– Fica mais um dia – ela dizia. Aos poucos começamos a buscar nossas roupas, os instrumentos musicais e os brinquedos das meninas. Quando vimos passou um mês. Eu acordava e olhava para o lado. Via o Bardo dormindo tranquilo. Virava a cabeça imaginando que aquilo tudo ia se desfazer diante dos meus olhos, mas ela ainda estava ali. Os seios subindo e descendo com a respiração.
Passava meus dedos pelo corpo dela e via a pele arrepiando. Ela acordava e sorria. Eu enfiava meus dedos na buceta. Ela gemia. Bardo acordava e metia na minha bunda e isso se tornou um ritual matinal. Todas as manhãs, algumas tardes, todas as noites. Era um ménage permanente.
Foi em uma dessas fodinhas matinais que eu fui ao banheiro e, quando voltei, Bardo estava pincelando a bucetinha dela no pelo. Ela estava encharcada e gemia alto. Fiquei olhando ela escorrer suco pelas coxas. Bardo só comia ela usando preservativo e aquilo estava deixando ela louca. Ele encaixou a cabecinha e começou a empurrar devagarinho, mas ela saiu e disse que ainda não era hora.
Ela ficou obcecada com aquilo o dia todo. Falava comigo sem parar, como quem quer se certificar de que estava tudo bem para mim. Garanti para ela que ela podia curtir ele como quisesse, que não era da minha alçada me importar ou não. Ninguém entende isso. Enfim ela se convenceu e, quando a noite chegou, ela quis dar para ele no pelo.
Saímos para um bar. Bebemos Tequila e dançamos. Bardo fazia sucesso entre os homens que chamavam ele e perguntavam se era algum tipo de milionário ou algo assim. Ele ria, se divertia dançando, beijando as duas e se exibindo para todo mundo. Eu dançava com os olhos fechados. Sentia o cheiro do perfume dela. Na minha cabeça eu via só uma imagem: a buceta dela escorrendo a porra do Bardo.
Eu queria muito ver aquilo. Estava só curtindo o momento mesmo, tinha passado o dia todo me masturbando mentalmente pra tirar o máximo disso. Dançando, uma paz tomou conta de mim e, de repente, um fogo intenso. Eu não só queria ver ele explodir dentro dela, eu queria ver agora.
Sem falar nada peguei os dois pela mão e joguei dentro do carro. Voamos para casa. Eu dirigindo e os dois já aos amassos no banco de trás. Ele arrancando a blusa dela e chupando aqueles seios deliciosos. Eu podia sentir o cheiro do pau dele, da buceta dela, dos dois um molhando o outro, tomando conta do carro todo. Pisava fundo, voava pelas ruas. Eu quero ele fodendo ela e eu quero já.
Entramos em casa. Os dois seminus, se beijando e rindo. Senti uma gota de tesão escorrer na minha perna. Subimos as escadas para o quarto aos tropeços, eu enfiando dois dedos na buceta dela, preparando o caminho para ele. Chegamos na cama nus. A tequila ainda fazia efeito e tudo brilhava. Nos beijamos e nos amassamos e eu fui colocando ela deitada com as pernas bem abertas. Ele se posicionou, de joelhos, de frente pra ela. A buceta encharcada, o pau entumecido. Minhas mãos tremiam, minhas pernas tremiam, meus lábios tremiam.
O pau dele a poucos centímetros da buceta dela, pronto para enterrar até o talo no pelo e encher ela de leite. Lambi a buceta dela. Babei toda. Queria ela o mais encharcada possível para que ele escorregasse com delicadeza até a cabeça bater no útero. Chupei o pau dele. Babei todo. Queria ele duro, firme, pra socar ela sentindo o calor de dentro da buceta, sem camisinha para atrapalhar, pelo no pelo até explodir.
Com os dois devidamente prontos peguei o pau dele e aproximei. A cabecinha tocou na buceta e os dois gemeram. Não saberia dizer qual dos três estava mais excitado com aquilo. Ele entrou. Deslizou para dentro. Cada centímetro que entrava, lentamente, me dava um pequeno orgasmo. Foi escorregando até que bateu no fundo. Ela gozou imediatamente, mas eu esperava por um outro momento.
Quando ele puxou pra fora eu entrei em nirvana. Eu via o pau dele saindo da buceta dela puxando o suco dela pra fora. Com os dedos dela atolados na minha buceta, gozei. Ele ficou acariciando meus seios enquanto eu me contorcia na cama. Ele tirou o pau dela e ficou esperando. Estávamos nos torturando o dia todo e sabíamos disso. Não me aguentei em ver o caralho dele todo melado da buceta dela, o gosto dela lá dentro, lá no fundo, esperando para ser saboreado até as bolas.
Chupei. Lambi ele todo. Ela gritava pedindo ele de volta lá dentro mas eu não conseguia tirar da boca. Que sabor era aquele? O gosto do pau dele com o gosto do útero dela. Eu nunca vou esquecer. Como um chiclete, sorvi até perder o sabor e enterrei dentro dela de novo. Mais uma vez ela gozou na primeira metida.
Mas agora era a vez dele e, sem dó, ele montou nela e começou a socar. Enfiei um dedo no cuzinho dela enquanto beijava ela na boca. Ela chorava, gemia e gozava uma atrás da outra. Olhei nos olhos do Bardo. Ele estava em transe. Metia e gritava. Acariciei o braço dele devagar para chamar a atenção sem tirar ele do sentimento. Quando ele finalmente fixou nos meus olhos eu falei: me avisa quando for gozar.
Ele tremeu e eu percebi que girei uma chave. – Agora – ele disse.
Pulei para trás dele e coloquei as bolas dentro da minha boca. Ele gritou de prazer e começou a explodir dentro dela. Eu sentia cada pulsação dele na minha língua, como se a porra voasse da minha boca para a buceta dela. Ele tirou o pau de dentro e vi o leite escorrendo para fora. Senti alguma coisa muito animal, como uma relação de poder, como se ela fosse maior que eu por estar com a porra dele ali, dentro dela.
Voei nele e montei em cima. Não parei até que ele me enchesse também. Cheia de porra e satisfeita, me deitei ao lado dela e fiquei brincando com a porra dele na buceta dela. Agora estamos quites.
Na manhã seguinte a cabeça girava com a ressaca da Tequila. Bardo tinha saído para velejar com o Lu. Os dois andavam juntos o tempo todo, como uma dupla dinâmica, trocando profundas ideias filosóficas, fazendo churrasco e tocando violão. Eles fundaram uma confraria e se encontravam o tempo todo com outros músicos em uma bagunça gostosa. Aproveitava para cantar, já que não precisava mais trabalhar.
Não pensava mais em dinheiro. Ela não me deixava pensar. Me levava no shopping e me enchia de roupas. Me fez escolher um carro novo. As meninas ganharam um quarto lindo, roupas e brinquedos. Bardo virou o monstro do porão: ganhou um estúdio de gravação, instrumentos musicais e uma geladeira de cerveja artesanal sendo reabastecida diariamente.
Eu passava os dias com ela batendo papo. Ela me contava as histórias tristes dos vários casamentos anteriores e se arrependia de não ter nos conhecido antes, lamentava não saber que era possível viver assim. Às vezes, no meio da tarde, ela me levava passear e íamos para um motel, ficar na banheira de hidromassagem e transar só nós duas por horas.
Fui a bons restaurantes, viajamos para a praia. Estava curtindo muito e me sentindo bem. Não era o meu trabalho que pagava por aquilo e sim minha coragem de viver, minha libido e meu enorme tesão por aquela mulher.
Bardo e ela se aproximavam cada vez mais. No início ele passava o dia no estúdio e aparecia só para ser usado como nosso brinquedo. Com o tempo ele aparecia para os papos e os motéis do meio da tarde. A amizade deles cresceu e se entendiam muito bem. Achava aquilo ótimo. Nós três juntos era maravilhoso.
Naquela noite já estávamos metendo por muitas horas, devia ser madrugada. Bardo foi para trás dela, de ladinho, e meteu. Ela deu um pulo. Ficou possuída. Parecia que ele tinha errado o buraco. Não tinha visto ela irritada ainda e não foi uma coisa legal. Ele foi dormir no sofá e ela e eu fomos dormir sem conversar sobre aquilo.
