Chegamos lá e fizemos um show delicioso. Era um lugar lindo, defronte às águas da represa e com uma comida maravilhosa. Eu cantava olhando pra ele, curtindo cada nota, cada segundo de cada compasso.
Terminamos o show e Bardo se ofereceu para me levar de volta e ver o que aconteceu com a Elvira. Eu disse que queria ficar com ele aquela noite. Ele disse que não dava: estava dormindo em uma república estudantil que tinha emprestado um quarto pra ele. Fui até o local, conversei com o pessoal e nos deixaram ficar por lá também. Bardo foi ver a namorada e voltou tarde. Fiquei esperando, queria dar pra ele. Estava com saudades.
Ele voltou com o cheiro dela. Isso sempre me deixou morrendo de tesão, saber que ele acabou de gozar com outra. Levei ele para um quarto e o agarrei. Ele não se fez de rogado: Eu estava dando, ele ia comer. Puxou meu vestido pro lado e meteu ali mesmo, de pé, e gozou dentro. Me deu vontade de provocá-lo por ter dito que era nossa última foda, mas achei melhor não. Ele estava magoado o suficiente com minhas dúvidas.
Durante a madrugada vi ele caminhando de um lado para outro. Era outra daquelas crises nervosas e eu estava sentindo o mesmo. Não sabia o que fazer por mim, muito menos por ele, então levantei e abracei-o. Era tudo o que podia dar. Os braços dele ao meu redor sempre foram uma muralha e me senti melhor.
Na manhã seguinte acordei com o telefone entupido de mensagens da Larissa. Deve ter visto os vídeos do show nas redes sociais e eu não avisei que vinha. Queria ir me buscar a todo custo, mas eu enrolei: não queria vê-la ainda. Levei um café para o Bardo na cama. Aproveitei e dei uma mamadinha matinal. Meu café foi com leite.
Ele ia tocar sozinho na feira da cidade e o acompanhei. Estava lotado! Acabamos sendo chamados para um evento da prefeitura e tocamos para uma multidão com um som enorme. Foi maravilhosa a energia do povo, todo mundo cantando conosco. Ninguém podia imaginar que seria o último show que qualquer um veria naquele ano.
***
Os meninos da república nos acordaram cedo da manhã perguntando se tínhamos para onde ir. Acostumados a sermos expulsos, ficamos imaginando o que fizemos dessa vez. Explicamos que estávamos sem carro, que ia precisar de ajuda para sair dali. Para nossa surpresa, eles nos deram as chaves da república, pediram para cuidarmos do cachorro, arrumaram as malas e foram todos embora. Todos os onze. O que estava acontecendo?
Abri o Instagram e todas as postagens eram sobre a mesma coisa: um vírus mortal tinha dizimado uma cidade na China – Wuhan – e tinha escapado para o planeta inteiro. Já eram milhares de mortos. Pilhas de corpos queimando nas ruas e o caralho.
Estávamos ali sem carro e com pouca comida. Bardo parecia até animado: ele é viciado em jogos de zumbi e filmes de apocalipse. Começou a ver se a casa era fortificável, se era possível plantar, o armazenamento de água e tudo o mais, como se estivesse em um vídeo game.
Alguns dias passaram e ficamos ali trancados, vendo as notícias. Ao contrário do que imaginamos, os corpos não estavam se empilhando nas ruas, os supermercados não estavam sendo saqueados e não haviam pessoas em caminhonetes atirando pra cima. Bardo colocou uma camiseta na cabeça e foi ao mercado. Estava tudo lá no seu lugar e ele fez uma compra tranquila. Voltou para a república confuso. Estaria a internet mostrando uma realidade paralela?
Larissa me ligava a cada meia hora. Ela queria vir me buscar mas a estrada estava realmente bloqueada. Ela estava proibida de sair da cidade e, mesmo que saísse, não entraria na que eu estava. Sabendo que eu estava com o Bardo, me fazia juras de amor eterna, me fazia masturbar para ela no chuveiro e tentava manter meu foco no nosso romance.
Eu estava dando pro Bardo, obviamente, todos os dias. Ele estava contrariado e continuava vendo a namorada, mas me comia mesmo assim – afinal, por que não? As crises dele continuavam intensas. De repente caía de joelhos no chão, colocava as mãos no peito e olhava desesperado para o nada. Era assustador. As minhas crises não eram tão intensas a ponto de me prostrar, e as kids também reclamavam do mal estar.
O que eu sentia era aquele aperto no peito, como se a notícia da morte de alguém querido tivesse acabado de chegar. Era uma sensação de luto. O chão sumia, a cabeça se enchia de pensamentos ruins. Não poder ir para o meio da natureza ou pegar uma estrada agravava a situação.
Incerteza de futuro, apocalipse na terra, isso já era meu café da manhã de segunda feira e Bardo nos animava o espírito com a possibilidade de um novo mundo. Isso, de certa forma, até me alegrava.
Com o passar dos dias nosso dinheiro foi minguando e eu resolvi fazer uma live musical no YouTube para tentar arrecadar alguma coisa. Arrumamos meu Iphone 5 como câmera e abrimos a transmissão. Apareceram umas 100 pessoas, o que parecia bom. Tocamos e, no final da música, vimos os coraçõezinhos subindo. Bateu um vazio forte. Não eram olhares, não eram aplausos e assovios. Eram emojis subindo silenciosamente na tela. Saber que do outro lado alguém estava gostando era bom, mas a distância e o silêncio machucavam.
Levantamos do sofá, saímos de frente da câmera e nos escoramos na parede, um olhando para o outro, assustados. Tivemos uma crise nervosa ao mesmo tempo. Faltava ar pra respirar. A live rodando vazia. Nos abraçamos, colocamos um sorriso forçado no rosto e voltamos. Continuamos tocando, a música ajudando os nervos a voltar ao lugar. E era um vai e volta. Durante a música, a cabeça ia se organizando, no final dela, desespero. Que sensação horrível de vazio.
Financeiramente deu certo. Algumas pessoas generosas nos fizeram depósitos no banco (a vida pré pix era difícil) e conseguimos nos manter por mais uns dias.
Esses dias passavam e Larissa enlouquecia do outro lado. Ela traçou uma rota por estradas de chão e disse que conseguia vir me buscar. Comentei com o Bardo e ele disse que estava mais que na hora de eu ir viver minha vida, que ele estava cuidando da dele. Eu sei que ele disse isso por mim mas que me queria ao seu lado.
Precisava decidir.
Eu já tinha aberto mão tantas vezes de dinheiro, estabilidade e segurança em nome da minha vida de aventuras ao lado do Bardo e esse era só mais um momento de fraqueza. Se o mundo fosse mesmo acabar, era com ele que eu queria estar. Quando ele saiu novamente para ir ao mercado, liguei para ela e terminei. Ela foi dramática, mas quando eu faço minha cabeça com algo, esquece.
Ela foi um grande amor, um sexo inesquecível que nunca foi superado, mas não era o amor único e livre que tenho com o Bardo. Acabou. Fica aberta a vaga para uma mulher na minha vida que me chupe bem e entenda minha maneira de amar.
Quando ele retornou do mercado, avisei que tinha terminado. Ele segurou metade de um sorriso, deu pra ver que ele gostou da minha decisão, mas o que ele me disse doeu demais – e dói até hoje.
