Capítulo 7 – Horizonte Infinito

Com minha carteira de motorista recém tirada – um sonho realizado – botei o pé no acelerador. Íamos fazer trezentos quilômetros até a cidade onde nosso guitarrista estudava e também onde nosso primeiro fã de longe morava. Estava empolgada. Tudo o que eu tinha estava no porta malas e as pessoas que me importavam estavam dentro do carro comigo.

Os amigos ficaram para trás, mas não era para sempre: saímos com a missão de espalhar as ideias de amor livre, encontrar as pessoas que concordam com isso – e que provavelmente sofrem o que sofremos – e criar uma rede de amores pelo país todo. Era uma questão de tempo, alguns anos talvez, até essa turma ser forte e viajarmos pelo mundo todo em busca dos nossos afins.

Não era uma questão de convencer ninguém. Isso já estava ficando irritante o suficiente na internet e ninguém mais precisava de mais um idiota dizendo que a sua ideia de vida é melhor que a dos outros. O que queríamos era apenas encontrar pessoas com a cabeça já feita para o amor sem as amarras de uma relação a dois.

Saímos de Porto Alegre. Pegamos a Rodovia do Parque e seguimos, como dizem os catarinenses, reto toda a vida! Eu podia sentir o calor do asfalto no meu rosto, o cheiro da estrada e o melhor de tudo: não fazer ideia do que me esperava no horizonte.

Claro que eu tinha expectativas. Era uma cidade conhecida, já tínhamos tocado algumas vezes por lá e tínhamos muitos fãs. Depois de algumas horas de uma viagem tranquila, chegamos na casa do nosso anfitrião. A esposa dele era uma gata, mas ele era da turma da permacultura e não da turma do amor livre, então não tinha certeza se ia poder dar umas mordidas nela. A casa era linda e fomos muito bem recebidos, acolhidos e instalados.

Sentamos à mesa e batemos papo. Bardo e eu sempre tentando puxar a conversa para o amor, mas o baterista e o fã estavam mais interessados em discutir política e a ameaça iminente de um deputado desconhecido que queria ser presidente. Parece que dali não ia sair muita coisa e o baterista me soava cada vez mais como um fardo, alguém que ia atrapalhar muito a missão.

O fã decidiu, para nossa imensa decepção, fazer o show no bar também. Parecia que as pessoas não estavam muito dispostas a abrir suas casas para estranhos, ainda mais correndo o risco de acontecer uma suruba logo depois. Uma pena. Eu fico honestamente chateada com tantas festas que fui na casa das pessoas onde estava tudo bem beber até vomitar o banheiro todo, cheirar em cima da mesa de centro da sala, ter DRs no meio de todo mundo e até sair no soco. Mas foder? Credo, imagina, que horror! Vai entender esse povo.

Meio desanimados, fomos para o bar. Para nossa surpresa, centenas de pessoas na porta, esperando! Que loucura! Entramos no prédio e montamos o palco. Passamos o som e nos sentamos à mesa esperando a hora de começar. As portas abriram e ficamos olhando para ver o bar lotado de fãs animados. É hoje! Não era. Ninguém entrou. Parece que aquelas pessoas lá fora não queriam nos ver, ou não queriam pagar dez reais por isso. Nem a namorada do anfitrião foi. Fizemos o show para o fã e dois amigos do guitarrista. Fiquei imaginando a cena toda. Os primeiros shows vazios e, com o tempo, nosso público aumentando até chegarmos a um estádio lotado. Aquilo me animou e cantei como se estivesse naquele estádio. Foi um show foda! Os amigos do guitarrista me cumprimentaram no final dizendo que fazia muito tempo que não viam uma banda com tanta energia por ali.

Na hora de ir embora o baterista estava tranquilo. Sem público, sem suruba, certo? Voltamos para a casa do fã, largamos o equipamento, peguei o Bardo e saímos. Não ia deixar barato. Não ia fazer um show sem uma putaria depois. Acabamos na casa de um casal que não foi ver nosso show, mas queria a festa.

Estava em um misto de desejo e fúria. Estava com raiva deles porque não foram ouvir minha música, mas estava feliz porque queriam transar. Eu não imaginava ainda o quanto isso ia se repetir. Coloquei os dois de joelhos na minha frente e mandei ela chupar minha buceta e ele meu cuzinho. Fiquei ali, de pé, curtindo e olhando os dois se divertindo comigo. Bardo estava sentado na cama tomando uma cerveja e batendo uma punheta.

Me chuparam até eu gozar. Arrastei os dois para a cama e joguei ela para o Bardo. O marido não me interessava muito, então deixei ele só me chupando a noite toda enquanto Bardo virava ela do avesso. Metemos até o sol nascer. Era assim que eu queria, era assim que ia ser.

Voltamos para a casa do fã e tomamos café da manhã. Ele estava envergonhado pela falta de público no show e eu estava chateada porque nem conseguimos falar sobre as nossas ideias no meio de tanta conversa bosta sobre política. Enfim, não beijei aquela namorada linda dele.

O baterista estava puto com a minha saída noturna e ficava me puxando para os cantos, onde o Bardo não via, e me aporrinhando. Guardamos tudo no carro e, na hora de fechar o porta malas, o mala conseguiu deixar o dedo para trás. Pronto. Agora eu tinha um baterista sem uma mão.

Nos despedimos e seguimos para a próxima cidade, onde um casal de fãs do swing nos esperava. Eram amigos de longa data. Nos conhecemos em uma festa deliciosa no litoral, anos atrás, mas ela estava grávida na época e não rolou nada entre nós. Ainda assim, tenho um vídeo daquela festa. Bardo e eu fodendo uma carioca linda que apareceu por lá. Que mulher deliciosa!

Chegamos e fomos muito bem recebidos e acomodados. Eu podia me acostumar com aquilo. Bardo brincava sobre uma teoria que ele leu uma vez. Ela dizia que se você é uma pessoa agradável e sabe ser discreto, seria um prazer para seus amigos receber você para almoçar uma vez ao ano, talvez ficar para jantar e, por que não, dormir por uma noite. E se você tivesse 365 amigos poderia fazer isso o ano todo sem incomodar ninguém. As pessoas iam até fazer questão que voltasse. Talvez fosse o que ia acontecer conosco dali para a frente.

Essa cidade, por acaso, também era onde morava a lendária Mariana Cu de Beija-flor e Bardo não perdeu tempo: ligou para ela e foi lá se deliciar naquele cuzinho gostoso. O baterista aproveitou a oportunidade para ficar na minha orelha dizendo que aquela viagem não ia dar certo, que não íamos conseguir sustentar, que o Bardo era um idiota e que ia acabar nos matando. Aí que eu fui entender outra coisa que ia se repetir infinitamente: as pessoas tem uma mania muito ruim de pensar que eu faço o que faço porque o Bardo me convence a fazer. Isso está muito errado em todos os níveis possíveis. O Bardo só anda comigo porque me deixa em paz fazendo tudo o que eu quero fazer. Não só isso, ele ainda apoia qualquer ideia doida que eu tenha. Mas adianta explicar?

Dessa vez a festa deu certo. Ou quase certo. O nosso anfitrião, sendo um músico, convidou todos os amigos, também músicos, para a casa dele. Logo umas quarenta pessoas estavam por lá. Teve churrasco, cerveja, animação, bem como imaginávamos. Eram quatro bandas e todas elas tocaram o dia todo. Bardo e Fada era a atração principal e ficamos para o final.

Como ficamos sem os guitarristas e o baterista machucou a mão, tivemos que ser engenhosos. Pegamos as gravações do estúdio e criamos um playback, assim Bardo e eu pudemos tocar só os dois. Ficou bom, mas não era ao vivo. Quando os amigos do anfitrião viram como estávamos fazendo nossa música simplesmente se retiraram. Não ouviram nosso show. Não sei se foi por purismo ou puritanismo, mas foi o que aconteceu. Não fomos ouvidos.

O mesmo aconteceu com nosso bate papo. Era só mencionar amor livre que os casais se agarravam como se fossem vinhas e saíam correndo. Um grupo de gays, amigos da Mariana, chegou a ser deselegante nos xingando e nos chamando de promíscuos. Os mais corajosos já vinham com a ladainha de DSTs e a famigerada “energia do outro que fica na alma.” Não era ali que encontraríamos algum afeto.

A esposa do nosso anfitrião era professora na Universidade e nos disse que estava de férias forçadas. Aparentemente os alunos tinham ocupado a instituição em uma espécie de greve. Pensamos que seria interessante passar por lá. Gente revoltada adora uma ideia fora da caixa. Quem sabe encontramos alguém afim?

Fomos até a Federal e encontramos um monte de alunos acampados por lá. Eles tinham algumas demandas que não estavam sendo atendidas e resolveram se rebelar. O governo parecia não se importar. Não tinha polícia. Sequer algum funcionário. Só os alunos gritando sozinhos uns para os outros. Pedimos aos organizadores se podíamos fazer um bate papo sobre amor livre e acharam o máximo. Bingo! Palestramos sobre nossa relação e sobre como era possível amar e permanecer livre. Fomos bem recebidos e aplaudidos. Não conhecemos ninguém interessado em nós, mas a semente foi plantada e sabe-se lá o que aconteceu com a vida daqueles jovens depois.

Tentamos ter algum momento gostoso com nosso casal de amigos, mas o baterista empatava todas as oportunidades. Comecei a entender que ele não estava na mesma vibração, que só estava fazendo o que todos fizeram até ali: querendo me separar do Bardo e ficar só comigo. Pobre sonhador.

Bardo se divertiu com a Mariana mas eu passei batido. Não peguei ninguém. Show lixo e sem suruba. Não desanimei. Próxima cidade, por favor?

Era a última data marcada: Chapecó, em Santa Catarina, minha cidade natal. Depois disso era sorte. Finalmente íamos sair do Rio Grande do Sul e eu estava extasiada. Por mais que eu tenha feito minha vida ser interessante, aquele lugar para mim era uma âncora, era atrasado, nossas ideias nunca iam florescer lá.

Partimos. No meio do caminho encontramos uma tirolesa de mais de um quilômetro, que atravessa o Rio Uruguai do Rio Grande do Sul para Santa Catarina. A maior tirolesa do Brasil, eles disseram – o que ia virar uma piada recorrente no futuro. Subimos uma montanha em um jipe e pude ver o outro estado lá de cima. Coloquei os equipamentos e voei! Que maneira maravilhosa de entrar para essa outra fase, para esse outro lugar!

Fomos recebidos por um casal de amigos de longa data, um casal super rock n roll e liberal que conhecemos na cidadezinha do interior que vivemos anos atrás e que tinha se mudado para lá. Nos acomodamos. Era uma casa simples e muito animada. Eles tinham filhas e a molecada já saiu para se divertir juntas.