Bardo se escondeu no porão o dia todo. Fui falando para ela que pode ser muito gostoso levar no cuzinho, que se o cara sabe fazer é bom. Ela me contava sobre como tinha doído quando tentou e como os caras tinham sido brutos com ela. E eu contava de todas as vezes que enchi meu rabo de porra e gozei deliciosamente. Aos poucos ela foi ficando interessada. Uma das coisas que amo no pau do Bardo é que ele é grande o suficiente pra buceta e pequeno o suficiente para o cuzinho.
Saímos e fomos para a farmácia comprar lubrificante íntimo. Bardo, no porão, achava que estava de castigo e nem imaginava o que eu estava arrumando para ele. Quando a noite chegou ela já estava toda animada. Subimos as duas para a cama e chupei ela até ela gozar na minha boca. Devagarinho, ia passando a língua no cuzinho e soltando. Quando senti que o rabinho dela começou a pulsar, fui colocando o dedo e fazendo ela relaxar. Chupava a buceta e empurrava meu dedo empapado de lubrificante para dentro dela.
Bardo entrou no quarto e paralisou: ela estava deitada com as pernas arregaçadas, a buceta escorria suco e meu dedo estava todo atolado no cuzinho dela. Dei uma risada solta. Ela viu que ele estava no quarto e quase arrancou meu dedo fora com a apertada que deu no cu. Bardo não perdeu tempo: foi arrancando a roupa e pulou em cima dela. Beijando e apertando os seios enquanto ela relaxava de novo e soltava meu dedo. Com os dois a masturbando, logo o cuzinho estava solto e comecei a socar o dedo de leve. Olhei nos olhos dela e perguntei se estava pronta. – Não sei – ela disse.
Bardo virou ela de ladinho, dei uma chupada no pau dele e melei de lubrificante. Ele encostou a cabecinha e começou a empurrar. Nunca tinha visto um cuzinho ceder daquela maneira. Parecia outra buceta. O pau dele deslizou fácil até o fundo e quando atolou ela berrou de prazer, gozando e jorrando squirts na minha cara. Bardo comeu o cuzinho dela bem gostoso. Eu estava louca para ver ele gozando dentro dela, o pau pulsando e enchendo o rabinho de porra.
Os dois deitaram na cama, rindo. Bardo suspirava e sorriu para mim enquanto eu pegava o lubrificante e passava no meu cu. Era minha vez.

Ela andava comigo pelos cantos, sempre me beijando e me dedando, mas com o Bardo só transava junto comigo. Naquela tarde, Bardo me encontrou no corredor e disse que ela tinha chamado ele para o quarto, sozinho. Ela não tinha comentado nada comigo sobre isso e imaginei que finalmente tinha entendido que não éramos um casal e que podia ter feito isso há tempos.
Ele subiu as escadas e eu fiquei numa boa tocando piano. De repente, senti um comichão. Me molhei imaginando ele comendo ela sozinho no quarto. Como será que ela ia dar para ele? Bem puta, de quatro, ou bem amorzinho em um papai e mamãe com beijos na boca? Tremi. Quando me dei por conta já estava na porta do quarto, doida para espiar.
Bardo me conhece tão bem que deixou a porta só encostada. Empurrei bem de leve com o dedo e ela se abriu em uma fresta. Espiei. Ele fodia ela de quatro, bem cadela, gemendo e rebolando. Ele me viu e sorriu – já sabia que eu ia lá espiar. Enfiei a mão na calcinha e fiquei quietinha me masturbando assistindo os dois. Aquilo ia virar um esporte nos próximos dias. Pegava os dois o tempo todo: no banheiro, no chuveiro, na garagem e no porão. Às vezes só espiava até gozar e às vezes não me aguentava e ia para cima dos dois.
Naquela tarde eles estavam no closet do quarto. Ela de pé escorada em um armário e ele metendo por trás. Fiquei atrás da porta ouvindo os gemidos e a batida da virilha dele na bunda dela. Então ela pediu no cu. De repente, fui tomada de uma luxúria incontrolável. Irrompi para dentro do closet, tirei o Bardo de dentro da buceta e enfiei a língua entre as nádegas. Lambi bem, babei tudo, e mandei ele atolar e socar o rabo dela. Eu gritava para ele socar ela no cu, para encher a puta de porra. Estava descontrolada. Não sei até hoje o que me deu, mas fiz ele levantar ela do chão, metendo forte e gozando nela.
***
Completamos três meses juntos. Entrei no quarto e ela estava com uma cara muito triste, sentada na cama, sozinha. Perguntei o que estava acontecendo e ela disse que nenhuma relação dela ficava boa depois do terceiro mês, que a mãe dela tinha dito que nada dura mais que isso. Disse que ela estava sendo boba e que com a gente ia ser o paraíso para o resto da vida, desde que sempre fôssemos gentis e carinhosos uns com os outros e nunca deixássemos de transar todos os dias.
Mas não adiantou muito. Ela começou a esfriar, a ficar mais distante de mim. Não mudou com o Bardo. Depois de mais algumas semanas começou a negar sexo para mim. Parecia que não ia muito longe. Começamos a nos desentender e ela deixou de ser gentil e carinhosa comigo. Os mimos ficavam todos para o Bardo e para as crianças. Ela dava a impressão de querer me excluir da equação.
Por mim, tudo bem. Enquanto estivéssemos ali, seguros e alimentados, eu podia ficar numa boa com meus outros namorados e namoradas. Mas ela pegou no meu pé. Pediu para fecharmos a relação em só nós três. Bardo não viu mal nisso mas eu não estava bem atendida. Fui ficando bastante triste. O sexo com ela, quando acontecia, já não era mais tudo aquilo e depois de mais um tempo até o Bardo começou a sofrer.
O que acontecia é que íamos para a cama, os três. Era comum metermos as duas e Bardo entrar só com o pau na hora certa. Isso mudou. Agora ela ia para cima dele e fazia questão que ele gozasse dentro dela. Eu ficava naquela sensação esquisita e fazia questão que ele gozasse dentro de mim também. Quando ele terminava de me comer ela já tinha se recuperado e queria mais. E quando ele terminava com ela eu queria mais também. Em algum momento, lá pelas três horas da manhã, Bardo pedia licença, descia as escadas se arrastando e cozinhava um prato de macarrão com bacon e queijo.
Nos dias seguintes ele subia a escada com seis latas de energético e algumas barras de cereal. Começou a perder peso, mas não reclamava e cumpria a missão todos os dias. Ela ainda queria o café da manhã e procurava ele no meio da tarde, mas não era mais divertido encontrar os dois fodendo pelos cantos. E eu procurava ele também.
Chegou uma hora que ele não aguentou mais e pediu para que abríssemos a relação de novo. Ele podia chamar alguns amigos para ajudar, era demais para ele. Ele já andava se escondendo pela casa durante o dia ou saía de manhã e voltava tarde da noite. E eu sabia para onde ele ia: para nossa casa. E ia lá atrás dele, transar no mato.
A situação foi ficando insustentável. Ela e eu começamos a bater boca por bobagem quase todos os dias. Bardo, com seu livrinho de Comunicação Não Violenta debaixo do sovaco, tentava mediar mas já não tinha mais jeito. Ela não só não me queria mais, ela queria o Bardo só para ela.
Quando completamos oito meses resolvi pegar minhas filhas e voltar para casa. Eu sabia que ia voltar para a vida dura de pobreza mas preferia estar assim do que viver brigando. E eu estava seca de vontade de transar com mais alguém. Liguei para o casal gay da festa das tribos e contei como se sentia. Eles deram uma pequena festa na cobertura deles e chamaram os amigos mais queridos.