Disse que aquele companheirismo que ele tinha comigo nunca mais ia acontecer. Que tinha aberto mão de muita coisa: amizades, amores, dinheiro, paz e sossego para apoiar toda e qualquer loucura minha até ali e que a oportunidade que eu dei para ele de cuidar só de si mesmo por umas semanas deu-lhe vontade de ser mais autêntico.
Foi isso que algumas semanas de amor comum, de monogamia, me deram: um monte de drama e perder o maior tesouro da minha vida para sempre. Bardo agora tinha seus próprios projetos de vida, sua própria namorada – que não dividia comigo – seus próprios planos sem mim.
***
Conseguimos uma carona e voltamos para São Thomé das Letras para consertar a Elvira. O mecânico de lá, que já era incompetente por si só e mal tinha acesso à peças não conseguiu fazer nada no meio do caos da pandemia, que agora tinha um nome oficial: COVID-19, ou Coronavirus.
Elvira estava com o eixo dianteiro prestes a quebrar e teríamos que sair da montanha assim mesmo. São Thomé era o último lugar em que queríamos estar em um cenário daqueles e só quem decidiu ficar por lá soube do horror que foi. Metemos o pé. Depois de alguns quilômetros o freio parou de funcionar. Bardo ligou para um amigo mecânico da cidade de Socorro, em São Paulo, e pediu instruções. Seguindo o que ele disse, conseguimos continuar. Tínhamos que atravessar a serra sem freios e quase sem direção.
– Foi pra isso que eu treinei minha vida toda – disse o Bardo, confiante em suas habilidades com o freio motor.
Era com esse homem que eu tinha escolhido ficar. Na dificuldade, ele colocava um sorriso de desafio no rosto e seguia em frente. Mesmo confiando nele, eu estava tensa a cada curva e, principalmente, a cada ladeira abaixo. Subimos a serra e a noite caiu na metade da descida, deixando a viagem ainda mais perigosa. A direção ficava cada vez mais dura mas seguíamos em frente – não tinha opção. Foi o tempo de chegarmos lá e, como em um filme de comédia, assim que a kombi parou no estacionamento arriou o eixo. Sorte?
Continuamos com as lives. O vídeo viralizado do Rei Leão e a temporada em São Thomé tinha nos dado fãs online o suficiente para nos alimentarmos sem poder fazer os espetáculos na rua.
A palavra de ordem era evitar aglomerar: exatamente o que meu trabalho fazia.
Aos poucos recebíamos mensagens dos fãs. Parecia que aquelas crises nervosas não eram algo só da nossa família. Muita gente estava sentindo o mesmo também e a situação de ficar trancado em casa era cada dia mais desesperadora. Recebemos depoimentos de pessoas que diziam estar a beira do suicídio, mas que nossa presença online, ao vivo, estava ajudando-as a seguir em frente.
Que responsabilidade!
Isso também nos ajudou a continuar. A falta de aplausos foi doendo menos sabendo que do outro lado alguém sorria e não tirava a própria vida. Quando as crises chegavam no meio da live – o que era frequente – não deixávamos transparecer. Aquelas pessoas contavam conosco.
Depois de algum tempo, muita gente começou a duvidar da pandemia. Vendo que a situação não era tão grave, alguns meninos da república voltaram. Começaram a dar festas e pensamos que era uma boa ideia ir embora. Nosso amigo mecânico viajou para nos resgatar. Fez um conserto de emergência nos freios e no eixo e seguimos com ele para o estado de São Paulo.
A estrada estava bem vazia e em cada cidade tinha uma barreira com policiais e enfermeiros perguntando para onde íamos. Ali percebemos o quanto estávamos famosos: eles nos reconheciam e nos deixavam passar! Isso foi bacana.
Chegamos em Socorro e o mecânico nos deixou ficar na casa da roça dele, com piscina e tudo. Com o dia todo livre, sem ter que viajar e sem shows, resolvemos gravar um novo disco. Começamos por uma música que Bardo escreveu em 2004 chamada Prisão.
Não precisarei mais perdoar
Quando não ficar mais ofendido
Se quero ser melhor
Acho que esse é um bom caminho
Pelo amor ou pela dor
Sempre preferimos o segundo
Mas haverá um dia
Em que o amor dominará o mundo
Eu acho o mundo um tanto injusto às vezes
Porque eu não sou mal e tenho que sofrer
Tantas pessoas boas
Mas as ruins também não tem nenhum prazer
Porque eu são sou mal
Você também não
Somos todos inocentes na prisão
E se eu pudesse cavar um túnel
Eu só queria ver a luz da razão
O animal mata pra comer
O homem mata pra vencer
Nos matamos todo dia
Nos escondendo e negando ver
Tenho medo de abrir os olhos
Medo da luz, um horror ao que pode vir
Algo que possa doer ainda mais
Do que já dói agora
Aproveitamos que o estúdio do nosso amigo da Caixa Rolante era perto e mandamos os áudios para ele ver como estava. Estava bom. Seguimos gravando e fazendo as lives, mas a internet era muito ruim. Não estava dando certo e íamos ficar sem dinheiro, então seguimos para a pousada dos nossos grandes amigos Tonico e Beth: A Vila Ventura.
A pousada estava fechada por ordem da prefeitura. Bardo e eu ficamos em um quarto, as kids em outro. Conseguimos fazer nossas lives e nos manter alimentados e começamos um grupo no whatsapp com nossos fãs mais dedicados: o Clube dos Amigos da Bardo e Fada.
Passávamos o dia todo com eles trocando ideias, falando merda e obtendo notícias sobre como o COVID estava afetando a vida e a cidade de cada um. Tinha gente do Brasil todo e de várias profissões – algumas trazendo notícias de dentro dos hospitais e órgãos públicos.
Todo o domingo tinha live no Youtube, além de alguma outra na semana. E sempre tinha alguém fazendo perguntas sobre amor livre, poliamor e putarias. Como sabíamos que haviam muitas crianças assistindo, respondemos que essas perguntas eram dezoito mais. De tanto responder isso, nos pediram para fazer uma live só para isso, que acabou batizada de live dezoito mais. Foi um sucesso tão grande que começamos a fazer essa live toda quarta feira.
Falamos sobre amor livre, poliamor, swing, menage, contamos histórias e até mostrei os peitos (o Youtube ainda estava pegando leve com o conteúdo). As lives eram fechadas, apenas para assinantes, então estava tudo liberado! Depois de responder mil vezes as mesmas perguntas, começamos a aprofundar em outros assuntos pertinentes à liberdade, como dinheiro, família, comportamento e afins.
***
Tudo estava muito confuso. As notícias falavam de centenas de milhares de mortes, mas raramente ouvíamos falar de alguém próximo ter morrido. Ninguém na minha família ou na do Bardo morreu. Ninguém nas famílias dos nossos fãs mais próximos. Logo começaram a chegar notícias de pessoas que tinham morrido em acidentes de carro ou em assaltos e que estavam sendo classificadas como mortes por COVID.
Seria uma conspiração? A doença existia mesmo? As pessoas estavam mesmo morrendo? Não sabíamos o suficiente e não íamos arriscar nossas vidas – e a das kids – pra saber. Evitamos falar de nossas dúvidas online também, pois tínhamos influência e qualquer palavra mal colocada sobre isso poderia refletir em uma vida perdida.