O marido resolveu preparar o jantar. Sentei com o baterista maneta na cozinha e ficamos de papo. De repente, uma batida na parede. Tum. E outra. Tum, tum. E a cadência aumentava. Logo se seguiu um gemido. O marido, sem olhar para o lado, corou. Bardo fodia a mulher dele no banheiro. 

Eu sentada na cadeira da mesa da cozinha, ele cortando legumes e aquele bumbo na parede, ela gemendo e um clima no ar. O baterista me olhava enfurecido. Ele achava uma falta de respeito do Bardo sair comendo as pessoas assim o tempo todo. Ainda mais a mulher do próximo quando o próximo está próximo. O marido não olhava para mim. Com medo? Com vergonha? Não sei. Só sei que aqueles gemidos estavam me deixando toda molhada e eu precisava fazer alguma coisa.

Levantei de ímpeto e fui até o banheiro. A porta estava trancada. Será que bato à porta e corto o clima deles? Achei melhor voltar. Entrei na cozinha e ele finalmente olhou para mim. Percebi que estava com medo de me dizer qualquer coisa e se eu não tomasse a iniciativa ele ia morrer ali de pé.

E eu, cada vez mais, odeio ter que tomar a iniciativa. Mas os gemidos não paravam e a batida na parede ia mudando de lugar. Na minha cabeça Bardo estava fodendo ela em todas as posições possíveis e imagináveis, provavelmente no pelo e ia encher a buceta dela de porra.

Pedi ao baterista que pegasse uma coisa no carro para mim. Alguma coisa que não estava lá, para que ele demorasse procurando. Me levantei e fui até o marido. Virei ele na pia e lasquei um beijo. Ele veio meio mole, meio que sem vontade. Que merda. Meti um foda-se, me ajoelhei e abri o zíper dele, pensando que se tivesse um pau mole ali eu ia dar um soco no saco.

Mas não, o pau estava duro, bem duro. Então era só medo de mim mesmo e isso eu cansei de ver nas casas de swing nos anos anteriores. Peguei com a mão, senti dar uma pulsada e ele soltou um gemidinho meio engraçado. Tentei olhar no olho dele mas não encontrei nada. Então meti na boca.

Tinha dado umas três boas chupadas quando o baterista rompeu na cozinha me xingando de vagabunda, dizendo que Bardo e eu só pensávamos em putaria e que nunca íamos chegar a lugar nenhum assim. Com a gritaria, Bardo saiu do banheiro com a mulher. O cara continuava escorado na pia, zíper aberto e o pau – ainda duro – para fora. Assim que eu gosto, guerreiro.

O bate boca foi longe, o pau acabou morrendo e a janta foi no maior climão. Bardo, como sempre, na maior parcimônia do mundo, acalmando a galera e colocando tudo no lugar. No dia seguinte os amigos dos nossos anfitriões vieram e fizemos um bom show. 

Montamos nosso equipamento e dessa vez ninguém achou ruim usarmos o playback. Eles eram fãs de verdade e cantaram Chifres São Coisas da Tua Cabeça a plenos pulmões! Pularam, dançaram e curtiram. Era isso que queríamos ver! Me animei. Saí realizada do nosso palquinho e ficamos bebendo e batendo papo ao redor da fogueira entre umas 12 pessoas.

Quando me dou conta, cadê o Bardo? A próxima pessoa que procurei foi a esposa. Sumiu também. Já sabia onde procurar. Fui até o banheiro e colei o ouvido na porta. Ela gemia abafado. Dessa vez não quis saber, já estava bêbada e com o tesão reprimido da noite anterior. Meti o pé na porta e peguei ela escorada com as mãos na parede, rabo empinado e Bardo socando sem dó.

Pau no cu deles que não me chamaram. Fui me ajoelhando na frente dela e metendo a boca na buceta. Bardo, muito cordial, tirou o pau pra me deixar chupar a vontade e meteu no cu. Fiquei lambendo e chupando aquela buceta encharcada tomando bolada no queixo.

Dei risada, alto. Era assim que eu tinha imaginado viver dali para a frente. Música, putaria, estrada, repete. Ela gozou na minha boca e Bardo gozou no cuzinho dela. Então finalmente chegou minha vez. Os dois me levaram dali para o sofá da sala – onde de vez em quando alguém passava para pegar alguma coisa – e se dedicaram a me arrancar vários orgasmos e squirts.

Ah, agora sim. Era o que eu precisava para aliviar aquela tensão toda. Eles me dedaram, me chuparam, me foderam. Fiquei esperando que mais alguém passasse por ali e se metesse na confusão, mas não. Pelo menos algumas pessoas se dedicaram a sentar ao redor e assistir, inclusive o marido. Adoro ser observada transando. Gosto de olhar nos olhos do público e passar a mesma energia que passo quando estou cantando.

Quem foi naquele dia viu dois shows.

No dia seguinte era aquela ressaca e buceta ardida. Amo. Estava um calor infernal e ficamos bebendo, fazendo churrasco e batendo papo. Começou a chover e curtimos um banho de chuva nus – menos o baterista, que estava de mau humor e com a mão ainda zoada.

Uma das fãs que estava nos assistindo transar na noite anterior nos convidou para dar uma volta de carro pela cidade. É minha cidade natal, mas fui embora muito criança e não conhecia nada de lá. Vi a estátua do pioneiro e as ruas da cidade, muito bonita!

Então ela começou a dirigir para fora da cidade, disse que queria mostrar uma coisa. Ah amiga, nove de dez passeios assim eu já sei onde terminam e quando ela embocou no motel eu já estava me masturbando no banco de trás. Ela foi corajosa de nos levar até ali, então Bardo e eu agraciamos ela com a iniciativa: entramos no quarto, jogamos ela na cama e começamos a beijar e arrancar a roupa.

Comemos ela de todo jeito e passamos muito tempo na nossa posição favorita: Bardo metendo ela de quatro, ela me chupando, eu agarrada nos cabelos dela olhando ele nos olhos. Não vimos o tempo passar. Era madrugada quando voltamos e o baterista estava subindo as paredes. Bardo tinha um dom com ele e logo ele estava calmo de novo, mas com a carinha de cu que ficou na minha memória para sempre.

Mentira, nem lembro da cara dele.

Ele foi dormir e o casal nos convidou pra “ver uma coisa” no quarto deles. Aí sim, finalmente, terminei o que tinha começado: chupei o pau do marido. Estávamos cansados de tanto meter com a mulher mas não queríamos decepcionar: Fomos até de manhã comendo os dois.

No dia seguinte o anfitrião se ofereceu para me tatuar. Nunca tinha feito uma tatuagem antes, mas tinha muita vontade. Não precisei pensar muito no que queria: tatuei o logo da banda no meu pulso. A cartola do Bardo e as asas da Fada. O baterista, claro, não gostou nada. – E se você se separar dele? Como fica essa marca? – respondi que o que não está colado não se separa. Ele ficou injuriado.

Não tínhamos mais datas marcadas e Bardo estava tentando desenrolar nossa próxima parada. Depois de dormir a manhã toda arrumamos o carro e foi só quando já estávamos rodando que Bardo disse: temos um destino. Uma cidade que nunca mais íamos esquecer.

Chegamos para sermos recebidos pela Mariana. Não a do cuzinho de beija flor, outra Mariana que ia fazer mais parte da minha vida do que eu gostaria. Muito safada e animada, mas hetero e realmente não faz meu tipo, já chegou mamando o Bardo logo depois de nos acomodarmos.

O baterista, ainda com a mão enfaixada, conseguiu quebrar o porta malas da Doblô. Achei ótimo porque ele passou dias procurando mecânico, peças e resolvendo esse perrengue. Alguns dias de descanso depois ela convidou os amigos para ver nosso show na casa dela. Parece que algumas pessoas ainda têm vida social!

Montamos nosso som no canto da sala e tocamos. Foi delicioso. A galera sentada no chão ao nosso redor, bebendo, fumando e rindo. Algumas pessoas muito atraentes me chamaram a atenção. Depois do show estavam todos tão drogados que o bate papo nem rolou. Fiquei só vendo o Bardo tentando organizar a suruba sem sucesso algum.

Me sentei no sofá. Cansada, suada. Ao meu lado uma mulher muito gostosa com uma tatuagem linda de mandala nas costas conversava com outra gostosa, loira, peitinhos pequenos e durinhos. Santa Catarina é o paraíso. Eu sou suspeita para falar, mas as mulheres mais lindas e fogosas que eu conheci eram todas de lá – incluindo eu mesma.

Puxei papo com elas, mas elas foram meio escrotas. E eu, que já estava de saco cheio de tomar fora e de gente com medo de sexo mandei as duas a merda ali mesmo. Tudo bem que não gostem do que eu gosto, mas não precisa ser babaca. Me preparei para entrar em um bate boca.

Mas não. Elas sentiram meu humor e baixaram a bola. Pediram desculpas e começamos a bater papo numa boa. Bardo rolava de um lado para o outro conversando com todo mundo, mas não tinha beijado ninguém ainda e isso era um péssimo sinal. Essa noite não ia longe. Era quase de manhã quando a galera foi embora. Sem suruba. Me contentei em me masturbar assistindo o Bardo fodendo a nossa anfitriã. É o que temos para hoje.

No dia seguinte, mais um show. Dessa vez em um centro cultural com outras atrações além de nós. Foi muito bom também. Lugar lindo, elegante, lotado de gente bonita. As outras bandas eram muito boas. Terminado o show, sentamos na grama e ficamos batendo papo. Bardo, claro, rodando pelo lugar todo espalhando a palavra, como um pastor da suruba conglomerando fiéis.

Quando me dou conta, a moça da tatuagem e a amiga loira sentam do meu lado. Conversa vai, conversa vem e eu nem tentando nada, bem desanimada. Queria ter essa vontade infinita do Bardo. Ele estava em uma mesa com umas oito mulheres. Falava e ria alto, chamava a atenção, todo mundo olhando para ele e rindo também.

E eu ali com as duas, só naquele papo chato de mulherzinha. Fui olhando para o Bardo e me animando. Foda-se, preciso arriscar. Comecei a alisar a perna da loirinha. De início ela deixou, mas dava para ver ela se comunicando com a outra pelo olhar. Se levantou, foi ao banheiro. Fuja, covarde!

Mas não percebi que na verdade ela estava dando espaço para a amiga. Ela começou a alisar minha coxa. Retribuí. – Vamos pra outro lugar? – ela disse. Caralho, finalmente, vamos! Fiz um sinal para o Bardo e ele tinha tudo sob controle. O baterista me olhou torto. Entrei no carro dela e, sem cerimônia, ela dirigiu direto para o motel.