Aquele ar de traição da minha adolescência voltou, me senti cheia de tesão, mas nem queria transar mesmo, estava exausta de meter, só queria ver gente nua, beijar na boca, chupar um pau diferente um pouco. Chegamos lá e encontramos um grupo pequeno, cerca de vinte pessoas. Pequeno, sim, perto das centenas de pessoas que eles costumavam chamar para suas festas. Bardo logo se encontrou com uma índia que, até hoje, diz que foi a mulher mais gostosa da vida dele. Se jogaram em um colchão no chão e eu via os olhos dele virando enquanto ela chupava ele. Aquelas chupadas molhadas de meter o pau até a garganta e engasgar. Ele alisava ela, passava as mãos nos cabelos lisos e negros, a pele de índia, quente e gostosa.
Logo me vi sentada em uma cadeira, nua, me masturbando e assistindo aquele prazer todo no corpo dos dois. Foi muito bom ver o Bardo comendo outra mulher para variar. Sem que eu percebesse, fui cercada pela festa e quando vi mais seis caras estavam batendo punheta ao meu redor enquanto eu me masturbava. Foi uma visão bonita, era o que eu estava precisando.
Um deles se aproximou de mim e eu, sem perguntar nome ou qualquer cerimônia, coloquei o pau dele na minha boca. Foi como uma bala de caramelo derretendo. Não fazia ideia de como eu estava com saudades de chupar outro caralho. Mamei com vontade, punhetei, lambi as bolas e subi com a língua até a cabeça só pra engolir tudo de novo. Os outros caras ficaram excitados e logo outros paus estavam próximos da minha boca.
Confesso. Eu tinha nojo de gang bang, achava aquelas mulheres sujas metendo com um monte de desconhecidos ao mesmo tempo. Mas naquele dia eu estava cansada da mesma coisa e com um pouco de raiva daquela mulher que estava me limitando.
Foda-se.
Puxei outro cara e comecei a mamar os dois. Logo estava mamando três e comecei a gostar da brincadeira. Fui puxando mais um, mais outro e quando dei por mim estava ajoelhada com seis caralhos na minha cara. Um na boca, um em cada mão e olhando pro próximo que eu queria chupar. Minha boca estava molhada e frenética e eu não sabia quem mamar mais. Bardo continuava fodendo a índia – o marido dela era um dos que eu mamava – e olhava para mim animado com a cena, logo eu, que sempre disse que nunca ia fazer isso.
Alguém me pegou pela cintura e me colocou de quatro. Senti um pau entrar gostoso na minha buceta que já escorria suco pelas pernas e pingava pelo chão. Continuei mamando dois ou três e eles se revezavam na minha boca e na minha buceta. Vi a tarde ir embora enquanto eles metiam sem que eu olhasse para trás pra ver quem era.
Dois me chamaram a atenção, apenas. Um foi um pau mais grosso que entrou e eu senti me preencher toda. Quando ele saiu e veio pra minha boca percebi que era um japonês. Não era pra ser pequeno? Outro foi um enfermeiro que tinha um pau delicioso de chupar e quando ele entrou no meu rabo eu gemi muito gostoso. Era noite quando eu saí do transe. Bardo, exausto, abraçado na índia e sentado em um sofá, assistia o espetáculo. Todos meteram minha bucetinha e gozaram gostoso e quando acabou eu senti que ainda tinha fogo.
Dei uma volta, dei uma beijo no Bardo e na índia, tomei um banho de piscina. Todo mundo bebendo e dançando e minha buceta ainda pegando fogo. Bati o olho na pista e vi o enfermeiro. Peguei ele pela mão e levei de volta pra cama. Ele não acreditava que eu ainda tinha gás. Joguei ele lá e cavalguei, sentei com força naquele caralho gostoso, gemi e banhei ele de squirt. Agora sim, satisfeita, voltei para a pista para dançar e curtir. Me sentia mais leve, tranquila e mais eu mesma.
Não sentia vontade de voltar para ela mais.
***
Bardo deu uma surtada. Ele encontrou um documentário de quatorze horas que explicava cada aspecto da vida humana e como éramos escravizados por nossas ideias mais queridas. Achei meio teoria da conspiração quando ele me disse mas, assistindo, chorei muito. Nós dois sempre tivemos essa ideia de que algo estava muito errado e esse filme dissecava tudo o que sempre conversamos a respeito.
Ele começou a se envolver com um pessoal da permacultura que acreditava poder viver uma vida alternativa e, por conta disso, precisava ficar uma semana no meio do mato e a nossa namorada, que ia bancar a loucura, resolveu que ia junto – mas eu não.
Inicialmente fiquei irritada, mas logo vi uma oportunidade de dar um tempo dela e curtir um pouco uns dias longe. Não queria ficar longe do Bardo, isso nunca tinha acontecido antes, mas talvez fosse bom. Peguei minhas coisas, minhas filhas e voltei para minha casa, mesmo sem ter dinheiro para nada. As avós estavam com saudades das meninas e deixei elas passarem uns dias por lá. Queria pensar na vida, no que eu ia fazer. E claro que sozinha mesmo eu não ia ficar. Sem sexo? Nem pensar.
Peguei minha lista de contatos e comecei a dar uma olhada. Liguei para meus amigos e marquei uma foda diferente por dia. Porém, uns dias antes, acabei fazendo um show e fiquei interessada no baixista da outra banda. Desmarquei minha primeira foda e chamei ele. Era um cara bonitão, mais velho, voz grave, do jeito que eu gosto. Não demoramos muito no papo e no vinho e fomos aos beijos.
Sozinha em casa, aproveitei. Joguei um colchão no meio do jardim, deitei nua sob a luz da lua, abri bem minhas pernas e mandei ele mostrar tudo o que podia fazer com a língua. Ele começou me beijando devagar, o corpo dele pressionando o meu, e logo foi descendo pelo meu pescoço, me arrepiando toda. Se demorou nos meus seios e foi descendo pela minha barriga, me beijando.
Começou a lamber e beijar minha virilha e minhas coxas, devagar e sempre me fazendo arrepiar. Quando ele finalmente chegou lá, minha buceta era só suco. Escorria com gosto e eu sentia cada gota quente descendo pelo meu cuzinho. Ele então foi lambendo ao redor, chupando e mordiscando de leve, explorando cada milímetro de mim com paciência. Eu estava amando aquilo, mas minha buceta já estava pulsando demais, pedindo pau.
Mesmo assim, deixei ele demorar. Ele enfiava a língua lá dentro e então subia até meu clitóris fazendo movimentos circulares. Uma delícia. Eu gemia alto, sem me preocupar com aquela vizinha que gostava de espiar pela janela. Quando vi que era hora, comecei a alisar o pau dele. Estava um tijolo. E era de um bom tamanho. Não aguentava mais de tesão, queria ele dentro de mim, mas também me deu vontade de dar uma chupada.
Pulei pra cima dele, arranquei a cueca e coloquei ele logo todo na boca, sem cerimônia. Muito gostoso, como eu tinha imaginado. Minha buceta não aguentava mais e tive que pedir pra ele colocar uma camisinha: era hora de me foder com vontade. Ele me obedeceu e eu voltei a me deitar e abrir as pernas, oferecendo minha buceta encharcada e iluminada pela lua pra ele meter.
O pau dele escorregou macio e quentinho pra dentro de mim. Caralho, que tesão. Adoro uma chupada demorada e um pau bem duro logo depois. Agarrei ele contra mim e fiquei sentindo ele entrando e saindo da minha buceta. Ele gemia no meu ouvido, eu gemia no dele e ficamos ali, um corpo só, metendo gostoso. Óbvio que lembrei do Bardo, que devia estar comendo aquela idiota em algum lugar e pensando em mim também. Queria que ele estivesse me vendo ali.
Depois de me comer gostoso por muito tempo naquele papai-e-mamãe ele me colocou de quatro, segurou minha cintura e aí sim começou a me socar. Eu não estava nem aí pra quem ia ouvir: gritava e gemia alto, bem gostoso. Mandava ele me socar, mandava ele foder minha buceta com tesão. O pau dele estava uma delícia dentro de mim dando estocadas no meu útero. Gozei muito. A cama ficou toda molhada de squirt.