Também ouvíamos falar de festas clandestinas. Quando a pousada reabriu, cheia de regras de saúde, os clientes que passavam por lá nos contavam sobre todo o tipo de coisa – mas ninguém falava sobre conhecer alguém que morreu.
O que morria era nossa vontade de viver. Nós éramos a razão da alegria de milhares de famílias no domingo à tarde, mas a nossa ia se esvaindo com a falta dos olhares, dos aplausos, de contar as moedas da cartola e fazer a alegria do bar da esquina com os trocados.
Ao menos ali tínhamos a natureza. Bardo e eu saíamos para longas caminhadas pelo mato, interrompidas por crises violentas dele e as minhas que pioravam a cada dia. Subíamos caminhando o Pico da Cascavel para olhar o mundo lá de cima. Tudo parecia o mesmo. Não haviam incêncios, sons de tiro, saques, violência. Estávamos todos presos em casa como ovelhas, sem o poder de questionar aquela ordem, sem ter certeza do que era real. E ninguém ousava. O presidente já tinha pago o preço da dúvida por todo mundo.
Foram nessas caminhadas que Bardo e eu repassamos mil vezes o que aconteceu em São Thomé. As visões, os sons e os fatos. Decidimos, juntos, que a história era essa:
Chegamos exaustos de quatro anos de turnê. Uma turnê intensa, cansativa e com pouco conforto. Estávamos acostumados com o selvagem – tanto no urbano quanto no rural – e com uma rotina quase animal: acordar, lutar pela vida, alimentar-se, proteger-se e dormir com um olho aberto. Até o Rock sentiu a mudança quando entramos naquela casa.
Quando os episódios de “abdução” começaram, estávamos no pior lugar possível e tanto a Larissa quanto os malucos da cidade contribuíram muito com a insalubridade mental. Aquilo agravou a ponto de sofrermos alucinações com a ideia. Quanto mais acontecia, mais tinha motivo para acontecer e só ia piorar se não fôssemos embora.
Tanto que as crises nervosas continuam, mas as alucinações não.
Resolvemos então que não havia nada mais do que uma crise nervosa e alucinações. E era isso. Sem sobrenatural, sem alienígenas, apenas um imenso cansaço físico e mental acumulado por anos e uma mudança brusca de rotina. Assunto encerrado.
Além do poder terapêutico da caminhada e da natureza, Bardo e eu aproveitamos para foder à vontade pelas trilhas. Aquela fodinha gostosa de pé, com olhos e ouvidos atentos à alguém que pudesse chegar. É uma sensação gostosa, um misto de não querer e de querer que alguém veja. Nunca aconteceu, mas fantasiamos muito sobre isso!
***
Com a chegada do PIX, nossa fonte de renda e o Clube do Amor só cresciam. Logo, eram três grupos no whatsapp de pessoas que pensavam afim – ou assim pensávamos nós. Entre elas pessoas que tornaram-se verdadeiros amigos, como o Pepe.
Pepe era um ex-policial que viveu uma vida de violência extrema. Agora aposentado, procurava um espaço de amor para conviver e nos encontrou. Todo mundo amava o cara, que era uma figura paternal, um grande amigo e um velho safado. Ele me ligava e ficávamos horas de papo, ele contando as suas histórias cabulosas e eu contando as putarias.
Milvo, Ana Paula, Del, Lenita, Xandão, Ângelo, Regi e Regi Ninja, Cláudia, Gilnei, Carlinhos, Carlos e Carlão, um por um nós íamos estreitando o laço com cada fã, assim como queríamos desde o início, assim como aprendemos com a Amanda Palmer. A ideia dessa conexão era retomar nosso projeto inicial: um Clube do Amor que abrangesse o país todo, com muita gente se pegando o tempo todo!
E com todo mundo trancado em casa, essa turma também ajudava a manter alguma sanidade. Tínhamos nossas brincadeiras, como o dia do nude. Era nude do pé, do cotovelo, do joelho, da testa e teve até da bunda. Era uma bobagem, não sexual, e nos divertia muito.
***
Por três meses ficamos na Vila Ventura. Com nosso poder de voz online, ajudamos a pousada voltar a funcionar quando liberada pela prefeitura e ficamos felizes por poder contribuir com tão queridos amigos.
Com os fãs podendo nos visitar por lá, melhoramos nossa qualidade de vida podendo ouvir o aplauso de uma dúzia de pessoas nas nossas lives. Isso ajudou muito o espírito!
Em um final de semana um casal muito safado apareceu por lá. Ele, um turco, ficava me provocando para fazermos um swing, mas a mulher dele parecia enciumada e acabou não rolando nada. Mesmo assim ele tornou-se assíduo nas nossas lives e sempre falava que um dia ainda ia rolar.
Naquela noite, depois que fomos todos dormir, ouvimos um gemido. Era no quarto do lado. Algum casal empolgado. Os gemidos foram aumentando de volume e tornaram-se gritos. A cama batia forte na parede, com ela aos berros. Gemia igual cadela, pedia tapas e porra dentro.
Tonico nos mandou uma mensagem perguntando se aquele fiasco era nosso. Dissemos que não e esperamos que terminasse. Levou um bom tempo, mas finalmente ouvimos ele gozando em alto e bom som.
Quando amanheceu fomos todos para o café da manhã. Eu vestia um biquíni. Os outros hóspedes todos olhavam para mim com nojo e desdém. Bardo ria. A gostosona, claro, era a responsável pela gritaria. Olhei para o quarto ao lado do nosso quando a porta abriu. Dela, saiu um casal de evangélicos. Ela, uma gordinha com um daqueles vestidos de botijão de gás.
Aí está a fonte do barulho. Crente do cu quente, que diz?
***
Dali resolvemos seguir para Ouro Preto, onde outra pousada nos aguardava.
A situação lá era crítica. A prefeitura não liberou o funcionamento então eles estavam funcionando clandestinamente, recebendo o povo de Belo Horizonte que estava fugindo da cidade. O dono nos pediu que não contássemos onde estávamos. A internet era bem ruim, mas dava para fazer as lives mesmo assim. Continuamos com os musicais no domingo e as lives dezoito mais nas quartas.
Bardo e eu nos sentamos na beira do rio, em um ritual diário, para tomar sol. Nos sentimos intimidados por aquela situação do mundo. Queríamos rodar, mas com a Elvira não dava. Conversamos e decidimos comprar um ônibus. Uma casa maior era a resposta. Tínhamos sete mil reais guardados e isso não ia dar. Então como?
A pandemia seguia confusa. Sorte a nossa que ninguém próximo morria ou sequer pegava a doença ou isso nem estava acontecendo? Não dava pra ter certeza de nada e as fake news – notícias falsas – ganhavam cada vez mais espaço com informações errôneas sobre remédios, vacinas e o estado geral das coisas. O presidente era acusado de genocídio por um lado e de herói por outro, mas ninguém tinha mesmo certeza do que estava sendo feito. As redes sociais proibiam a menção da palavra COVID e tentavam impedir as pessoas de falar a respeito.
Enquanto isso, o dono da pousada – um alcoólatra metido a Hare Krishna – continuou lotando a casa nos finais de semana. Presenciamos os churrascos e festas que ouvíamos falar. Eram pessoas estranhas vindas da capital que comiam, bebiam e ouviam música juntas sem usar máscaras. Nos trancamos no quarto, sem ter certeza se ele ia morrer na semana seguinte. Não ficava nem doente, não morria. Não dava para saber. Como nos recusamos a tocar nas festas, ele nos mandou embora.