Que mulher linda. Quando ela tirou a roupa fiquei hipnotizada por alguns instantes. Eu só queria chupar ela todinha, da boca ao rabo. Ela veio para cima de mim (amo a iniciativa!) me jogou na cama e colou o corpo dela todo no meu. Deliciosa. Derreti toda enquanto ela me beijava, lambia meu pescoço, chupava meus seios, descia pela minha barriga.

Pegou firme nas minhas coxas e abriu minhas pernas com força. Dei até aquela empinadinha na bunda para oferecer bem minha buceta. Que boca sensacional. Eu não queria sair de lá nunca mais. Não tenho palavras para dizer o quando ela era gostosa, o quanto a língua dela fazia evoluções no meu clitóris e me arrancava arrepios e gemidos profundos.

Logo dois dedos estavam dentro de mim, a língua tesa contra meu clitóris e eu escorrendo suco pelas coxas, pelas nádegas, molhando o lençol. De repente, um squirt no olho dela! Ela se assustou e parou. – Ah, por favor, não – eu pensei. Mas ela riu e caiu de boca de novo, chupando meu clitóris pra arrancar ainda mais. Foi um festival de chuva. Eu colocava a mão no colchão e formava poças.

Não tinha mais forças nas pernas, mas precisava experimentar aquela buceta linda. Pulei para cima dela e comecei a lamber ela todinha. Peitos bem firmes, pele macia e quente, toda deliciosa. Que mulher, caralho, que prêmio que eu ganhei. Ela entrelaçou as coxas atrás do meu pescoço e prendeu minha boca no clitóris dela. Ali eu me perdi.

Saí de lá cambaleando. Ela me deixou em casa, onde o baterista esperava com cara de cu e Bardo socava a anfitriã de quatro no quarto. Sentei em um pufe e fiquei ali assistindo os dois, hipnotizada. Depois de um tempo, Bardo percebeu e, com aquela cara de puto safado, me perguntou como tinha sido. Comecei a contar tudo em detalhes, vendo a menina tirar o pau dele da buceta e pincelar o próprio cuzinho até ele entrar.

Bardo ficou fascinado e quis conhecer melhor a moça da tatuagem. No dia seguinte convidamos ela pra um café. Nos encontramos em uma padaria, batemos um papo que foi parar no naturismo. Ela comentou que havia um parque muito pouco frequentado ali perto onde ela costumava caminhar nua sozinha e se sentia muito segura. Fomos para lá no carro dela. Chegamos, tiramos a roupa e saímos para andar. O papo foi esquentando rápido. Ela contando das aventuras dela, nós das nossas e quando vimos o Bardo caminhava de bandeira hasteada. Ela não se fez de rogada: pegou no pau dele, ajoelhou e começou a mamar.

Fiquei beijando o Bardo, ele acariciando meus seios e só curtindo o boquete delicioso. Ela se levantou e ficamos nos beijando a três, coisa que eu adoro. Como estávamos bem no meio da trilha fomos indo para o meio do mato. Chegando nas árvores, ela me empurrou contra uma delas e começou a me beijar com aqueles deliciosos lábios de mel. O gosto do pau do Bardo na boca.

Bardo veio por trás dela e sem muita cerimônia atolou o pau na buceta. Ficamos os quatro ali, prensados: Bardo nela, ela em mim, eu na árvore. Ela enfiava dois dedos na minha buceta, encharcada, tirava e me fazia chupar. Eu ficava sentindo as empurradas no Bardo naquela bunda perfeita.

Às vezes eu tenho o que o Freud chama de inveja do pênis: quantas vezes eu quis ser o Bardo só pra sentir o útero dessas gostosas na cabeça do pau. Olhei para o Bardo e disse: eu quero chupar a buceta dela. Ele tirou o pau e ficou atrás dela só acariciando enquanto eu enchia minha boca de novo.

Eu me sentia bêbada com o suco dela. Queria parar o tempo ali, ficar ali com aquela buceta quente na minha boca para sempre. Bardo começou a pincelar a bunda dela, batendo uma punheta contra as nádegas. Molhei meus dedos e comecei a acariciar o cuzinho dela. Ela me olhou e riu, já tinha entendido meu plano.

Peguei o pau dele e, sem tirar a buceta da boca, fui encaixando ele no cu dela. Quando ela cedeu para a cabecinha, os três deram um gemido ao mesmo tempo, tão gostoso que quase rimos depois. Bardo atolou no cuzinho e, com o saco indo e vindo no meu rosto, comeu ela gostoso.

Cada vez que ele chegava no fundo ela soltava mais um pouquinho de suco e eu fui enchendo a boca e bebendo ela em goles sonoros, como tinha feito tantas vezes com porra na minha vida. Era tão surreal que gozei chupando ela. Ela gozou na minha boca e Bardo terminou enchendo o cuzinho dela de porra.

Fomos embora flutuando. Agora ele entendia o que eu estava sentindo na noite anterior. Intenso! Chegamos na casa da nossa anfitriã e ela não parecia muito satisfeita. Ficou chateada que eu levei o brinquedo dela naquela tarde e o baterista não parecia interessado em brincar com ela.

Bardo e eu fomos tomar um banho. Estávamos tão alucinados que parecíamos dois adolescentes recém namorados. Ficamos relembrando o que rolou em uma tentativa de dizer um para o outro que aquilo tinha sido verdade. Foi me dando tanto tesão que me virei contra a parede, empinei a bunda e pedi que ele fizesse comigo como fez com ela. Foi uma das vezes na minha vida que dei o cuzinho sem fazer força. Só entrou, meteu, me encheu de porra.

Eu não tinha mais pernas. Bardo mal andava, coitado.

Jantamos e sentamos no sofá batendo papo. A anfitriã insistia que tínhamos que contar pra ela o que aconteceu. Eu tinha medo de começar a falar e ficar morrendo de tesão de novo. Eu tinha tomado banho mas o cheiro dela não saía de mim, não tinha pasta de dente que tirasse o gosto dela da minha boca. Bardo começou a contar. Eu ouvia na voz dele um tremor quando falava de cada cena. Minha buceta foi molhando, o pau dele foi ficando duro, a menina começou a alisar ele.

Logo eu estava me masturbando de novo e ele ganhando um boquete. Ele não parava de contar. Era como se desse para reviver aquilo de novo e de novo.  Mariana enfiava o pau dele na garganta com força, engasgando, como que para fazer ele parar de falar. Mas agora eu queria ouvir. O Bardo, o contador de histórias, me contando de novo – como se fosse um conto de fadas – o que eu tinha vivido.

Então ele revelou que comeu o cuzinho dela. E acabou contando que comeu o meu no chuveiro depois. Aí a mulher pirou: – ah, vai comer o meu também. E foi nesse dia que o nosso sortudo comeu o cu de três mulheres no mesmo dia.

Eu estava apaixonada. Já tinha transado com tanta gente na vida mas nunca tinha ficado em um fogo desses por ninguém antes. Que mulher gostosa. Achei que não ia conseguir dormir. E não ia mesmo. O Bardo ainda comia o último cuzinho do dia e eu olhando para o telefone. Será que eu ligo ou vou parecer uma doida? Mandei um emoji. Ela visualizou. Levou um minuto, para mim foi um dia.

– Oi! – Caralho, falo o que? Levei um minuto, outro dia. Ela continuou.

– Foi bom né? Não paro de pensar em vocês. – Que alívio. Não estava sozinha no sentimento!

– Eu também.

Bardo, ela está vindo me buscar, tudo bem? Tirando o pau do cuzinho depois de gozar gostoso dentro, ele só acena. – Divirta-se!

Fui até o portão esperar por ela e o baterista veio atrás repetir sua ladainha. Eu não conseguia nem ouvir. Minhas mãos tremiam, eu só queria ver ela de novo. Por sorte não demorou muito para ela dobrar a esquina e, se eu pudesse, teria pulado para dentro do carro sem que ela sequer parasse.

Tem essa coisa gostosa de transar muitas vezes seguidas com a mesma pessoa. A primeira é estranha, sempre, uma tateando o corpo da outra como que em busca do gemido perfeito. A segunda vez é pegada, arrancando o máximo prazer possível. A terceira já fica mais carinhosa, como ver um filme pela segunda vez. E foi assim. Vimos um filme juntas, comemos uma pizza, batemos papo, nos beijamos demoradamente e transamos com muito carinho.

O leve roçar das pontas dos dedos procurando pequenos arrepios na pele. Me lembrava de tudo o que a puta da Augusta tinha feito comigo e tentava repetir. Ela arrepiava e suava a cada vez que eu acertava um nervo. Lambi o pescoço dela e desci pelos braços. Lambi a palma da mão e chupei os dedos. Depois ela me jogou na cama de bruços e desceu minhas costas dando leves mordiscadas e, chegando na minha bunda, atolou o rosto entre minhas nádegas fazendo malabarismos com a língua no meu cuzinho.

Assim ficamos, uma descobrindo o corpo da outra, até o sol nascer.

Não conseguia dormir, mesmo exausta. Olhava ela nua e suada na cama. O peito arfava, os mamilos subiam e desciam em câmera lenta. Que vontade de lamber. Ela me contava sobre como estava difícil para uma mulher como ela encontrar pessoas legais e compreensivas. Ela tinha uma boa profissão, se bancava, tinha dois trabalhos, carro próprio, uma casa e um sítio, amava foder como uma louca com homens e mulheres mas não encontrava quem a acompanhasse.

Os homens se sentiam acuados pela iniciativa e pelo poder que ela tinha sobre si mesma. Era apenas sexo casual e, quando ele tentava tomar conta da vida dela ela simplesmente precisava seguir em frente. Me identifiquei. As mulheres antes de nós lutaram tanto por essa liberdade mas penso que nunca imaginaram a solidão que poderia vir com ela. Mesmo assim, vale mais a pena ser livre, com certeza! Com outras mulheres o problema ainda era a aceitação social, da família, o medo de perder o emprego. Ainda vivíamos isso em pleno 2017. 

Ela foi trabalhar sem dormir e eu voltei para a casa da nossa anfitriã. Bardo estava chateado. Uma das namoradas dele estava puta por ele estar longe e sem previsão para voltar, então ele achou melhor se afastar. Para amar assim, é preciso saber viver as distâncias do espaço e do tempo – e por isso múltiplos amores convém!

Outra coisa que preocupava é que as pessoas com quem falávamos todos os dias no ambiente online, nas redes sociais, estavam sumindo ao saber que estávamos mesmo indo vê-las. Estávamos sem um próximo destino. O baterista insistia que deixássemos aquela insanidade de lado, que eu voltasse para Porto Alegre com ele e deixasse o Bardo sozinho com suas loucuras. Não tinha o que convencesse ele de que não era o Bardo, era eu. Eu queria aquilo. Eu não pretendia voltar de forma alguma.