Amei aquela noite. Combinei com ele de repetir no dia seguinte, mas na outra manhã aconteceu uma coisa mágica. Lembra do meu primeiro namoradinho, o pauzudo que comeu meu cuzinho na frente do diretor? Encontrei ele no Facebook e, por acaso, ele estava vindo para Porto Alegre fazer um curso. Ofereci minha casa para ele se hospedar. Desmarquei com o baixista e com a minha foda do segundo dia. Hoje vai ser dia de relembrar.
É óbvio que eu estava louca pra saber como ele estava, se ainda era aquele moleque que me comia gostoso e, claro, se eu ia aguentar dar meu cuzinho pra ele de novo. Fui buscar ele no aeroporto e levei ele para minha casa. Não conversamos nada de mais no Facebook, foi bem formal, mas eu sabia que ele estava pensando o mesmo que eu.
Quando ele entrou na sala e largou a mala no sofá eu não esperei o papo começar: pulei nele e dei um beijo na boca. Ele ficou espantado, disse que não esperava por aquilo. Não quis saber: ajoelhei, abri o zíper da calça dele e puxei para fora. Que saudades. Atolei tudo o que eu pude na boca e mamei como quem não mamava a anos. Lambi, chupei e punhetei até ele gozar na minha boca.
Aí sim, recebi ele e ofereci um café.
Batemos um papo, contamos sobre nossas vidas, mas eu não estava muito interessada. Eu queria era logo ele comendo minha buceta e já pulei pra cima. Ele estava meio apavorado, meio defensivo, mas eu não liguei. Arranquei a roupa dele, joguei ele no colchão que eu tinha metido na noite anterior – ainda estava úmido de squirt – e subi em cima dele. Ele tentou me parar para colocar uma camisinha. Nem pensar. Uma vez que eu senti no pelo vou querer assim para sempre. Sentei nele quentinho e senti ele me preencher todo, bem gostoso, como eu me lembrava.
Que delícia. Desmarquei minhas fodas da semana toda e o pobre rapaz não conseguiu fazer todas as aulas do curso. Eu só queria meter o dia todo, a noite toda, aquele pauzão me arrombando o dia todo. O tempo todo eu pensava no Bardo. Ligava pra ele todos os dias contando como estava sendo. Ele comendo ela lá no mato e eu dando pro ex em casa. Divertido! Ele pediu para eu filmar, caso o rapaz fosse embora antes dele voltar. Filmei.
No quarto ou quinto dia eu estava toda assada. Minha buceta pulsava e eu queria mais. Fiquei olhando para o pau dele e pensando que, se tinha sido difícil dar o cuzinho quando eu estava soltinha, imagina agora depois das duas filhas, apertada como eu estava. Não ia dar conta.
Então ele começou a enrolar um cigarro. Era maconha. Eu nunca tinha fumado e não tinha o menor interesse em fumar. Enquanto ele fumava eu puxei papo sobre o dia do diretor e rimos muito. Casualmente comentei que não ia conseguir dar o cuzinho para ele mais, que não ia caber. Ele estendeu o braço e, me oferecendo o cigarro, disse que, se eu relaxasse, ia.
Eu sou a louca dos chás e, bem, é uma erva natural, certo? Qual é a diferença entre fumar e um chá? Sei que só estava dando desculpas esfarrapadas e a vontade de dar meu rabinho para ele era imensa. Só não queria sentir dor. Peguei o cigarro e fumei. Me engasguei e tossi. Ele riu. Tentei de novo e foi fazendo efeito. De repente, tudo estava lento e girava devagar. Ele me colocou na cama de ladinho, lambeu meu cuzinho bem demorado e conseguiu colocar o dedo. A sensação era esquisita, não gosto de não ter controle do meu corpo, mas estava relaxado mesmo.
Então senti o corpo dele todo colar no meu e o pau dele abrir espaço entre minhas nádegas. Ele encostou a cabeça e começou a empurrar devagar. Como naquele dia no corredor, cada centímetro que entrava era uma vitória. Doía um pouco, mas não o suficiente para estragar a brincadeira. Finalmente senti a virilha dele na minha bunda. Estava tudo lá dentro. Comecei a rir. Viajando, queria que o Bardo visse aquilo. Queria ver a cara do diretor de novo, estarrecido com aquela rola grossa todinha dentro da minha bunda. Fui rebolando gostoso e demoramos ali. Ele encheu meu cuzinho de porra e dormi, sorrindo.
Bardo já estava louco longe de mim e eu longe dele. Ele me contou que ela estava morrendo de ciúmes dos meus vídeos e estava brigando o tempo todo, então ele resolveu voltar mais cedo. Chegou no final da tarde e me encontrou nuazinha cozinhando para o meu ex, que fumava um e tocava violão na sala. Bardo não quis nem saber: entrou em casa com o pau na mão, me ajoelhou na cozinha e me colocou pra chupar, enquanto cumprimentava o rapaz assustado na sala.
Mamei, aquela mamada com saudade e vontade. Lambi como se não visse aquele pau uma vida toda. Ele gemia e me dizia como tinha saudades. Logo fiz sinal para o ex e chamei ele pra chupar os dois ao mesmo tempo. Ele veio tímido e eu fiquei imaginando se o Bardo ia se melindrar com aquele pau que era quase o dobro do tamanho do dele. Ele nem ligou, ficou curtindo enquanto minha boca revezava em babar os dois.
Logo ele me deixou chupando só o ex e empinou minha bucetinha pra cima. Ergui bem a bunda e ofereci. Apesar de estar toda fodida e ardida eu estava doida pra sentir ele dentro de mim de novo. Ele meteu gostoso. Ardeu um pouquinho mas nem liguei. Fiquei chupando e levando na buceta ao mesmo tempo – eu acho que é uma das coisas mais gostosas do mundo.
Bardo gozou, encheu minha buceta de porra, mas o ex não. Ele estava um pouco assustado com aquilo, eu acho. Jantamos, conversamos um pouquinho e subimos para o quarto. Fomos pra cama e começamos a brincar. Eu de quatro mamando o Bardo e o ex metendo o pauzão na minha buceta molhada. Não tinha contado para o Bardo ainda que ele tinha comido meu cu. Ele nem ia acreditar, ia querer ver, e fiquei com receio de não aguentar uma segunda vez. Mas fiquei com aquilo na cabeça enquanto os dois me fodiam de todo o jeito, a noite toda, e não me aguentei: sabendo o que ia acontecer, contei pra ele.
Bardo me olhou com maldade, olhou para o pau do ex e mandou o que eu já esperava: isso eu quero ver! Sem o cigarro, demorei para relaxar. Primeiro dei o cuzinho para o Bardo enquanto o ex chupava minha buceta, até ficar bem soltinha. Quando senti que dava, me levantei e escorei contra a parede. Contei para o Bardo a história do diretor enquanto o ex entrava bem devagar no meu cu soltinho. Dava pra ver o pau do Bardo pulsando enquanto eu contava a história e o pau entrava, centímetro por centímetro, alargando tudo o que meu cu aguentava.
Finalmente ele conseguiu atolar e ficou metendo devagar. Colocava tudo, deixava um pouco lá dentro, puxava pra fora até a cabecinha e voltava a empurrar. Eu estava em êxtase. Bardo me pegou pelos cabelos e me beijava enquanto eu gemia. Eu rebolava devagar e aguentei firme até ele encher meu cu de porra. Bardo não deu um segundo: quando ele tirou nem deixou a porra sair, entrou logo atrás e gozou também, me deixando toda melada. Fiquei imaginando se ele sentia o mesmo que eu quando eu via ele gozar em outra.
Fomos pra cama e fiquei alisando os dois. Estava extasiada e cheia de tesão, mas minha buceta e meu cuzinho já não aguentavam mais nada. Dormimos. Na manhã seguinte a casa estava cheia: convidei todas as minhas fodas que desmarquei na semana e fomos todos brincar juntos. Bom que as mulheres me ajudaram: eu mal conseguia andar de tanto meter.
A ex estava possuída com o fato de eu ter transado a semana toda enquanto ela estava fora. Não gostou de eu ter ido embora da casa dela, mesmo que ela não me quisesse mais. Bardo revezava as duas casas, passando mais tempo comigo por conta das crianças. Então ela resolveu se mudar para a minha casa. Reformou o matadouro e fez o quarto dela lá. Voltou a pagar as minhas contas e tentou remendar a paz me chamando para dormir sozinha com ela algumas noites.