Muito tempo depois eu fui entender que ele estava vendendo nossa presença por lá – estava lotando a casa – e passando por mentiroso.
Precisávamos ir embora dali e começamos a ligar para todos os nossos amigos, aqueles que nos recebiam muito bem para os churrascos. Nenhum quis nos receber. Parece que nossa presença só era bem vinda na hora da festa. Quando realmente precisamos, esses “amigos” não eram tão amigos assim.
O café e o pão de queijo desapareceram no ar.
Foi a irmã de uma fã em Boa Esperança, Minas Gerais, que tinha uma casinha sobrando. Ela nos acolheu com carinho e estávamos seguros novamente. Mas, para nossa surpresa, a cidade parecia incólume ao que acontecia no mundo: Todo mundo na rua, comércio funcionando e quase ninguém usando a maldita máscara. Não se ouvia falar em mortes por COVID.
Continuamos nos cuidando, mas era bom ver o movimento normal das coisas também. Era melhor assim do que corpos amontoados pelas ruas. Era difícil demais compreender como essa doença funcionava e os números da internet não batiam com a realidade defronte nossos olhos.
Como Boa Esperança era perto de Lavras, Bardo voltou a ver a namorada metaleira dele. Agora eu estava em paz e ele podia comê-la o quanto quisesse.
***
Boa Esperança é uma cidade linda. Tem uma enorme lagoa formada pelas águas de Furnas e a famosa Serra da Boa Esperança, onde fica o Pico do Branquinho. Sabendo que estávamos lá, um moço muito bacana do turismo nos convidou para fazer as nossas lives no receptivo. A internet era boa e podíamos tocar quase na rua, atrás de uma vitrine, com pessoas assistindo ao vivo. Aquilo foi um alívio, mesmo com aquelas pessoas sem máscara do outro lado.
No dia seguinte, subimos com ele para o Pico. Foram quatro quilômetros de trilha moderada até chegarmos aos poços. Que paraíso! Realmente recomendo o passeio e o Vinícius do receptivo como guia! Nos banhamos nas águas transparentes, geladas e deliciosas e curtimos a paz, o silêncio e a beleza exuberante do lugar. Fiz algumas filmagens e, algumas horas depois, resolvemos voltar.
As kids já estavam bem cansadas e a volta tinha uma subida no final que era puxada. Bardo, em mais um ato heróico, subiu o morro com Mônica nas costas, desceu de novo, buscou a Lavínia e desceu mais uma vez para me levar metade do caminho. Como não dar para um homem desses todos os dias?
Voltamos para casa muito felizes. As coisas pareciam estar voltando ao normal.
Quem me dera.
Na manhã seguinte acordamos animados. Bardo estava fazendo as contas e dizendo que se continuássemos naquele pique com as lives e o Clube íamos juntar dinheiro para um ônibus em um ano ou dois!
Fui fazer uma faxina em casa com as meninas. Jogamos água em tudo e começamos a limpar. Em um descuido, escorreguei em um pano molhado e caí no chão. Senti meu joelho dobrar do avesso, a dor foi lancinante!
Enquanto eu gritava, Bardo calmamente dava ordem às kids. – Você liga para a SAMU com esse endereço, você veste ela com essa roupa, etc.
A ambulância veio rápido. Me deram um remédio para a dor. Antes de entrar na ambulância, eu olhei para o Bardo e disse:
– Algo de bom deve estar vindo disso, certo? – ele balançou a cabeça concordando.
Fui bem atendida no hospital de Boa Esperança. Fiz raio X e a coisa toda. Não dava para ver nada por conta da inflamação, então me sugeriram aguardar por quarenta dias enquanto tomava remédios.
Bardo assumiu tudo. Cuidava dos grupos, fazia as lives com a ajuda da Ciby – nossa fiel escudeira – e eu aparecia quando dava. Cantava quando os remédios me permitiam. Não podia mover a perna, então ele me levava no colo, me dava banho, cuidava de mim, fazia comida, cuidava das kids. É bom ter um parceiro assim.
Sem poder me exercitar, sentia minhas coxas definhando. Depois que o joelho finalmente desinflamou, pude fazer o raio X. Me mandaram o resultado e eu mandei ele para todo mundo que eu podia mandar. Uma fã de Cataguases mandou para um amigo dela, cirurgião experiente, e me mandou de volta um áudio assustador, dizendo que era complicado demais e que a chance de eu ficar manca para sempre era muito grande.
Antes de me desesperar, continuei mandando o exame para todo mundo que se dispusesse a olhar. Um cirurgião esportivo de São Paulo, que cuidava de atletas famosos, disse que podia dar jeito, mas ia custar um dinheiro que nem sonhávamos ter.
Foi a Dona Clotilde, a centenária de São Thomé, que veio com a melhor notícia: Ela conhecia outro cirurgião de esportistas famosos em Juiz de Fora. Ele tinha operado o joelho dela e ela estava ótima – dentro do que ela pode estar ótima – e talvez ele pudesse me atender. Entramos na Kombi e fomos para lá.
Foi o César, nosso fã que nos salvou na greve dos caminhoneiros, que nos recebeu. O pai dele tinha, infelizmente, falecido havia apenas um mês e o apartamento dele estava vago, então nos deixou ficar. Era perto do hospital e ia facilitar muito nossa vida.
O contraste do COVID em Juiz de Fora com Boa Esperança era gritante. Juiz de Fora estava em completo lockdown. As ruas estavam desertas. A Rua Halfeld, nosso querido caixa eletrônico com suas milhares de pessoas por dia, parecia cenário de filme de apocalipse.
Fui até a clínica ProSport onde o Doutor Samuel Lopes me aguardava. Fui muito bem recebida. Olhando para os exames, ele disse tranquilamente que podia resolver meu problema. Que bom! Mas quanto? Não se falou em dinheiro. Ele agendou minha internação na Santa Casa, onde o ex-presidente tinha sido operado da facada dada pelo nosso conhecido morador de rua.
Precisava aguardar em casa por alguns dias, tomando a medicação que o doutor recomendou. Me sentindo um pouco melhor, fiz várias lives cantando deitada na cama mesmo, além de algumas outras dezoito mais.
Recebi a visita do Dimas e da Mitê, do Clube dos Amigos da Bardo e Fada, que nos levaram comidinhas e batemos um papo muito legal. Foi muito bom, finalmente, encontrar alguém daquele grupo pessoalmente e fiquei muito feliz em serem eles dois. Uns amores!
Alguns dias depois recebemos a visita de outra moça do Clube, a Ifrit, que eu queria muito conhecer. Ela era CamGirl, uma dessas moças que se exibe na câmera para homens tarados em troca de dinheiro. Eu tinha tido uma experiência rápida com isso uns anos atrás, mas ela vivia mesmo desse trabalho e eu queria muito saber como era.
Ela ficou alguns dias comigo. Batemos papo o dia todo. Ela me contou que ficava até quatro horas por dia online atendendo o pessoal. Perguntei se era insalubre ou escroto e ela me falou algo que foi surpreendente: os homens que chamavam ela para as sessões eram pessoas super bacanas. Eu imaginava um monte de velhos babões querendo ver mulher pelada, mas não. Eram homens comuns que encontravam ali um momento para saciar sua sexualidade de uma forma alternativa. Às vezes porque não tinham uma mulher, ou porque o casamento estava chato, ou só porque queriam algum estímulo novo.