Arrumamos as coisas para ir, mas nossa anfitriã pediu para ficarmos mais uma noite. Ela queria curtir o Bardo um pouco mais. Naquela noite fomos todos para um bar. Bardo sentou-se à mesa com Mariana e os amigos dela, fugindo para um eventual boquete no banheiro. Minha amada não pode vir, então sentei em outra mesa com o baterista e uma menina que queria nos conhecer. Ela era praticante de BDSM pesado. Mostrou algumas fotos dela pendurada em ganchos de açougue em casa, uma loucura! Seria possível sentir algum prazer daquela forma? Era inconcebível para mim, mas eu sei muito bem que cada pessoa é diferente nos seus prazeres e que alguns extremos são mesmo possíveis.

O baterista tentava encantar ela com os papos ruins da internet. Parecia um mantra de alguns caras, que na época eram taxados de “esquerdomachos” ficar falando asneiras sobre como tratavam bem as mulheres e as deixavam livres, como se estivesse fazendo algum favor. Eu bem sabia que não era bem assim e que ele queria mesmo era uma só para ele. De repente, Bardo se aproximou da nossa mesa. Aquele sorrisão, o ar prazenteiro, e se apresentou para a moça. Acabou convidando ela para voltar para casa conosco e ela topou.

Chegando lá, entrando na cozinha, Bardo percebeu que a língua da moça era bipartida e cheia de piercings. Ficou maravilhado e disse que estava muito curiosos sobre como era o beijo dela. A moça topou mostrar, sem cerimônia. Ele escorou ela contra a parede e ficou uns dez minutos amassando e beijando, as mãos correndo pelo corpo e a tensão escalando.

O baterista surtou. Disse que Bardo forçou ela a beijar ele, que aquilo era um abuso, um estupro, e que não podíamos deixar isso assim. Mariana, a menina e eu tentamos explicar para ele que não era isso, mas ele estava resoluto. Bardo, mais uma vez, usou sua magia e acalmou ele. Aquilo quebrou o clima totalmente. A menina foi embora. Bardo dormiu com Mariana e eu com o baterista, sem nenhuma vontade de estar com ele mais.

Na manhã seguinte arrumamos nossas coisas e saímos completamente sem destino. Paramos na cidade seguinte. Olhei para o Bardo e perguntei qual era o plano. – O plano é não olhar para trás – ele disse. Pegamos o equipamento de som, montamos em uma praça no centro da cidade e começamos a tocar. Só os dois, voz e violão, como nos domingos do  Parque da Redenção. Logo algumas moedas caíram na cartola. Depois algumas notas. Será que daria dinheiro para um hotel para cinco pessoas? Continuamos tocando. Bardo pegou o microfone, contou um resumo da nossa história e perguntou: – Alguém aqui pode nos receber para dormir?

Insano. Imagina se alguém ia receber uns malucos mambembes dentro de casa! Pois me enganei: um casal se aproximou e disse que podia nos receber. Seguimos o carro deles até uma casa muito bonita, simples, em um bairro. Nos deram um quarto e nos amontoamos por lá. Eles eram pessoas maravilhosas. Ele era narrador de rodeio e ficava fazendo rimas alucinantes e tocando um berrante dentro de casa. Rimos muito. Ela era uma deusa catarinense, loira, olhos azuis, toda gostosa!

O baterista puxou Bardo para um canto e avisou que não era para comer a mulher, que ia ser uma falta de respeito grande demais com estranhos que nos receberam assim, do nada. Bardo riu, mas concordou.

Propomos à eles dar uma festa e chamar os amigos. Eles toparam! Acabamos ficando por alguns dias até chegar a sexta feira. Os dois trabalhavam o dia todo então ficávamos sozinhos em casa. Íamos tocar na praça, levantar o caixa. Naquela semana o ex-guitarrista finalmente mandou a masterização do disco. Ficou uma merda. Odiamos. Esse disco ficou guardado em um HD e chamamos ele de disco morto. Ficamos muito tristes pelo trabalho todo despendido por um resultado tão ruim. Teria que refazer tudo, só não sabíamos quando e como.

A deusa loira chegava meia hora antes dele em casa e ficou muito interessada no nosso papo sobre amor livre. Disse que ia amar viver assim, mas que ele era possessivo demais, homem de tradição antiga, de boiadeiros, que inclusive queria que ela não fosse trabalhar mais. Ficamos em um clima estranho. Eu não queria entrar na casa das pessoas e destruir seus lares, não era essa a minha ideia. Mas parece que isso faria parte de encontrar as pessoas afins. Muitas delas estariam presas em relações infelizes.

Ela perseguia o Bardo pelos corredores e ele estava louco por ela também, mas como não era uma concordância dos dois achou melhor não comer a mulher. Ele se arrepende disso até hoje, inclusive, mas manteve o respeito. Depois de muita insistência dela, Bardo concordou em mediar uma conversa dos dois para que ela pedisse para abrir a relação. A conversa foi boa, o marido levou com tranquilidade, mas não concordou.

Na sexta feira fizemos o show para os amigos. Foi muito gostoso e divertido, com o público sentado no chão da sala, os móveis arredados e nosso palco no cantinho. Todo mundo bebeu, dançou, cantou e pulou ao som da nossa música. Fiquei feliz. Podia fazer isso o resto da minha vida. No dia seguinte, ainda sem destino, arrumamos nossas coisas e seguimos adiante para a próxima cidade. Tivemos sorte na primeira, será que teremos novamente?

Algumas horas depois, na estrada, o marido mandou mensagem dizendo que estavam se separando e agradeceu ao Bardo por mediar a conversa. Terminaram numa boa e ficou tudo bem. Sabe-se lá como eles teriam seguido juntos e infelizes. Nunca mais nos falamos depois, mas soube pelas redes sociais que ela estava casada com um músico, que fazia swing e estava grávida e feliz. Que bom! Eu também não fazia ideia do quanto isso ia se repetir pela frente.

Era meio dia quando chegamos na cidade seguinte. Fomos direto para o centro da cidade e montamos nosso equipamento na praça. O natal se aproximava e o comércio estava lotado. Começamos a tocar e paramos um público imenso! Ganhamos dinheiro no chapéu e fizemos a mesma estratégia: pedimos para o público presente por um lugar para dormir. Ninguém se ofereceu, mas uma moça nos indicou pedir abrigo em um sítio específico perto dali. Os donos eram pessoas muito legais e sempre faziam eventos por lá.

Chegamos no final da tarde. O lugar era lindo. No pé da montanha e cheio de lagos. Tinha várias cabanas e estava acontecendo um evento de ciclismo. Os donos nos receberam muito bem e nos deram uma cabana para nos acomodarmos. Era uma cabana muito antiga, com aquelas decorações de nona, e as kids resolveram fazer um filme de terror durante a noite. Nos divertimos muito!

Na manhã seguinte tocamos para os ciclistas e ganhamos mais algum dinheiro. Nesse passo não ficaríamos ricos, mas poderíamos nos manter. O baterista dizia que uma hora não ia dar certo mais e que íamos quebrar longe demais para voltar. Não queria saber. Era uma aventura incrível e eu estava amando cada dia!

No final da tarde escuto um ronco alto. Era um motor de jipe e saí correndo para fora da cabana. Eu simplesmente amo jipes. Não sei por que. Nunca tive contato com esses carros, não fizeram parte da minha vida em nada, mas eu adoro o som do motor, a potência, a carroceria forte e, claro, poder atolar na lama. Parei na porta para ver ele passar. Não era um, eram dezenas deles, de todos os tipos! Um rapaz quase se jogou do carro quando me viu. Assobiou alto e acenou para mim. Minha calcinha molhou. Vou dar para esse cara hoje, pensei.

O sítio era mesmo movimentado e o pessoal do ciclismo ainda desmontava seu acampamento quando o povo do jipe chegou. Atrás deles, patrolas e escavadeiras. Criaram uma pista de corrida com obstáculos artificiais. Um poço de lama, subidas que eram quase paredes e tudo o que podia fazer um jipe, ou o motorista dele, tremer na base.

Bardo logo fez amizade com uma das equipes, a mais próxima da nossa cabana, e juntou-se à festa. Cheguei lá mais tarde e, para minha surpresa, era a equipe do moço bonito. Curtimos um churrasco com eles e, no momento certo, fiz um sinal para o Bardo e tirei o moço de lá.

Fiz ele me levar passear no jipe. Era noite e a lua estava cheia, estava lindo. Rodamos pelas estradas de chão e paramos em uma porteira de fazenda. Eu estava adorando andar naquele carro e estava morrendo de tesão. Pulei em cima dele e me entreguei aos beijos. Ficamos em um arreto gostoso, ele tinha muita pegada. Aos poucos foi passando as mãos pelos meus seios, descendo para minha bunda e acariciando minha buceta. Baixei minha blusa e enfiei os seios na boca dele. Ele mamou gostoso e demorado e meu vestido estava todo molhado.

Descemos do carro. Me ajoelhei, abri o zíper da calça dele e vi aquele caralho enorme pular todo teso no meu rosto. Dei uma mamada com muita vontade, lambendo ele todinho e fazendo o moço gemer alto e gostoso. Minha buceta pulsava! Queria meter gostoso em cima do capô quente do carro. Perguntei se ele tinha uma camisinha. Ele não tinha. Eu também não. Não queria arriscar. Entramos no carro e voltamos. Entrei correndo na cabana, abri minha mochila e peguei um preservativo antes que o baterista conseguisse me perguntar o que eu estava fazendo. Pulei de volta no jipe e voamos de volta para a porteira.

Arrastando o rapaz pela camisa, me deitei no capô, ergui o vestido e abri as pernas. Ele não pensou um segundo sequer e caiu de boca na minha buceta, chupando quente, molhado e gostoso. Que sorte que eu dei! Pedi para ele subir no capô comigo e me foder com gosto. Ele colocou o preservativo e entrou até o talo, quente e forte, e me fodeu ali no que parecia uma cena de filme. A lua cheia nos iluminando, o calor do capô do carro e ele socando forte com aquele pau enorme. Relaxei e curti, gozei muito gostoso.

Na volta, batendo papo, ele me contou que era casado mas que sempre vivia aventuras como aquela. Ele perguntou se o Bardo era meu marido e se não ia ficar puto com ele. Contei sobre nossa relação e ele achou o máximo, mas disse que para ele não ia servir: era casado há muitos anos com uma advogada e tinha filhos. Ela era careta demais e separar dela ia ser um inferno. Preferia ficar assim mesmo.

Quando voltamos para o acampamento, todo mundo tinha sumido. Onde estariam? Era quase manhã quando os carros começaram a chegar, trazendo o Bardo com eles. Acontece que os homens ficaram apavorados quando saí com o moço e acharam que o Bardo ia matar o amigo deles quando voltasse. Conversaram com ele tentando amenizar a situação, mas ele falou sobre o amor livre e acabou deixando os caras morrendo de tesão. Antes que aquele acampamento virasse a festa da salsicha, foram todos para a zona e meteram com as putas a noite toda. Que festa!