Eu não queria mais saber mas Bardo me pediu que desse uma chance, afinal, não era fácil encontrar quem nos entendesse, quem se alinhasse mesmo com a gente. Dei uma chance mas o conflito escalou rápido. Acabamos saindo no tapa, ela e eu, sobre alguma discussão idiota. Aquilo foi o limite para mim. Jurei que depois de livrar do meu pai nunca mais ninguém ia ter o direito de ser agressivo comigo.
Pedi que ela fosse embora e ela foi. Para comemorar, dei uma festa no matadouro. Chamei os amigos e amigas e fodemos dois dias inteiros para lavar a alma. Foi um dia especial, filmei tudo. Estavam lá o Jéferson (o amigo maratonista do La Luna) e sua esposa, o casal da enfermeira, o Lu e sua esposa, o baixista e outros amigos maravilhosos. Eu não fazia a menor ideia de como ia viver dali para a frente, mas estava feliz.
Bardo continuou vendo ela. Pensei que era pela grana mas ele realmente tinha visto algo nela que eu não vi. Ela estava sendo amada, mas queria briga. Ele sempre voltava muito triste de lá. Ela dizia que me queria, ficava com ciúmes dos meus amigos e do fato de eu estar namorando o baixista mas não me tratava bem quando me via. Nunca consegui entender onde ela queria chegar com isso.
***
Bardo estava animado com a ideia da permacultura e das ecovilas e começamos a visitar esses lugares e a entender essa vida alternativa de plantar o que se come, de não gerar lixo e poluição e aproveitar tudo. Aprendi mais sobre compostagem e sobre as ervas medicinais que eu valorizo tanto (minha avó polonesa era benzedeira) e comecei a imaginar que talvez fosse a solução para fugir da insanidade pela qual o mundo caminhava.
Conheci um outro cara no grupo de relações livres e ele nos convidou para uma viagem com uma outra galera da permacultura. Topamos a viagem e fomos.
No meio do mato, aprendendo, acabei me aproximando do cara. Vamos chamar ele de Lucas. Quando fomos dormir descobrimos que não tinha cama para todo mundo e Lucas acabou deitando comigo e com o Bardo em uma cama de casal no chão, no meio da galera, em um albergue coletivo. Bardo e eu ficamos excitados e loucos para aprontar. Quando as luzes apagaram me virei de costas para ele e ficamos metendo bem quietinhos, só para ver se alguém ia perceber. Lucas, grudado em mim, percebeu e perguntou no meu ouvido se estávamos transando. Respondi enfiando a mão na cueca dele e batendo uma punheta até ele melar a cueca de porra.
No dia seguinte passei o dia todo batendo papo com ele. Não estava afim de nenhum relacionamento mais profundo, mas ele tinha uma cabeça que parecia muito boa, umas ideias muito legais. Parecia com o Bardo em algumas coisas. Acabamos nos beijando e, à noite, na cama de casal, bati a punheta para o Bardo.
Voltamos para casa e Lucas começou a aparecer por lá todos os dias. Ficava mais na dele quando o Bardo estava em casa e, quando não estava, fazia questão de me comer no matadouro. Era gostoso transar com ele. Tinha o pau pequeno mas eficiente, me lembrava o empresário e era fácil dar o cuzinho para ele.
Nessa época eu tive um problema sério. Um cisto no ovário. Fiquei muito assustada e claro que passou pelo fundo da minha consciência que deus me punia por ser a puta safada que eu sou. O pensamento foi como veio. Era uma merda como essa mitologia tinha ficado impressa na minha vida. Ainda bem que minhas filhas não iam passar por nada disso, esse é o meu legado para a felicidade delas.
Por conta do cisto, fui obrigada a tomar um anticoncepcional por um curto espaço de tempo e, já que tinha que tomar, eu não ia deixar barato. Queria usar aquelas semanas com vontade. Bardo e eu estávamos no centro da cidade e acabamos passando pelo apartamento do Lucas. Ele nos recebeu, mas percebi que não gostou muito de ter ido acompanhada. Ele mostrou um vídeo game e me convidou para ir para o quarto. Eu ainda acho incrível como o Bardo fica sereno, curtindo o momento dele, mesmo que eu esteja fodendo de gritar no quarto ao lado. Eu mesma não tenho essa alma toda.
Começamos a meter e eu disse que ele podia meter sem camisinha. Ele amou a ideia e entrou quentinho na minha buceta. Ficamos ali curtindo por um tempo, mas eu estava incomodada com o Bardo não estar ali comigo. Chamei ele para o quarto. O amigo não gostou muito. Bardo chegou e fiquei mamando ele enquanto o outro me comia de quatro. Quando ele começou a gemer mais alto eu disse que ele podia gozar dentro. Bardo me olhou animado e senti os jatos de porra me preenchendo. Nenhum outro homem além do Bardo tinha gozado na minha buceta até ali – e esse título ainda se mantém apenas para os dois.
Quando ele tirou o pau senti a porra escorrendo por um segundo. Bardo pulou em cima de mim e meteu o pau com vontade, empurrando toda a porra de volta para o meu útero e gozando em cima. Eu estava arrepiada com aquilo, era delicioso demais levar porra de dois, um sobre o outro. Fiquei em êxtase!
Comecei a curtir os dois com frequência – mesmo que Lucas não se mostrasse à vontade com o Bardo. Não queria saber. Eu tinha perdido um pouco o respeito pelas pessoas depois da ex. Me preocupei tanto com ela, amei ela de coração e ela foi má comigo. Então estava mais interessada no meu prazer, por enquanto.
Lucas vendeu o apartamento e foi morar no matadouro. O baixista não gostou nada daquilo e, no meio de uma festa, resolveu terminar comigo. Aquele dia foi um desastre total. Fiquei muito triste e chorei no colo do Bardo. Foi uma cena que ainda acho estranha, o Bardo me consolando no sofá porque terminaram comigo, Lucas no outro sofá me olhando chateado, mas de certa forma feliz porque eu tinha um namorado a menos. A ex no outro sofá aborrecida com a atenção que o Bardo me dava e meio que comemorando meu namorado a menos também.
Mais tarde, uma amiga bebeu um bocado demais e, no ânimo, baixou a calça do Bardo no meio da turma e começou a mamar ele. A ex ficou puta, deu um tapa no rosto do Bardo e saiu porta afora para nunca mais voltar. Um pesadelo a menos, obrigada.
Bardo e eu nos olhamos. Naquele segundo algo se transformou em nós dois. Ele chamou a amiga de volta para o boquete e eu comecei a beijar todo mundo. Para que comer um de cada vez se dá pra comer todo mundo ao mesmo tempo? Naquele dia, eu nem imaginava, nascia o Clube do Amor. Um grupo maravilhoso de amigos liberais que passou a se encontrar todas as semanas para curtir o melhor da vida.
No início éramos seis, depois sete, depois alguém trouxe mais um casal e quando vimos estávamos fazendo festas para oitenta pessoas. As festas começavam “preto e branco.” Um churrasquinho, cerveja e rock n roll. Aos poucos os caretas iam percebendo uma pegação de leve e indo embora, até que alguém puxava um colchão para o meio do jardim e começava a putaria generalizada.
Chegou um momento em que a coisa ficou pública mesmo. Bardo colocava eventos abertos no Facebook convidando quem quisesse chegar e era lindo, só vinha gente legal mesmo. Toda a semana tinha brincadeira, sempre com pessoas novas e alguma loucura.
Foi numa dessas que o Bardo inventou de dizer que um homem é capaz de transar infinitamente se tiver sempre uma mulher diferente, que se um homem acabou de gozar mas uma mulher diferente estimular ele volta e goza de novo. Duvidamos, claro, e fomos à prova: Bardo e seis mulheres. E ele provou seu ponto, fodendo as seis – eu incluída, claro.