Fiquei deitada na cama enquanto ela atendia os clientes do meu lado, se masturbando, sentando no consolo, enfiando o dedinho no cu. A maior parte do tempo, porém, ela conversava. Quase como uma psicóloga, uma terapeuta, ouvindo sobre o dia deles e dando a eles a atenção que provavelmente não encontravam em outro lugar.
Achei muito interessante e anotei a experiência para projetos futuros.
Como o apartamento só tinha um quarto, as kids dormiam na sala e Bardo e eu na cama de casal. Colocamos um colchão no chão e Ifrit deitou ali, aos nossos pés. Mesmo com o joelho quebrado eu estava dando para o Bardo todos os dias – de algum jeito! Erguia a perna boa, ele se encaixava devagarinho e me fazia gozar. Isso com certeza ajudava muito!
Naquela noite esperamos um pouco até ela dormir. Bardo encaixou e começou a me comer devagar e bem quentinho. Soltei um gemido. Foi o sinal que ela precisava. Vimos ela subindo na cama como uma serpente, dizendo que não ia conseguir ficar ali só ouvindo. Foi um mènage engraçado. Eu entrevada na cama e os dois fazendo manobras para me encaixar nas posições.
Ela subiu lambendo as bolas do Bardo até o meu clitóris. Inveja. Amo chupar um pau entrando em uma buceta. Ela era habilidosa e me fez gozar rapidinho. Enquanto Bardo continuava me empurrando devagar, ela foi subindo pela minha barriga me beijando e lambendo, me fazendo arrepiar. Quando chegou no bico dos meus seios, eles estavam esturricados.
Me chupou com sua língua macia e quentinha. Lambia devagar ao redor das aréolas e chupava os biquinhos com delicadeza. Demorou ali e gozei de novo. Subiu pelo meu pescoço e me beijou na boca com sabor de pau e buceta ao mesmo tempo. Que delícia. Derreti na boca dela.
Pedi pra chupar a buceta dela e ela sentou na minha boca. Bardo, por sua vez, levantou-se e colocou o pau na boca dela. Ficamos os três ali curtindo. Ela derramava suco nos meus lábios e enquanto me deliciava ouvia ela engasgando nele. Que tesão. Ela gozou e quis levantar, mas agarrei as coxas dela e continuei chupando. Fiz gozar de novo. A buceta dela era quentinha e muito gostosa de chupar – e ficar vendo ela bater siririca a tarde toda tinha me deixado com vontade!
Só parei de chupar porque meu pescoço cansou! Então pedi para o Bardo colocar ela de quatro na minha frente e foder. Queria assistir. Estava com saudades de ver ele comendo alguém. Sem cerimônia eles obedeceram. Ela de quatro, em um ângulo onde eu podia ver o pau dele socando fundo na buceta molhada dela. Bardo pegou uma camisinha e foi colocando mas vi no olhar dela uma decepção que conheço bem. Perguntei se ela queria no pelo. Ela não conseguiu esconder um sorriso. Bardo socou fundo e gozou dentro.
Quando ele tirou o pau, vi aquele filete branco de porra escorrendo de dentro dela. Não sei o que me deu. Hoje penso que foi o medo que fiquei de perder ele de vez, ou o arrependimento de ter deixado ele de lado, mas quando vi o leite dele saindo dela eu quis pra mim. Puxei ela pela perna e fiz sentar na minha boca de novo. Quando o sabor da porra bateu na minha língua, gozei e chorei ao mesmo tempo.
Que cena deliciosa, não é? Uma pena que nem sempre tem alguém filmando! Sem problema, eu filmei outras! Vem ver no OnlyFans, na Privacy ou no Telegram!
Ela ficou conosco por quase uma semana e fodemos todos os dias. Eu estava com muita dor e isso ajudava muito. Isso e o Marcelo, um cara maravilhoso que eu conheci em outras idas a JotaEfe. Marcelo é um acupunturista muito competente e suas visitas diárias valiam ouro. Era como tirar a dor com a mão! Ele me acompanhou todos os dias até a cirurgia.
***
Ir para o hospital fazer uma cirurgia já é um horror para qualquer um. Mas ir para o hospital com uma pandemia matando aos milhares era assustador. Eu tinha medo de pegar alguma coisa lá e não voltar. Fomos para a Santa Casa. A recepção parecia tranquila. Fui muito bem recebida por uma equipe e levada para um quarto com outras três mulheres. Uma delas tinha feito uma cirurgia na coluna, a outra estava aguardando a sua cirurgia e uma menina ao meu lado tinha uma história trágica: ganhara uma moto de presente de dezoito anos de idade e em um dos primeiros passeios, acidentou-se e perdeu uma perna.
Meu joelho pareceu bobagem.
Começaram os preparativos para a cirurgia.
Tomei tanto remédio que minhas memórias dos dias que passei lá são bastante confusas. Dona Clotilde me ligou e perguntou se eu estava em um quarto particular. Quando disse que não, ela ficou furiosa e disse que ia providenciar um. Pedi que não o fizesse. Bardo não podia entrar no hospital e eu não queria ficar sozinha. Estava fazendo amizade com a menina acidentada e a mãe dela, que me ajudava a ir ao banheiro.
Essa menina me ajudou muito. Ela estava ali sem um pedaço do corpo e mantendo o bom humor. Eu estaria devastada no lugar dela. A mãe dela também era um doce de pessoa e não posso imaginar como ela estava se sentindo sendo a pessoa que deu a moto de presente.
Em algum momento, comecei a passar muito mal. Tive que fazer exames do coração porque os remédios estavam me dando taquicardia. Parece que deu tudo certo e entrei para a cirurgia. O Doutor Samuel apareceu com uma equipe tranquila e me deixou à vontade. Tomei a anestesia e apaguei.
De repente, acordo com um som de furadeira. Estava no meio da cirurgia. – Ela acordou! – alguém gritou, e o anestesista apareceu para me nocautear novamente.
Acordei no quarto, muito tempo depois. O doutor me explicou que a situação era muito pior do que os exames mostraram, mas que não foi um desafio para a habilidade dele e eu teria uma recuperação perfeita. Chorei de alegria. Minha colega de quarto ficou muito feliz por mim.
Os dias seguintes não foram nada bons. Eu não podia ir ao banheiro, então tinha que fazer xixi na comadre. O problema é que, anestesiada, eu nem sempre sentia que era hora de ir ao banheiro e, quando via, já tinha me molhado toda. É uma sensação horrível a de impotência e descontrole do próprio corpo.
A dor era muito grande também e fui escalando os remédios para dor até chegar na morfina. Eu podia sentir o gosto na boca quando injetaram e mesmo assim a dor não ia embora completamente. Eu nunca mais quero fazer uma cirurgia na vida!
Finalmente era hora de ir embora. Mandei uma foto do meu joelho todo costurado para o Bardo e disse a ele que podia me buscar. Ele veio. Eu estava no quarto quando ouvi, do corredor, o tema da Monster High. Ele estava tentando ser divertido, me chamando de Frankenstein. O que ele não sabia era que minha colega do lado estava sem a perna do joelho para baixo e com a coxa costurada de ponta a ponta. Quando ele entrou, todo sorridente, com o telefone tocando a musiquinha, eu só conseguia passar a mão na garganta, em um sinal de – Corta! Corta! – e ele levou poucos segundos para entender o que eu queria dizer.