O baterista era uma bomba relógio. Na manhã seguinte Bardo acalmou ele de novo, mas ninguém mais estava afim daquela situação. Nem tocando ele estava, não participava das festas, não pegava na suruba e só perturbava. Finalmente ele pediu para voltar para casa. Disse que podíamos ficar com o carro por um tempo até conseguirmos comprar um para nós. Seguimos de volta para Porto Alegre.

Descemos por uma estrada do interior e paramos em uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, Vacaria. Tentamos tocar na praça, mas sem sucesso. Seguimos até Caxias do Sul, onde supostamente tínhamos muitos fãs, mas não encontramos ninguém e tocar na praça também não deu em nada. Exaustos, seguimos para Porto Alegre.

Bardo ficou na nossa casa e o baterista e eu seguimos para a colônia naturista. Em dois dias, toda a nossa mobília e tudo o que tinha algum valor foi vendido a preço de banana e arrecadamos quatro mil reais para continuar a viajar. O baterista, com a mão um pouco melhor, começou a arrumar shows ao redor, com alguma esperança de ficarmos. Eu olhava para ele com pena. Queria ter tido uma relação melhor, mas um amor que antagoniza o outro não é amor. Bardo gostava dele como se fosse um irmão, mas ele realmente estava em outra vibração.

Ainda assim, cumprimos dois shows. Um na colônia naturista e outro na casa de alguns fãs em uma cidade próxima. Os shows na colônia eram divertidos, mas tínhamos que ser muito cuidadosos com nossas conversas por lá porque o povo do naturismo não gosta de passar uma impressão sexual das coisas. E é justo. Naturismo não tem nada a ver com sexo. É a liberdade da nudez, o contato com a natureza, o despudor de estar em convívio social sem malícia. Claro que tinha gente que gostava de amar livre lá e muita gente do swing também, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Já na casa dos fãs fomos com vontade. Já estava com vontade de mais uma putaria. Bardo, pobre, mal conseguia andar. Resolveu se despedir de todas as namoradas naquela semana e estava todo ralado. Fizemos um show delicioso com o baterista de volta ao seu posto, mas a festa descambou para a bebedeira e o sexo ficou para lá. Tampouco queriam ouvir nossas ideias. Fiquei chateada. Para completar, o baterista ficou na minha cabeça a noite toda tentando me convencer a ficar. Ele insistia que o Bardo não era uma pessoa boa e que eu ainda ia me dar muito mal. Penso que se ele não falasse mal do Bardo e me apresentasse outros argumentos eu talvez tivesse ficado, mas não foi assim. Ele acabou bebendo demais, apagou e transei com o Bardo no chuveiro.

Na manhã seguinte voltamos para a colônia, colocamos tudo no carro e nos despedimos. Ele disse que ia me ver assim que eu estivesse em uma cidade com aeroporto, mas eu sabia que nunca mais ia ver ele de novo. Dei um beijo com gosto de adeus e de alívio. Agora eu tinha mais uma missão: precisava comprar um carro o mais rápido possível e sair daquela situação com ele. Entrei na Doblô e meti o pé na tábua. Queria sair do Rio Grande do Sul no mesmo dia e seguir por Santa Catarina. Voei. No final da tarde estava em Torres, faltando um dia para o natal.

Tocamos na rua mas não conseguimos lugar para dormir. Fomos para um camping. Armamos nossas barracas e descobri que os colchões infláveis que o baterista e eu compramos eram, na verdade, infantis. Bardo ficou puto. Ele não é um cara fácil de tirar do sério, mas pequenos detalhes como o sono deixam ele bastante irritado. E ele odeia colchão inflável com todas as forças. Infantil, para um homem de um metro e noventa e seis de altura, pior ainda.

Fizemos uma janta na nossa única panela. Uma wok. Seleta de legumes e carne. Deitamos para dormir, finalmente só os quatro e o nosso cachorro Rock. Não era bem o que queríamos, mas estávamos em paz. Na manhã seguinte seguimos para o outro lado da ponte o quanto antes. O Rio Grande do Sul precisava ficar para trás. Nossa ideia não funcionava por lá.

Era véspera de Natal e as kids queriam saber o que íamos fazer de especial. Eu olhei para elas e disse: – Nós vamos dormir em uma mansão hoje! – Elas pularam de alegria. Bardo me olhou confuso. Peguei o carro e entrei em um bairro nobre. Famílias reunidas preparando suas ceias. Uma das casas era enorme e a família estava reunida no gramado. Muita gente. Parei o carro, dei o ukulele para o Bardo e pedi que apenas me seguissem no que eu fizesse. Paramos no portão e batemos palmas. Quando um funcionário veio nos atender, pedi que Bardo tocasse a música do Rei Leão (que não é do Rei Leão, mas todo mundo diz que é) e começamos: auimauê auimauê! As kids entraram no coro. A família se aproximou e pude contar a nossa história – omitindo a parte do amor livre.

Eles nos convidaram para passar o natal com eles. Bardo me olhou com aquele olhar que ele me dá quando está orgulhoso de mim. A casa era gigantesca e a família dona de algum frigorífico no Mato Grosso ou algo assim. Um funcionário que morava na casa disse que a família só vinha para a ceia de natal, todos os anos, e que no resto do tempo ele vivia ali com a família dele fazendo a manutenção. Que vida!

A ceia foi farta! Tinha todo o tipo de carnes, saladas, frutas, legumes e uma mesa só de sobremesas. A família nos pediu para cantar. Pegamos nosso som e mandamos nosso rock n roll em uma das salas. Todo mundo adorou, ficaram muito animados, pulavam e dançavam. Conforme nosso repertório repetia coisas sobre um certo assunto, porém, o chefe da família foi ficando incomodado e nos pediu para parar. Depois nos chamou em um canto e disse que a família tinha vivido muitas coisas e havia recém se convertido à uma religião evangélica.

Claro que fui trocar uma ideia com as pessoas. Fiquei curiosa com o que “vivido muitas coisas” significava. Se você quer se divertir um pouco, sente-se com um convertido e peça para que ele lhe conte suas histórias anteriores à igreja. O divertido não são as histórias, que geralmente se resumem à drogas, violência e escapadas gays, mas o brilho no olhar enquanto eles contam sobre isso, o tremor na voz e a animação, seguidos por justificativas e a salvação, claro. Entre um segredo e outro soube que a turma ali gostava demais de uma farinha. Às vezes, só Jesus na causa mesmo. Mas curti os comentários maldosos sobre terem entendido o recado das nossas canções. Não sei se aquela conversão deu muito certo! 

Nos colocaram para dormir, pasme, na sala de cinema da casa. Era uma sala enorme, com uma tela de cinema de verdade e sofás gigantes. O ar condicionado estava tão gelado que dormimos de cobertor como se fosse o pico do inverno. Descansamos bem. Na manhã seguinte tomamos café da manhã com a família. Nos deram uma boa quantia em dinheiro e seguimos viagem.

Era verão e a ideia era seguir pelo litoral de Santa Catarina, tocando pelas praias até levantar dinheiro suficiente para um carro. Comecei a procurar por Kombi nos apps de vendas, mas Bardo torceu o nariz. Disse que se era o que eu queria, tudo bem, mas que ele preferia uma camionete mais nova, como uma S10. O patamar de preço era bem outro e eu não fazia ideia se íamos conseguir.

Passamos por Sombrio e me senti mal. Dia de Natal, a cidade está completamente vazia. Fomos para um posto de saúde e fui muito bem atendida. Chamamos por nossos fãs online mas ninguém respondeu. Sem ter onde tocar e nem onde dormir, teríamos que gastar com camping novamente. Bardo tremeu à possibilidade de dormir em um colchão inflável novamente. Seguimos em frente e chegamos em Araranguá. O nosso fã do primeiro show longe de casa, o da namorada gata, disse que tinha uma casa lá e que estava à nossa disposição. Topamos de bom grado, pegamos a chave e fomos para lá.

Seguros por um tempo, andamos pelas praias ao redor em busca de trabalho. Acabamos fazendo música pelo dinheiro do chapéu mesmo em Arroio do Silva e no Morro dos Conventos. Chovia bastante e não deu muita coisa mas, sem precisar pagar para dormir, a conta fechava. Faltando pouco para o ano novo decidimos seguir em frente. Agradecemos ao nosso anfitrião e deixamos a casa limpa e organizada como encontramos, mas sem querer, distraída, levei a chave embora. Ele não se chateou e disse que estava tudo bem, que tinha outras cópias. Me senti uma ingrata.

Seguimos um pouco até Tubarão e não vimos nenhum por lá. Chovia e nem dava para tentar a praça. Seguimos adiante esperando passar pela chuva e conseguimos chegar em Laguna. Mesmo com o tempo emburrado a praia estava lotada. Pegamos o ukulele e fomos para a areia mesmo. Paramos de guarda sol em guarda sol e cantávamos uma música ou duas, pedindo uma colaboração. Para as pessoas que gostavam mais pedíamos um lugar para dormir. Ganhamos um bom dinheiro e finalmente uma moça disse que podíamos ir para o apartamento dela.

Era perto dali. Chegamos bem na hora que uma chuva muito forte caiu. Ela ligou para uma amiga e disse que estava conosco lá. A amiga veio na hora, com o marido, mais para ver quem a maluca tinha trazido para casa. Nos chamou em um canto e contou que o marido da moça tinha morrido há pouco tempo e que ela estava se sentindo muito sozinha. Que tinha um rapaz rondando ela mas que ninguém queria ele por perto. Treta. Resolvemos não ficar muito tempo. Fizemos um show particular, só para ela, a amiga e o marido, com o ukulele. Foi gostoso retribuir assim.

Era o último dia do ano e resolvemos seguir. Bardo conhecia um povo da permacultura na Barra de Ibiraquera e resolveu chegar sem avisar para ver no que dava. Deu certo. Fomos muito bem recebidos, mas com a casa cheia eles não tinham um quarto para nos oferecer. Passamos a ceia com eles. Foi simples, gostoso e divertido, apesar de sexualmente nulo. O casal dono da casa era lindo, mas achamos prudente não puxar o assunto. Eles sabiam muito bem quem éramos. Se quisessem algo, sabiam que era só chegar.

Fomos dormir em um galpão do lado de fora da casa. Era fechado e seguro, guardava algumas ferramentas. Acordei de madrugada com algo caminhando no meu braço. Chamei o Bardo, que pulou e ligou a luz. Estávamos cobertos de pequenos besouros. Rimos muito daquilo e voltamos a dormir. Ainda bem que não era nenhuma barata, escorpião ou aranha!

***

Olhei para o novo ano que vinha: 2017. Eu nunca me senti tão insegura e tão livre ao mesmo tempo. Depois de tudo o que eu tive e tudo o que eu fiz, batalhar por um lugar para dormir diariamente era um desafio que me animava. Até ali tudo tinha ido bem e estávamos com um pouquinho mais de dinheiro do que quando saímos de casa. Que aventura gostosa!