Na semana seguinte resolvemos aprontar para ele e trouxemos doze mulheres. E ele foi até a oitava. Sabemos, então, por prova científica, que o limite é oito. Quando viu que não ia dar conta chamou um amigo novo que estava por lá e que tinha trazido um chicote de camurça – e acabou distraindo todo mundo com a brincadeira.
Bardo fazia uma brincadeira aludindo ao Clube da Luta: se é sua primeira vez aqui, você tem que transar! E acabou pegando o nome: Clube do Amor. Eu com certeza não vou me lembrar de todas as fodas e de todo mundo com quem eu transei nos detalhes, perdi a conta de quantos homens e mulheres comemos e nos comeram nesse tempo.
Essa época dava um livro de pura putaria por si só, mas eu tenho algumas histórias favoritas.
Eu estava na cama, extasiada, assistindo a turma metendo na minha frente. Adorava me sentar e ficar bebendo um vinho e olhando aquela pintura grega que se apresentava ali. Bardo, sentado atrás de mim, massageava minhas costas e assistia também. Os dedos dele foram descendo e, cheios de óleo, começaram a acariciar meu cuzinho. Ele sabia que eu não ia dar, mas ficou ali massageando mesmo assim. Depois de um tempo, me deu tesão e uma ideia.
Fui aconchegando minhas nádegas no pau dele, dando a entender que estava liberando o rabinho. Ele foi colocando devagar e ficamos ali uma meia hora só brincando de botar a cabecinha, até que finalmente relaxei e ele entrou todinho. Abri bem minhas pernas e chamei o Lucas. Eu estava nos últimos dias de anticoncepcional e queria aproveitar. Convidei ele para minha buceta e quando ele entrou eu explodi em um gozo muito intenso. Nunca tinha experimentado uma dupla penetração, um caralho no cu e um na buceta ao mesmo tempo e foi incrível. Ficamos ali metendo gostoso por muito tempo, bem relaxada, e os dois gozaram dentro de mim. Fiquei deitada na cama até o dia nascer, sentindo a porra dos dois escorrendo de dentro, cada um de um buraco, me deleitando.
Tinha esse guitarrista que tocava com a gente nas casas de swing às vezes. Ele era bem novo e era um gatinho. Chegamos em casa de madrugada depois de um show e ele precisava dormir por lá. Bardo e eu, safados, arrumamos a cama dele do lado da nossa, nos jogamos e começamos a transar na frente dele. Ele ficou congelado, de pé na porta do quarto, assistindo.
Bardo, safado, perguntava no meu ouvido se eu queria meter com ele. E eu queria. Chamei ele com o dedo. Ele demorou um pouco e veio em passos lentos e pesados. Abri o zíper da calça dele, tirei o pau para fora. Estava mole. Fiquei com pena. Enquanto o Bardo me socava a bunda gostoso eu comecei a mamar ele, na esperança de endurecer, mas nada. Eu normalmente desisto, mas naquele dia ele estava com muita sorte. Puxei ele para a cama, arranquei a roupa e me sentei no pau mole, esfregando minha buceta encharcada como tinha feito com o amigo na casa de swing.
Deu certo. Aos poucos o pau dele foi endurecendo e, quando a cabecinha encaixou na buceta, coloquei ele todo para dentro. Lá dentro, quentinho e molhado, ele finalmente virou um tijolo. Duro mesmo, pau de moço novo. Olhei para o Bardo e disse que ia dar daquele jeito mesmo. Ele meteu gostoso e gozou nas minhas coxas. No ano seguinte esse moço foi um dos meus favoritos nas festas. Ele adorava filmar, mas os vídeos com ele eu perdi quando ele arrumou uma namorada e apagou todos, infelizmente.
Ainda assim ele e o Bardo me deram outra experiência fantástica: em outra festa eu sentava gostoso no guitarrista quando o Bardo veio por trás de mim. Imaginei que ele ia meter no meu cu para eu curtir outra dupla penetração, mas de repente senti o pau dele escorregando para dentro da minha buceta. Os dois estavam ali dentro ao mesmo tempo. Era como se fosse um pau enorme mas se movimentando como dois. Uma delícia total, gozei como louca e fiquei ali até não aguentar mais.
Era divertido fazer esses malabarismos sexuais. Não tão gostoso, mas divertido mesmo. Aproveitei muito essa época para experimentar todo tipo de novidade com meu corpo com homens e mulheres. Gozei muito mesmo e não tenho nenhum arrependimento. Depois de muito experimentar comecei a entender melhor do que eu gostava e o que me satisfazia. Estar na suruba é algo lindo, de uma energia deliciosa, e eu amo esse ambiente de prazer. Às vezes gosto só de pegar um vinho, me sentar em um sofá e ficar assistindo, ouvindo os gemidos, sentindo o cheiro, vendo os peitos arfando e as peles se misturando. Também amo o ménage, seja ele no formato que for. Transar a três é muito gostoso e estimulante!
***
Nossa casa se tornou um ponto de encontro de feministas que se reuniam para discutir políticas, atividades como a Marcha das Vadias e muitas pautas nesse sentido. Eu nunca falava nada, só ouvia. Para mim a ideia de feminismo é a de colaboração entre homens e mulheres, respeitando diferenças e buscando o bem estar de todos. Como diz o ditado: se organizar direitinho, todo mundo transa! E tudo o que eu queria eram homens que me respeitassem antes, durante e depois do sexo, um batalhão de Bardos que me deixassem livre para ser e fazer o que eu quisesse. Para esses homens minhas pernas estarão sempre abertas! Mas essa era a minha ideia, e só minha, pelo jeito que a conversa andava. Com o passar do tempo o discurso foi ficando cada vez mais agressivo e complicado.
Patriarcado, machismo, sororidade, era todo um novo dicionário a se decorar para entrar na roda de conversa e esclarecer as ideias de amor livre deu lugar a explicar termos cada vez mais complexos e bizarros. Não éramos mais homens e mulheres, éramos um oceano de verbetes que prendiam o comportamento à uma definição e não ajudavam em nada: cis, pan, demi – isso se você tivesse o famigerado lugar de fala, claro. As pautas feministas, de raça, de classe, não eram sobre colaborar como humanos e esquecer essas diferenças. Eram sobre vingança, cobrança de “dívidas históricas” e uma busca por vantagens injustas para o outro lado, como se fosse um “agora é a nossa vez.” Como diz o ditado: o escravo nunca sonha em ser livre, ele sonha em ter um escravo.
Bardo começou a se aborrecer com as meninas e as apelidou de feminazis. Aos poucos, os homens começaram a se afastar e o grupo de mulheres ficava cada vez mais assustador, a ponto de andarem com navalhas e escreverem “corto pica” nos muros da cidade. Um dos nossos amigos foi escravizado por um grupo delas em um apartamento e precisou da intervenção da turma para sair de lá. Não vou nem mencionar o absurdo que era ser corrigida por não falar em “termos neutros.”
O pessoal do LGBT (eram só essas letras) também andava por lá e inocentemente imaginamos que seriam abertos à nossa ideia de amor livre. Que nada. Quem diria que logo eles seriam os mais tradicionais. Ciumentos e possessivos, nos excluíram dos seus espaços e, mesmo fazendo parte do B, não era mais bem vinda. Começamos a desconfiar que esses movimentos não estavam a favor do amor, mas de alguma outra agenda, e nos afastamos.
Ficamos felizes quando percebemos que muitas outras pessoas estavam vendo esses movimentos como pouco legítimos, mas nossa esperança também durou pouco. Nossas ideias de amor livre começaram a ser taxadas como, pasme: comunistas. Ficava me perguntando se estava no Brasil ou se tinha sido sugada para a guerra fria nos Estados Unidos. A ideia de acusar as pessoas de comunismo ao menor movimento contra as estruturas tradicionais também evitavam qualquer discussão que levasse ao progresso dos sentimentos e comportamentos. Estávamos presos entre duas filosofias horríveis, vendo nossos amigos divididos, todo mundo errado e ninguém transando.