Nunca vi ele tão sem jeito na vida. Corou e pediu desculpas, mas minha colega entendeu a intenção dele e achou graça. Ainda bem! Me despedi dela, desejei o melhor e fui embora. Ela é minha amiga até hoje.
Voltamos para o apartamento para começar a recuperação. Estavam todos morrendo de saudades de mim e me cobriram de mimos e carinhos. Eu estava seca por um orgasmo mas estava ainda mais travada do que antes da cirurgia. Dei um jeito. Bardo me deitou de ladinho e me comeu bem devagarinho, só a cabecinha, me acariciando o corpo com as pontas dos dedos até me fazer gozar.
Fiquei morrendo de inveja porque ele me contou que recebeu um casal de fãs do Clube. O marido queria perder a virgindade do cuzinho e eles escolheram o Bardo pra isso. A esposa acabou se empolgando e ele enrabou os dois. Como eu queria ter visto isso!
Com a ajuda do Marcelo e de um ótimo fisioterapeuta eu fui retomando os menores movimentos. E eu queria cantar! Voltei para as lives com tudo mesmo. O final do ano aproximava e queria muito estar na casa das pessoas nessa data onde muita gente fica muito triste e acaba cometendo desatinos.
Foi uns dias antes do natal que algo que era rotineiro simplesmente sumiu: Pepe não foi o primeiro a dar bom dia no Clube dos Amigos. Todo mundo estranhou e começou uma busca por notícias. Alguém conseguiu o telefone da filha dele e colocou no grupo. Algumas horas depois, recebi uma ligação dela.
– Olha, moça, por favor, peça a essas pessoas que parem de me ligar! Eu recebi mais de cem telefonemas perguntando sobre meu pai!
– Perdão! Ele é muito querido no nosso grupo. A partir de agora só eu vou te ligar para pedir notícias, está bem?
Ela me contou que o Pepe tinha tido um piripaque do coração (não era COVID) e estava hospitalizado.
– Quem você pensa que meu pai é? – ela perguntou. E seguiu me contando uma história muito parecida com a que ele me contou, mas vinda de um coração muito magoado. Disse a ela que ele tinha mudado e que era uma pessoa extremamente querida por muita gente agora. Eu acho que isso pode ter melhorado um pouco as coisas por lá.
Alguns dias depois fizemos nossa live de natal e logo depois nossa live de réveillon. Bardo preparou uma lasanha e colocamos o telefone com nossos fãs e amigos na mesa para celebrar conosco. Foi muito gostoso, mas estávamos todos com medo de receber uma notícia ruim sobre o Pepe à qualquer momento.
Alguns dias depois, Pepe apareceu no grupo com seu animado bom dia. Essa foi por pouco!
***
Agradecemos ao Doutor Samuel, ao César, ao Marcelo e ao ótimo fisioterapeuta que me atendeu por todo o carinho que recebemos e voltamos para Boa Esperança. Resolvi que não queria mais ficar na casinha que a fã nos emprestou. Bardo e Lavínia já tinham escorregado no piso lá e eu não queria correr esse risco. Ficamos na Kombi, estacionados na beira da lagoa.
Voltamos a nossa boa rotina de uns anos atrás. Dentro da kombi, na beira da lagoa, fazendo nossa comidinha e vivendo nossas vidas em paz. Continuamos nossas lives enquanto eu, aos poucos, ia retomando minha mobilidade. Comecei a usar um andador e em algumas semanas, com a ajuda de uma fisioterapeuta, estava de muletas. Minha vontade de voltar a fazer trilhas na floresta é que me motivava. Queria voar.
Foi em um final de tarde que Bardo e eu sentamos para tomar um café na grama. De repente, uma nuvem branca tomou conta do lago, como uma parede, e começou a mover-se em alta velocidade na nossa direção. Não, não era um OVNI, era uma tempestade!
Foi o tempo do Bardo me pegar no colo e me jogar dentro da Kombi com a Mônica. Quando ele bateu a porta, a chuva bateu no mesmo segundo. Vi os ferros do toldo se retorcerem e, como se fossem vivos, agarrar o Bardo em uma teia. Por sorte ele não se feriu. Conseguindo escapar, ele subiu para a barraca de teto. Foi uma das chuvas mais feias que já vi. O vento batia com muita força e quase virava o carro. Enquanto tentava acalmar a Mônica – Lavínia estava na casa de uma amiga – eu me preocupava se a barraca ia aguentar. A tempestade durou a noite toda e em algum momento eu dormi.
Acordei com o céu limpo, como se nada tivesse acontecido. Bardo passava café em meio aos ferros retorcidos do toldo. Perguntei se ele estava bem, se a barraca tinha segurado. Ele estava plácido. Me contou que os ferros da barraca tremiam como se fossem torcer a qualquer momento e que ele não podia sair da barraca, pois o peso dele era o que segurava ela inteira. Se ele tentasse sair, o vento ia matá-lo.
Me disse que, preso lá e podendo morrer a qualquer segundo, ele repassou a vida dele toda na cabeça. O bem que fez as pessoas, todo mundo que comeu e todas as aventuras que viveu e isso o fez ter a melhor noite de sono em tempos. Disse que já tinha zerado a vida e que a partir desse dia estava pronto para morrer a qualquer instante.
Não gostei de ouvir ele dizer aquilo, mas entendi.
Foi nesse mesmo dia que uma mulher que tinha chegado há pouco no Clube dos Amigos ligou. Ela queria nos ajudar a melhorar nossa condição como artistas. Eu, que estava calejada de gente “querendo ajudar” fui um pouco grosseira com ela, mas ela não ligou. Nos dias seguintes, algumas coisas para a Kombi chegaram pelo Mercado Livre e ela passou a patrocinar nossas lives.
Nesse meio tempo um empresário também quis fazer o mesmo. Ele foi a primeira pessoa que conheci que tinha perdido alguém para o COVID – seu sócio – e ficamos em uma situação muito confortável com dois patrocinadores. Pude ir morar no hotel que ficava em cima da clínica de fisioterapia.
No hotel, conseguimos terminar de gravar nosso novo disco – Rumo ao Novo Lar – que tinha mais covers do que músicas autorais. Lançamos ele e esperávamos uma resposta muito boa, já que nossa presença online estava massiva.
Mas não foi bom. Tínhamos pouco mais de mil ouvintes diários no Spotify. Um número inexpressivo para quem tinha mais de 300 mil seguidores. Recebemos o feedback positivo do público, mas não entendemos os números. Cadê esse povo que ama minha voz, que ama minha música?
Foi um baque e foi desanimador. Esperávamos mesmo uma mudança de rota com esse disco. Tati, nossa patrocinadora, resolveu nos fazer uma visita pessoalmente. Como estávamos morando no hotel, resolvemos alugar um Airbnb para recebê-la. Pegamos uma casa grande, com piscina e churrasqueira, e aproveitamos o cenário para as lives.
Ela chegou e Bardo foi encontrá-la no centro da cidade. Fiquei esperando em casa. Um pouco antes de chegarem, recebo uma mensagem do Bardo no whatsapp: ela é LINDA. Animei. Ouvi o carro chegando e esperei sentada ao lado da piscina. Quando ela entrou, meu queixo caiu: uma mulher deslumbrante, como há tempos não via. Linda, loira, bem vestida, seios fartos, tudo de bom.
