita que ela tinha lá. Quando a noite caiu fomos nos arrumando para ir embora mas ela não deixou. Convidou para ficarmos para o jantar, quase em um tom de ordem. Ficamos. Jantamos e nos preparamos para ir. Convidou para ficarmos à noite. Passamos a noite e nos deliciamos naquela mulher gostosa mais uma vez.

    Os três na cama pareciam um só. Ficamos sinérgicos tão rápido que parecia que nossos corpos tinham sido feitos como um encaixe. As posições vinham naturalmente. Eu de quatro, Bardo me socando enquanto eu chupava a buceta dela. Ela sentada no pau do Bardo e eu lambendo ele enquanto entrava e saía dela, sentindo o sabor dos dois. Ela e eu em um meia nove, eu de quatro e Bardo socando meu cuzinho enquanto eu explodia em squirts na boca dela.

    Aquilo era o paraíso na terra e eu só queria que durasse pra sempre. Será que dura?