Lucas mergulhou nessas ideias e vinha com conversas cada vez piores. Começou a se tornar ciumento e possessivo, tinha ciúmes e inveja do Bardo e começou a ter ataques violentos e a quebrar coisas dentro de casa. Bardo, que considerava ele um irmão, dedicou longas horas de conversa, mas não adiantou: em um ataque de fúria ele me pegou pelo pescoço e me prensou contra a parede. Mais um homem que me perdia para as ideias idiotas da época. Ele se foi.
Eu andava muito preocupada com a internet. Cada dia mais as ideias ruins de cada um dos lados cresciam nas redes sociais. Nomes que nunca ouvimos falar se tornaram populares, cada um tentando ser o Adolf Hitler da sua época. Alguns prosperaram, como um deputado do Rio de Janeiro que crescia em cima de falas polêmicas sobre o outro lado e alguns sumiram do mapa, assassinados ou fugindo do país. O que esquecemos de aprender com nosso passado?
Era um bombardeio. Com o app do facebook para telefone e a popularização da 4G as pessoas passaram a ficar com a cara enfiada naquilo o dia todo, absorvendo mentiras e idiotices. Não havia espaço para falar de amor no meio de tanto ódio. Aos poucos essas ideias ruins foram minando nossa turma. Imbecilidades como dizer que você leva o “karma” das pessoas que transam com você, desinformação sobre DSTs e novos “nós contra eles” todos os dias. Logo uma parte do grupo se dizia de direita e não transava mais com quem se dizia de esquerda.
Eu assistia a tudo, incrédula. Pareciam bonecos de marionete.
Não podíamos ficar calados vendo as relações entre as pessoas se destruir daquela forma. Nós lutando por mais amor e as pessoas lutando por causas que não eram delas e desfazendo amores, amizades e até mesmo laços familiares. A quem serve essa distância? Bardo começou a falar com jornais, revistas e canais de TV e acertou em cheio: conseguimos uma participação no programa Superpop da RedeTV! Bardo fez questão de que fosse ao vivo, para que não pudessem editar nossas falas, e eles toparam.
Pegamos um vôo para São Paulo e participamos do programa – você pode encontrá-lo na íntegra no Youtube – e conseguimos dar nosso recado. Foi muito bom! Enquanto aguardamos no camarim, Luciana Gimenez e sua colega foram conversar um pouco. Batemos um papo muito legal e elas disseram que estavam surpresas com nosso nível de esclarecimento, que tinham planejado um programa de polêmica e treta mas que iam nos deixar passar essa mensagem da nossa maneira. Fomos muito bem tratados por elas e pela produção. No dia seguinte, aproveitando nossa presença por lá, participamos de um documentário sobre Poliamor – outra palavra que estava nos irritando – e conseguimos contar mais um pouco do nosso estilo de vida.
Nosso objetivo em publicar essas informações e ter a banda sempre foi só um: mostrar para outras pessoas que existe uma alternativa e que é possível viver fora da monogamia. Nunca tivemos a intenção de mudar a maneira como as pessoas escolhem pensar. Só queremos atrair aqueles e aquelas que já pensam parecido. Mesmo assim, o “nós contra eles” nos alcançava o tempo todo, dificultando a informação. Até mesmo entre o povo do amor livre se criou uma lista de nomes para como cada um via a liberdade: os hierárquicos, os pirâmides, os Ts, os Vs, os paralelos. A liberdade agora tinha que respeitar contratos e ninguém comia mais ninguém.
Mesmo assim, a exposição foi positiva. Pessoas do Brasil todo entravam em contato pelas redes sociais querendo saber mais e querendo contato direto conosco – que é tudo o que queríamos. Bardo fechava mais datas para a turnê, cada vez mais longe, e estávamos animados.
Com uma das nossas namoradas gravamos o primeiro episódio do documentário Amores Livres, do João Jardim, e foi incrível! O diretor foi delicado e entendeu nosso ponto de vista perfeitamente, fazendo uma belíssima edição da nossa entrevista. Também conseguimos algumas aparições locais na TV, rádios e uma entrevista na revista Marie Claire: essa foi um lixo completo. Era para ser um diário de quatro pessoas vivendo um amor livre mas foi recortado e distorcido para parecer uma grande e cansativa treta. Odiamos.
Finalmente, conseguimos contato com a MTV. Eu queria muito estar lá onde ia poder falar de amor e mostrar minha música ao mesmo tempo. Fomos contratados para fazer um reality show chamado Adotada MTV com a Mareu. Ela é um amor de pessoa e mantemos algum contato até hoje, mas o programa não foi tudo o que queríamos. A namorada que gravou o Amores Livres, escolhida para gravar com a gente, arrumou treta a semana toda e isso foi o foco das gravações. O baterista não estava facilitando minha vida naqueles dias também.
***
Nossas viagens pelas ecovilas e cursos de permacultura começaram a se tornar uma grande decepção. O ódio já tinha chegado lá também, assim como tudo tinha sido precificado e virado curso ou “imersões” cada vez mais caras e voltadas à um público de apartamento que só queria mesmo era fugir de um emprego e, ao dar de cara com um lote pra carpir, voltava correndo com o rabo entre as pernas para seu concurso público.
O ápice da decepção foi um grupo de 300 pessoas que resolveu se unir para comprar uma terra e começar uma vila do zero. A ideia era linda e ficamos todos muito empolgados. Começamos a conversar sobre como seria. De repente, alguém se levanta e diz:
– Eu sou cristão e gostaria que houvesse um templo para o meu deus lá. – O pessoal do Hare Krishna concordou, desde que houvesse um templo Hindu também. Mas outros se opuseram alegando que a mitologia era uma das doenças humanas, ideias manipuladoras de opressão. Com isso, a turma se dividiu ao meio e voltamos a nos reunir com os 150 que não queriam religiões por lá. Alguém se levantou e disse:
– Eu sou vegano e não vou viver em um lugar onde se abatem animais. – A galera do churrasco foi à loucura e o povo se dividiu ao meio. Outras questões foram levantadas, como o uso de tecnologias, o acesso à internet, leis, governo e responsabilidades. No final ficamos Bardo, eu e mais um casal – que se separou semanas depois.
Hoje em dia eu tenho maturidade para admirar os nossos governantes. Não é nada fácil organizar uma turma com tantos gostos diferentes em cidades tão grandes em uma democracia, por mais falha que possa ser. Impossível agradar uma pessoa completamente, imagina milhões. Comecei a focar em outra ideia que Bardo viu em um blog: algumas bandas nos EUA e Europa estavam fazendo turnês na casa dos fãs. Para nós a ideia era incrível – ainda mais se pudéssemos tirar uma casquinha desses fãs! Ele começou a lançar a ideia e a começar um financiamento coletivo, chamado Fã VIP Bardo e Fada. Logo os primeiros fãs se inscreveram e uma rota de viagem começou a se formar.
Chamamos o guitarrista que gravou o Lovebox, o outro guitarrista que eu gostava de transar e um baterista e começamos a gravar um novo disco, o Sarcástica Fábrica de Fantasias. Escrevi a música título e também Amores Livres para abrir o disco. Uma fã enviou a letra de Avuá e adicionamos Petra Joy, do filme pornô e Prisão, do nosso disco de 2009. Bardo escreveu as outras canções.
Com pouco recurso, gravando em casa e no meio de uma putaria sem fim, acabamos enrolando por um ano e meio a gravação que era para ter sido feita em semanas. Bardo estava namorando nove pessoas ao mesmo tempo e passava mais tempo metendo que tocando. Eu estava namorando a banda toda e alguns amigos e amigas. A verdade é que aquilo estava bom demais, a turma era muito gostosa e nem dava vontade de ir embora. Por outro lado, já não tinha mais dinheiro para nada, vivíamos de poucos shows, alguns eventos em casa e da grana que os namorados nos davam para ajudar a continuar gravando (ou para nos manter por lá infinitamente).
***
A casa em que vivíamos, aliás, era uma boca de fumo. Deixa eu explicar essa história: a casa dava de frente para um beco. No final do beco era o início de uma favela. Onde os moços da entrega trabalhavam? Na porta da minha casa. Comecei a estranhar aquele movimento ali. Carros caros iam e vinham o tempo todo e os meninos entregavam coisas rapidamente e pegavam dinheiro. Um dia, Bardo voltando do supermercado encontrou os moços sentados na frente da porta fumando maconha. Ele fez uma cara de irritado e gritou:
– Vocês são mesmo uns filhos da puta!