Batemos papo. Bardo assou uma carne e fizemos nossa live. Fiquei sentindo a energia dela e a maneira apaixonada que olhava para nós dois. Resolvi dar o bote e, depois de algumas taças de vinho, comecei a alisar a pele macia dela. Deu certo. Em instantes, éramos os três no quarto aos beijos. Minha mobilidade ainda me impedia de dar tudo de mim, mas não me impediu de lamber aquela gata todinha. Que buceta gostosa de chupar! (Essa eu tenho vídeo, me pede no chat!)
Bardo pacientemente esperou que eu a comesse à vontade e foi vindo aos poucos. Ganhou um boquete muito gostoso – ela sabe o que faz – e comeu ela com gosto. Gozamos os três e dormimos felizes.
No dia seguinte era aniversário do Bardo. Fui fazer o café para levar para os dois na cama. Quando cheguei lá, Bardo dormia e ela me olhava com uma cara de quem aprontou. Pegou meus dedos e enfiou na buceta dela. Estava cheia de porra. Ela riu e disse que já tinha dado um presente de aniversário para ele. Caralho, que safada!
Tomamos nosso café e fomos passear pela cidade. Compramos algumas coisas no supermercado. Ela flutuava com uma roupa elegante no meio do povo simples e todos olhavam para ela. Uma deusa. Bardo estava feliz, fazia anos que eu sempre dava um menage de aniversário para ele e dessa vez ia ser um dos melhores.
As kids resolveram usar a casa para dar uma festa para os amigos que fizeram na cidade. Bardo, Tati e eu decidimos subir a Serra da Boa Esperança e ficar em uma pousada linda que tem por lá. Ainda fechamos uma parceria na arroba para divulgar e não pagamos nada. Chegando lá nos sentamos na varanda. A visão ia muito longe, com a cidade aparecendo bem pequena lá embaixo. Tati começou a falar sobre como admirava nossa vida e que queria viver assim. Ela era ex-mulher de um milionário, viveu a vida no alto luxo e ele tinha abandonado ela por uma mulher mais nova. Agora ela queria mudar.
Bardo me olhou, esperançoso. Seria possível ter encontrado nossa namorada? Linda, elegante, inteligente, gostosa e safada? Seria um sonho, mas era cedo para dizer. Se ela queria viver uma vida como a nossa, por que não vivê-la conosco?
Olhamos para o horizonte e, como fizemos mil vezes antes disso, Bardo e eu ficamos em silêncio. Foi naquele momento que me dei conta do valor que isso tinha. Nós sempre sentamos juntos em silêncio por horas, só curtindo a presença um do outro. Aproveitando um momento de paz. E aí eu vi uma cena que já tinha visto mil vezes e veria mais dez mil: os dedos dela começaram a tamborilar o banco. O nervo do olho dava tremidinhas.
Nós estivemos dentro da casa de muita gente e eu vi essa decepção todas as vezes. As pessoas vêem minha vida pelo Instagram e, como em um seriado, imaginam apenas os momentos de ação e aventura. Elas esperam que, ao me encontrarem, encontrarão euforia, música alta, drogas, sexo desregrado, noites em claro e histórias doidas para contar – e eu não mostro nada disso!
O que elas encontram, na verdade, é paz, silêncio e o que parece uma verdadeira chatice. Fato é que minha família é frugal. Encontramos o valor das pequenas coisas e não é só textinho para colocar nos stories. Acordar devagar e com calma, levar todo o tempo do mundo no café da manhã, curtir o som da natureza, falar o que é relevante e frutífero – ou bobagens completas sem levar a sério, levar tempo preparando as refeições, comer com calma, tomar um bom e longo banho, fazer um sexo lento e carinhoso, ler, ouvir música com um volume que só eu escute, acordar cedo e dormir com o sol e estar realmente presente no momento, ouvindo, vendo e fazendo parte da natureza.
Então, quando as pessoas me dizem que querem viver a vida que vivo, eu tenho a impressão que elas não fazem ideia do que estão falando. Para viver essa vida é tudo muito simples: observe um cachorro caramelo e copie tudo o que ele faz. O Rock é nosso guru espiritual.
E eu acredito que minha solidão se deve muito a isso. Ninguém além do Bardo aguenta viver assim comigo, o que me custou alguns amores nessa vida!
– Vamos fazer alguma coisa? – Ela gritou, saltando em pé, frenética.
Decidimos ir até a cachoeira para nos banhar. A estrada estava muito ruim e ficamos no riacho no caminho mesmo. Os três nus. Alguns carros passavam pela estrada mas não nos importamos, continuamos curtindo nosso momento.
Voltamos para a cabana era quase noite. Pedimos um jantar e ficamos de papo. Mais um vinho e o clima foi esquentando. Logo estávamos aos beijos, à luz de velas. Foi muito gostoso, nós três beijando e acariciando. Deitei, abri minhas pernas e trouxe a boca dela até minha buceta. Ela chupava gostoso – não era a Larissa – mas era bem gostoso. Bardo colocou ela de quatro e enterrou o pau. Ela deu uma gemida sem tirar a boca, o que me fez explodir em um squirt. Ela engasgou e começou a rir. Nunca tinha visto aquilo e ficou apaixonada. Me lambia a noite toda querendo mais e Bardo se esbaldava no rabão dela.
Metemos até não poder mais e eu fiquei desejando que aquilo pudesse durar para sempre.
Mas ela era frenética. Nos falava da vida em São Paulo. Das festas regadas à bebida e drogas e das loucuras que fazia. E ela falava com paixão daquilo, não como alguém que estava cansada e não queria mais, mas como alguém que queria nos mostrar aquele mundo. Não tinha o menor interesse. Comentei com o Bardo que, iludido, me disse que podia ser uma fase de mudança dela, que tinha esperança de ter ela como namorada. Eu já não tinha tanta certeza.
No dia seguinte, depois de mais uma foda deliciosa, ela foi embora, prometendo que nos veríamos em breve. Fiquei com o cheiro dela em mim.
***
Bardo e eu, depois de muito considerar, resolvemos rifar a Elvira. Estava gastando todo o dinheiro que juntamos – e os patrocínios – na recuperação do joelho e não ia juntar dinheiro para o ônibus nunca. Lançamos a ideia com receio de que fosse ter o mesmo efeito do novo disco mas fomos surpreendidos, absurdamente surpreendidos. Vendemos trinta mil reais de números no primeiro dia!
Já começamos a procurar por um ônibus para comprar, mas a maioria deles custava mais de quarenta mil. Então seguimos vendendo. O objetivo era completar a rifa em três meses e juntar oitenta mil: o suficiente para comprar o ônibus, equipar e pagar a documentação.
Mas nem tudo são flores: meu joelho pedia mais recursos e algumas semanas depois nossos gastos superaram o dinheiro que ganhamos. Tivemos que mexer no dinheiro da rifa. Bardo estava muito preocupado: ele queria poder devolver se algo desse errado. Mas não ia dar: ele estava sendo metódico e cuidando de tudo com muito zelo.
Tati, com saudade, arrumou um show para a Bardo e Fada em Sorocaba, em um encontro de caravaneiros. A Elvira não estava muito boa. Bardo estava preocupado com isso também. Ele queria entregá-la para o ganhador em perfeitas condições. Levou-a à um mecânico em Boa Esperança que disse ter resolvido o problema.