Seguimos dali para a famosa Praia do Rosa. Tocamos na praia, fizemos uma grana, mas conseguimos levar uma multa por estacionar na contramão em uma ruazinha de areia. Bardo ficou injuriado mas não tinha com quem discutir, só estava o papel por lá. No microfone, pedi por um lugar para dormirmos e uma família muito animada se ofereceu. Fomos parar em uma bela casa com piscina na montanha. Que sorte!

Contamos nossa história e eles disseram que podíamos ficar por lá o tempo que quiséssemos. Aproveitamos para viajar para todas as praias ao redor, tocar e voltar para dormir lá. Alguns dias depois eles chamaram os amigos para ver nosso show. Antes de começar a tocar ficamos de papo, contando nossas histórias. Uma mulher nos contou que o marido dela tinha viajado o mundo todo de mochila e que um dia cansou, construiu uma casa ali perto e nunca mais falou com ninguém. Nem quis nos ouvir tocar. Fiquei muito curiosa com o que levou ele a fazer isso, mas nem ela sabia.

Começamos nosso show e, aos poucos, o público foi entendendo do que se tratava. Os homens fecharam a cara e as mulheres ficaram muito animadas. Depois do show me puxaram para um canto e me fizeram dezenas de perguntas. A anfitriã era a mais curiosa. Alguns dias de convívio com a família me fizeram perceber que o nosso anfitrião estava longe de ser um poço de candura. Bardo me observava da mesa dos homens onde se falava sobre qualquer outra coisa, mas com os ouvidos em pé nas risadas safadas das esposas.

No dia seguinte decidimos ir embora. Nosso anfitrião tinha saído para comprar algumas coisas e resolvemos esperar. Ele chegou irritado e nos confrontando. Perguntou por que não contamos logo o que estávamos fazendo na nossa viagem. Parece que um amigo dele tinha ligado dizendo quem éramos e que todo mundo na cidade dele estava dizendo que eles faziam swing por estarem conosco. A esposa, uma loira linda, cheia de vida, ficou sentada com os ombros baixos em um canto ouvindo ele vociferar. Fiquei com vontade de tirar ela de lá, mas estava além da minha alçada.

Seguimos para Garopaba. A praia estava lotada, sensacional! Resolvemos levar o equipamento todo para a areia. Bardo foi engenhoso e criou um carrinho para carregarmos tudo. O equipamento era um Roland Cube – um cubo feito para música de rua – a guitarra com a caixa, meu microfone e os cabos. Compramos pilhas e nos lançamos. A estratégia era parar a cada cem metros de praia, fazer um espetáculo de 15 minutos e passar o chapéu. Deu certo! No final do dia conseguimos comprar um aspirador de pó porque o carro estava parecendo um caminhão de areia. Seguimos para a Praia do Siriú. Chegando lá recebi um telefonema do baterista. Ele estava transtornado. Tinha muita esperança de que eu fosse quebrar a cara logo, deixar o Bardo e voltar para ele, mas continuava assistindo as coisas dando certo pelas redes sociais. Foi muito grosseiro, falou horrores do Bardo e ameaçou ir na polícia e dizer que tínhamos roubado o carro. Naquele momento ele terminou de perder qualquer respeito que Bardo e eu tivéssemos por ele.

Fiquei devastada. Não consegui tocar mais naquele dia e não tínhamos conseguido um lugar para dormir. Sem saber o que fazer, liguei para nossa anfitriã anterior, mesmo com a confusão daquela manhã, e perguntei se era possível dormir lá mais uma noite. Ela disse que não havia problema algum. Chegamos lá tarde da noite, morrendo de fome e completamente exaustos e tristes. O marido nos esperava no portão. Ele esperou que as kids e eu entrássemos na casa e parou o Bardo por lá.

Nessas horas eu percebo o herói que tenho comigo. Bardo exausto, puto da vida e com fome ouviu pacientemente o homem falar merda e ameaçar ele por meia hora. Ainda foi educado e cordial, acalmando os ânimos. Apagamos. Na madrugada acordamos com uma pancadaria. Bardo correu e se escorou na porta, imaginando que alguém poderia estar invadindo a casa. Era o filho mais velho da família que tinha chegado drogado e carregando um bulldog. Ele e o filho mais novo se estranharam e saíram no soco. Foi um inferno. Gritos e vidro quebrando. Ficamos em silêncio no quarto. Assim que o sol nasceu, saímos discretamente, sem despedir. Fiquei na vontade de tirar aquela mulher de lá.

Sem nenhum conhecido à frente, seguimos. Tocamos em Garopaba de novo e fizemos mais uma boa grana. À noite, ainda sem ter onde dormir, tocamos em um restaurante no Siriú, o Siriú Norte. O dono e sua família são pessoas maravilhosas e nos ofereceram um lugar para dormir. Passamos muito bem à noite e tocamos no restaurante novamente ao meio dia. Dali tocamos na Gamboa a tarde e seguimos para a Guarda do Embaú, mas não conseguimos tocar. Já havia um músico de rua ocupando o único lugar possível.

Seguimos estrada. Paramos na Praia do Sonho, mas não havia ninguém lá. Sem mais nada em vista, abri uma live no Facebook e dei um grito: – Alguém em Floripa para nos receber agora mesmo? Recebemos várias mensagens positivas e seguimos até lá. Cruzamos a ponte e chegamos na Ilha. Bardo dirigia e eu conversava com algumas pessoas para descobrir onde íamos dormir. O aniversário da Lavínia era no dia seguinte e eu queria muito ter a sorte de estar em um lugar legal.

Chegamos no centro da cidade e estacionamos. Um por um, os contatos iam desistindo de nós e começou a me dar um aperto no coração. Finalmente um trisal que fazia conteúdo adulto disse que nos receberia. Fomos parar em uma praia no norte da ilha, na casa da mãe de uma das moças. Não era exatamente uma casa, e sim um galpão de chão batido e cheio de moscas. Que azar. Foi difícil dormir com as moscas pousando na gente o tempo todo. Como aquelas pessoas podiam viver assim?

No dia seguinte saímos com o trisal. Eles eram bonitos e animamos com a possibilidade de rolar uma putaria gostosa, mas nada. Sexo, para eles, era uma coisa profissional. A relação ali era bastante estranha também. O casal tinha uma diferença de uns dez anos para a outra menina. As duas eram viradas em cirurgia plástica: peito, bunda, boca, nariz, a coisa toda. Ele tinha uma relação dominadora com elas e a mais velha com a mais nova, era uma hierarquia. Nem todo arranjo que não é um casal necessariamente é livre. Achei melhor não andar com eles.

Seguimos para a praia dos Ingleses e tocamos por lá. Pedimos por um lugar para ficar e foi um rapaz que nos atendeu. Mais uma sorte. Fomos parar em uma mansão em Ratones onde ele vivia sozinho. Era algum tipo de empresário, mas não fizemos muitas perguntas. Chamou um grupo de amigos e fizemos o nosso espetáculo por lá. Adoraram. O bate papo também fluiu bem. Verão, praia, calor, álcool e todo mundo fica mais soltinho para esse tipo de assunto. Me interessei pelo anfitrião mas ele estava apaixonado por uma menina que estava lá e parecia um idiota tentando agradá-la sem sucesso algum.

No dia seguinte um dos amigos dele nos convidou para um show particular na casa dele. Outra mansão, outro grupo de amigos. Muita sorte. Podia ficar nessa vida por um tempo! O show foi divertido e o bate papo super legal, mas o povo bebeu demais – entre outras substâncias – e as coisas desandaram um pouco. A menina da outra noite estava cansada da conversa ruim do nosso primeiro anfitrião e pediu para o Bardo levar ela embora dali. Aproveitei a oportunidade e, sem os dois por perto, dei uns amassos com ele no banheiro. Infelizmente ele já estava bêbado demais para mais que isso e eu odeio transar com gente bêbada e drogada.

O amigo dele, vendo os dois saindo do banheiro, veio falar comigo. Ele era bonito mas também já estava entorpecido demais e perdeu qualquer oportunidade ali. Fui para o quarto dormir e esperar o Bardo voltar, imaginando porque ele demorava tanto. Logo ele chegou e, vendo que a festa tinha descambado na farinha, foi dormir comigo. Fiquei esperando ele me contar que comeu a menina, mas nada aconteceu com ele dessa vez. Só deixou a menina em casa mesmo.

No dia seguinte já queríamos sair de perto daquela turma. Segui conversando com os contatos no Facebook mas foi o Bardo que conseguiu um lugar em uma rede de swing. Saímos da Ilha e fomos parar em um apartamento em São José. O anfitrião era o Zé: era um cara desses estilo surfista, praiano, com uma puta cara de safado. Adorei. Ele nos fez um jantar e me deu uma massagem no pé. A massagem foi subindo as coxas e acabamos indo para o quarto dele. Bardo me deu aquela vantagem de ir primeiro, só pela sacanagem, e quando ele entrou no quarto um tempo depois a massagem já era com a língua no meu clitóris.

O cara era mesmo muito gostoso e eu estava precisando daquilo depois de tanto stress. Quis dar pra ele a noite toda, mas ele só tinha um preservativo e era tarde da noite para sair e buscar um. Dei pra ele de quatro enquanto mamava o Bardo, gozei gostoso e ele explodiu dentro de mim. Tesão! Depois invertemos. Bardo me fodendo sentada no pau dele e eu mamando o Zé. Em algum momento eu estava de joelhos, pau na boca e levando na buceta quando ele puxou o Bardo pelos cabelos e deu o pau para chupar. Bardo olhou para mim, deu uma risada e caiu de boca. Ficamos os dois ali chupando o cara juntos. Foi delicioso. Eu lambia as bolas enquanto ele engolia o pau até o talo. Bardo me encheu de porra de tanto tesão.

Na hora de dormir ele jogou um colchão de casal no chão ao lado da cama dele. Bardo foi se ajeitando para deitar, mas eu ainda estava molhada. Avisei que ia dormir na cama com o Zé. Bardo me alertou de que ele usou a única camisinha que tinha. Garanti que não ia rolar nada e ele só me olhou com uma puta cara de safado, dizendo que já esteve no lugar do Zé algumas vezes e que com ele nunca teve perdão.

Zé voltou do banho e me encontrou na cama dele. Nua, claro. Deitou nu também. Bardo, do chão, ainda me deu uma última olhada e uma risada safada antes de dormir. Apagamos a luz e fechamos os olhos. Virei de bunda para o Zé e tentei dormir, morrendo de tesão, mas não demorou para sentir o pau duro dele roçando nas minhas coxas. Empinei a bunda um pouco. Ele começou a roçar a cabecinha e sentiu que eu estava encharcada. Peguei o pau dele e fiquei roçando, na esperança de gozar só com essa brincadeira. Ficamos assim por um bom tempo, estava quentinho e gostoso. 