O rapaz levantou e puxou uma pistola. – O que foi que você disse?
– Que vocês são filhos da puta! Ficam aí fumando maconha na porta da minha casa e nem oferecem!
O rapaz desarmou – tanto a pistola quanto o espírito – e caiu na gargalhada.
– Poxa cara, a gente não sabia que tu fumava não! Pega aqui ó.
Bardo não fuma, na verdade, mas a partir desse dia ficamos numa boa com os moços. Eles cuidavam da rua, dos carros estacionados durante as festas e de nós quando chegávamos de madrugada com o equipamento de som. Conversando com eles dava para ver o quanto estavam perdidos, sem nenhuma opção na vida, e eu me sentia muito parecida com eles – com exceção dos tênis e telefones deles que eram muito melhores que os meus.
Os traficantes não se metiam na nossa vida. Eles nunca perguntaram nossos nomes nos três anos que vivemos lá. Mas eles ficavam observando todo aquele movimento de gente e os beijos na boca de chegada e despedida no portão. Foi em um dia que uma namorada nossa chegou para me emprestar o carro. Ela chegou no portão, deu um beijo na boca do Bardo, deu um beijo na minha boca e me deu a chave do carro. Fui embora e ela ficou. Os moços correram para o Bardo perguntar que loucura era aquela e se eu não ia matar ele por beijar outra mulher. Pacientemente ele explicou como funcionava e eles ficaram alucinados com a ideia.
Alguns dias depois, Bardo voltava do supermercado e eu esperava no portão. O chefe dos traficantes pulou de dentro do beco gritando: – Ô gente boa! – (era como ele chamava o Bardo) – vem aqui para eu te perguntar uma coisa! – De repente, como um dragão rasgando o asfalto, a mulher do traficante sai atrás dele, aponta na cara do Bardo e grita:
– Com esse aí tu não fala! Esse aí é má influência! – E levou o moço embora pelo colarinho da camiseta.
Eu só ia entender isso muitos anos depois em São Thomé, mas usar cocaína é muito mais aceito do que ser livre no amor.
A violência crescia cada vez mais em Porto Alegre. Quando mudamos para lá era mais tranquilo. O carro da polícia passava pelo beco, coletava alguma coisa e todo mundo trabalhava em paz. Depois de um tempo os sons de tiro foram ficando cada vez mais comuns e cada vez mais próximos. Deitada na cama, escorada na parede, senti um baque nas minhas costas. No dia seguinte fui olhar pelo lado de fora e o tijolo tinha segurado uma bala perdida que podia ter me matado.
Começamos a treinar Krav Maga com dois oficiais da polícia federal. Eram truculentos e tinham aquele olhar semi vazio de quem já tirou uma vida humana, ou várias. Eles nos contavam histórias sobre uma facção que estava tomando a cidade e que decapitavam os oponentes. Bardo achou que era historinha de terror, até encontrarem uma cabeça na esquina do beco.
Treinar Krav Maga para mim é uma recomendação. Toda mulher deveria fazer. Aprendi a me defender sem força, com técnica, mas a melhor parte foi aprender a mentalidade que me permitiu nunca precisar usar a parte física: o Krav Maga me ensinou a prever uma situação de risco muito antes dela acontecer e evitar problemas ao invés de ter que sair deles. Hoje estou muito mais atenta e não dou mole para ninguém. Isso ia me ajudar muito nos próximos anos de estrada.
***
Foi em um domingo à noite, gravando Avuá, que vimos o tempo fechando ao longe sobre o Guaíba. Uma nuvem escura, relampejando, muito pior do que qualquer tempestade que tínhamos visto antes. De repente, a energia elétrica se foi. O vento batia a porta com força e eu, animada, gritei:
– Piscina!
A piscina era uma daquela de plástico, redondas, armada lá fora. Todo mundo saiu correndo e pulou na água – menos eu. Fiquei olhando a banda e uma fã rindo e se divertindo. Um galho caiu da árvore perto deles e ficaram assustados, correndo para dentro de casa. Sem poder gravar, fomos todos para minha cama e ficamos nos chupando por lá. O baterista começou a dar sinais de ciúmes dos guitarristas e foi sentar em um canto fazendo cara de bunda. Não liguei e continuei me divertindo. Bardo começou a reclamar de febre. A fã e eu curamos ele na bucetada, já estava bem pela manhã.
A tempestade foi horrível. Ficamos dias sem energia elétrica e o parque da cidade foi virado do avesso: árvores centenárias foram arrancadas pela raiz com a força do vento. Vendo aquele cenário caótico resolvemos gravar o clipe de Só Mais Blues e ficou incrível! Ele está disponível no Youtube. Fomos para o parque com outra fã e ela, sem experiência nenhuma, filmou as câmeras móveis. Enquanto fazíamos nosso trabalho, dezenas de homens com motosserras limpavam o lugar e cortavam as árvores. Quando saímos do parque um homem nos abordou, apavorado, perguntando se estávamos lá dentro aquele tempo todo. Explicamos que sim e falamos sobre o videoclipe. Então ele nos disse que aqueles homens com motosserras lá dentro eram presidiários trabalhando na limpeza. Podia ter sido um filme de terror, então, mas foi só engraçado.
Terminamos de gravar e o guitarrista do Lovebox, ao invés de se juntar a nós na turnê, foi embora para o interior para cursar a universidade. Ele ficou responsável pelas mixagens e masterização e nós começamos a fazer os shows que eram ali por perto antes de pegar a estrada para valer. No primeiro show, uma surpresa: o outro guitarrista nos deixou para ficar com a minha ex. Que reviravolta. Bardo largou o baixo e assumiu o violão e o show que era para ser com duas guitarras ficou meio brocha. Mesmo assim fizemos. Não foi como queríamos. Era para ser na casa de uma fã, no aniversário dela, mas ela decidiu fazer em um bar. Tocamos para ela, os amigos dela e nossos amigos e depois do show, quando queríamos fazer uma suruba com a turma toda, o baterista deu um chilique e foi todo mundo para casa.
Continuamos. O segundo show também era para ser na casa de uma fã, mas ela também resolveu fazer no bar. Fizemos o show para ela e os dois namorados dela e mais ninguém foi lá nos ver, nem nossa turma. Um desastre. O terceiro show foi na casa de uma fã – apenas para ela, os pais e a irmã. Não era bem o que estávamos imaginando para essa turnê. Sem os guitarristas por perto, o baterista pegava cada vez mais no meu pé como se eu fosse a namorada só dele. Estava me irritando.
Conversando com os próximos fãs pela internet, Bardo se deu conta de um fato terrível: as pessoas não tinham amigos para convidar para o show nas casas delas. Aquela história de “nós contra eles” estava dividindo tanto as pessoas que já não haviam mais amizades para compartilhar.
Para piorar, Porto Alegre entrou em caos. A polícia, sem receber seu salário, resolveu não sair do quartel e os traficantes resolveram que era hora de trocar os seus líderes. Foi em uma questão de dois dias que todos os moços que faziam as entregas na nossa porta foram assassinados e o chefe deles (aquele que a esposa odiava o Bardo), infelizmente, eu presenciei. Tocava piano na sala com a porta aberta quando quatro homens entraram no beco e descarregaram as armas nele. Fechei a porta horrorizada e morrendo de medo que tivessem percebido o que eu vi.
Todos os dias ouvíamos explosões de dinamite nos bancos ao redor, helicópteros com atiradores de elite sobrevoavam nossa casa, tiros de metralhadora e fuzil eram sons comuns. Não dava para ficar ali mais. Bardo então marcou nosso primeiro show em uma cidade distante, o aniversário de um fã que era daquela turma dos 300 (que não eram nem os de Esparta e muito menos os que iam fundar uma vila).
No dia 16 de novembro de 2016 colocamos o equipamento, as malas e as crianças na Doblô do baterista e pegamos a estrada. Vamos espalhar o amor!