Como a viagem até Sorocaba era muito longa, resolvemos passar por Socorro para visitar nossos amigos na Vila Ventura. No caminho, a kombinha foi fazendo uns barulhos estranhos e perdia potência – não que ela tivesse muita – nas subidas. Chegando em Socorro deixamos ela em outro mecânico – que também disse que resolveu o problema.
Depois de curtir uns dois dias com o Tonico e a Beth, seguimos para Sorocaba. No início da viagem o carro parecia bem, mas foi dando sinais conforme fomos andando. Algo estava muito errado com o motor. Chegamos lá aos trancos e barrancos e, por sorte, encontramos o Xandão. Ele deu uma olhada por cima, não viu nada, e pediu para voltarmos com ele para Indaiatuba dali para que pudesse ver com calma.
O evento acontecia como se a pandemia não existisse: todo mundo sem máscara, dividindo copos e pratos e espaços comuns. Eu não deixava de ter um certo receio e usei a máscara com a desculpa que estava recuperando meu joelho. As kids usaram também.
Pegamos uma cabana no lugar do show para receber a Tati. Ela chegou toda gostosa, com um vestidinho de verão que desenhava a bunda dela toda. Os homens levavam petelecos das esposas conforme ela passava. E ela chegou com fome: nos levou para a cabana e metemos gostoso! Ela me chupando e Bardo fodendo ela de ladinho, enchendo a buceta dela de porra de novo.
O Lu apareceu por lá. Eu já tinha perdoado ele pela crocodilagem de mandar meus áudios pro Bardo, mas só porque isso ajudou ele a se levantar sozinho. Foi um final de semana muito gostoso. Tati, Lu, Xandão, me senti acolhida entre amigos, ainda andando de muleta. Fiz meu show sentada – o que odeio – mas foi bem gostoso. Depois, a mulher do Xandão animou a pista e a turma toda caiu no passinho com um repertório anos 80!
Aconteceu uma coisa engraçada com o Lu. Era hora do café da manhã e Xandão começou a fazer e distribuir seus famosos mistos com ovo – aquele que evitou que ele levasse uma surra do Bardo. Lu não aceitou. Ele foi no carro buscar as coisas que trouxe para o café. Achei esquisito e perguntei para ele por que não quis comer o misto. Ele disse que não era dele e que não ia pagar se tinha trazido o próprio lanche. Aquilo me jogou em um turbilhão de memórias da minha vida no sul. Quantas vezes eu fiquei com fome porque não dividiram o lanche comigo. Quantas vezes eu me senti excluída em espaços coletivos porque não tinha dinheiro. Lá era normal uma pessoa estar presente e ficar de fora mesmo assim. Fiquei feliz porque era uma coisa do meu passado e que eu nunca mais ia viver. Não aqui no sudeste. E não adiantava tentar explicar isso pro Lu. O misto era de graça, era um mimo do Xandão para os amigos.
Tati era uma serelepe. Andava de um lado pro outro, falava com todo mundo, apresentava nosso som. E se jogava em todos os homens. Acho que ela estava experimentando alguma liberdade nova e não estava sabendo regular muito bem. Deixei ela na dela. Quando a noite chegou, Bardo e eu nos recolhemos para a cabana e ela sumiu. Comecei a ficar com sono esperando e Bardo foi atrás dela. Encontrou-a na kombi de um cara, quase aos beijos. Ela estava com uma energia muito alta, muito intensa, quase um desespero. O sexo não foi muito bom pra mim. Bardo curtiu mais. Resolvi ir tomar um banho. Bardo levou ela para a porta do banheiro e ficou comendo ela de pé para que eu visse. Ela pediu no cuzinho e aquilo me irritou um pouco. Não sei porquê. Ele comeu o cu dela e ela gemia olhando pra mim. Terminei meu banho e fui dormir.
No dia seguinte ela estava falando de um cara que conheceu e queria que eu conhecesse também. Acho que ela estava mesmo animada com a ideia de liberdade sexual, mas ainda estava na fase da libertinagem, e eu com o joelho zoado não estava com muito ânimo para uma adolescente de quarenta anos. Deixei ela sair sozinha e fiquei na minha. Algumas horas depois, dei falta do Bardo. Fui até a cabana e ele estava comendo ela. Não gostei de não terem me chamado, mas me juntei a foda mesmo assim.
No dia seguinte, nos despedimos com mais um sexo – dessa vez gostoso – e ela pediu para que fôssemos para o apartamento dela em São Paulo. O último lugar na terra que eu queria estar era em uma capital. As crises de nervos continuavam na família toda e São Paulo era barulhenta demais para nós agora. Resolvemos ir para Indaiatuba com o Xandão para resolver a Elvira.
Pobrezinha da kombinha, foi aos trancos e barrancos e não conseguiu chegar lá. Xandão teve que vir com o guincho nos buscar em Salto. Finalmente chegando na oficina, Xandão abriu o motor da Elvira e constatou o problema – e por que nenhum mecânico viu ele antes. Era uma raridade, mas o virabrequim tinha partido ao meio e, em algum milagre, deu a volta e encaixou perfeitamente de novo. Só quando ele desmontou tudo e a peça caiu em dois pedaços na mão dele é que o problema revelou-se.
Bardo então decidiu que ia usar o dinheiro da rifa para fazer o motor e entregar o carro em perfeito estado para a pessoa sorteada. Achei justo, apesar de diminuir o orçamento do ônibus, que já estava mais curto por conta do meu joelho.
Seguíamos vendendo os números da rifa e aproveitamos a estadia na oficina do Xandão para gravar uma música icônica: Vai de Kombi. Bardo compôs essa música durante as viagens e cantava ela sempre que tinha que subir algum morro, para ajudar a Elvira a ganhar força!
É só metal
Borboleta de metal
É o motor
De um sonho ambulante
Come listras amarelas em um mar de piche
Veja como é linda a natureza
Se é pra sonhar
Quero sonhar acordado
E viajar
Com você sempre ao meu lado
Não preciso de dinheiro nessa vida
Que se vive de magia
Vai Elvira! Vai voando pelo céu!
Vai de Kombi! Tira o sonho do papel!
Pela estrada vai voando devagar o pão de forma invencível!
Gravamos bem na hora que o Xandão testava o motor recém reformado. Bardo desceu com o microfone e gravou o som, que usou como fundo e tempo da música. Ficou linda e muito emocionante!
***
Era aniversário da Moniquinha e resolvemos fazer a festa na oficina. Foi um aniversário diferente, onde tivemos a oportunidade de conhecer alguns fãs do Clube dos Amigos que moravam nas redondezas. Entre eles estava o Wilson – que ia salvar nossa pele um dia, mas não sabíamos disso ainda – e o Leandro – que ia salvar nossa pele mais ainda, mas não sabíamos disso também. Foi uma festa muito divertida, com bolo e churrasco no meio dos motores!
Tati ligava todo dia. Insistia que tínhamos que ir para São Paulo, que queria nos mostrar alguns lugares e nos apresentar algumas pessoas. Eu ainda não queria ir, mas Bardo insistiu que ela era nossa patrocinadora e que já estava com saudades de comer ela de novo. Eu também estava, mas também estava com uma pulga atrás da orelha. Algo não me cheirava bem. Neguei meus instintos e cedi.
São Paulo (de novo?) aqui vou eu…
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