Meu tesão só aumentava e nada do orgasmo aparecer. Fui bolinando meu clitóris com a outra mão e punhetando a cabecinha dele na entrada da buceta. Ele agarrava minhas coxas e não empurrava, respeitando a brincadeira. Sem conseguir gozar, fui perdendo as estribeiras. Pensei em colocar no cuzinho, mas não ia entrar, não era nem o que eu queria. Não aguentava mais. Resolvi colocar só a cabecinha dentro e ficar rebolando. Ficou ainda mais gostoso e quentinho. Os dedos dele já estavam enterrados na minha bunda, quase em desespero. Sabe qual é a maior mentira do mundo, não é? Só a cabecinha! Não consegui mais me segurar e empurrei minha bunda com força contra ele. Sem esperar por aquilo, soltou um gemido alto. Certeza que Bardo ouviu. Virei meu rosto para ele e mandei ele gozar fora, rebolando com vontade e me masturbando. Gozei muito rápido. Senti ele pulsando forte dentro de mim e puxei a bunda para a frente, só a tempo dele melar minhas coxas. Que delícia. Coloquei minha mão para fora da cama, no peito do Bardo, e dormi como um anjo.

Acordei de manhã com ele roçando o pau duro nas minhas coxas meladas. Tesão instantâneo. Bardo ainda dormia. De repente o colega de apartamento começa a bater na porta com força. – Zé, caralho, roubaram teu carro! – O Zé tinha feito a gentileza de dar a vaga na garagem do prédio para nossa Doblô e deixou o carro dele na rua. Que merda. Bardo levou ele na delegacia para fazer o boletim de ocorrência e acabou ficando de táxi para as coisas que ele tinha que fazer durante o dia. No final da tarde um casal que morava ali perto viu o post que eu tinha feito no Facebook uma semana atrás e nos chamou para o apartamento deles. 

Por mais que eu quisesse meter mais uma noite toda com o Zé, gostoso para um caralho, resolvi ir para lá. O apartamento era maior e o casal era muito bonito. Eles tinham uma filha pequena que ficou brincando com as nossas. Fumaram maconha o dia todo e eu não curti muito isso. É um saco conversar com esse povo de pensamento lento. À noite, com todo mundo acomodado, começamos um swing na sala. Ele e eu, Bardo e ela. Quando a coisa pegou fogo mesmo e a esposa estava sentando forte no colo do Bardo ele começou a se perder. Já tinha passado mil vezes por aquilo e sugeri que fôssemos para outro quarto. Lá ele se soltou, me colocou de quatro e me fodeu gostoso. Em algum momento ele veio no meu ouvido e começou a dizer como eu era mais gostosa que a mulher dele. Isso era novidade e era ridículo. Perdi o tesão. Dei um jeito de fazer ele gozar logo e fui para a sala, onde Bardo, estranhamente, também já tinha encerrado. Eles nos convidaram para fumar um e ver um filme, mas achamos melhor ir dormir.

No dia seguinte começamos a procurar como voltar para a Ilha. A Praia dos Ingleses deu um bom dinheiro mas seria muito ruim ir até lá e voltar. O trânsito da ilha é um inferno, ainda mais a ponte. Não conseguimos nada e resolvemos ficar mais um dia ali. Zé nos ligou com uma boa notícia: encontraram o carro dele e ele ia reaver. Ainda bem! Batendo papo com ele fiquei com tesão e pedi para o Bardo me deixar lá naquela noite. Ele ficou com o casal.

Zé me esperava animado. Estava feliz com o carro de volta e mais feliz ainda com minha visita. Tomamos uma cerveja – estava terrivelmente quente – jantamos e fomos para o quarto. Já entramos aos beijos e amassos, arrancando a roupa. Foi uma daquelas metidas fortes, intensas, beijando o tempo todo e em todas as posições possíveis e imagináveis. E foi no pelo. Eu odeio isso em mim mas, uma vez que eu meto no pelo com alguém, não consigo mais usar camisinha. Ficava com aquela consciência ruim e ao mesmo tempo curtindo demais ele todo duro e quentinho. Ele terminou me comendo em pé contra a parede e melou minhas coxas.

Acordei com ele já dentro de mim de novo, aquela fodinha gostosa de ladinho que eu adoro. Demoramos ali até a hora do almoço e levei mais uma melada na bunda. Puta tesão. Tomamos um café e Bardo veio me buscar. Eu já estava começando uma lista mental de pessoas que queria juntar em uma suruba. Fiquei imaginando meter com ele e a moça da tatuagem ao mesmo tempo. Imagino que ia ser uma viagem lisérgica!

Bardo conseguiu hospedagem na casa de um casal de fãs bem na Praia dos Ingleses! Voamos para lá, precisávamos manter o equilíbrio financeiro. Fomos muito bem recebidos, mas o anfitrião chegou se despedindo, dizendo que precisava ir viajar por dois dias e deixou claro para o Bardo que podia tratar bem a esposa dele. Ela era uma negra linda, muito nova, e logo os dois estavam suando no quarto. Fomos para a praia e continuamos nossa estratégia. Tocamos o dia todo pela praia e ganhamos um bom dinheiro. Tudo ia bem e cada vez que o baterista via isso era uma nova mensagem de ódio. Bardo foi mudando com ele, foi deixando de querer amenizar e começou a responder no mesmo tom.

À noite, Bardo e eu transamos muito gostoso. De ladinho, daquele nosso jeito. Eu contando da trepada com o Zé e ele contando da trepada com a esposa. Explodimos gostoso, juntos, e fiz questão que ele gozasse dentro, imaginando o que eu não podia fazer na minha brincadeira. Já estava apagando quando ouvi uma batidinha de leve na porta. Bardo me deu um beijo e foi. Logo estava ouvindo, de leve, as batidas da cama na parede do outro quarto. Ele amanheceu fodendo ela e veio dormir quando eu já tomava café.

Voltamos para a praia e nos demos bem de novo. Aquilo estava realmente maravilhoso. Eu estava pegando bastante sol e estava magra e musculosa. Era um exercício muito intenso! Quando voltamos para a casa, o marido tinha voltado mais cedo. Talvez morrendo de tesão com a esposa, metendo a noite toda com outro. Não bateu química entre ele e eu e acabaram indo os três para o quarto. Depois de algumas horas não me aguentei e colei o ouvido na porta, só para ouvir as batidas da pele dele na dela e o maridinho falando aquelas frases gostosas de quem tá amando ver a esposa levando ferro: – Tá gostando, sua puta? Leva pau gostoso nessa bucetinha, vai! Fode ela, comedor! – uma delícia!

O aniversário do Bardo estava chegando, estávamos fazendo um bom dinheiro na praia dos Ingleses e estávamos felizes. Perguntei para ele o que ele queria ganhar, mas ele sempre pensa em nós dois nessas horas. Me pediu para viajarmos de volta para o interior, para a moça da tatuagem. Era ela o presente. Claro que topei na hora e encaramos trezentos quilômetros até lá.

O baterista continuava perturbando diariamente, em atitudes cada vez mais desesperadas para me ter de volta. Ele não queria o carro ou qualquer outra coisa, era só mais um imbecil pensando que podia ser meu dono. Sinto muito por ele e todos e todas as outras miseráveis que pensaram assim um dia. Bardo já tinha bloqueado ele e cortado relações e ficava aborrecido quando eu ficava triste com as investidas. Resolveu pregar uma peça. Mariana, nossa anfitriã, estava de aniversário dois dias depois dele. Então ele abriu uma live e disse que estava pegando a estrada e estava indo encontrar uma pessoa. Mas falou em um tom que não dava para saber se era uma coisa boa ou uma ameaça. Quando chegamos no interior ele desceu do carro, no escuro, abriu o porta malas e mostrou uma chave de roda. Dizendo que tinha chegado e estava vendo a pessoa que procurava, em um tom meio sinistro, saiu correndo com a câmera na mão. A ideia era o baterista pensar que ele estava indo acertar as contas, mas ele pegou Mariana de surpresa no bar e deu um beijo nela. Espero mesmo que ele tenha achado que era para ele e se borrado todo. Nunca vou saber.

Mariana ficou muito feliz com a visita surpresa, mas não gostou muito de saber que queríamos a moça da tatuagem. Bardo levou ela para o quarto para acabar com o descontentamento. Ouvi risadas, eles conversando alto e imaginei se estariam transando. Quando vi, estavam ao vivo no Facebook. E estavam transando! As redes sociais ainda não tinham tantos filtros na época e eles estavam se mostrando só da cintura para cima. Bardo deitado, falando sobre amor livre e ela sentando nele. Hilário! Imagina uma coisa dessas hoje em dia, nas nossas queridas redes “family friendly.”

Com nossa anfitriã devidamente pacificada e pingando porra, fomos atrás da nossa moça da tatuagem. Ela ficou muito feliz ao nos ver e voamos direto para o motel, sem cerimônias. A saudade já era imensa e Bardo ganhou seu presente de aniversário como merecia. Eu amei! Por mais presentes assim para meu melhor amigo!

Entramos no motel aos beijos, os três se agarrando como se quisessem se tornar um corpo só. Eu arrancando a roupa dela, ela arrancando as roupas dos dois. Dessa vez Bardo tinha a preferência, então jogamos ele na cama e deliciamos ele com um boquete das duas, bem molhado e demorado, lambendo bem as bolas, o cuzinho, revezando as duas bocas na mamada até ele ter vertigens. Beijei a boca dela, com aquele gosto de pau de quem ficou meia hora mamando. Ela montou no Bardo e começou a sentar com vontade. Fiquei de pé e encaixei minha buceta na boca dela, que bebia meus squirts em sonoros goles, gemendo abafado.

Dali fomos a todas as posições possíveis e imagináveis. Bardo fez um pedido especial. Queria gozar em todos os buracos dela. Voltamos a mamar juntas e logo ele explodiu na boca dela, que fez questão de engolir tudo e me dar um beijo bem gostoso na boca. Sem perder a compostura, Bardo já colocou ela de quatro e, enquanto ela me chupava de arrancar suco, gozou gostoso e encheu a buceta. Pulei nela e fiquei lambendo a porra da virilha enquanto ele foi tomar um banho.

Ficamos as duas ali trocando carícias. Já era quase de manhã e imaginei que ele não ia conseguir dar uma terceira, mas ele voltou do chuveiro já de pau duro e subiu na cama faminto sobre nós duas. Nos beijamos e acariciamos e ele virou ela de ladinho, de costas para ele. Fui para a frente dela e fiquei beijando ela na boca, com muito carinho, enquanto ele colocava no cuzinho. Ela gemia baixinho e me agarrava com força. Ele demorou um pouco até que ouvi o gemido e vi a mão dele agarrando a cintura dela com força. Pronto. Todos os buracos preenchidos com porra. Presente especial concedido.

Ficamos mais um dia para o aniversário da Mariana mas, quando vimos ela preparando a festa, achamos melhor ir. Era uma turma esquisita e a lista de drogas ia além do que já tínhamos presenciado. Cada uma que se divirta como convém, esse tipo de festa não me serve. Fomos até a casa da moça da tatuagem e nos despedimos, com um ar de final de filme. Falamos em nos ver de novo, contei para ela sobre o Zé e que queria transar com os dois ao mesmo tempo. Ela ficou interessada. Nos beijamos demoradamente e pegamos a estrada de volta para Floripa.

No meio do caminho Bardo recebeu uma mensagem. Em uma cidade ao norte um grupo de pessoas queriam nos ouvir falar sobre o amor livre! Mudamos nossa rota e voamos para lá. Fomos recebidos por um casal muito peculiar. Eles eram – segundo o que nos contaram – alguns dos fundadores da Marcha da Maconha no Brasil e queriam promover todo o tipo de ideia ligada à liberdade. Nos hospedaram no apartamento deles e organizaram uma palestra no museu. Chegamos lá e vimos um grupo considerável de pessoas ávidas por ouvir nossas experiências. Foi lindo. Fizeram muitas perguntas e trocamos contato com todo mundo.

O casal que nos recebeu tinha uma namoradinha muito mais jovem que eles e ela ficou o tempo todo atrás do Bardo no apartamento enchendo ele de perguntas. Infelizmente as pessoas ainda levam muita coisa ruim para seus relacionamentos e o problema deles era a velha e péssima hierarquia. Essa é a principal razão pela qual muita gente não namora com casais que estão há muito tempo juntos e já tem uma mecânica de um mandar na vida do outro. A menina estava descontente com isso e conversando com o Bardo acabou decidindo por não ficar mais com o casal. Eles ficaram enfurecidos e nos pediram para ir embora.

Era final da tarde e não tínhamos para onde ir, mas tínhamos o contato de todo mundo na cidade. Fomos tocar em um evento de rua que estava acontecendo, fizemos um bom dinheiro e encontramos a turma toda lá. Entre eles estava o Francis, um texano radicado no Brasil, com um português muito torto, que fez questão de nos levar para a casa dele. Era um sobrado de madeira no meio do mato, perto de várias cachoeiras deliciosas! E ele era um gostosão! Eu tenho – como muitas mulheres – esse tesão em cowboy de cinema e aquele sotaque dele me deixava toda molhada.

Fomos convidados para tocar em um bar naquela noite e aceitamos. O bar estava lotado, muita gente bonita, e fizemos um espetáculo de arrasar. Terminado o show fomos guardar os equipamentos no carro e uma mulher se aproximou, perguntando se éramos o casal que tinha falado de amor livre na TV. Confirmamos e ela disse que morria de tesão em nós dois. Bardo puxou ela e a beijou. Beijei também. Gostosa! Convidamos ela para ir para um motel. Ela topou na hora. Quem me dera minha vida fosse assim todos os dias!

Bardo dirigindo e ela e eu no banco de trás aos beijos e amassos. Ela arrancou minha blusa e chupou meus seios suados. Chegamos no motel já nuas e fomos direto para o chuveiro. Bardo colocou ela de pé contra a parede e meteu na buceta sem dó enquanto eu, ajoelhada, chupava o clitóris. Ela gritava e ficava repetindo que não acreditava no que estava acontecendo ali. Fomos para a cama e ela me chupou gostoso enquanto Bardo fodia ela de quatro, forte e rápido. Gozei na boca delas algumas vezes.

Voltamos para o bar. A moça se despediu, zonza, ainda sem acreditar na foda gostosa que tinha acabado de levar. Nossos novos amigos nos perguntavam onde tínhamos ido e eu só respondia com um sorriso. Francis ficou ao meu redor, batendo papo e competindo com os outros rapazes e Bardo estava conversando com uma moça linda. De repente ele dá uma olhada para o outro lado do bar. Aquele olhar era raro. Ele viu alguma coisa que tomou totalmente a atenção dele e saiu em uma linha reta, passando quase por cima do povo que estava por ali. Continuei no meu papo por ali, sem ver para onde ele foi, e recebi uma mensagem mais tarde: – não me espere.

Fui embora com o Francis. Estava ainda quente da brincadeira do motel e bem afim de meter com ele. Fomos para a cabana e nos pegamos. Ele era muito forte, definido, todo durinho. Na verdade nem faz muito meu tipo, mas aquele sotaque gringo estava me matando. E que energia! Metemos a noite todinha, pegada forte, sem parar. Ele gozou três vezes e eu perdi a conta dos meus orgasmos. Que delícia!

No dia seguinte, estávamos organizados para gravar o clipe de Chifres São Coisas da Tua Cabeça. Íamos aproveitar um encontro LGBT que estava acontecendo no museu e promover um beijaço. Levamos conosco um maluco, pintor, que ia nos fazer uma pintura corporal durante o clipe. Uma outra parte seria filmada depois, em uma cachoeira. Todos os nossos novos amigos estavam lá. Bardo chegou de mãos dadas com uma mulher gorda. Foi ela que ele viu na noite anterior? Ele flutuava, parece que a noite foi boa!

Colocamos uma lona na grama e, com os amigos ao redor, fomos pintados. Depois chamamos os amigos para brincarem com as tintas também. Chamamos a atenção de todos ao redor e convidamos para o beijaço. Ninguém quis vir. LGBT hoje, para mim, significa a liberdade de ter as mesmas relações ruins – com pessoas do mesmo sexo. Talvez o B – meu caso – se salve dessa equação por gostar de ambos os sexos. Nossa turma foi o suficiente e os beijos rolaram mesmo assim, sob olhares julgadores de casais gays.

Etapa concluída, fomos todos para a cachoeira perto da casa do Francis para lavar a tinta. Foi uma festa! Bardo e a moça gorda aos beijos, mas ele já estava interessado em outra moça, uma vegana, com quem tinha bebido uma cerveja no outro dia e tinha uma bunda sensacional. De lá fomos para a cabana. Francis e eu fomos para o chuveiro e ficamos nos chupando por lá. Sem trancar a porta, fomos surpreendidos por uma das mulheres, que já quis entrar na brincadeira e logo éramos uma turma no quarto. Com apenas um colchão de solteiro no chão, ficamos todos embolados, todo mundo se chupando, uma delícia. Francis me colocou com as pernas abertas e me socava forte, o som da pele na pele ressoando pelo quarto. Bardo ganhava um boquete de duas e me olhava, sorrindo. Era isso que viemos buscar e, se tudo desse certo, íamos conectar essas pessoas com as do interior, com as de Porto Alegre, com as do país inteiro. Amor livre, leve, solto, orgasmos sem fim. Algo muito maior do que ele, do que eu, do que tudo.

Bardo saiu de lá com quatro mulheres no carro, indo deixar elas em casa e ia passar a noite na casa da vegana. A gordinha estava super tranquila, era uma mulher muito gentil, adorei ela. Fiquei lá com o Francis. Nem nos vestimos para jantar. Comemos alguma coisa rápida e seguimos na nossa maratona metendo a noite toda. Ele era incansável e eu amei!

Cada movimentação nossa no Facebook chamava a ira do nosso ex-baterista. Ele ligou dizendo que queria a imediata devolução do carro e que se não acontecesse ia fazer uma ocorrência de roubo. Olhei minha conta no banco. Tinha mais ou menos cinco mil reais. Fui para o aplicativo de compra e venda e encontrei uma Kombi 95 por esse valor. Voamos para outra cidade para ver. Era uma Kombi marrom, toda machucada, que entregava empadas na praia. O dono disse que ela era muito boa e que só estava se desfazendo porque a mulher dele, grávida, não gostava do carro e queria outro. Contamos nossa situação e tentamos negociar o preço, mas ele não podia baixar. E eu não podia ficar sem dinheiro. Então ele aceitou pagarmos quatro mil e mais duzentos e cinquenta por semana a partir dali. Fechamos o negócio e saímos de lá com ela.

Agora tínhamos uma dívida e precisávamos levantar esse dinheiro sem falta alguma. Voltamos para a cidade dos nossos amigos e lá tocamos em todos os bares e calçadas possíveis até pagarmos tudo. A doblô deixamos em um estacionamento pago – escolhi a diária mais cara possível – para que o baterista viesse buscar. Finalmente estava desligada dele e agora conhecia todos os sinais de uma pessoa incapaz de amar livre.

Eu sei o quanto pode ser difícil para as pessoas desamarrar o amor da relação de poder. Crescemos em famílias hierárquicas, escolas hierárquicas, religiões hierárquicas. Sempre tem o bonzão, o manda-chuva, o sabe tudo, o que todo mundo confia e do outro lado os fracos, os covardes, os que preferem deixar as soluções na mão de alguma autoridade. Nada mais natural do que levar isso também para as relações de amor e amizade. Infelizmente isso dá espaço para que as pessoas tomem conta da vida das outras, medindo e pesando seus atos e transformando o tempo, a atenção e o carinho em valores negociáveis, moeda de troca.

Conheci muitos casais onde a esposa conseguia o que queria do marido fazendo greve de sexo. Ou o marido conseguia da esposa cortando o cartão de crédito. Outros eram mais sutis, manipulando de uma forma ou outra. Não existia nenhuma relação de respeito livre, mas de poder e hierarquia. Isso pode servir à muita gente, mas não me serve de forma alguma e qualquer pessoa que tente algo parecido comigo só vai ganhar distância.

Passamos um mês maravilhoso. Eu hospedada na cabana e Bardo indo e vindo entre a cabana, o apartamento da moça gorda e a casa da vegana. Ele estava apaixonado pelas duas e feliz por elas estarem numa boa com o triângulo. Entre um show e outro eu saía com o Francis para pedalar pelas estradas de chão e tomar banho nua nos rios e cachoeiras ao redor. Sempre encontrávamos um cantinho para dar uma chupada ou uma metida gostosa no meio do mato. E eu adorava quando o Bardo estava por lá. Voltava do passeio, passava os dedos na buceta fodida e passava no nariz dele, só de sacanagem. Ele me olhava com aquela cara de safado e me arrastava para algum canto para me dar uma comida rápida. Às vezes Francis nos pegava nessa brincadeira e acabava participando. Tenho um video disso, aliás.

A Kombi finalmente estava paga e podíamos seguir nosso caminho em busca de novos amores para os nossos amores. Era hora de batizar nossa nova casa: ela vai se chamar Elvira – inspirada no filme dos anos 80 sobre uma mulher livre e incrível! Estou livre e pronta para espalhar o amor pelo mundo todo!